{"id":52772,"date":"2020-09-19T03:00:19","date_gmt":"2020-09-19T06:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=52772"},"modified":"2020-09-18T11:24:48","modified_gmt":"2020-09-18T14:24:48","slug":"com-nova-sensibilidade-arte-pode-ressignificar-gestao-publica-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/09\/19\/com-nova-sensibilidade-arte-pode-ressignificar-gestao-publica-no-pais\/","title":{"rendered":"Com nova sensibilidade, arte pode ressignificar gest\u00e3o p\u00fablica no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Em 1977, Mierle Ukeles tinha 38 anos, um mestrado, um manifesto art\u00edstico e tr\u00eas filhos, mas foi ao se convidar para ser artista residente no Departamento de Limpeza Urbana da cidade de Nova York que ela inscreveu seu nome na hist\u00f3ria da arte. A prefeitura topou, e ela ganhou uma pequena sala e nenhum sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, aos 81 anos, ela mant\u00e9m o cargo inventado. Sua obra art\u00edstica foi recentemente incorporada \u00e0 cole\u00e7\u00e3o do Smithsonian, na capital dos Estados Unidos, e \u00e9 constru\u00edda em torno do conceito de arte de manuten\u00e7\u00e3o. Por meio dele, Ukeles relaciona o processo art\u00edstico com&nbsp;ocupa\u00e7\u00f5es essenciais, por\u00e9m pouco valorizadas, como o trabalho de mulheres em suas pr\u00f3prias casas e algumas profiss\u00f5es no setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>A partir de 1975, Nova York viveu uma grave crise fiscal, agravada pela debandada de moradores mais ricos para os sub\u00farbios. Em 1977, houve dois apag\u00f5es hist\u00f3ricos e, em seguida, a cidade passou por uma crise de seguran\u00e7a p\u00fablica que marcou a d\u00e9cada de 1980. Mierle Ukeles era a artista certa no lugar certo.<\/p>\n<p>Sua primeira interven\u00e7\u00e3o como artista residente no servi\u00e7o p\u00fablico foi encontrar individualmente com os 8.500 profissionais respons\u00e1veis pela coleta de lixo da cidade \u2014e filmar. Ela apertava suas m\u00e3os e lhes agradecia, dizendo: \u201cObrigada por manter Nova York viva\u201d. O processo levou 11 meses e aconteceu nas ruas da cidade, durante o trabalho desses profissionais.<\/p>\n<p>Essa performance fala muito sobre perfomance. N\u00e3o sobre o suporte art\u00edstico em si, mas sobre \u201cperformance\u201d, em ingl\u00eas, significando desempenho. E desempenho, entrega e efetividade s\u00e3o os objetivos finais na gest\u00e3o, p\u00fablica ou privada.<\/p>\n<p>Ukeles investiu capital simb\u00f3lico, \u201cdeu moral\u201d e agradeceu a quem, em sua vis\u00e3o, merecia. Ela usou reconhecimento, que era sua \u00fanica ferramenta dispon\u00edvel e, muitas vezes, o melhor instrumento para motivar pessoas no trabalho. Por vezes, reconhecimento \u00e9 at\u00e9 mais efetivo que bonifica\u00e7\u00f5es em dinheiro,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/business-functions\/organization\/our-insights\/motivating-people-getting-beyond-money\">segundo um estudo da McKinsey de 2009<\/a>.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, as artes podem ter o papel de ressignificar a conversa p\u00fablica sobre o Estado. H\u00e1 dois anos, acontece a Resid\u00eancia Art\u00edstica do Setor P\u00fablico (RASP), inspirada em uma iniciativa da Prefeitura de Nova York que, em 2015, institucionalizou o processo inaugurado por Ukeles 40 anos antes.