{"id":55827,"date":"2020-12-05T03:05:51","date_gmt":"2020-12-05T06:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=55827"},"modified":"2020-12-05T05:36:07","modified_gmt":"2020-12-05T08:36:07","slug":"como-esta-o-brasil-na-corrida-por-uma-vacina-contra-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/12\/05\/como-esta-o-brasil-na-corrida-por-uma-vacina-contra-a-covid-19\/","title":{"rendered":"Como est\u00e1 o Brasil na corrida por uma vacina contra a covid-19?"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Das quatro vacinas testadas no Brasil, duas j\u00e1 t\u00eam acordo para produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. A DW Brasil traz um resumo sobre candidatos a imunizantes com potencial de serem aplicados nos brasileiros.<span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>A expectativa pela aplica\u00e7\u00e3o de vacinas contra a covid-19 \u00e9 particularmente grande no Brasil, um dos pa\u00edses mais atingidos pela pandemia. Nesta quinta-feira (03\/12), o Brasil superou a marca de&nbsp;&nbsp;175 mil mortes por covid-19, o segundo maior n\u00famero no mundo ap\u00f3s os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Dos mais de cem projetos em pesquisa e desenvolvimento de vacina em andamento, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), quatro est\u00e3o em testes no Brasil.<\/p>\n<p>Nesta semana, o ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello,&nbsp;afirmou&nbsp;que s\u00e3o&nbsp;no m\u00e1ximo tr\u00eas as op\u00e7\u00f5es&nbsp;de empresas farmac\u00eauticas desenvolvedoras de vacinas contra a covid-19 que atendem \u00e0s necessidades do Brasil, em termos de cronograma e quantidade suficiente de doses. Ele mencionou apenas a chamada vacina de Oxford, sem especificar quais seriam as outras duas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Governos estaduais j\u00e1 firmaram parcerias pr\u00f3prias com projetos de vacinas. O&nbsp;governo de S\u00e3o Paulo fechou acordo para obter a vacina chinesa Coronavac. E a Sputnik V, do laborat\u00f3rio russo Gamaleya e que n\u00e3o est\u00e1 entre as quatro vacinas testadas no Brasil,&nbsp;\u00e9 negociada num acordo a parte com os governos do Paran\u00e1 e da Bahia.&nbsp;<\/p>\n<p>Outra das candidatas mais promissoras de vacinas contra a covid-19, a da farmac\u00eautica americana Moderna, que apresentou&nbsp;94,5% de efic\u00e1cia&nbsp;e&nbsp;pediu autoriza\u00e7\u00e3o emergencial nos Estados Unidos e na Europa, ainda n\u00e3o tem acordo de venda fechado com o governo brasileiro.<\/p>\n<p>Confira a seguir&nbsp;detalhes de vacinas com potencial de serem&nbsp;aplicadas nos brasileiros:&nbsp;<\/p>\n<h2>Vacina de Oxford<\/h2>\n<p>Produzida pela farmac\u00eautica anglo-sueca AstraZeneca e a Universidade de Oxford, a vacina ChAdOx1 nCoV-19 est\u00e1 em teste no Brasil desde junho, em parceria com a Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Segundo informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), o imunizante criado no Reino Unido conta com 10 mil volunt\u00e1rios brasileiros e ser\u00e1 fabricado no Brasil pela Fiocruz em sua unidade produtora de imunobiol\u00f3gicos&nbsp;Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A tecnologia usada \u00e9 conhecida como vetor viral recombinante, que emprega um adenov\u00edrus n\u00e3o replicante e n\u00e3o infeccioso, ou seja, que n\u00e3o pode causar doen\u00e7as.<\/p>\n<p>A vacina atual foi criada numa plataforma que j\u00e1 existia na universidade e que trabalhava com mers, doen\u00e7a causada por outro tipo de coronav\u00edrus. Foram deletados os genes que s\u00e3o respons\u00e1veis pela replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e trocados por outros que v\u00e3o codificar prote\u00ednas do novo coronav\u00edrus (Sars-Cov-2).<\/p>\n<p>Quando essas mol\u00e9culas est\u00e3o dentro do corpo humano, elas passam a produzir a prote\u00edna do coronav\u00edrus, que o sistema imunol\u00f3gico reconhece como amea\u00e7a. O corpo ent\u00e3o aprende a destruir essa prote\u00edna, como se fosse um &#8220;treinamento&#8221;. Quando o Sars-Cov-2 infecta o organismo de verdade, o sistema imunol\u00f3gico consegue reconhecer e combater o v\u00edrus.