{"id":54569,"date":"2020-11-02T02:59:55","date_gmt":"2020-11-02T05:59:55","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=54569"},"modified":"2020-11-01T19:58:00","modified_gmt":"2020-11-01T22:58:00","slug":"luiza-helena-trajano-a-empresaria-que-fez-o-magazine-luiza-virar-referencia-em-inovacao-e-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/11\/02\/luiza-helena-trajano-a-empresaria-que-fez-o-magazine-luiza-virar-referencia-em-inovacao-e-diversidade\/","title":{"rendered":"Luiza Helena Trajano: a empres\u00e1ria que fez o Magazine Luiza virar refer\u00eancia em inova\u00e7\u00e3o e diversidade"},"content":{"rendered":"<header class=\"container-header-small\">\n<div class=\"site-header\">\n<div class=\"header\">\n<div class=\"container-fluid\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col d-flex align-items-center justify-content-between\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria da rainha do varejo do Brasil que se afastou do dia a dia do Magazine Luiza para se dedicar a causas como empreendedorismo<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"container\">\n<article id=\"post-1540011\" class=\"post-1540011 page type-page status-publish has-post-thumbnail hentry category-carreira category-negocios tag-luiza-helena-trajano tag-magazine-luiza tag-personagens-de-mercado\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-9 col-lg-8 col-xl-6 m-sm-auto m-lg-0 article-content\">\n<h2>Quem \u00e9 Luiza Trajano?<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria de vida de Luiza Helena Trajano In\u00e1cio Rodrigues, maior acionista e atual presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Magazine Luiza, se confunde com a hist\u00f3ria da pr\u00f3pria rede varejista \u2013 muito embora o nome da rede n\u00e3o venha especificamente de Luiza Helena, mas de sua tia, xar\u00e1 e primeira dona daquela que viria a ser uma das maiores empresas do Brasil.<\/p>\n<p>Formada em Direito em 1972, Luiza come\u00e7ou a trabalhar na loja e passou por diversos departamentos antes de assumir a lideran\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o, em 1991. Sob sua dire\u00e7\u00e3o, a empresa criou as primeiras lojas virtuais, com vendas pela televis\u00e3o, a Liquida\u00e7\u00e3o Fant\u00e1stica, que arrastava consumidores em busca de grandes descontos no m\u00eas de janeiro, e come\u00e7ou sua expans\u00e3o para o Paran\u00e1 e o Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>Em 2000, foi lan\u00e7ado o site de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico da companhia, que come\u00e7ou um processo de aquisi\u00e7\u00e3o de outras redes como as Lojas L\u00edder, Lojas Base, Kilar e Madol. Em 2008, a empresa inaugurou 46 lojas no mesmo dia em S\u00e3o Paulo. Dois anos depois, chegou ao Nordeste.<\/p>\n<p>A chegada \u00e0 bolsa ocorreu em 2011, com o IPO da companhia. Capitalizada, ela manteve o ciclo de aquisi\u00e7\u00f5es nos anos seguintes, com a compra do Ba\u00fa da Felicidade, a startup de log\u00edstica Logbee,&nbsp;o maior e-commerce esportivo do Brasil, Netshoes,&nbsp;e o marketplace de livros Estante Virtual.<\/p>\n<p>Embora Luiza Helena tenha cedido a presid\u00eancia da companhia para Marcelo Silva, at\u00e9 ent\u00e3o diretor superintendente da empresa, seu filho, Frederico Trajano, respons\u00e1vel pela guinada digital da empresa, estava sendo preparado para assumir a lideran\u00e7a. Ele j\u00e1 havia implementado importantes mudan\u00e7as, como a cria\u00e7\u00e3o do LuizaLabs, um laborat\u00f3rio de tecnologia e inova\u00e7\u00e3o focado em desenvolver projetos, e foi o respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento da Lu, o avatar com mais de 4 milh\u00f5es de seguidores no Instagram que foi criado para dar assist\u00eancia \u00e0s vendas online e se transformou em uma \u201cinfluenciadora digital\u201d.