<\/p>\n<p>O programa brasileiro prop\u00f5e que artistas se dediquem, por meio de sua arte, a \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos por um per\u00edodo de 18 meses. Tatiana Altberg trabalhou com uma equipe da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado do Rio de Janeiro; Cadu com professores de teatro na Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro; Daniel Lima est\u00e1 atualmente desenvolvendo um trabalho na 2\u00aa Vara da Inf\u00e2ncia e da Juventude de S\u00e3o Paulo, e Eleonora Gavi\u00e3o em breve colaborar\u00e1 transversalmente com \u00f3rg\u00e3os da Prefeitura do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A arte dessa turma poder\u00e1 deslocar nosso olhar para o Estado e abrir nossa cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>O momento n\u00e3o poderia ser melhor. Em meio \u00e0&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2020\/04\/leia-textos-sobre-coronavirus-publicados-na-ilustrissima.shtml\">Covid-19<\/a>, olhamos apreensivos para prov\u00e1veis mudan\u00e7as significativas nas rela\u00e7\u00f5es entre Estado, sociedade e economia. O assunto&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/09\/entenda-o-que-muda-com-a-reforma-administrativa.shtml\">reforma administrativa<\/a>&nbsp;voltou \u00e0 baila. Embora o termo reforma n\u00e3o seja o melhor, dada sua conota\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, tal esfor\u00e7o deveria ser uma agenda permanente de melhoramento do Estado, com participa\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o atenta.<\/p>\n<p>O assunto \u00e9 t\u00e3o potente que merece algo como uma frente ampla por um Estado efetivo. As necessidades s\u00e3o evidentes e urgentes, e as partes interessadas somos todas n\u00f3s. Temos a chance, a obriga\u00e7\u00e3o e a responsabilidade de realizar uma transforma\u00e7\u00e3o social no nosso pa\u00eds por meio da atualiza\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro. Devemos ser ambiciosos e otimistas.<\/p>\n<p>Pois o \u00fanico consenso hoje \u00e9 que \u00e9 governos importam. Bons governos salvam vidas. Governos responsivos aos desafios, governos respeitados e respons\u00e1veis est\u00e3o fazendo a diferen\u00e7a no combate \u00e0 Covid-19.<\/p>\n<p>O futuro provavelmente nos reserva outras pandemias zoon\u00f3ticas. E&nbsp;a maior crise de todas, que \u00e9 a clim\u00e1tica, est\u00e1 acontecendo. Como vemos, pessoas e empresas t\u00eam um papel nessas crises, mas a nossa melhor chance como indiv\u00edduos \u00e9 a boa governan\u00e7a p\u00fablica. Essa deve ser a nossa luta amada.<\/p>\n<p>Boa governan\u00e7a p\u00fablica \u00e9 essencial para a democracia. Governos que n\u00e3o entregam o que \u00e9 combinado geram crises de representatividade, o que diminui a confian\u00e7a e o sentido de prop\u00f3sito comum.<\/p>\n<p>O Brasil sair\u00e1 muito endividado desta crise da Covid-19, e ainda assim precisaremos de capacidade fiscal para investimentos p\u00fablicos em outras \u00e1reas. H\u00e1 uma justificada e permanente preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade do gasto p\u00fablico brasileiro.<\/p>\n<p>A multiplica\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalos por todo o pa\u00eds na compra de equipamentos e de instrumentos destinados ao enfrentamento do coronav\u00edrus \u00e9 um exemplo das nossas prec\u00e1rias capacidades administrativas.<\/p>\n<p>Governos, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o apenas uma quest\u00e3o fiscal \u2014e cada vez mais se tornam uma quest\u00e3o essencial. As transforma\u00e7\u00f5es que devemos fazer nos governos no Brasil n\u00e3o s\u00e3o prioritariamente sobre redu\u00e7\u00e3o de gastos. Elas s\u00e3o importantes demais para serem tratadas apenas pela linguagem econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Efici\u00eancia, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 uma palavra precisa nessa discuss\u00e3o. O que precisamos dos governos brasileiros n\u00e3o s\u00e3o ganhos apenas de efici\u00eancia, incrementais, mas uma verdadeira mudan\u00e7a de linguagem que traga avan\u00e7os estruturais. Uma transforma\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a um setor p\u00fablico eficaz, presente e competente.