{"id":55088,"date":"2020-11-14T02:30:35","date_gmt":"2020-11-14T05:30:35","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=55088"},"modified":"2020-11-14T04:58:28","modified_gmt":"2020-11-14T07:58:28","slug":"7-coisas-que-o-brasil-deveria-fazer-para-controlar-segunda-onda-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/11\/14\/7-coisas-que-o-brasil-deveria-fazer-para-controlar-segunda-onda-de-covid-19\/","title":{"rendered":"7 coisas que o Brasil deveria fazer para controlar segunda onda de covid-19"},"content":{"rendered":"<div class=\"e1j2237y2 css-1btxek-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-s561j-Container e1c9i7u10\">\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da covid-19 voltou a se agravar na Europa e nos Estados Unidos h\u00e1 algumas semanas. Com o aumento de infectados, os hospitais est\u00e3o pr\u00f3ximos do limite de capacidade de atendimento. Para evitar um desastre ainda maior, l\u00edderes de na\u00e7\u00f5es como Reino Unido, Espanha e Fran\u00e7a decretaram toques de recolher e lockdowns.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Mas alguns indicadores sinalizam que o Brasil tamb\u00e9m pode estar \u00e0 beira de uma segunda onda: informa\u00e7\u00f5es vindas de hospitais particulares de S\u00e3o Paulo j\u00e1 registram um aumento do n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es a partir da segunda ou da terceira semana de outubro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">O mesmo fen\u00f4meno ainda n\u00e3o foi observado na rede p\u00fablica. Mas, se o comportamento dessa eventual segunda onda for igual \u00e0 primeira, os n\u00fameros nessas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m apresentar\u00e3o uma eleva\u00e7\u00e3o em breve.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">De acordo com epidemiologistas e matem\u00e1ticos ouvidos pela BBC Brasil, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel impedir que esse rebote ocorra, como mostram experi\u00eancias com pandemias do passado e a atual situa\u00e7\u00e3o europeia. A dificuldade maior est\u00e1 em prever quando ela exatamente vai come\u00e7ar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;Isso depende de uma s\u00e9rie de fatores, como a mobilidade de pessoas e a atividade econ\u00f4mica das cidades, sobre os quais n\u00e3o temos controle nenhum&#8221;, admite o f\u00edsico Silvio Ferreira, especializado em sistemas complexos e modelagem epid\u00eamica e professor da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (MG).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-1fobf8d e1gggypo0\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Alguns c\u00e1lculos indicam que a situa\u00e7\u00e3o da pandemia em certos lugares do Brasil j\u00e1 est\u00e1 se agravando agora, quase como se estiv\u00e9ssemos emendando a primeira e a segunda onda.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Os gr\u00e1ficos sobre a incid\u00eancia de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG), que s\u00e3o um indicativo sobre o est\u00e1gio mais s\u00e9rio das doen\u00e7as infecciosas que afetam nariz, garganta e pulm\u00f5es (caso de gripe e covid-19), voltou a subir substancialmente nas \u00faltimas semanas em cidades como Florian\u00f3polis.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Os n\u00fameros de casos confirmados de covid-19 est\u00e3o em alta em outros locais, como na Grande S\u00e3o Paulo e nos Estados do Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;O cen\u00e1rio ainda n\u00e3o est\u00e1 igual ao da Europa e ainda n\u00e3o temos dados oficiais, mas pelo que estamos vendo e ouvindo dos colegas, os casos parecem j\u00e1 estar subindo de novo em alguns locais&#8221;, observa o m\u00e9dico Jos\u00e9 Luiz de Lima Filho, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Ingredientes-para-a-piora-do-cen\u00e1rio\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">Ingredientes para a piora do cen\u00e1rio<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Algumas proje\u00e7\u00f5es indicam que essa segunda onda pode ser agravada pelo final do ano, quando muitas pessoas v\u00e3o viajar e se reunir com familiares e amigos para celebrar as festas ou aproveitar os dias de calor.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Outro fator que pode pesar no futuro \u00e9 a chegada de temperaturas mais frias a partir de mar\u00e7o e abril de 2020. Durante o outono e o inverno, as aglomera\u00e7\u00f5es em locais fechados se tornam mais frequentes, o que favorece a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">N\u00e3o d\u00e1 pra ignorar tamb\u00e9m o relaxamento das regras para o funcionamento de estabelecimentos comerciais e o cansa\u00e7o das pessoas em continuarem em isolamento, por mais que ele continue necess\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Diante de tantas possibilidades, a \u00fanica certeza que os especialistas possuem \u00e9 que o Brasil tem uma chance de se organizar bem pelas pr\u00f3ximas semanas para criar a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas capazes de diminuir infec\u00e7\u00f5es, interna\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;Precisamos usar a ci\u00eancia e os modelos preditivos para entender o que pode acontecer num futuro pr\u00f3ximo. A partir da\u00ed, podemos lan\u00e7ar m\u00e3os de medidas que mitigam o impacto da covid-19 em nossa realidade&#8221;, analisa o matem\u00e1tico Eliandro Cirilo, da Universidade Estadual de Londrina (PR).