{"id":52634,"date":"2020-09-15T02:30:12","date_gmt":"2020-09-15T05:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=52634"},"modified":"2020-09-15T04:05:19","modified_gmt":"2020-09-15T07:05:19","slug":"pgr-denuncia-witzel-confissao-de-empresario-aponta-suposto-desvio-de-r-50-milhoes-no-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/09\/15\/pgr-denuncia-witzel-confissao-de-empresario-aponta-suposto-desvio-de-r-50-milhoes-no-governo\/","title":{"rendered":"PGR denuncia Witzel; confiss\u00e3o de empres\u00e1rio aponta suposto desvio de R$ 50 milh\u00f5es no governo"},"content":{"rendered":"<p>A candidatura de Wilson Witzel ao governo do Rio de Janeiro teria contado com a ajuda financeira de um grupo empresarial acusado de posteriormente aparelhar o estado e desviar cerca de R$ 50 milh\u00f5es em propinas, de acordo com novo depoimento do empres\u00e1rio Edson Torres, apontado como operador financeiro do grupo de Pastor Everaldo.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio compareceu de forma volunt\u00e1ria ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), ap\u00f3s a deflagra\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Tris in Idem, que culminou no&nbsp;afastamento do governador, para explicar como funcionava o esquema de corrup\u00e7\u00e3o que teria usado a m\u00e1quina p\u00fablica em proveito pr\u00f3prio. Nesta segunda-feira, a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) denunciou,<\/p>\n<p>pela segunda vez, Witzel ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ). O governador afastado foi apontado como l\u00edder de uma organiza\u00e7ao criminosa que teria montado um esquema para desviar dinheiro p\u00fablico. O depoimento faz parte dessa nova den\u00fancia.<\/p>\n<p>De acordo com o depoimento do empres\u00e1rio Edson Torres,&nbsp;Witzel teria recebido R$ 980 mil quando ainda era juiz federal e mais R$ 1,8 milh\u00e3o do grupo, at\u00e9 o fim do segundo turno, no intuito de garantir a atua\u00e7\u00e3o il\u00edcita da organiza\u00e7\u00e3o criminosa caso ele vencesse. Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, o grupo teria estruturado um esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Sa\u00fade, na Cedae e no Detran, e criado uma &#8220;caixinha da propina&#8221; que seria irrigada com um percentual entre 3% e 7% dos contratos.<\/p>\n<p>&nbsp;Witzel j\u00e1 havia sido denunciado, no \u00faltimo dia 28, por corrup\u00e7\u00e3o (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro. Na nova den\u00fancia, a subprocuradora-geral da Rep\u00fablica Lind\u00f4ra Maria Ara\u00fajo aponta o governador afastado Wilson Witzel como &#8220;chefe de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221; que teria praticado os crimes de corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva, fraude a licita\u00e7\u00f5es e peculato em detrimento do estado do Rio de Janeiro. Tamb\u00e9m foram denunciados&nbsp;Helena Witzel&nbsp; e outras dez pessoas.<\/p>\n<p>A den\u00fancia traz imagens de anota\u00e7\u00f5es que teriam sido feitas de pr\u00f3prio punho por Wilson Witzel que indicam que ele teria conhecimento dos honor\u00e1rios recebidos pelo escrit\u00f3rio advocat\u00edcio de Helena Witzel. O caderno de anota\u00e7\u00f5es foi apreendido pela Pol\u00edcia Federal dentro de uma bolsa de Helena, no Pal\u00e1cio Laranjeiras.&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazyload article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/24639163-f0f-1e4\/FT1086A\/652\/ximg-witzel-1.jpg.pagespeed.ic.rWER7LNXTJ.