{"id":51584,"date":"2020-08-18T03:15:56","date_gmt":"2020-08-18T06:15:56","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=51584"},"modified":"2020-08-17T20:40:29","modified_gmt":"2020-08-17T23:40:29","slug":"auxilio-emergencial-reduz-impacto-da-pandemia-na-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/08\/18\/auxilio-emergencial-reduz-impacto-da-pandemia-na-economia\/","title":{"rendered":"Aux\u00edlio emergencial reduz impacto da pandemia na economia"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Benef\u00edcio que contemplou quase metade da popula\u00e7\u00e3o garantiu retomada parcial de segmentos da ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os. Mas economistas temem que, sem ele, recupera\u00e7\u00e3o possa ser dificultada.&nbsp; <span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<div class=\"picBox full\">\n<p>Passados cinco meses do in\u00edcio da pandemia do novo coronav\u00edrus no Brasil, os efeitos sobre a economia do pa\u00eds come\u00e7am a ficar mais claros. O Banco Central (BC) anunciou na \u00faltima sexta-feira (14\/07) que o \u00cdndice de Atividade Econ\u00f4mica (IBC-Br), considerado uma pr\u00e9via do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 10,92% na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2020.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Se a retra\u00e7\u00e3o do PIB for confirmada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) no resultado que ser\u00e1 divulgado no dia 1\u00ba de setembro, o pa\u00eds ter\u00e1 entrado em recess\u00e3o t\u00e9cnica \u2014 recuo do n\u00edvel de atividade por dois trimestres consecutivos. Nos tr\u00eas primeiros meses do ano, a economia j\u00e1 tinha retra\u00eddo 1,5%.<\/p>\n<p>Apesar do cen\u00e1rio pessimista, indicadores referentes ao m\u00eas de junho divulgados na \u00faltima semana pelo IBGE mostram um resultado acima das expectativas em setores importantes da economia.<\/p>\n<p>Entre analistas ouvidos pela DW Brasil, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que os programas do governo para manuten\u00e7\u00e3o da renda e do emprego tiveram impacto positivo na economia. Com especial destaque para o aux\u00edlio emergencial, tais medidas foram decisivas ao sustentarem a demanda dos consumidores, garantindo a recupera\u00e7\u00e3o parcial dos segmentos da ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Esse \u00faltimo \u00e9 o que inspira maior preocupa\u00e7\u00e3o, sobretudo pela participa\u00e7\u00e3o de 75,8% no PIB brasileiro. Entre mar\u00e7o e junho, o setor acumula queda de 14,5% no volume de receitas, segundo o IBGE. O resultado de junho, uma alta de 5% na compara\u00e7\u00e3o com maio, representa o primeiro crescimento ap\u00f3s quatro retra\u00e7\u00f5es mensais consecutivas \u2014 em fevereiro, mesmo fora da pandemia, houve recuo de 1%.<\/p>\n<p>O setor \u00e9 o mais afetado pelas medidas de isolamento social. Na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas de maio, houve crescimento de 14,2% nos servi\u00e7os prestados \u00e0s fam\u00edlias, que incluem atividades de hotelaria, bares e restaurantes, al\u00e9m de academias. O resultado positivo, todavia, deu-se em cima de uma base de compara\u00e7\u00e3o depreciada. Prova disso \u00e9 que na compara\u00e7\u00e3o com junho do ano passado a queda foi de 57,5%.<\/p>\n<p>Com maiores pesos no \u00edndice geral do setor, os segmentos que mais influenciaram o resultado positivo de junho foram transportes e servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, que cresceram respectivamente 6,9% e 3,3% ante maio. Ainda assim, acumulam quedas intensas na pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Houve uma transfer\u00eancia dos gastos das fam\u00edlias com esses servi\u00e7os para bens tang\u00edveis. O faturamento que diminui no restaurante aumenta no supermercado\u201d, explica o economista F\u00e1bio Bentes, da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio, Servi\u00e7os e Turismo (CNC).<\/p>\n<p>Bentes projeta que o setor s\u00f3 vai recuperar os n\u00edveis de faturamento pr\u00e9-pandemia no in\u00edcio de 2022, com crescimento gradual at\u00e9 l\u00e1. O economista afirma que a imprevisibilidade sobre as reformas econ\u00f4micas e outras incertezas no campo pol\u00edtico desestimulam investimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Esse cen\u00e1rio faz com que as empresas coloquem o p\u00e9 no freio para esperar o horizonte ficar mais claro. Estamos trabalhando com uma proje\u00e7\u00e3o de queda anual de 5,7% nos servi\u00e7os que, se confirmada, ser\u00e1 a maior desde que a PMS foi criada\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Com\u00e9rcio em alta<\/strong><\/p>\n<p>Menos dependente do consumo presencial, o com\u00e9rcio apresentou a trajet\u00f3ria mais positiva entre os setores da economia. Foi o \u00fanico que conseguiu, na m\u00e9dia, repor as perdas dentro da pandemia e superar o volume de vendas observado em fevereiro, \u00faltimo m\u00eas antes do isolamento social nas principais capitais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em junho, as vendas subiram 8% em rela\u00e7\u00e3o a maio, quando j\u00e1 tinham avan\u00e7ado 14,4% sobre o m\u00eas anterior, descontados efeitos sazonais. N\u00fameros da Receita Federal indicam que o faturamento do varejo eletr\u00f4nico cresceu 70% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano passado, enquanto os pedidos aumentaram 140%. Embora essa tend\u00eancia j\u00e1 fosse observada nos meses iniciais da pandemia, intensificou-se em junho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do redirecionamento dos gastos das fam\u00edlias para bens dur\u00e1veis, j\u00e1 mencionado, observa-se um impacto da redu\u00e7\u00e3o no \u00edndice de isolamento social de 63% no in\u00edcio de abril para 38% em junho, segundo a consultoria Inloco.