{"id":50757,"date":"2020-07-28T02:25:34","date_gmt":"2020-07-28T05:25:34","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50757"},"modified":"2020-07-28T04:31:06","modified_gmt":"2020-07-28T07:31:06","slug":"adeus-ifood-entregadores-tentam-criar-cooperativa-para-trabalhar-sem-patrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/28\/adeus-ifood-entregadores-tentam-criar-cooperativa-para-trabalhar-sem-patrao\/","title":{"rendered":"&#8216;Adeus, iFood&#8217;: entregadores tentam criar cooperativa para trabalhar sem patr\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Com a queda nos rendimentos e o aumento dos riscos provocados pela pandemia de coronav\u00edrus, entregadores de aplicativos se mobilizaram nas \u00faltimas semanas para pressionar grandes empresas como iFood, Uber Eats e Rappi a aumentar o valor das corridas e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>A segunda paralisa\u00e7\u00e3o nacional do Breque dos Apps ocorreu no s\u00e1bado (25) em cidades como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bras\u00edlia, Vit\u00f3ria, Porto Alegre e Rio Branco, mas, em geral, com atos menores que os realizados no in\u00edcio do m\u00eas.<\/p>\n<p>Enquanto a mobiliza\u00e7\u00e3o contra as plataformas perde f\u00f4lego nas ruas, parte dos entregadores tenta criar um caminho alternativo para melhorar de vida \u00ad\u00ad\u2014 querem fundar uma cooperativa, com seu pr\u00f3prio aplicativo de entrega, para trabalhar &#8220;sem patr\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A luta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por melhoria dentro do aplicativo. At\u00e9 porque muito foi refletido internamente de que lutar por melhoria dentro do aplicativo n\u00e3o resolve nossos problemas, n\u00e9? Os donos de aplicativos querem encher o bolso de dinheiro, n\u00e3o querem de fato melhoria do trabalho do entregador&#8221;, afirma Eduarda Alberto, entregadora do Rio de Janeiro que levou a ideia da cooperativa para dentro do movimento Entregadores Antifascistas junto com outro colega de trabalho, Alvaro Pereira.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, eles (as grandes empresas) podem at\u00e9 fazer alguma coisa (atender alguma reivindica\u00e7\u00f5es) para calar nossa boca, mas a \u00fanica possibilidade de melhora mesmo \u00e9 com autogest\u00e3o&#8221;, acredita ela, que \u00e9 tamb\u00e9m estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFRJ.<\/p>\n<p>O processo de criar uma cooperativa para concorrer com grandes plataformas de entrega, no entanto, n\u00e3o \u00e9 simples nem barato. Apenas o desenvolvimento inicial de um aplicativo enxuto do tipo custa cerca de R$ 500 mil, segundo pessoas do setor consultadas pela BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Para tentar transformar a ideia em realidade, os Entregadores Antifascistas contam com o apoio volunt\u00e1rio de advogados, economistas, programadores e estudiosos do cooperativismo de plataforma \u2014 conceito criado por Trebor Scholz, intelectual e ativista americano, para o fen\u00f4meno crescente no mundo de uso das ferramentas digitais por cooperativas. Uma das ideias por tr\u00e1s desse movimento \u00e9 que os trabalhadores se apropriem da l\u00f3gica da plataforma, usando os algoritmos em seu favor.<\/p>\n<p>&#8220;A tecnologia n\u00e3o \u00e9 neutra. As plataformas, do modo como s\u00e3o constru\u00eddas, t\u00eam uma gest\u00e3o algor\u00edtmica que acaba beneficiando as empresas&#8221;, afirma um dos apoiadores do movimento, o pesquisador em trabalho digital e professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) Rafael Grohmann.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cooperativas na Europa s\u00e3o inspira\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Os Entregadores Antifascistas t\u00eam buscado inspira\u00e7\u00e3o em cooperativas de entrega que j\u00e1 existem no exterior, embora, em geral, sejam ainda iniciativas recentes que contam com cerca de 20 a 30 entregadores apenas. \u00c9 o caso da Mensakas, criada em Barcelona a partir de um movimento grevista contra a Deliveroo (empresa de entregas forte na Europa) em 2017.