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\". Foto: Editoria de Arte\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/24639163-f0f-1e4\/FT1086A\/652\/ximg-witzel-1.jpg.pagespeed.ic.rWER7LNXTJ.jpg\"><figcaption class=\"article__picture-caption\">. Foto: Editoria de Arte<\/figcaption><\/figure>\n<p>O documento mostraria que &#8220;Wilson Witzel acompanhava diretamente os pagamentos das referidas empresas para o escrit\u00f3rio de Helena Witzel&#8221;, segundo trecho da den\u00fancia. Apesar de o escrit\u00f3rio pertencer a apenas a Helena, o casal Witzel mudou o regime de casamento para comunh\u00e3o universal de bens em setembro do ano passado, &#8220;o que, pelas regras do C\u00f3digo Civil, importa na comunica\u00e7\u00e3o de todos os bens presentes e futuros do casal, tornando seu patrim\u00f4nio uno&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazyload article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/24639170-d23-9af\/FT1086A\/652\/ximg-witzel-2.jpg.pagespeed.ic.sfPocIG8MS.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\". Foto: Editoria de Arte\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/24639170-d23-9af\/FT1086A\/652\/ximg-witzel-2.jpg.pagespeed.ic.sfPocIG8MS.jpg\"><figcaption class=\"article__picture-caption\">. Foto: Editoria de Arte<\/figcaption><\/figure>\n<p>Wilson Witzel foi afastado do governo do estado do Rio de Janeiro no fim de agosto, quando foi denunciado pela PGR por corrup\u00e7\u00e3o (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro. A PGR chegou a solicitar a pris\u00e3o preventiva ao STJ. No entanto, o relator do caso, ministro Benedito Gon\u00e7alves, autorizou, no dia 28 de agosto,&nbsp;apenas o afastamento&nbsp;por 180 dias e determinou medidas cautelares, para evitar que ele, direta ou indiretamente, use seu poder para atrapalhar as investiga\u00e7\u00f5es. No dia 2 de setembro, a Corte Especial do STJ decidiu por manter o afastamento. Agora, Witzel ainda tem pela frente o processo de impeachment na Alerj.<\/p>\n<h2>Chefe da organiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m foram denunciados o&nbsp;pastor Everaldo Pereira, presidente nacional do PSC;&nbsp;Edmar Santos&nbsp;e Lucas Trist\u00e3o, ex-secret\u00e1rios da Sa\u00fade e Desenvolvimento Econ\u00f4mico, respectivamente; o ex-prefeito de Volta Redonda, Gothardo Netto;&nbsp;o empres\u00e1rio Edson Torres, que \u00e9 apontado como operador financeiro do esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Sa\u00fade; o doleiro Victor Hugo Barroso, tamb\u00e9m apontado como o operador financeiro do esquema; al\u00e9m de Nilo Francisco da Silva Filho, Cl\u00e1udio Marcelo Santos Silva,&nbsp;Jos\u00e9 Carlos de Melo&nbsp;e Carlos Frederico Loretti da Silveira.<\/p>\n<p>A den\u00fancia aponta o governador afastado Wilson Witzel como chefe de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa lastreada em tr\u00eas principais pilares. O primeiro grupo encabe\u00e7ado por Mario Peixoto; o segundo, pelo trio Pastor Everaldo, Edson Torrres e Victor Hugo Barroso; e o terceiro por&nbsp;Jos\u00e9 Carlos de Melo.<\/p>\n<p>O n\u00facleo econ\u00f4mico era formado por empres\u00e1rios e lobistas que teriam interesses em contratos p\u00fablicos, os quais ofereceriam vantagens indevidas a pol\u00edticos e gestores p\u00fablicos. Fazem parte desse n\u00facleo, segundo o MPF, os denunciados Edson Torres, Gothardo Netto, Victor Hugo, Jos\u00e9 Carlos de Melo e M\u00e1rio Peixoto.<\/p>\n<p>O n\u00facleo administrativo era composto por gestores p\u00fablicos do governo estadual, que teriam solicitado e administrado o recebimento das vantagens indevidas pagas pelos empres\u00e1rios. Os ex-secret\u00e1rios Edmar Santos e Lucas Trist\u00e3o seriam integrantes desse grupo. J\u00e1 o n\u00facleo financeiro-operacional seria composto por Helena Witzel, Nilo Francisco, Cl\u00e1udio Marcelo e Kiko. Eles seriam respons\u00e1veis pelo recebimento e repasse das vantagens indevidas e pela oculta\u00e7\u00e3o da origem esp\u00faria, inclusive por meio da utiliza\u00e7\u00e3o de escrit\u00f3rios de advocacia e empresas, algumas delas constitu\u00eddas exclusivamente para essa finalidade, segundo a den\u00fancia.<\/p>\n<p>O n\u00facleo pol\u00edtico, no topo da pir\u00e2mide, seria composto pelo governador do Estado e o presidente do PSC, Pastor Everaldo. De acordo com a den\u00fancia, o governador afastado teria tido participa\u00e7\u00e3o ativa em todos os fatos delitivos narrados, loteando os recursos p\u00fablicos em prol da organiza\u00e7\u00e3o criminosa, recebendo vantagem il\u00edcita e lavando dinheiro a partir do escrit\u00f3rio de advocacia da primeira-dama.