{"id":51163,"date":"2020-08-07T02:34:15","date_gmt":"2020-08-07T05:34:15","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=51163"},"modified":"2020-08-07T05:39:49","modified_gmt":"2020-08-07T08:39:49","slug":"por-que-cidades-precisam-mais-do-que-nunca-de-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/08\/07\/por-que-cidades-precisam-mais-do-que-nunca-de-arvores\/","title":{"rendered":"Por que cidades precisam mais do que nunca de \u00e1rvores"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Megacidades como Paris e Londres t\u00eam projetos ambiciosos para se tornarem mais verdes. Algo indispens\u00e1vel, segundo ecologistas, para frear os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas cada vez mais populosas \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p>N\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, muita gente n\u00e3o tinha certeza se as \u00e1rvores deveriam ter um lugar nas cidades. Pedestres, carros, casas e pr\u00e9dios compunham \u00e1reas urbanas \u2013 n\u00e3o havia muito espa\u00e7o para a natureza.<\/p>\n<p>Mas as \u00e1rvores agora t\u00eam um lugar fundamental em muitas grandes cidades do mundo, diz Sonja D\u00fcmpelmann, historiadora da paisagem da Universidade da Pensilv\u00e2nia \u2013 mesmo que, na maioria delas, ainda estejam lutando por espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Para colher os benef\u00edcios das paisagens urbanas, ecologistas dizem que \u00e9 fundamental que as \u00e1rvores sejam vistas como mais do que uma mera adi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica \u00e0s cidades. Isso \u00e9 especialmente verdade agora que metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em espa\u00e7os urbanos \u2013 at\u00e9 2050, estima-se que outras 2,5 bilh\u00f5es de pessoas se mudar\u00e3o para cidades.<\/p>\n<p>\u00c1rvores s\u00e3o chave quando se trata de regular os microclimas, filtrando a polui\u00e7\u00e3o do ar, fornecendo sombra, absorvendo CO2, ajudando a evitar inunda\u00e7\u00f5es repentinas. Al\u00e9m disso, atuam como um ant\u00eddoto importante para o efeito de ilha de calor urbana, que torna as cidades muito mais quentes do que as \u00e1reas rurais vizinhas.<\/p>\n<p>&#8220;As \u00e1rvores podem fazer uma enorme diferen\u00e7a na temperatura de uma cidade&#8221;, diz Tobi Morakinyo, climatologista urbano que pesquisa o efeito de resfriamento de \u00e1rvores em Akure, sudoeste da Nig\u00e9ria. Segundo ele, o uso de \u00e1rvores para gerar sombra em edif\u00edcios pode resfri\u00e1-los em at\u00e9 5\u00b0C.<\/p>\n<p>Em cidades quentes da \u00c1frica subsaariana como Akure, onde as temperaturas m\u00e9dias m\u00e1ximas de ver\u00e3o podem chegar a 38\u00b0C, esse efeito de resfriamento \u00e9 uma ferramenta importante. Segundo Morakinyo, as cidades podem empregar \u00e1rvores tanto contra o estresse t\u00e9rmico quanto contra os custos de resfriamento.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m dos servi\u00e7os ecol\u00f3gicos que as \u00e1rvores urbanas proporcionam, h\u00e1 tamb\u00e9m as qualidades que n\u00e3o podemos colocar em valor monet\u00e1rio&#8221;, acrescenta Cris Brack, ecologista florestal da Universidade Nacional Australiana e diretor do Arboretum Nacional em Camberra. &#8220;S\u00e3o a biodiversidade, a est\u00e9tica e nossa necessidade visceral de experimentar a natureza&#8221;, completa Brack, referindo-se ao conceito de &#8216;biofilia&#8217; \u2013 a ideia de que os seres humanos t\u00eam um desejo inato de se conectar com a natureza.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias sugerem que habitantes de regi\u00f5es com mais \u00e1rvores experimentam n\u00edveis mais baixos de estresse e doen\u00e7as mentais.<span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<div class=\"picBox full\">\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/53550893_303.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pessoas caminham em parque de Paris\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/53550893_303.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pessoas caminham em parque de Paris\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Paris construir\u00e1 quatro florestas urbanas dentro da cidade ao longo de 2020<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Luta contra o cimento<\/strong><\/p>\n<p>A necessidade de \u00e1rvores nas cidades \u00e9 cada vez maior, mas elas frequentemente lutam contra ambientes urbanos opressivos. Abaixo do solo suas ra\u00edzes podem ser sufocadas por tubos de \u00e1gua, estradas e estacionamentos subterr\u00e2neos, e acima pela polui\u00e7\u00e3o, linhas de energia e tr\u00e1fego. \u00c1rvores tamb\u00e9m enfrentam danos causados por carros, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas cada vez mais extremas e remo\u00e7\u00f5es para dar lugar a canteiros de obras.