<\/p>\n<p>O grupo brasileiro est\u00e1 tamb\u00e9m em contato com a CoopCycle, uma federa\u00e7\u00e3o que re\u00fane 30 cooperativas do tipo, sendo 28 na Europa e duas no Canad\u00e1. Sediada na Fran\u00e7a, ela permite que cooperativas em diferentes cidades compartilhem servi\u00e7os, como uso de um software e aplicativo comuns, com objetivo de baratear custos.<\/p>\n<p>Eduarda Alberto conta que os apoiadores do movimento j\u00e1 realizaram a tradu\u00e7\u00e3o do aplicativo da CoopCycle para o portugu\u00eas e agora trabalham em como adaptar a plataforma para um sistema de pagamentos que opere no Brasil. Outra dificuldade est\u00e1 sendo incluir o servi\u00e7o de motos no sistema da federa\u00e7\u00e3o europeia, cujo aplicativo s\u00f3 opera com bicicletas.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro desafio est\u00e1 sendo convencer a galera do Coopcycle a inserir motocicleta na pr\u00f3pria plataforma deles, porque pouparia muito trabalho de desenvolvimento. Se n\u00e3o for vi\u00e1vel, a gente vai desenvolver uma nova em cima do c\u00f3digo aberto que eles liberam&#8221;, diz a entregadora.<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00f3 aceitam bicicleta por uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica de desempenho ambiental que eu respeito muito, mas que surge dentro de uma realidade europeia muito diferente da brasileira&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>Enquanto o aplicativo n\u00e3o sai do papel, Alberto acaba de criar com mais seis colegas do ramo o coletivo de entregas&nbsp;<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/despatronados.wixsite.com\/cooperativa\">Despatronados<\/a>. Assim, esperam ter uma rede de entregadores e clientes no Rio de Janeiro quando a cooperativa virar realidade. Desde ter\u00e7a-feira (21), quando o site entrou no ar, 36 pessoas se inscreveram interessadas em entrar no coletivo. Segundo Duda, a rede j\u00e1 tem 190 clientes cadastrados, que podem acionar a entrega pelo WhatsApp.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 levamos de potes de nozes a documentos para autenticar em cart\u00f3rio. Ainda estamos trabalhando somente com agendamento, enquanto o app est\u00e1 em desenvolvimento. A\u00ed, ainda n\u00e3o conseguimos atender pedidos de restaurantes sob demanda&#8221;, contou \u00e0 BBC News Brasil na sexta-feira (24).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Coletivo de mulheres e LGBTs tenta ter aplicativo desde 2018<\/h2>\n<p>Os Entregadores Antifascistas n\u00e3o s\u00e3o os primeiros a tentar usar a tecnologia da CoopCycle no Brasil e esbarrar em alguma dificuldade. O Se\u00f1oritas Courier, um coletivo de entregas por bicicleta em S\u00e3o Paulo formado apenas por mulheres ou pessoas LGBT, n\u00e3o conseguiu usar a plataforma porque a federa\u00e7\u00e3o s\u00f3 aceita cooperativas, conta a fundadora do grupo, Aline Os.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1404B\/production\/_113659918_aline-senoritas2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1404B\/production\/_113659918_aline-senoritas2.jpg?resize=576%2C720&#038;ssl=1\" alt=\"Aline Rieira, do coletivo Se\u00f1oritas Courier, atende clientes por WhatsApp e Instagram\" width=\"576\" height=\"720\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Aline Rieira, do coletivo Se\u00f1oritas Courier, atende clientes por WhatsApp e Instagram. Direito de imagem DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>\u00c9 ela que gerencia as entregas por meio do WhatsApp e o Instagram, atendendo a uma rede de clientes &#8220;com valores alinhados ao do coletivo, como marcas veganas ou que valorizem a economia feminista e a economia negra&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Fa\u00e7o tudo na m\u00e3o. Em 2018, inscrevi o coletivo em v\u00e1rios editais de fomento para projetos sociais, tentando conseguir os recursos para um aplicativo, mas nenhum aceitou e continuamos atuando como um coletivo informal&#8221;, lembra ela.