<\/p>\n<p>Se governos importam, importam ainda mais as pessoas que nele trabalham. Governos operam, quase sempre, como parte do setor de servi\u00e7os de uma sociedade. E o setor de servi\u00e7os depende, acima de tudo, das pessoas que nele servem, diferentemente de outras ind\u00fastrias, cujas principais vari\u00e1veis podem ser, por exemplo, o percentual de teor de ferro de um min\u00e9rio, o n\u00edvel de chuva em um ano ou a cota\u00e7\u00e3o de uma moeda.<\/p>\n<p>At\u00e9 o s\u00e9culo 19, o maior ativo de uma empresa, igreja ou pa\u00eds eram suas terras. No s\u00e9culo 20, passou a ser seu maquin\u00e1rio. J\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, e isso \u00e9 cada vez mais evidente, o maior ativo de uma organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o as pessoas que nela trabalham. Gente boa faz toda a diferen\u00e7a. Por isso, o centro de uma discuss\u00e3o sobre o Estado \u00e9 obrigatoriamente uma discuss\u00e3o sobre gest\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>Isso quer dizer, especificamente, definir e descrever melhor as fun\u00e7\u00f5es de cada um; recrutar com foco nas habilidades necess\u00e1rias para tais fun\u00e7\u00f5es; embarcar a quem se seleciona; alinhar pessoas e equipes para que trabalhem com sentido de prop\u00f3sito e com satisfa\u00e7\u00e3o pessoal; e definir objetivos comuns \u2014que sejam objetivos. Para ent\u00e3o reconhecer aquelas que mais contribuem e que mais se dedicam, seja individualmente ou em grupo.<\/p>\n<p>A oportunidade em criarmos uma cultura de reconhecimento no setor p\u00fablico no Brasil vem justamente do fato de que ela n\u00e3o existe. Muitas vezes, em v\u00e1rias carreiras, h\u00e1 o contr\u00e1rio: uma cultura da vergonha de servir e de trabalhar para governos. Ao mudarmos isso, daremos uma das mais importantes contribui\u00e7\u00f5es para nossas vidas em sociedade.<\/p>\n<p>Gente excelente atrai gente excelente. E o resultado do trabalho de profissionais p\u00fablicas motivadas, investidas de capital simb\u00f3lico, realizadas pessoalmente, s\u00e3o melhores servi\u00e7os e bens p\u00fablicos para toda a sociedade. Investimento em capital humano em governos tem um multiplicador relevante e gera externalidades positivas \u2014para usar dois conceitos de economia.<\/p>\n<p>Alemanha, Austr\u00e1lia, Dinamarca, Finl\u00e2ndia, Jap\u00e3o e Portugal s\u00e3o exemplos de pa\u00edses admir\u00e1veis, n\u00e3o apesar do Estado, mas em grande parte devido a ele. A Austr\u00e1lia realiza desde os anos 1970 ajustes constantes em suas normas e institui\u00e7\u00f5es de capital humano em governos. O pa\u00eds fez uma escola de governo com a Nova Zel\u00e2ndia, e teve at\u00e9 este ano o crescimento econ\u00f4mico ininterrupto mais longevo da hist\u00f3ria (registrada) entre todos os pa\u00edses, 27 anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52775\" aria-describedby=\"caption-attachment-52775\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-52775 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/7000329.jpg?resize=150%2C150\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/7000329.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/7000329.jpg?zoom=2&amp;resize=150%2C150 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/7000329.jpg?zoom=3&amp;resize=150%2C150 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52775\" class=\"wp-caption-text\">Guilherme Coelho &#8211;<br \/>Diretor de cinema e empreendedor social, \u00e9 fundador da Matizar Filmes e Rep\u00fablica.