<\/p>\n<p>Frederico assumiu o comando da varejista em 2016. Nos primeiros 23 meses de sua gest\u00e3o, multiplicou o valor de mercado da empresa por 30. Luiza segue norteando os rumos da varejista, como presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o neg\u00f3cio da fam\u00edlia em boas m\u00e3os, Luiza dedica-se ao grupo que formou com outras empres\u00e1rias, o Mulheres do Brasil, e empreende esfor\u00e7os para apoiar os micro e pequenos empres\u00e1rios.<\/p>\n<h2>Fam\u00edlia e forma\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Luiza Helena \u00e9 a \u00fanica filha de Clarismundo ln\u00e1cio e Jacira Trajano In\u00e1cio. Nascida e criada em Franca, no interior de S\u00e3o Paulo, ela teve duas grandes influ\u00eancias femininas na sua cria\u00e7\u00e3o: sua m\u00e3e e sua tia.<\/p>\n<p>A m\u00e3e dava liberdade para a filha tomar suas decis\u00f5es, estimulando-a a pensar em solu\u00e7\u00f5es para seus pr\u00f3prios problemas. Com a tia, compartilhava a veia empreendedora e o primeiro nome: Luiza.<\/p>\n<p>Sua tia passou boa parte da vida trabalhando como vendedora, mas, depois de se casar com Pelegrino Jos\u00e9 Donato, deixou de lado a profiss\u00e3o para seguir o marido. Por\u00e9m, a vontade de ter um neg\u00f3cio pr\u00f3prio a fez comprar uma pequena loja. Luiza fez um concurso na r\u00e1dio local para escolher o novo nome da loja (em troca de um colch\u00e3o novo). Com a fama de boa vendedora, foi natural que o nome escolhido fosse uma esp\u00e9cie de homenagem. Nascia, assim, o Magazine Luiza.<\/p>\n<p>Luiza, a sobrinha, teve a oportunidade de experimentar desde pequena o que \u00e9 trabalhar com o varejo. Filha \u2013 e sobrinha \u2013 \u00fanica, era muito paparicada. Mas gostava de mimar os outros tamb\u00e9m. Quando tinha 12 anos, ele decidiu que iria dar presentes de Natal para todos os familiares. Em vez de dizer que n\u00e3o tinha dinheiro, sua m\u00e3e a encorajou a encontrar sua pr\u00f3pria solu\u00e7\u00e3o: \u201ctrabalhe, junte seu dinheiro e compre seus presentes.\u201d<\/p>\n<p>Luiza abriu m\u00e3o das f\u00e9rias escolares, trabalhando como balconista na loja da tia. A experi\u00eancia foi t\u00e3o enriquecedora que Luiza decidiu repetir a dose nos anos seguintes, durante as f\u00e9rias escolares. Ela se tornaria oficialmente funcion\u00e1ria do Magazine Luiza aos 17 anos, depois de concluir o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Chegara a hora de decidir qual curso de ensino superior fazer. Luiza Helena queria estudar Psicologia, mas a gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava dispon\u00edvel em Franca naquela \u00e9poca. O jeito foi estudar Direito e Administra\u00e7\u00e3o. Ela se formou no primeiro curso em 1972, mas n\u00e3o chegou a concluir o segundo. Tamb\u00e9m n\u00e3o chegou a praticar o Direito um dia sequer: j\u00e1 estava imersa na rotina do Magazine Luiza, enquanto a rede se expandia com a compra de lojas regionais.<\/p>\n<p>Luiza foi vendedora, gerente de loja, encarregada e compradora at\u00e9 receber, em 1991, um bilhete da tia com um chamado: era o momento de assumir a lideran\u00e7a da empresa. E ela n\u00e3o poderia estar mais preparada.