<\/p>\n<p>Agora, o Se\u00f1oritas Courier est\u00e1 avaliando fazer uma vaquinha online para levantar cerca de R$ 8 mil para os gastos de criar uma cooperativa, como contrata\u00e7\u00e3o de advogado e contador e o pagamento de taxas de cart\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Esse ano, com o crescimento da quantidade de clientes e bikers por causa da pandemia, vimos que a cooperativa \u00e9 uma sa\u00edda interessante. Mas algumas integrantes ainda est\u00e3o na d\u00favida, pois hoje elas t\u00eam algumas vantagens (menos impostos) atuando como MEI (microempreendedor)&#8221;, relata.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Campos de resist\u00eancia&#8217;<\/h2>\n<p>Outro que tem colaborado com os Entregadores Antifascistas na cria\u00e7\u00e3o da cooperativa \u00e9 Rafael Zanatta, doutorando do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S\u00e3o Paulo e tradutor do livro&nbsp;<i>Cooperativismo de Plataforma<\/i>, de Trebor Scholz, para o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Ele reconhece que a concorr\u00eancia com as grandes empresas de aplicativo n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil e diz que um caminho para as cooperativas \u00e9 justamente buscar nichos de mercado, com empresas e consumidores mais preocupados com um consumo consciente, como fazem pequenos produtores de alimentos org\u00e2nicos no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;O cooperativismo de plataforma n\u00e3o elimina a big tech (grande empresa de tecnologia), assim como hoje o associativismo (de pequenos agricultores) n\u00e3o elimina a big food (redes de supermercado). Mas acho que s\u00e3o campos de resist\u00eancia, de tornar os mercados mais plurais, e de dar alternativa para o cidad\u00e3o escolher&#8221;, afirma Zanatta.<\/p>\n<p>&#8220;E elas podem tamb\u00e9m provocar debate interno (nas grandes plataforma). Essas empresas t\u00eam pavor de que grandes influenciadores comecem a gravar v\u00eddeos contra elas e defender uma cooperativa como alternativa. Ent\u00e3o, isso pode provocar algumas decis\u00f5es internas de melhorias das condi\u00e7\u00f5es de trabalho para tentar antecipar esse movimento de cr\u00edtica ou de sa\u00edda&#8221;, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Em alguns casos, diante da dificuldade de concorrer diretamente com as grandes empresas, trabalhadores dessas plataformas tamb\u00e9m podem formar &#8220;cooperativas de consumo&#8221;, nota Zanatta. Segundo ele, motoristas de Uber nos Estados Unidos j\u00e1 atuam nesse modelo, usando a cooperativa para comprar com melhor pre\u00e7o combust\u00edvel e pacotes de internet, assim como meio coletivo de negociar com a plataforma.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Cooperativas locais, mais articuladas entre si&#8217;<\/h2>\n<p>O diretor-geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mario De Conto, avalia que um dos principais desafios para as cooperativas concorrerem com grandes empresas \u00e9 &#8220;a escala&#8221;. Ao contr\u00e1rio de empresas como Uber Eats, iFood e Deliveroo, que operam em centenas de cidades, e at\u00e9 mesmo em diferentes pa\u00edses, as cooperativas de entrega costumam atuar localmente e com poucos cooperados.<\/p>\n<p>Um meio de tentar reduzir essa desvantagem \u00e9 o modelo de federa\u00e7\u00e3o usado pela CoopCycle, diz. Isso permite ao usu\u00e1rio baixar um \u00fanico aplicativo no seu celular e, por meio dele, acessar o servi\u00e7o de diferentes cooperativas.