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>Portugal, que ap\u00f3s a crise de 2008 era um dos pa\u00edses em pior situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Europa, vem realizando reformas em gest\u00e3o de pessoas que s\u00e3o parte integral de sua recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. Nos \u00faltimos dez anos, o governo simplificou suas carreiras, criou processo de sele\u00e7\u00e3o de dirigentes e investiu como nunca em pol\u00edticas de desenvolvimento para seu profissionalismo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Se muitas de n\u00f3s nos perguntamos, perplexas, o que vem acontecendo com a coisa p\u00fablica, a tal \u201cres publica\u201d, nos \u00faltimos 20 anos, a resposta deve passar antes de tudo pelo cultivo de uma nova sensibilidade, que nem mesmo \u00e9 nova. \u00c9 na verdade a redescoberta de algo perdido ou esquecido, como na defini\u00e7\u00e3o pelo dramaturgo Eug\u00e8ne Ionesco para o que \u00e9 novo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52773\" aria-describedby=\"caption-attachment-52773\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-52773 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/FRANCISCO-GAETANI.jpg?resize=150%2C150\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/FRANCISCO-GAETANI.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/FRANCISCO-GAETANI.jpg?w=280&amp;ssl=1 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52773\" class=\"wp-caption-text\">Francisco Gaetani Professor da FGV e presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o do Rep\u00fablica.org, foi presidente da Enap (Escola Nacional de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica) e secret\u00e1rio-executivo dos Minist\u00e9rios do Planejamento e do Meio Ambiente<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mierle Ukeles nos inspira a retomarmos o engajamento p\u00fablico que ensaiamos aqui no Brasil durante a redemocratiza\u00e7\u00e3o dos anos 1980. Devemos retornar inteiras ao espa\u00e7o p\u00fablico, que j\u00e1 foi (pois sempre o \u00e9) a \u00e1gora das nossas vanguardas da d\u00e9cada de 1950 e 1960, seja na arquitetura, na m\u00fasica, na literatura, no teatro ou no cinema, antes da desmobiliza\u00e7\u00e3o c\u00edvica e institucional causada pelo&nbsp;golpe militar de 1964.<\/p>\n<p>Essa nova sensibilidade envolve um \u201cabra\u00e7a\u00e7o\u201d em um Estado efetivo, que nos represente democraticamente, que seja respeitado, responsivo aos desafios de cada momento e respons\u00e1vel em encaminh\u00e1-los.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es administrativas que ser\u00e3o feitas no Brasil nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos precisam fazer o que Mierle Ukeles fez em 1977: ir ao encontro de quem trabalha em governos. Ouvindo, organizando, celebrando, motivando.<\/p>\n<p>E devemos ficar de olho na Tatiana Altberg, no Cadu, no Daniel Lima, na Eleonora Fabi\u00e3o e nos pr\u00f3ximos artistas residentes em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos brasileiros. A eles confiamos uma vanguarda da nossa democracia.<\/p>\n<div class=\"c-author c-news__author\">\n<h4 class=\"c-author__content\"><em><cite class=\"c-author__name\"><strong>Cr\u00e9dito:<\/strong> <\/cite><\/em><cite class=\"c-author__name\"><strong>Guilherme Coelho e<\/strong> <\/cite><strong><span style=\"color: #000000; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 13px;\">Francisco Gaetani na Pol\u00edtica em Foco \/Folha de S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 19\/09\/2020<\/span><\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"c-author c-news__author\">\n<div class=\"c-author__content\">\n<p class=\"c-author__bio\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1977, Mierle Ukeles tinha 38 anos, um mestrado, um manifesto art\u00edstico e tr\u00eas filhos, mas foi ao se convidar para ser artista residente no Departamento de Limpeza Urbana da cidade de Nova York que ela inscreveu seu nome na hist\u00f3ria da arte. 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