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Confira abaixo sete a\u00e7\u00f5es que podem fazer a diferen\u00e7a na for\u00e7a que uma segunda onda ter\u00e1 no Brasil:<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"1-Melhorar-o-acesso-e-a-qualidade-dos-dados\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">1. Melhorar o acesso e a qualidade dos dados<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Ainda que o Brasil tenha uma estrutura consider\u00e1vel de informa\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da sa\u00fade, matem\u00e1ticos, epidemiologistas e gestores p\u00fablicos ainda encontram dificuldade para fazer compara\u00e7\u00f5es entre diferentes cidades e regi\u00f5es ou colocar em pr\u00e1ticas as a\u00e7\u00f5es corretas para cada est\u00e1gio da pandemia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;O grande problema est\u00e1 na qualidade dos dados. N\u00e3o temos certeza sobre a precis\u00e3o deles ou a frequ\u00eancia com que s\u00e3o disponibilizados. Durante uma pandemia, n\u00e3o basta saber que ocorreram 100 mil casos. Precisamos entender quando eles aconteceram, a faixa et\u00e1ria dos acometidos, sua localiza\u00e7\u00e3o, a gravidade\u2026&#8221;, exemplifica Ferreira.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">O ideal seria que todos os munic\u00edpios do pa\u00eds possu\u00edssem um sistema online igual (ou similar) e uma padroniza\u00e7\u00e3o de como as informa\u00e7\u00f5es deveriam ser preenchidas segundo alguns crit\u00e9rios.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Assim, os dados seriam repassados de maneira uniforme para as cidades e os Estados at\u00e9 chegarem ao governo federal. Pelo que comentam especialistas, isso ainda n\u00e3o est\u00e1 bem organizado no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"2-Considerar-as-realidades-locais-\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">2. Considerar as realidades locais<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Os epidemiologistas s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar que n\u00e3o faz sentido analisar um gr\u00e1fico da covid-19 do Brasil todo. Cada regi\u00e3o do pa\u00eds tem sua pr\u00f3pria caracter\u00edstica e apresenta particularidades sobre os n\u00fameros de casos, hospitaliza\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;Quando analisamos um pa\u00eds continental como o Brasil, o gr\u00e1fico pode ser generalista demais. A soma do que ocorre em todos os Estados acaba n\u00e3o representando nenhum Estado. \u00c9 necess\u00e1rio analisar lugar a lugar para entender o que est\u00e1 acontecendo&#8221;, constata o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, da Rede An\u00e1lise Covid-19.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Em alguns locais, como Manaus e Bel\u00e9m, por exemplo, houve um pico de infectados e mortos. Passadas algumas semanas, a curva caiu e ficou relativamente controlada. Outros lugares, como S\u00e3o Paulo, vivenciaram um plat\u00f4 alto de indiv\u00edduos afetados durante muitos meses. Os n\u00fameros n\u00e3o baixaram, nem subiram: ficaram praticamente nivelados por um longo per\u00edodo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">\u00c9 necess\u00e1rio, portanto, levar em conta cada cidade, Estado ou regi\u00e3o na hora de implementar ou refor\u00e7ar as regras que restringem a circula\u00e7\u00e3o de pessoas. &#8220;Precisamos desenvolver algum tipo de medida customizada que permita relaxar ou endurecer as pol\u00edticas de acordo com o est\u00e1gio da pandemia e com a realidade local&#8221;, pensa Cirilo, da Universidade Estadual de Londrina (PR).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Essa foi a estrat\u00e9gia usada em outubro na cidade de Nova York, nos Estados Unidos: o prefeito prop\u00f4s que os bairros onde o coronav\u00edrus estava em maior circula\u00e7\u00e3o, como Brooklyn e Queens, tivessem o com\u00e9rcio e as escolas fechadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"3-Ampliar-a-testagem\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">3. Ampliar a testagem<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;Onde a gente n\u00e3o faz testes, n\u00e3o encontra casos&#8221;, raciocina Ferreira. A \u00fanica maneira de entender o real cen\u00e1rio da pandemia \u00e9 criar um programa de testagem populacional, incluindo as pessoas que n\u00e3o apresentam sintomas sugestivos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel detectar os casos assintom\u00e1ticos ou com poucos sinais, que representam a grande maioria dos infectados. Apesar de n\u00e3o sofrerem grandes abalos na pr\u00f3pria sa\u00fade, essas pessoas podem transmitir o v\u00edrus para outras.