<\/p>\n<h2>Caixinha da Propina<\/h2>\n<p>De acordo com o depoimento de Edson Torres, Witzel teria recebido R$ 980 mil em esp\u00e9cie quando era juiz federal. Os valores teriam sido entregues ao pr\u00f3prio Witzel e a Lucas Trist\u00e3o, segundo a den\u00fancia. Ap\u00f3s iniciar a campanha, Edson e Victor Hugo teriam entregue ao Pastor Everaldo o total de R$ 1,8 milh\u00e3o, em dinheiro que teria sido parcelado de abril at\u00e9 o final do segundo turno. Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, segundo a den\u00fancia, o grupo que aportou recursos financeiros na campanha do ent\u00e3o candidato teria fatiado as secretarias e estatais &#8220;com o escopo de ter retorno econ\u00f4mico&#8221;: Helio Cabral teria assumido a presid\u00eancia da Cedae por indica\u00e7\u00e3o do Pastor Everaldo; Edmar Santos teria assumido a Sa\u00fade por indica\u00e7\u00e3o de Edson Torres; Juarez Fialho, que era s\u00f3cio de Victor Hugo, teria assumido a Secretaria das Cidades e, interinamente, a Secretaria de Trabalho e Renda.<\/p>\n<p>O grupo teria montado uma &#8220;caixinha da propina&#8221; que, segundo Edson Torres, entre janeiro de 2019 e julho de 2020 teria arrecadado vantagens indevidas no valor de aproximadamente R$ 50 milh\u00f5es. Segundo Torres, a propina era sempre exigida em esp\u00e9cie. O percentual a ser exigido variava caso a caso, de acordo com o contrato. Em regra, variava de 3% a 7%. Teria sido combinada a seguinte divis\u00e3o da propina: 15% para Edson Torres, 15% para Victor Hugo, 30% para Edmar e 40% para a estrutura de governo, que englobava o Pastor Everaldo e o ent\u00e3o governador, Wilson Witzel.<\/p>\n<p>Em nota, o governador Wilson Witzel informou o seguinte: &#8220;Mais uma vez, trata-se de um vazamento de processo sigiloso para me atingir politicamente. Reafirmo minha idoneidade e desafio quem quer que seja a comprovar um centavo que n\u00e3o esteja declarado no meu Imposto de Renda, fruto do meu trabalho e compat\u00edvel com a minha realidade financeira. Todo o meu patrim\u00f4nio se resume \u00e0 minha casa, no Graja\u00fa, n\u00e3o tendo qualquer sinal exterior de riqueza que minimamente possa corroborar essa mentira. O \u00fanico dinheiro il\u00edcito encontrado, at\u00e9 agora, estava com o ex-secret\u00e1rio Edmar Santos&#8221;.<\/p>\n<p>A defesa do Pastor Everaldo informou, em nota que n\u00e3o comentar\u00e1 trechos do processo que corre em segredo de Justi\u00e7a: &#8220;A defesa do Pastor Everaldo esclarece que ainda n\u00e3o teve acesso \u00e0 \u00edntegra da investiga\u00e7\u00e3o e da dela\u00e7\u00e3o que embasaram sua pris\u00e3o, ocorrida h\u00e1 20 dias. A defesa informa que a nova de den\u00fancia n\u00e3o est\u00e1 juntada aos autos processo e que n\u00e3o comentar\u00e1 trechos de processo que corre em segredo de Justi\u00e7a. O Pastor Everaldo, que sempre esteve \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das autoridades, reitera sua confian\u00e7a na Justi\u00e7a e na sua liberta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A defesa de Edmar Santos disse que n\u00e3o ir\u00e1 se manifestar sobre o caso.<\/p>\n<h2>PGR aponta fun\u00e7\u00e3o de cada um no esquema<\/h2>\n<h3>Wilson Witzel<\/h3>\n<p>Apontado pela investiga\u00e7\u00e3o como principal l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Com suposta participa\u00e7\u00e3o em todos os fatos delitivos, ocupando a chefia do Poder Executivo do Rio de Janeiro, teria loteado os recursos p\u00fablicos do Estado em prol da organiza\u00e7\u00e3o criminosa, recebendo vantagem il\u00edcita e lavando dinheiro a partir do escrit\u00f3rio de advocacia da primeira-dama, de acordo com a den\u00fancia do MPF.