<\/p>\n<h2>O Magazine da Luiza<\/h2>\n<p>Assim que assumiu a dire\u00e7\u00e3o, Luiza Helena decidiu modernizar a empresa, criando uma loja virtual de eletrodom\u00e9sticos em uma \u00e9poca na qual as pessoas mal acessavam a internet. Com a novidade, os clientes podiam ir at\u00e9 uma loja f\u00edsica e comprar um produto que estivesse indispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Outra medida foi a cria\u00e7\u00e3o de uma grande liquida\u00e7\u00e3o nos meses de janeiro, com as lojas abrindo \u00e0s 5h da manh\u00e3. A primeira coisa que ouviu \u2013 inclusive da tia \u2013 foi que a ideia n\u00e3o daria certo, que ningu\u00e9m apareceria. Preocupada com essa possibilidade, Luiza pediu que parte dos funcion\u00e1rios deixassem o uniforme de lado e viessem vestidos como pessoas comuns.<\/p>\n<p>Mas o toque de teatralidade nem foi necess\u00e1rio. Antes de a loja abrir, j\u00e1 havia pessoas do lado de fora, esperando pela oportunidade de comprar produtos com descontos de at\u00e9 70%. O passo ousado fez com que a loja faturasse R$ 100 milh\u00f5es em cinco horas e serviu de exemplo para todas as grandes varejistas do Brasil, que passaram a fazer o mesmo.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, seu principal concorrente, a Casas Bahia, veiculava tantas propagandas na televis\u00e3o que, como a pr\u00f3pria Luiza costuma brincar, \u201cno intervalo dos an\u00fancios, passava o Jornal Nacional\u201d. Como o caixa do Magazine n\u00e3o poderia fazer frente aos gastos publicit\u00e1rios do concorrente, a estrat\u00e9gia de Luiza foi se aliar ao Doming\u00e3o do Faust\u00e3o, oferecendo os produtos do Caminh\u00e3o do Faust\u00e3o. A estrat\u00e9gia deu t\u00e3o certo que, por muito tempo, muita gente achava que Fausto Silva era s\u00f3cio da rede varejista \u2013 ou at\u00e9 marido de Luiza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de procurar novas formas de atrair clientes, Luiza tamb\u00e9m voltou as aten\u00e7\u00f5es para seus funcion\u00e1rios. Durante uma conversa com os colaboradores, perguntou sobre seus sonhos e descobriu que ningu\u00e9m ali sonhava em ser vendedor. Entendendo que existia um preconceito com a fun\u00e7\u00e3o, como se um vendedor fosse algu\u00e9m que s\u00f3 quer tirar vantagem do cliente, Luiza aboliu o uso de cargos nos cart\u00f5es de visita da companhia: todos os funcion\u00e1rios do Magazine Luiza seriam chamados de \u201cvendedores\u201d.<\/p>\n<p>Em 1993, ela criou um programa de bonifica\u00e7\u00e3o que permitia aos funcion\u00e1rios participarem da distribui\u00e7\u00e3o dos lucros da empresa. Luiza tamb\u00e9m incentivou que todos participassem de reuni\u00f5es de equipe e fortaleceu a cultura da empresa, pautando-se na transpar\u00eancia e no sentimento de pertencimento. Dez anos depois, a companhia seria a primeira varejista a receber o pr\u00eamio de Great Place to Work e, at\u00e9 hoje, se mant\u00e9m no topo desse ranking \u2013 em 2020, por exemplo, figurou no 5\u00ba lugar da lista da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Algumas tradi\u00e7\u00f5es criadas nessa \u00e9poca perduram at\u00e9 hoje, como as reuni\u00f5es semanais \u00e0s segundas-feiras em todas as lojas da rede e que s\u00e3o guiadas por uma esp\u00e9cie de rito de comunh\u00e3o. Durante esses encontros (com direito a hino nacional e o da empresa, al\u00e9m de uma ora\u00e7\u00e3o), os colaboradores recebem dados sobre as metas e as informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre a empresa. \u201cMas aqueles que n\u00e3o se sentem confort\u00e1veis com qualquer parte deste rito, n\u00e3o precisam acompanhar\u201d, afirmou Luiza.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 2000, o Magazine Luiza lan\u00e7ou seu site de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico. No ano seguinte, criou o Luizacred, em parceria com o Ita\u00fa Unibanco e, em 2005, a Luizaseg, em sociedade com a Cardif, empresa do grupo BNP Paribas.