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Vamos aos n\u00fameros: de acordo com o site Worldometers, o Brasil tem cerca de 5,3 milh\u00f5es de casos confirmados de covid-19 e 164 mil mortos. Desde mar\u00e7o, o pa\u00eds realizou 21 milh\u00f5es de testes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Apesar de ser a terceira na\u00e7\u00e3o com os n\u00fameros mais altos da pandemia (s\u00f3 fica atr\u00e1s de Estados Unidos e \u00cdndia), nosso pa\u00eds ocupa a 98\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking de exames feitos em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o. Aparecemos atr\u00e1s de na\u00e7\u00f5es como Col\u00f4mbia, Om\u00e3 e B\u00f3snia e Herzegovina.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">E h\u00e1 outro agravante nessa hist\u00f3ria: cerca da metade dos testes feitos no Brasil s\u00e3o os r\u00e1pidos, aqueles que s\u00f3 informam se a pessoa j\u00e1 teve covid-19 no passado, n\u00e3o se ela est\u00e1 com o v\u00edrus naquele momento. Para descobrir a doen\u00e7a ativa, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) preconiza o exame conhecido pela sigla PCR.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">A testagem em massa permite ter um panorama mais certeiro de como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o e quais a\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias para conter a dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus. Foi o que aconteceu na cidade de Kashgar, na China, na \u00faltima semana de outubro: ap\u00f3s um surto local, as autoridades fizeram 4,7 milh\u00f5es de testes de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;A China tem feito isso com regularidade. Quando eles detectam um aumento pequeno de casos de covid-19 num lugar, fazem milh\u00f5es de testes para flagrar aqueles indiv\u00edduos que est\u00e3o assintom\u00e1ticos. Eles s\u00e3o isolados, o que interrompe a cadeia de transmiss\u00e3o&#8221;, contextualiza Schrarstzhaupt.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"4-Isolar-e-rastrear-contatos\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">4. Isolar e rastrear contatos<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Vamos supor que o programa de testes em larga escala estivesse implementado. Qual seria o pr\u00f3ximo passo? Isolar aqueles que foram diagnosticados com a covid-19.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Os protocolos mais bem-sucedidos indicam que esses indiv\u00edduos devem ficar em casa (se poss\u00edvel, em um quarto sem contato com familiares ou amigos) pelas pr\u00f3ximas duas semanas. Se, no meio do processo, os sintomas se agravarem ou aparecer falta de ar, \u00e9 preciso buscar a orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica ou o pronto-socorro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">O terceiro passo dessa estrat\u00e9gia \u00e9 o rastreamento. Na pr\u00e1tica, isso significa perguntar aos pacientes rec\u00e9m-diagnosticados com quem eles tiveram contato f\u00edsico nos \u00faltimos dias. Essas pessoas s\u00e3o, ent\u00e3o, avisadas e orientadas a fazer uma quarentena ou realizar os exames.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Testar, isolar e rastrear, inclusive, s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es que permitem a pa\u00edses como Tail\u00e2ndia e Nova Zel\u00e2ndia o controle da covid-19 dentro de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"5-Coordenar-as-a\u00e7\u00f5es\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">5. Coordenar as a\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Em meio \u00e0 maior pandemia do s\u00e9culo, o Brasil teve tr\u00eas ministros da sa\u00fade e acompanhou de perto brigas p\u00fablicas entre prefeitos, governadores e o presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">A falta de coordena\u00e7\u00e3o entre setores do poder p\u00fablico no pa\u00eds fica evidente em um estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, a partir de dados fornecidos pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios (CNM). Eles fizeram entrevistas com prefeitos ou gestores de sa\u00fade de 4.061 cidades brasileiras entre mar\u00e7o e agosto de 2020.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">A principal conclus\u00e3o do trabalho \u00e9 que a maioria dos locais at\u00e9 adotou medidas de conten\u00e7\u00e3o (como fechamento de escolas e do com\u00e9rcio), mas n\u00e3o houve nenhuma decis\u00e3o conjunta entre munic\u00edpios vizinhos \u2014 portanto, havia um total descompasso que n\u00e3o respeitava as realidades regionais.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">A limita\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de pessoas tamb\u00e9m parece ter durado pouco tempo: logo no final de mar\u00e7o, a maioria das cidades j\u00e1 come\u00e7ou a flexibilizar suas regras por causa da press\u00e3o das empresas e dos cidad\u00e3os. Tudo isso foi feito sem nenhuma sincronia com os governos estadual ou federal.