<\/p>\n<h3>Helena Witzel<\/h3>\n<p>Seria respons\u00e1vel pelo processo de lavagem de capitais das vantagens indevidas auferidas organiza\u00e7\u00e3o criminosa que caberiam ao marido, Wilson Witzel. Por meio de seu escrit\u00f3rio de advocacia, teria recebido valores oriundos de M\u00e1rio Peixoto e Gothardo Netto \u2013 \u00fanicos clientes do escrit\u00f3rio \u2013 numa tentativa de dissimular a origem dos pagamentos, segundo a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Everaldo Pereira (Pastor Everaldo)<\/h3>\n<p>Ao lado de Wilson Witzel, teria estruturado a organiza\u00e7\u00e3o criminosa nas \u00e1reas da Sa\u00fade, Cedae e Detran, comandando o or\u00e7amento dessas pastas, as suas contrata\u00e7\u00f5es, a distribui\u00e7\u00e3o de cargos e at\u00e9 mesmo o pagamento dos receb\u00edveis prestadores de servi\u00e7os e repasses aos munic\u00edpios (desvio de valores do FinanSus), sempre auferindo vantagens indevidas nas diversas oportunidades identificadas pelo grupo, ao fazer uso das estruturas do Estado, de acordo com a den\u00facia. Seria respons\u00e1vel pela indica\u00e7\u00e3o de empresas e agentes, tudo para a suposta montagem da estrutura que teria permitido as fraudes e subsequentes desvios de dinheiro e sua lavagem.<\/p>\n<h3>Lucas Trist\u00e3o<\/h3>\n<p>Homem de confian\u00e7a e bra\u00e7o-direito do ent\u00e3o governador Wilson Witzel, seria integrante do n\u00facleo administrativo da organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Exerceu o cargo de Secret\u00e1rio de Desenvolvimento Econ\u00f4mico do Estado do Rio de Janeiro, mas detinha poder e influ\u00eancia sobre outras pastas. Tinha importante fun\u00e7\u00e3o na interlocu\u00e7\u00e3o entre Wilson Witzel e M\u00e1rio Peixoto, sendo pessoa de confian\u00e7a de ambos, segundo a den\u00fancia.<\/p>\n<h3>Gothardo Netto<\/h3>\n<p>Pessoa com mais prest\u00edgio e intimidade com o ent\u00e3o governador Wilson Witzel, segundo a investiga\u00e7\u00e3o. Diretamente vinculado ao Hospital Jardim Am\u00e1lia LTDA, que teria celebrado contrato fraudulento com o escrit\u00f3rio de Helena Witzel. Ap\u00f3s quebra de sigilo telef\u00f4nico de Witzel, foi encontrada troca de mensagens entre ele e Gothardo, que tamb\u00e9m visitou o governador no Pal\u00e1cio Laranjeiras. Seria o respons\u00e1vel pela Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Maternidade e Inf\u00e2ncia de Mutu\u00edpe, que teria sido indicada pela organiza\u00e7\u00e3o criminosa para gerir o Hospital Zilda Arns (licita\u00e7\u00e3o fraudulenta, segundo a den\u00fancia).<\/p>\n<h3>Edson Torres<\/h3>\n<p>Seria integrante do segundo grupo que orbita a c\u00fapula do Executivo do Estado do Rio de Janeiro, possuindo rela\u00e7\u00e3o estreia com Pastor Everaldo. Com a cria\u00e7\u00e3o do FinanSus, teria sido agente essencial, junto com Everaldo, na concep\u00e7\u00e3o do suposto modelo criminoso de desvio de verbas em favor da organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Ele teria sido o primeiro a informar Edmar Santos de que R$ 100 milh\u00f5es (em duas cotas de R$ 50 milh\u00f5es) seriam repassadas ao munic\u00edpio de Duque de Caxias, mostrando conhecer e integrar a estrutura delituosa. Teria atua\u00e7\u00e3o principal na administra\u00e7\u00e3o de contratos, fraudes \u00e0 licita\u00e7\u00e3o e pagamentos de vantagens indevidas, fazendo-o em conjunto com Pastor Everaldo, de acordo com informa\u00e7\u00f5es do MPF.<\/p>\n<h3>Edmar Santos<\/h3>\n<p>Teria sido al\u00e7ado ao cargo de Secret\u00e1rio estadual de Sa\u00fade pela organiza\u00e7\u00e3o criminosa segundo a den\u00fancia. \u00c9 acusado de ter sido pe\u00e7a chave no n\u00facleo administrativo para permitir que o grupo criminoso alcan\u00e7asse vantagens indevidas por meio de contratos direcionados a empresas indicadas. Sob sua chefia, teriam sido implementados os esquemas criminosos para o direcionamento na contrata\u00e7\u00e3o de OSs, desvio de parcela de valores repassados a Munic\u00edpios pelo FinanSus e desvio de valores pagos a OSs a t\u00edtulo de &#8220;restos a pagar&#8221; .