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, a empresa tamb\u00e9m comprou outras redes como as Lojas L\u00edder, Lojas Base, Kilar e Madol em Santa Catarina, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul. E, com o crescimento da rede, 46 lojas foram inauguradas em S\u00e3o Paulo em um \u00fanico dia de 2008. Dois anos depois, a rede chegou ao Nordeste com a compra das 136 unidades das Lojas Maia em 2010.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-33180 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/magazine-luiza-ipo.jpg?resize=520%2C302&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" srcset=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/magazine-luiza-ipo.jpg?w=520&amp;quality=75&amp;strip=all 520w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/magazine-luiza-ipo.jpg?w=300&amp;quality=75&amp;strip=all 300w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/magazine-luiza-ipo.jpg?w=150&amp;quality=75&amp;strip=all 150w\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"302\" data-recalc-dims=\"1\" data-lazy-loaded=\"1\"><\/figure>\n<p>O ano seguinte seria muito importante para a companhia: era a hora do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/guias\/ipo\/\">IPO<\/a>. O Magazine Luiza estreou captando R$ 925 milh\u00f5es, com suas a\u00e7\u00f5es sendo negociadas a R$ 16. Pouco depois, os pap\u00e9is chegaram a cair abaixo de R$ 1. Uma solu\u00e7\u00e3o ventilada para recuperar o desempenho foi a separa\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es digitais das lojas f\u00edsicas. Luiza n\u00e3o aceitou. Desde ent\u00e3o, as a\u00e7\u00f5es da empresa se valorizaram mais de 5.000% \u2013 j\u00e1 foram feitos dois desdobramentos dos papeis, o \u00faltimo deles, em outubro de 2020.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de manter a empresa unificada baseou-se na premissa de que o cliente tamb\u00e9m \u00e9 um s\u00f3. Ou seja, ele poderia comprar tanto no digital quanto na loja f\u00edsica. Manter os pontos f\u00edsicos, que foram transformados em pequenos centros de distribui\u00e7\u00e3o, foi essencial para que a companhia desse g\u00e1s a sua log\u00edstica.<\/p>\n<h2>Legado vencedor<\/h2>\n<p>Em 2009, Luiza j\u00e1 havia passado o controle do dia a dia da companhia para Marcelo Silva, executivo com passagens por Pernambucanas e Bompre\u00e7o. Ela assumiu a presid\u00eancia do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Magazine Luiza enquanto seu primog\u00eanito, Frederico Trajano, era preparado para assumir o comando.<\/p>\n<p>\u00c0 frente das iniciativas digitais da companhia, como a cria\u00e7\u00e3o do LuizaLabs, laborat\u00f3rio de tecnologia da empresa, e o avatar Lu do Magalu, que tinha o papel de auxiliar os clientes nas compras online, Fred assumiria a presid\u00eancia do Magazine Luiza em 2016.<\/p>\n<p>Atualmente, com mais de 35 mil colaboradores e marcas t\u00e3o distintas quanto Netshoes, Zattini, LogBee, \u00c9poca Cosm\u00e9ticos e Estante Virtual, a empresa opera 1.113 lojas f\u00edsicas distribu\u00eddas em 819 cidades de 21 estados e abriu, s\u00f3 em 2019, cinco novos centros de distribui\u00e7\u00e3o \u2013 totalizando 17 \u2013, em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Sendo pol\u00edtica sem ser pol\u00edtica<\/h2>\n<p>Embora tenha recebido (e negado) um convite para ser ministra no primeiro governo Dilma, Luiza Helena nunca considerou ser pol\u00edtica. Ao menos n\u00e3o nos moldes tradicionais.<\/p>\n<p>Em 2004, ela foi uma das fundadoras do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), junto com Fl\u00e1vio Rocha, da Riachuelo, Marcos Gouv\u00eaa de Souza, da consultoria GS&amp;MD, Artur Grynbaum, de O Botic\u00e1rio, Jos\u00e9 Gall\u00f3, da Lojas Renner, entre outros executivos, atuando primeiro como vice-presidente e, depois, como presidente da entidade.