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"6-Divulgar-orienta\u00e7\u00f5es-claras-sobre-as-medidas-b\u00e1sicas-de-prote\u00e7\u00e3o\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">6. Divulgar orienta\u00e7\u00f5es claras sobre as medidas b\u00e1sicas de prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;As pessoas est\u00e3o cansadas e estressadas com toda a situa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, muitas n\u00e3o t\u00eam como sobreviver se ficarem em casa. Elas n\u00e3o t\u00eam escolha: v\u00e3o \u00e0s ruas e se arriscam para garantir o sustento, mesmo com o risco de se infectar&#8221;, constata Cirilo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Agora imagine o barril de p\u00f3lvora que pode ser criado quando os gestores precisarem retomar as medidas mais restritivas para barrar a segunda onda? Na Europa, os toques de recolher e as quarentenas motivaram uma s\u00e9rie de protestos e confrontos com a pol\u00edcia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Para evitar o mesmo efeito aqui no Brasil, \u00e9 urgente pensar em formas de comunicar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a necessidade de novas restri\u00e7\u00f5es. &#8220;Devemos explicar de alguma maneira que talvez seja melhor paralisar as atividades agora do que fechar tudo por muito mais tempo daqui a tr\u00eas meses&#8221;, prop\u00f5e Schrarstzhaupt.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Outro ponto que merece refor\u00e7o constante por meio de campanhas p\u00fablicas s\u00e3o as medidas individuais de prote\u00e7\u00e3o. &#8220;Vamos continuar a manter a dist\u00e2ncia segura dos outros, usar m\u00e1scaras e lavar sempre as m\u00e3os&#8221;, orienta Lima Filho.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"7-Se-antecipar-\u00e0-din\u00e2mica-da-doen\u00e7a-e-ao-comportamento-das-pessoas\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">7. Se antecipar \u00e0 din\u00e2mica da doen\u00e7a (e ao comportamento das pessoas)<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Os especialistas sugerem que os gestores de sa\u00fade p\u00fablica n\u00e3o tomem decis\u00f5es precipitadas ou atrasadas e acompanhem a din\u00e2mica da doen\u00e7a. Mas o que significa isso?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;H\u00e1 uma lat\u00eancia natural, uma demora, para come\u00e7armos a ver os efeitos de uma segunda onda. Existe um tempo at\u00e9 o exame ser feito, ele ser analisado e sair o resultado&#8221;, observa o especialista em ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o Jones Oliveira de Albuquerque, do Departamento de Estat\u00edstica e Inform\u00e1tica da Universidade Federal Rural de Pernambuco.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">A demora n\u00e3o se limita ao diagn\u00f3stico: entre o aparecimento dos primeiros sintomas, o agravamento do quadro, a interna\u00e7\u00e3o e a morte (ou a recupera\u00e7\u00e3o e a alta), o processo todo leva quatro semanas ou mais.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Portanto, os impactos de uma segunda onda sobre a mortalidade s\u00f3 s\u00e3o percebidos muito tempo depois. Se as autoridades esperarem para agir, ser\u00e1 tarde demais.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">&#8220;Nossos representantes deveriam estar pensando desde ontem em como capacitar o sistema de sa\u00fade e reabrir ou ampliar hospitais e UTIs&#8221;, alerta Lima Filho.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Por fim, \u00e9 importante prestar aten\u00e7\u00e3o no comportamento das pessoas. Al\u00e9m do cansa\u00e7o natural com a pandemia e as restri\u00e7\u00f5es que ela demanda, a tend\u00eancia \u00e9 que mais gente viaje para curtir o ver\u00e3o e as festas de final de ano com amigos e familiares. Isso pode ser evitado de alguma forma?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Na sequ\u00eancia, depois dos meses de calor, a temperatura vai cair. Como evitar que as pessoas se aglomerem em locais fechados, onde o risco de transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus \u00e9 alto?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1jxihfd-Paragraph e1c0huex0\">Essas s\u00e3o algumas perguntas para as quais as autoridades brasileiras precisam encontrar respostas com rapidez.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Andr\u00e9 Biernath da BBC News Brasil &#8211; @internet 14\/11\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o da covid-19 voltou a se agravar na Europa e nos Estados Unidos h\u00e1 algumas semanas. Com o aumento de infectados, os hospitais est\u00e3o pr\u00f3ximos do limite de capacidade de atendimento. Para evitar um desastre ainda maior, l\u00edderes de na\u00e7\u00f5es como Reino Unido, Espanha e Fran\u00e7a decretaram toques de recolher e lockdowns. 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