<\/p>\n<p>O ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello, afirmou que o pa\u00eds deve receber em janeiro e fevereiro 15 milh\u00f5es de doses da vacina da&nbsp;AstraZeneca\/Oxford. At\u00e9 o fim de primeiro semestre de 2021, a expectativa \u00e9 que esse n\u00famero chegue a cem milh\u00f5es, segundo Pazuello. A Bio-Manguinhos deve come\u00e7ar a produzir o imunizante apenas no segundo semestre, com um volume esperado de 160 milh\u00f5es de doses.<\/p>\n<p>Com uma&nbsp;efic\u00e1cia que varia de 62% a 90%, a prote\u00e7\u00e3o m\u00e9dia oferecida por essa vacina \u00e9 de 70%. Por outro lado, o imunizante ChAdOx1 nCoV-19 \u00e9 mais barato e mais f\u00e1cil de armazenar, o que facilita o seu transporte a regi\u00f5es remotas.&nbsp;<\/p>\n<h2>Coronavac<\/h2>\n<p>A vacina da empresa chinesa Sinovac \u00e9 testada no Brasil pelo Instituto Butantan, para o qual deve ser transferida a tecnologia para produ\u00e7\u00e3o&nbsp;do imunizante no pa\u00eds. Com mais de 13 mil volunt\u00e1rios brasileiros, a Coronavac est\u00e1 em fase final de testes e aguarda o registro e autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa para uso.<\/p>\n<p>A tecnologia empregada \u00e9 bastante conhecida, baseada na manipula\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio de c\u00e9lulas humanas infectadas com o novo coronav\u00edrus. Segundo o Instituto Butantan, a vacina \u00e9 produzida com fragmentos inativados do coronav\u00edrus para inser\u00e7\u00e3o no corpo humano. Isso quer dizer que o v\u00edrus n\u00e3o \u00e9 capaz de se reproduzir. Depois de receber a dose, o sistema imunol\u00f3gico come\u00e7a ent\u00e3o a produzir anticorpos para combater o Sars-Cov-2.<\/p>\n<p>No Brasil, o Butantan tem tradi\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de soros e vacinas. De l\u00e1 saem doses contra influenza, hepatite B, raiva, difteria e t\u00e9tano, entre outros.<\/p>\n<p>Nesta quinta-feira, o governo de S\u00e3o Paulo recebeu um novo carregamento com insumos para a fabrica\u00e7\u00e3o da vacina no estado, que devem ser suficientes para a produ\u00e7\u00e3o de&nbsp;1 milh\u00e3o de doses. Em 19 de novembro, o&nbsp;governo paulista j\u00e1 havia recebido 120 mil doses&nbsp;prontas do imunizante.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o acordo fechado com o Butantan, o laborat\u00f3rio chin\u00eas enviar\u00e1 um total de 6 milh\u00f5es de doses prontas para o uso. O instituto paulista vai formular e envasar outras 40 milh\u00f5es de doses.<\/p>\n<p>Segundo a Sinovac, o ideal \u00e9 armazenar as vacinas com refrigera\u00e7\u00e3o, mas o transporte tamb\u00e9m pode ser feito em temperatura ambiente.<\/p>\n<p>Alvo de disputa pol\u00edtica entre o governador de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o D\u00f3ria, e o presidente Jair Bolsonaro, a Coronavac apresentou resultados considerados positivos: um estudo publicado em novembro na revista cient\u00edfica&nbsp;<em>The Lancet Infectious Diseases<\/em>&nbsp;mostrou que a dose&nbsp;levou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de anticorpos em quase todos os volunt\u00e1rios. Os estudos de fase 3, que medem sua efic\u00e1cia, est\u00e3o sendo finalizados e devem ser anunciados nos pr\u00f3ximos dias.&nbsp;<\/p>\n<h2>Vacina da Pfizer\/Biontech<\/h2>\n<p>Fruto da parceria entre a Pfizer, farmac\u00eautica multinacional sediada nos EUA, e a alem\u00e3 Biontech, a vacina BNT162b2 come\u00e7ou a ser testada no Brasil em junho, em pouco mais de 3 mil volunt\u00e1rios. Ainda n\u00e3o foi firmado acordo para a transfer\u00eancia de tecnologia para o Brasil.<\/p>\n<p>Trata-se de uma vacina de RNA mensageiro (mRNA), considerada mais moderna, de terceira gera\u00e7\u00e3o. O princ\u00edpio do imunizante da Pfizer \u00e9 fazer o pr\u00f3prio corpo produzir a prote\u00edna do v\u00edrus. Para isso, os cientistas identificaram a parte do c\u00f3digo gen\u00e9tico viral que carrega as instru\u00e7\u00f5es para a fabrica\u00e7\u00e3o dessa prote\u00edna.<\/p>\n<p>Depois que o material \u00e9 injetado no corpo humano, ele d\u00e1 instru\u00e7\u00f5es para que o organismo produza a prote\u00edna do v\u00edrus, o que vai desencadear a fabrica\u00e7\u00e3o de anticorpos necess\u00e1rios para frear a covid-19.