<\/p>\n<p>&#8220;Eu hoje acredito em cooperativas locais, mas articuladas entre si. Por exemplo, eu tenho Uber no meu celular, qualquer cidade que eu for eu chamo Uber com o mesmo aplicativo. Talvez o caminho para as cooperativas seja ter um aplicativo geral, mas com cooperativas locais&#8221;, acredita De Conto.<\/p>\n<p>\u00c9 um modelo j\u00e1 usado tamb\u00e9m em outros setores econ\u00f4micos, ressalta. Em Nova York, nos Estados Unidos, tr\u00eas diferentes cooperativas de mulheres, a maioria imigrantes da Am\u00e9rica Latina, compartilham o aplicativo Up &amp; Go para oferecer servi\u00e7os de limpeza dom\u00e9stica. A iniciativa nasceu em 2017 a partir da mobiliza\u00e7\u00e3o das trabalhadoras, com apoio de uma cooperativa de tecnologia (CoLab Cooperative) e recursos da Funda\u00e7\u00e3o Robin Hood e do banco Barclays.<\/p>\n<p>Mas, se depender do desejo de Paulo Lima, lideran\u00e7a do grupo Entregadores Antifascistas em S\u00e3o Paulo mais conhecido como Galo, o movimento dos entregadores ser\u00e1 grande. Ele diz que ainda n\u00e3o tem previs\u00e3o de quanto a cooperativa estar\u00e1 em funcionamento porque acha mais importante &#8220;fazer bem feito, com qualidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 l\u00f3gico que a gente sabe das limita\u00e7\u00f5es que a gente tem, talvez a gente comece num Estado (do pa\u00eds), Mas a ideia \u00e9 que seja uma cooperativa geral, e se puder internacional. A gente est\u00e1 em contato com a Argentina, com outros pa\u00edses a\u00ed, com Chile, com o M\u00e9xico, com a Col\u00f4mbia. \u00c9 viver e deixar viver, sabe? Vamos vendo o que acontece&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Empresas rebatem cr\u00edticas<\/h2>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber Eats e iFood, n\u00e3o quis conceder entrevista para esta reportagem. Por meio de nota sobre os atos realizados no s\u00e1bado (25), ressaltou a import\u00e2ncia do setor como gerador de renda durante a pandemia de coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>&#8220;Diante de um cen\u00e1rio econ\u00f4mico como o da pandemia da covid-19, a flexibilidade dos aplicativos foi essencial para que centenas de milhares de pessoas, entre entregadores, restaurantes, comerciantes e micro empresas, tivessem uma alternativa para gerar renda e apoiar o sustento de suas fam\u00edlias&#8221;, destacou a Amobitec.<\/p>\n<p>O comunicado menciona &#8220;diversas a\u00e7\u00f5es de apoio aos entregadores parceiros&#8221;, introduzidas desde o in\u00edcio da pandemia, &#8220;tais como a distribui\u00e7\u00e3o gratuita ou reembolso pela compra de materiais de higiene e limpeza, como m\u00e1scara, \u00e1lcool em gel e desinfetante, e a cria\u00e7\u00e3o de fundos para o pagamento de aux\u00edlio financeiro para parceiros diagnosticados com covid-19 ou em grupos de risco&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo a associa\u00e7\u00e3o, &#8220;as a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 crise foram desenvolvidas mesmo em um cen\u00e1rio de acirramento da competi\u00e7\u00e3o entre empresas e aumento expressivo no n\u00famero de entregadores&#8221;.<\/p>\n<p>A Amobitec afirmou tamb\u00e9m que &#8220;os entregadores parceiros cadastrados nas plataformas est\u00e3o cobertos por seguro contra acidentes pessoais durante as entregas&#8221; e disse estar aberta ao di\u00e1logo &#8220;para aprimorar a experi\u00eancia de todos nas plataformas&#8221;.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Mariana Schreiber d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em Bras\u00edlia &#8211; dispon\u00edvel na internet 28\/07\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a queda nos rendimentos e o aumento dos riscos provocados pela pandemia de coronav\u00edrus, entregadores de aplicativos se mobilizaram nas \u00faltimas semanas para pressionar grandes empresas como iFood, Uber Eats e Rappi a aumentar o valor das corridas e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. 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