<\/p>\n<h3>Victor Hugo Barroso<\/h3>\n<p>Principal operador financeiro que atua no n\u00facleo comandado pelo Pastor Everaldo, segundo a investiga\u00e7\u00e3o do MPF, teria as fun\u00e7\u00f5es de negociar, arrecadar e custodiar valores de propina do grupo, e realizar contabilidade paralela do grupo. Al\u00e9m de s\u00f3cio de uma transportadora de valores e seguran\u00e7a, possui, de acordo com a den\u00fancia,&nbsp; offshores registradas em nome da m\u00e3e e da irm\u00e3, cujas estruturas s\u00e3o perfeitas para a realiza\u00e7\u00e3o dos atos de lavagem de dinheiro demandados pela organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<h3>Nilo Francisco da Silva Filho<\/h3>\n<p>Seria preposto de algumas empresas fornecedoras do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto, como a Verde e a Magna. Teria solicitado a Edmar Santos que as empresas que ele representava recebessem prioritariamente os pagamentos, em troca de vantagens indevidas, estabelecidas entre 5% e 10% dos valores a serem pagos; a partir da\u00ed, teria passado a agir como intermedi\u00e1rio de Edson Torres. Teria atuado, ainda, como preposto da Crater, de propriedade de Pedro Os\u00f3rio, empresa contratada para prestar servi\u00e7os ao Hospital Pedro Ernesto.<\/p>\n<h3>Jos\u00e9 Carlos de Melo<\/h3>\n<p>Empres\u00e1rio influente, seria integrante do n\u00facleo econ\u00f4mico da organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Teria proposto ao ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Sa\u00fade, Edmar Santos, o pagamento mensal de R$ 300.000,00 em troca de negociar empresas para serem contratadas na \u00e1rea da sa\u00fade, concretizando o pagamento de R$ 600 mil em esp\u00e9cie. Os registros de visitantes de Jos\u00e9 Carlos de Melo corroboram, segundo a den\u00fancia, a forte vincula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica do denunciado, que recebia com frequ\u00eancia em sua casa nomes importantes do governo Witzel e do cen\u00e1rio pol\u00edtico fluminense, bem como outros empres\u00e1rios envolvidos em contrata\u00e7\u00f5es il\u00edcitas investigadas.<\/p>\n<h3>Carlos Frederico Loretti da Silveira (Kiko)<\/h3>\n<p>No n\u00facleo financeiro operacional, Jos\u00e9 Carlos de Melo contava, segundo a den\u00fancia, com a atua\u00e7\u00e3o determinante de Carlos Frederico (Kiko), empres\u00e1rio que possui empresas fornecedoras de insumos m\u00e9dicos e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ambientais. Carlos Frederico (Kiko) seria o respons\u00e1vel por indicar empresas a serem contratadas pela Secretaria de Sa\u00fade, de acordo com os interesses da organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Tamb\u00e9m teria sido emiss\u00e1rio de Jos\u00e9 Carlos de Melo para o pagamento de R$ 200 mil em esp\u00e9cie em favor de Edmar Santos.<\/p>\n<h3>Cl\u00e1udio Marcelo Santos Silva<\/h3>\n<p>Teria atuado como operador financeiro de parte da organiza\u00e7\u00e3o criminosa, de maneira que recebia, fazia a guarda e a contabilidade de valores il\u00edcitos destinados a Edmar Santos, de quem passaria a ser intermedi\u00e1rio. Depois que Edmar assumiu o cargo de Secret\u00e1rio de Sa\u00fade, Cl\u00e1udio Marcelo teria passado a combinar com Nilo Francisco da Silva FIlhos a forma de se efetivar o recebimento da propina em dinheiro em esp\u00e9cie. Edmar afirmou ter aproximadamente sete milh\u00f5es de reais, 175 mil d\u00f3lares e 200 mil euros em poder de Cl\u00e1udio Marcelo, no Brasil e em um cofre no exterior que este tinha acesso, fato documentalmente confirmado pelo pr\u00f3prio banco, segundo a den\u00fancia.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Chico Otavio e Pedro Zuazo\/O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 15\/09\/2020<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A candidatura de Wilson Witzel ao governo do Rio de Janeiro teria contado com a ajuda financeira de um grupo empresarial acusado de posteriormente aparelhar o estado e desviar cerca de R$ 50 milh\u00f5es em propinas, de acordo com novo depoimento do empres\u00e1rio Edson Torres, apontado como operador financeiro do grupo de Pastor Everaldo. 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