<\/p>\n<p>Em 2013, Luiza Helena foi uma das 40 criadoras do grupo apartid\u00e1rio Mulheres do Brasil, que surgiu durante um almo\u00e7o entre empres\u00e1rias.<\/p>\n<p>Com mais de 68 mil participantes, o grupo \u00e9 presidido por Luiza Helena e conta com 22 comit\u00eas e 110 n\u00facleos de trabalho (inclusive fora do Brasil), atuando em parceria com diferentes esferas de poder para fomentar a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas afirmativas como a inser\u00e7\u00e3o de refugiados no mercado de trabalho, a capacita\u00e7\u00e3o de empreendedoras e a proje\u00e7\u00e3o de mulheres candidatas a cargos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>O grupo tamb\u00e9m faz parte de iniciativas como a Rede Brasil do Pacto Global da ONU e defende publicamente temas como o Marco Legal do Saneamento.<\/p>\n<p>Embora Luiza n\u00e3o esteja mais \u00e0 frente da dire\u00e7\u00e3o do Magazine Luiza, coube a ela defender publicamente o programa de trainees exclusivo para negros lan\u00e7ado pela varejista. Atacado em redes sociais como \u201cracismo reverso\u201d, o programa foi lan\u00e7ado em 2020 para corrigir um problema no quadro de funcion\u00e1rios da rede: embora 53% dos colaboradores sejam negros, apenas 16% dessa lideran\u00e7a \u00e9 ocupada por pretos e pardos.<\/p>\n<p>Para Luiza, \u201ccota \u00e9 um processo transit\u00f3rio para acertar uma desigualdade\u201d. Essa \u00e9 a mesma resposta que ela d\u00e1 sempre que perguntada sobre sua opini\u00e3o acerca de cotas para mulheres em conselhos de empresas. O Magazine Luiza procura, nesta causa, liderar pelo exemplo, sendo uma das nove empresas listadas na B3 com tr\u00eas mulheres no conselho.<\/p>\n<p>Luiza tamb\u00e9m foi vice-presidente do Comit\u00ea Ol\u00edmpico da Rio 2016 durante quatro anos. Por essa raz\u00e3o, foi uma das convidadas a fazer parte do revezamento da tocha ol\u00edmpica, quando o s\u00edmbolo dos Jogos Ol\u00edmpicos foi passar por sua cidade natal, Franca. Durante o percurso de 200 metros, correndo em um trecho de subida, Luiza se desequilibrou e caiu. Da queda, fez piada (postou no Instagram que \u201creceber a tocha na minha cidade, ter a minha acesa pela minha filha querida foi uma emo\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande, que at\u00e9 cai!\u201d) e a\u00e7\u00e3o de marketing (com a campanha \u201cA Dona Luiza caiu, mas est\u00e1 bem. Agora, o que caiu foram os pre\u00e7os. #CairFazParte\u201d).<\/p>\n<p>O tombo deu lucro. Mas outro meme rendeu a etiqueta de \u201ccomunista\u201d, quando ela<a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/colunistas\/blog-da-redacao\/a-resposta-de-luiza-trajano-contagiou-as-acoes-da-magazine-luiza-na-bolsa\/\">&nbsp;rebateu o jornalista Diogo Mainardi no programa Manhattan Connection<\/a>, da GloboNews, discutindo dados que ele apresentou sobre o crescimento da inadimpl\u00eancia no Brasil.<\/p>\n<p>Longe dos holofotes, Luiza tamb\u00e9m abra\u00e7ou causas importantes, como o combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher. Em julho de 2017, a gerente de uma unidade da rede foi assassinada pelo marido. O caso de feminic\u00eddio impactou a empres\u00e1ria, que criou um canal de den\u00fancias e um comit\u00ea interno, al\u00e9m de uma organiza\u00e7\u00e3o para orientar todas as empresas que quisessem fazer o mesmo.