{"id":52451,"date":"2020-09-09T04:00:50","date_gmt":"2020-09-09T07:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=52451"},"modified":"2020-09-09T04:48:32","modified_gmt":"2020-09-09T07:48:32","slug":"1a-turma-do-stf-afasta-responsabilidade-subsidiaria-da-uniao-em-obrigacoes-trabalhistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/09\/09\/1a-turma-do-stf-afasta-responsabilidade-subsidiaria-da-uniao-em-obrigacoes-trabalhistas\/","title":{"rendered":"1\u00aa Turma do STF afasta responsabilidade subsidi\u00e1ria da Uni\u00e3o em obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na sess\u00e3o desta ter\u00e7a-feira (8), aplicou a jurisprud\u00eancia da Corte de que a inadimpl\u00eancia de obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas de empresas prestadoras de servi\u00e7os n\u00e3o transfere automaticamente a responsabilidade \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Por maioria dos votos, os ministros deram provimento a recursos (agravos regimentais) interpostos pela Uni\u00e3o em tr\u00eas Reclama\u00e7\u00f5es (Rcls 36958, 40652 e 40759) para cassar decis\u00f5es em que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) n\u00e3o seguiu o entendimento pacificado do STF sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><b>Responsabilidade subsidi\u00e1ria da Uni\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O tema de fundo dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 a responsabilidade subsidi\u00e1ria da Uni\u00e3o pelo inadimplemento de obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas por parte de empresa prestadora de servi\u00e7os em contratos de terceiriza\u00e7\u00e3o. No julgamento da A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria de Constitucionalidade (ADC) 16 e do Recurso Extraordin\u00e1rio (RE) 760931, com repercuss\u00e3o geral reconhecida, o STF afastou a responsabiliza\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e condicionou sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia de prova inequ\u00edvoca de conduta omissiva ou comissiva na fiscaliza\u00e7\u00e3o dos contratos de terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>As reclama\u00e7\u00f5es foram ajuizadas pela Uni\u00e3o contra atos do TST que negaram seguimento \u00e0 tramita\u00e7\u00e3o, por aus\u00eancia de transcend\u00eancia tabalhista, de recursos contra a condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de parcelas devidas por empresas terceirizadas em S\u00e3o Paulo, no Distrito Federal e em Sergipe. Segundo a Uni\u00e3o, o TST n\u00e3o poderia negar a transcend\u00eancia a processo cuja mat\u00e9ria de fundo tenha sido objeto de a\u00e7\u00e3o direta de constitucionalidade, de recurso extraordin\u00e1rio com repercuss\u00e3o geral reconhecida ou de s\u00famula vinculante do STF, pois isso usurparia a compet\u00eancia do Supremo.<\/p>\n<p>A relatora, ministra Rosa Weber, em decis\u00f5es monocr\u00e1ticas, havia julgado as reclama\u00e7\u00f5es invi\u00e1veis, motivando a interposi\u00e7\u00e3o dos agravos regimentais. O artigo 896-A da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) disp\u00f5e que o TST, no recurso de revista, examinar\u00e1 previamente se a causa oferece transcend\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o aos reflexos gerais de natureza econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social ou jur\u00eddica, e, no par\u00e1grafo 5\u00ba, diz que \u00e9 irrecorr\u00edvel a decis\u00e3o monocr\u00e1tica do relator que, em agravo de instrumento em recurso de revista, considerar ausente a transcend\u00eancia da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><b>Repercuss\u00e3o geral<\/b><\/p>\n<p>A maioria da Turma acompanhou o voto divergente do ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o STF j\u00e1 reconheceu a repercuss\u00e3o geral da mat\u00e9ria, julgou-a e editou a tese, \u201cmas o TST nega a transcend\u00eancia para que a mesma mat\u00e9ria jur\u00eddica n\u00e3o chegue ao Supremo\u201d. Ao faz\u00ea-lo, segundo ele, a Corte trabalhista impede que o Supremo analise a mesma quest\u00e3o j\u00e1 julgada anteriormente e, a partir da tese firmada, avalie a necessidade de exame detalhado da culpa da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p><b>Resist\u00eancia interpretativa<\/b><\/p>\n<p>Ao seguir a diverg\u00eancia, o ministro Lu\u00eds Roberto Barroso observou que o Supremo, no RE 760931, reiterou o entendimento firmado na ADC 16, especificando a impossibilidade de transfer\u00eancia autom\u00e1tica da responsabilidade. \u201cO que se verificou foi que o padr\u00e3o de decis\u00f5es nessas mat\u00e9rias continua a ser o mesmo\u201d, afirmou. Segundo ele, h\u00e1 uma resist\u00eancia do TST em aplicar o entendimento do STF.<\/p>\n<p>O ministro destacou que, ao negar a transcend\u00eancia e a subida do processo, \u201cno fundo, o que se faz \u00e9 impedir que a posi\u00e7\u00e3o pacificada no Supremo prevale\u00e7a nesses casos\u201d. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, a Primeira Turma tem decidido reiteradamente que somente est\u00e1 autorizada a mitiga\u00e7\u00e3o da regra de n\u00e3o responsabiliza\u00e7\u00e3o, contida no artigo 71, par\u00e1grafo 1\u00ba, da Lei de Licita\u00e7\u00f5es (Lei 8.666\/1993), se for demonstrado que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica teve ci\u00eancia do reiterado descumprimento de deveres trabalhistas relativamente ao contrato de terceiriza\u00e7\u00e3o e, apesar disso, permaneceu inerte. Os ministros Luiz Fux e Marco Aur\u00e9lio votaram no mesmo sentido.<\/p>\n<p>Ficou vencida a ministra Rosa Weber, que votou pelo desprovimento do agravo regimental. Al\u00e9m de entender que o recurso da Uni\u00e3o pretende revisar fatos e provas, a relatora afirmou que a aplica\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia da Corte tem exce\u00e7\u00e3o nos casos em que houver culpa da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Processos relacionados<\/strong><br \/>\n<a class=\"noticia\" href=\"http:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/processo\/verProcessoAndamento.asp?numero=40652&amp;classe=Rcl&amp;origem=AP&amp;recurso=0&amp;tipoJulgamento=M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rcl 40652&nbsp;<\/a><br \/>\n<a class=\"noticia\" href=\"http:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/processo\/verProcessoAndamento.asp?numero=36958&amp;classe=Rcl&amp;origem=AP&amp;recurso=0&amp;tipoJulgamento=M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rcl 36958<\/a><br \/>\n<a class=\"noticia\" href=\"http:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/processo\/verProcessoAndamento.asp?numero=40759&amp;classe=Rcl&amp;origem=AP&amp;recurso=0&amp;tipoJulgamento=M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rcl 40759<\/a><\/p>\n<p><strong>STF 09\/09\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na sess\u00e3o desta ter\u00e7a-feira (8), aplicou a jurisprud\u00eancia da Corte de que a inadimpl\u00eancia de obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas de empresas prestadoras de servi\u00e7os n\u00e3o transfere automaticamente a responsabilidade \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. 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