{"id":51409,"date":"2020-08-13T03:29:00","date_gmt":"2020-08-13T06:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=51409"},"modified":"2020-08-13T06:32:30","modified_gmt":"2020-08-13T09:32:30","slug":"soro-obtido-de-cavalos-pode-ser-arma-contra-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/08\/13\/soro-obtido-de-cavalos-pode-ser-arma-contra-a-covid-19\/","title":{"rendered":"Soro obtido de cavalos pode ser arma contra a covid-19"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Estudo brasileiro mostra que equinos podem produzir anticorpos dezenas de vezes mais potentes contra o novo coronav\u00edrus que humanos. Pr\u00f3xima fase, se aprovada, ser\u00e1 de testes em pessoas infectadas.<\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\">Um estudo de pesquisadores brasileiros detectou em cavalos a presen\u00e7a de anticorpos neutralizantes dezenas de vezes mais potentes contra o novo coronav\u00edrus do que os encontrados em humanos por ele infectados. Nesta quinta-feira (13\/08), ser\u00e1 registrado um pedido de patente nacional do soro obtido a partir dos animais.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>No estudo, cinco cavalos do IVB, no Rio de Janeiro, receberam inje\u00e7\u00f5es da prote\u00edna S do novo coronav\u00edrus&nbsp;\u2013 a&nbsp;que forma&nbsp;esp\u00edculas ou &#8220;pontinhas&#8221; ao redor do v\u00edrus \u2013 ao longo de seis semanas.<\/p>\n<p>&#8220;Essa prote\u00edna \u00e9 a que est\u00e1 presente na parte mais externa do v\u00edrus e em grande abund\u00e2ncia, e \u00e9 conhecida por estimular a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos&nbsp;\u2013 para os coronav\u00edrus em geral \u2013&nbsp;com alto poder de neutralizar o v\u00edrus, ou seja, impedir que entre na c\u00e9lula e se propague&#8221;, explica Leda Castilho, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Engenharia de Cultivos Celulares (Lecc) da Coppe\/UFRJ, que participou do estudo.&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda em fevereiro, Castilho modificou geneticamente c\u00e9lulas cultivadas em laborat\u00f3rio a partir de um gene do v\u00edrus, cedido por colaboradores dos Estados Unidos&nbsp;para fazer uma c\u00f3pia da prote\u00edna. Na pr\u00e1tica, portanto, a prote\u00edna n\u00e3o \u00e9 retirada do v\u00edrus para ser diretamente inoculada em animais, mas reproduzida ou &#8220;copiada&#8221; em laborat\u00f3rio. Al\u00e9m de ser usada em pesquisas diversas, tem sido utilizada em testes de diagn\u00f3stico da covid-19 e em algumas formula\u00e7\u00f5es das vacinas que est\u00e3o em desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n<p>Os pesquisadores acompanharam a rea\u00e7\u00e3o \u00e0s inocula\u00e7\u00f5es semana a semana por meio de exames de sangue, e detectaram, em quatro dos cinco animais, anticorpos neutralizantes dezenas de vezes mais potentes do que os encontrados no plasma de pessoas contaminadas pelo novo coronav\u00edrus, o Sars-Cov-2.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Em alguns pontos, chegou a ser 100 vezes maior [do que a pot\u00eancia dos anticorpos&nbsp;produzidos por humanos]&#8221;, afirma o pesquisador da UFRJ e presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), Jerson Lima Silva, um dos autores do estudo. Segundo ele, um dos cinco animais teve maior lentid\u00e3o para apresentar resposta imunol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m produziu anticorpos.&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que o soro obtido a partir do sangue de cavalos possa ser utilizado para tratamento de pessoas j\u00e1 infectadas, a exemplo do que \u00e9 feito com casos de quem \u00e9 contaminado por raiva ou picado por cobra e recebe soroterapia. Diferentemente da vacina, que cont\u00e9m agentes infecciosos capazes de fazer o corpo produzir anticorpos, o soro j\u00e1 vem com os anticorpos.