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise por atividades, a de supermercados, produtos aliment\u00edcios e bebidas manteve bom desempenho, registrando alta de 8,9% em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de fevereiro, de acordo com o IBGE. O segmento chegou a avan\u00e7ar na crise, acelerando mesmo nas compara\u00e7\u00f5es com os meses de 2019, quando n\u00e3o havia pandemia.<\/p>\n<p>Como tem o maior peso dentro do varejo, o com\u00e9rcio ligado a alimentos puxou a m\u00e9dia geral para cima, ofuscando os recuos observados em sete das dez atividades do com\u00e9rcio na compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo pr\u00e9-pandemia, que chegam a 45,8% no caso de tecidos, vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados e 24,8% no caso de ve\u00edculos, motos e autope\u00e7as.<\/p>\n<p>Causou surpresa entre economistas o crescimento de 12,9% no segmento de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos na compara\u00e7\u00e3o com maio, bem como o aumento de 15,6% no faturamento das lojas de material de constru\u00e7\u00e3o. Estas atividades n\u00e3o s\u00e3o consideradas essenciais no varejo, ao contr\u00e1rio da venda de alimentos.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o dois movimentos que acontecem com as pessoas em casa. De um lado, est\u00e3o aproveitando a renda do aux\u00edlio emergencial e o tempo sobrando para fazer reformas pendentes em casa. Em outra frente, est\u00e3o mobiliando suas casas para o home office dada a nova realidade, tornando-as mais confort\u00e1veis\u201d, avalia a economista Luana Miranda, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (Ibre\/FGV).<\/p>\n<p>Fator que mais impacta o desempenho do varejo, a massa de rendimentos caiu 5,6% no segundo trimestre deste ano, segundo o IBGE. Pelos c\u00e1lculos da CNC, a queda chegaria a 8,2%, n\u00e3o fosse o aux\u00edlio emergencial de R$ 600 que beneficiou praticamente metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira (49,5%) no m\u00eas de junho.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o ainda que parcial de atividades do com\u00e9rcio influenciou a ind\u00fastria, que apresentou crescimento de 8,9% no volume de receitas em junho ante maio segundo o IBGE. Em S\u00e3o Paulo, que tem o maior parque industrial do pa\u00eds, o setor teve alta de 10,2%, puxado pela reativa\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de ve\u00edculos de passeio e caminh\u00f5es \u2014 foi a segunda consecutiva, j\u00e1 que em maio havia registrado aumento de 8,9%.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, a ind\u00fastria do Amazonas foi a que mais avan\u00e7ou, com eleva\u00e7\u00e3o de 65,2% na produ\u00e7\u00e3o industrial na compara\u00e7\u00e3o com maio. A alta fez do estado o primeiro e \u00fanico do pa\u00eds at\u00e9 o momento a ter compensado as perdas do setor na crise, movimento ligado \u00e0 melhora no desempenho das f\u00e1bricas de bebidas e motocicletas &#8211; cuja demanda aumentou com a escalada dos servi\u00e7os de entrega \u00e0 domic\u00edlio nos maiores centros urbanos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Analistas observam, ainda, que pico da pandemia aconteceu antes para o Norte do que para o restante do pa\u00eds, o que possibilitou a retomada das atividades quando outras regi\u00f5es ainda come\u00e7avam a sentir os efeitos da paralisa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Em situa\u00e7\u00e3o parecida, o Cear\u00e1 tamb\u00e9m registrou crescimento de 39,2%.<\/p>\n<p>Embora o desempenho da ind\u00fastria tenha surpreendido positivamente, segundo o IBGE, o setor acumula retra\u00e7\u00e3o de 10,9% nos seis primeiros meses do ano. O patamar de produ\u00e7\u00e3o registrado em junho ainda est\u00e1 13% abaixo do observado no primeiro bimestre, pr\u00e9-pandemia, informa a CNC.<\/p>\n<p><strong>Preocupa\u00e7\u00f5es no horizonte<\/strong><\/p>\n<p>Os economistas ouvidos pela DW Brasil dizem acreditar em uma melhora progressiva dos indicadores macroecon\u00f4micos nos pr\u00f3ximos meses. Entretanto, alertam para desafios que se colocam no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Luana Miranda, do Ibre\/FGV, lembra que \u00e9 incerta a manuten\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial ap\u00f3s o fim deste ano, bem como o impacto que a suspens\u00e3o deste e outros benef\u00edcios criados pelo governo durante a pandemia poderiam ter sobre uma futura recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&#8220;Os efeitos da retirada brusca do aux\u00edlio e outros benef\u00edcios concedidos \u00e0s empresas s\u00e3o preocupantes. Houve o adiamento da cobran\u00e7a de certos tributos, por exemplo. Quando as empresas tiverem que arcar com esses custos, v\u00e3o conseguir manter o mesmo n\u00famero de pessoal anterior \u00e0 pandemia?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Bentes, da CNC, receia que a economia volte ao ritmo lento de crescimento pr\u00e9-pandemia. Em 2019, a alta do PIB foi de 1,1%. &#8220;O PIB per capita n\u00e3o sai do lugar desde 2014. A recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica depende demais do investimento privado, sobretudo externo. Se o pa\u00eds continuar emitindo sinais negativos, a tend\u00eancia \u00e9 desacelerar\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 18\/08\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benef\u00edcio que contemplou quase metade da popula\u00e7\u00e3o garantiu retomada parcial de segmentos da ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os. 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