<\/p>\n<p>Talvez o desafio moderno mais duro para as \u00e1rvores da cidade, diz Somidh Saha, ecologista florestal urbana do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, seja a estiagem. Ap\u00f3s a onda de calor sem precedentes na Europa em 2018, um estudo coassinado por Saha constatou que 30% das \u00e1rvores plantadas em Karlsruhe, no sudoeste da Alemanha, nos quatro anos anteriores haviam morrido \u2013 tanto direta quanto indiretamente por falta de \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8220;Sem \u00e1gua suficiente, as \u00e1rvores se tornam fracas e isso as torna vulner\u00e1veis a doen\u00e7as&#8221;, diz Saha. Ao mesmo tempo, o decl\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es urbanas de aves e mam\u00edferos arbor\u00edcolas, como morcegos, deixa as popula\u00e7\u00f5es de insetos sem controle, e as \u00e1rvores locais mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Projetos em megacidades<\/strong><\/p>\n<p>Projetos ecol\u00f3gicos ambiciosos surgiram em v\u00e1rias megacidades ao redor do mundo nos \u00faltimos anos \u2013 Nova York plantou um milh\u00e3o de \u00e1rvores entre 2007 e 2015; o prefeito de Londres, Sadiq Khan, espera tornar verde mais da metade da capital at\u00e9 2050; Paris, por sua vez, anunciou que construir\u00e1 quatro florestas urbanas ao longo de 2020.<\/p>\n<p>Mas fora da Europa, em lugares como a \u00cdndia e a Nig\u00e9ria, onde faltam recursos e vontade pol\u00edtica para tornar o verde urbano uma prioridade, as \u00e1rvores nas cidades s\u00e3o muito mais escassas.<\/p>\n<p>Como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica traz temperaturas mais quentes e chuvas mais imprevis\u00edveis, as cidades est\u00e3o exigindo um novo tipo de resili\u00eancia das \u00e1rvores urbanas. Para muitas cidades do mundo, os ecologistas dizem que isso significa plantar esp\u00e9cies mais ex\u00f3ticas.<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\"><\/p>\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/54270002_401.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pessoas caminham no Central Park, em Nova York\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/54270002_401.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pessoas caminham no Central Park, em Nova York\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nova York plantou um milh\u00e3o de \u00e1rvores em cerca de uma d\u00e9cada<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A ideia, por\u00e9m, encontra bastante resist\u00eancia. Os ecologistas Brack e Saha argumentam, no entanto, que esp\u00e9cies alternativas geralmente se adaptam melhor ao ambiente artificial de uma cidade \u2013 especialmente diante do aumento das ondas de calor. O bordo de tr\u00eas dentes, nativo da China, Coreia e Jap\u00e3o, \u00e9 uma esp\u00e9cie que poderia aparecer em maior n\u00famero em outras partes do mundo \u00e0 medida que a temperatura global aumenta.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma distin\u00e7\u00e3o importante a ser feita entre \u00e1rvores &#8220;ex\u00f3ticas&#8221;, o que significa apenas que n\u00e3o s\u00e3o locais, e as &#8220;invasivas&#8221;, que s\u00e3o prejudiciais, espalhando-se muito rapidamente e dominando o meio ambiente.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 vida selvagem local, estudos cont\u00ednuos est\u00e3o sendo realizados em lugares como Canberra, onde quase todas as esp\u00e9cies de \u00e1rvores da cidade s\u00e3o ex\u00f3ticas. Ali, os p\u00e1ssaros comem com prazer frutas de plantas n\u00e3o nativas, e os mam\u00edferos encontram casas onde quer que haja um buraco apropriado.<\/p>\n<p><strong>Empenho cidad\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o para preservar as \u00e1rvores urbanas que tem crescido em popularidade nos \u00faltimos anos \u00e9 o envolvimento dos moradores. O programa de poda de Nova York permite que os habitantes da cidade tenham aulas para se tornarem cuidadores oficiais das \u00e1rvores, e Berlim \u2013 um lugar que normalmente tem exclu\u00eddo os cidad\u00e3os de cuidar da flora urbana \u2013 est\u00e1 agora permitindo que os residentes solicitem licen\u00e7as para manter canteiros e prop\u00f4s que eles reguem \u00e1rvores no ver\u00e3o.<\/p>\n<p>O envolvimento dos cidad\u00e3os tem seus pr\u00f3s e contras, diz D\u00fcmpelmann, e estes tipos de programas podem ou n\u00e3o ser eficazes dependendo da cultura local. Mas at\u00e9 mesmo regar \u00e1rvores sozinho &#8220;demonstrou ser um esfor\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o realmente relevante&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Embora o plantio de \u00e1rvores em espa\u00e7os urbanos seja uma forma eficaz e bastante eficiente de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, D\u00fcmpelmann enfatiza que n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o hol\u00edstica. &#8220;\u00c9 algo em que devemos trabalhar ao mesmo tempo em que abordamos as causas fundamentais da mudan\u00e7a clim\u00e1tica&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de usar as \u00e1rvores como ferramenta de geoengenharia, ecologistas urbanos ressaltam que mais \u00e1rvores nas cidades poderiam mudar as perspectivas da vida urbana e dar \u00e0s pessoas uma maior compreens\u00e3o de como valorizar a natureza como parte de uma cidade sustent\u00e1vel e habit\u00e1vel \u2013 n\u00e3o separada dela.<\/p>\n<p>Isso significa ver as \u00e1rvores como seres vivos, em crescimento, diz Brack, n\u00e3o paradas no tempo, ou imunes aos estresses da vida em ambientes urbanos.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 07\/08\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Megacidades como Paris e Londres t\u00eam projetos ambiciosos para se tornarem mais verdes. 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