<\/p>\n<p>Para que possa ser aplicado em humanos, o plasma dos cavalos precisa ser purificado e filtrado. Os estudos cl\u00ednicos, se aprovados pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) e pelo Comiss\u00e3o Nacional de \u00c9tica em Pesquisa (Conep), ocorrer\u00e3o em parceria com o Instituto D\u2019Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa foi resultado de uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Vital Brazil (IVB). Conforme os pesquisadores, enquanto n\u00e3o h\u00e1 vacinas aprovadas&nbsp;\u2013 e se&nbsp;quando houver, deve haver dificuldade em atender \u00e0 grande demanda por vacina\u00e7\u00e3o \u2013, a soroterapia pode ser uma op\u00e7\u00e3o para o tratamento de covid-19.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Argentina testa soro equino em humanos<\/strong><\/p>\n<p>Uma pesquisa semelhante est\u00e1 sendo conduzida na Argentina, com a coopera\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es como a empresa de biotecnologia Inmunova, a Universidad Nacional de San Mart\u00edn (UnSam) e o Instituto Biol\u00f3gico Argentino. Os pesquisadores argentinos utilizaram, no entanto, somente uma parte da prote\u00edna S, conhecida como RBD. &#8220;Portanto, apenas anticorpos contra o RBD s\u00e3o gerados nos animais&#8221;, afirma Castilho, da UFRJ.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s usamos a prote\u00edna S inteira, que \u00e9 muito grande e com muitos a\u00e7\u00facares pendurados nela, o que exige tecnologia mais sofisticada para produzi-la. Sendo grande e com a estrutura tridimensional como a que se encontra na superf\u00edcie do v\u00edrus, os cavalos imunizados com a prote\u00edna S inteira produzir\u00e3o uma gama de anticorpos contra todas as partes desta prote\u00edna; portanto o produto final ter\u00e1 maior &nbsp;potencial de neutralizar o v\u00edrus&#8221;, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>No final de julho, a Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia M\u00e9dica (ANMAT), \u00f3rg\u00e3o regulador argentino, aprovou o ensaio cl\u00ednico do soro de equinos em 242 humanos com covid-19, que apresentassem sintomas tanto moderados quanto severos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cavalos s\u00e3o usados para produzir outros soros<\/strong><\/p>\n<p>A escolha pelos cavalos se deve ao fato de o IVB j\u00e1 trabalhar com os animais para a produ\u00e7\u00e3o de outros tipos de soro, como o antiof\u00eddico \u2013 fabricado no instituto h\u00e1 100 anos \u2013&nbsp;e o antirr\u00e1bico. Segundo o diretor presidente do IVB, Adilson Stolet, os equinos s\u00e3o usados tamb\u00e9m em outros institutos pelo mundo por produzirem uma grande quantidade de imunoglobulina por ml e por serem de grande porte.<\/p>\n<p>&#8220;Logo que surgiu a pandemia, pensamos que, se a gente fabrica isso [soro] aqui contra o v\u00edrus da raiva, poder\u00edamos ver se era poss\u00edvel produzir contra o coronav\u00edrus&#8221;, diz Stolet.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, os animais que passam pela inocula\u00e7\u00e3o da prote\u00edna S do coronav\u00edrus n\u00e3o chegam a ter sintomas mais significativos&nbsp;e t\u00eam rea\u00e7\u00f5es parecidas \u00e0s de uma pessoa quando toma vacina, podendo apresentar febre baixa, por exemplo. Stolet afirma tamb\u00e9m que uma comiss\u00e3o de \u00e9tica interna acompanha a quest\u00e3o do bem-estar dos animais.<\/p>\n<p>O soro para o Sars-Cov-2, de acordo com os pesquisadores, poderia ser produzido com relativa facilidade no Brasil, em institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 produzem materiais do tipo, como o pr\u00f3prio IVB e o Instituto Butant\u00e3, em S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 13\/08\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo brasileiro mostra que equinos podem produzir anticorpos dezenas de vezes mais potentes contra o novo coronav\u00edrus que humanos. Pr\u00f3xima fase, se aprovada, ser\u00e1 de testes em pessoas infectadas. 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