<\/p>\n<p>Em pouco mais de tr\u00eas anos, a rede interna recebeu mais de 300 den\u00fancias. Com o sucesso do programa, o Magazine Luiza levou o projeto para fora da empresa, fazendo campanhas para o Disque 180, a Central de Atendimento \u00e0 Mulher. A nova vers\u00e3o do app da empresa, possui, inclusive, um bot\u00e3o \u201cDenuncie viol\u00eancia contra a mulher\u201d, conectado ao sistema do Disque 180, facilitando que a mulher agredida possa pedir ajuda de maneira discreta.<\/p>\n<p>Outra causa abra\u00e7ada pela empres\u00e1ria foi a do papel dos donos de empresas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade durante a pandemia. Luiza foi uma das empres\u00e1rias a encabe\u00e7ar um movimento pedindo que as companhias mantivessem empregos, o \u201cN\u00e3o demita!\u201d, assinado por mais de 4 mil organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Estilo de vida<\/h2>\n<p>Luiza conheceu seu marido, Erasmo, na Universidade Federal de Franca, quando tinha 18 anos. Os dois namoraram por seis anos at\u00e9 se casarem. Em tr\u00eas anos e meio, nasceram o primog\u00eanito, Frederico Trajano, a filha Ana Luiza e a ca\u00e7ula Luciana. Os tr\u00eas seguiram, de certa forma, os passos da m\u00e3e: trabalhando durante as f\u00e9rias para ganhar algum dinheiro.<\/p>\n<p>Erasmo, por sua vez, nunca trabalhou no Magazine Luiza \u2013 essa \u00e9 uma regra para os c\u00f4njuges de todos os membros da fam\u00edlia. Ele tinha seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios: era dono de postos de gasolina e coordenava a ONG Franca Viva, mantida pelo Magazine Luiza. Erasmo morreu em 2009, aos 62 anos, de infarto, em um s\u00edtio da fam\u00edlia no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Embora resida oficialmente em S\u00e3o Paulo, Luiza nunca abandonou o interior paulista \u2013 nem seu sotaque. Costuma voltar todos os finais de semana para Franca, onde sempre se encontra com sua tia e mentora. Seus filhos tamb\u00e9m nasceram l\u00e1, embora tenham se mudado para a capital ainda jovens, para completar o ensino superior.<\/p>\n<p>Frederico foi o primeiro a deixar o interior, quando entrou na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, aos 16 anos, para estudar Administra\u00e7\u00e3o de Empresas. Depois, fez uma especializa\u00e7\u00e3o em Stanford, mesma universidade por onde passaram Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google. Quando conseguiu seu primeiro emprego, em 1996, como analista de investimentos do Deutsche Bank, Luiza lhe entregou uma carta de conselhos que passou a distribuir a todos os novos funcion\u00e1rios da empresa:<\/p>\n<p>\u201cAcredite sempre em voc\u00ea mesmo e sua f\u00e9; procure n\u00e3o mitificar coisas nem pessoas; tenha sempre uma atitude de troca: de dar e receber; n\u00e3o abra m\u00e3o da sua \u00e9tica, moral e cren\u00e7a na evolu\u00e7\u00e3o; saiba que tem uma miss\u00e3o. Descubra-a e lute por ela; tenha tempo para tudo. Por isso, se organize, crie ritmo e rotina; tenha paix\u00e3o pelo que faz, pois s\u00f3 assim far\u00e1 melhor e mais f\u00e1cil; e seja sempre voc\u00ea mesmo. Nunca omita a verdade.\u201d<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, Fred retornaria definitivamente para o Magazine Luiza, liderando a evolu\u00e7\u00e3o digital pela qual a companhia passou. Ana Luiza n\u00e3o poderia ter ficado mais longe: \u00e9 chef de cozinha, pesquisadora da cozinha brasileira e presidente do Instituto Brasil a Gosto. Luciana, a ca\u00e7ula, \u00e9 pedagoga e fil\u00f3sofa, e mora em Portugal com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: InfoMoney &#8211; dispon\u00edvel na internet 02\/11\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria da rainha do varejo do Brasil que se afastou do dia a dia do Magazine Luiza para se dedicar a causas como empreendedorismo Quem \u00e9 Luiza Trajano? 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