<\/p>\n<p>Apesar de sua&nbsp;efic\u00e1cia, que chegou a 95%&nbsp;segundo resultados da terceira fase de testes cl\u00ednicos, a f\u00f3rmula da Pfizer-Biontech precisa ser armazenada a uma&nbsp;temperatura de -70\u00baC, a mesma de refrigeradores de laborat\u00f3rio, o que dificulta seu transporte por todo o Brasil. A&nbsp;vacina deve ser transportada em caixas especiais com gelo seco. Ap\u00f3s a entrega, as doses podem ser armazenadas por at\u00e9 cinco dias numa geladeira comum.<\/p>\n<p>Nesta semana, o&nbsp;Reino Unido se tornou o primeiro pa\u00eds a aprovar a vacina, que deve come\u00e7ar a ser aplicada na semana que vem.&nbsp;Uma vacina com a tecnologia de RNA mensageiro nunca havia sido aprovada para uso.<\/p>\n<p>Sem acordo pr\u00e9vio de transfer\u00eancia de tecnologia, o governo brasileiro est\u00e1 sob press\u00e3o para decidir se vai comprar a vacina. Em meados de novembro, a Pfizer anunciou quefez uma proposta ao governo brasileiro&nbsp;para fornecer milh\u00f5es de doses da sua vacina contra o novo coronav\u00edrus no primeiro semestre de 2021.&nbsp;<\/p>\n<h2>Vacina da Janssen<\/h2>\n<p>Desenvolvida pela belga Janssen-Cilag, que faz parte do grupo Johnson &amp; Johnson, a vacina AD26.COV2.S est\u00e1 sendo testada em 28 centros de pesquisa no Brasil, distribu\u00eddos em 11 estados, segundo a farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>A plataforma usada foi empregada pela empresa na pesquisa e desenvolvimento de outros projetos, como a vacina contra o ebola, rec\u00e9m-aprovado pela Comiss\u00e3o Europeia. No caso da AD26.COV2.S, vetores de adenov\u00edrus, que causam o resfriado comum, foram modificados para desenvolver a vacina \u2013 mas eles n\u00e3o se multiplicam e n\u00e3o provocam doen\u00e7a nas pessoas.<\/p>\n<p>O imunizante usa ainda uma parte da prote\u00edna do Sars-Cov-2, colocada dentro do adenov\u00edrus, que \u00e9 o transportador. Quando a pessoa recebe a dose, o corpo come\u00e7a a se defender e produzir anticorpos contra o invasor. Essa resposta cria uma &#8220;mem\u00f3ria&#8221;&nbsp;contra o coronav\u00edrus e ensina o corpo humano a reconhecer e atacar o v\u00edrus quando se entra em contato com ele.<\/p>\n<p>A Anvisa ainda analisa o chamado pedido de submiss\u00e3o cont\u00ednua feito pelo laborat\u00f3rio no fim de novembro. Nessa parte do processo, a fabricante informa os dados de qualidade do produto e de efic\u00e1cia\/seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O governo brasileiro ainda n\u00e3o tem um acordo assinado para transfer\u00eancia dessa tecnologia.<\/p>\n<h2>Sputnik V<\/h2>\n<p>A vacina russa n\u00e3o \u00e9 testada no Brasil. Segundo a Anvisa, para esses casos, \u00e9 preciso que devidos procedimentos para registro sejam cumpridos.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o governo do estado do Paran\u00e1 e o Instituto de Tecnologia do Paran\u00e1 (Tecpar),&nbsp;assinaram em agosto um memorando&nbsp;para uma parceria no desenvolvimento da Sputnik V, do Instituto Gamaleya. O governo da Bahia tamb\u00e9m firmou um acordo com o instituto em setembro para ter acesso \u00e0 tecnologia usada na produ\u00e7\u00e3o da vacina.<\/p>\n<p>A R\u00fassia afirma que sua vacina contra a covid-19 tem uma&nbsp;efic\u00e1cia de 92%. No entanto, os dados ainda n\u00e3o foram revisados por outros pesquisadores ou publicados em revistas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Segundo a fabricante, a tecnologia combina dois vetores diferentes de adenov\u00edrus. Uma parte da prote\u00edna do coronav\u00edrus \u00e9 inserida nos vetores. Quando o corpo entra em contato com a subst\u00e2ncia que comp\u00f5e a vacina, ele come\u00e7a a sua resposta imune.<\/p>\n<p>Se a Sputnik V for liberada pela Anvisa, a Tecpar ser\u00e1 respons\u00e1vel por todas as etapas, desde a pesquisa at\u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o das doses. Na R\u00fassia, o presidente&nbsp;Vladimir Putin j\u00e1 ordenou a vacina\u00e7\u00e3o em massa&nbsp;com o imunizante.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; @internet 05\/12\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das quatro vacinas testadas no Brasil, duas j\u00e1 t\u00eam acordo para produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. 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