{"id":56905,"date":"2020-12-31T03:00:40","date_gmt":"2020-12-31T06:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=56905"},"modified":"2020-12-31T05:41:27","modified_gmt":"2020-12-31T08:41:27","slug":"iniciativas-que-evitaram-desastre-ainda-maior-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/12\/31\/iniciativas-que-evitaram-desastre-ainda-maior-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Iniciativas que evitaram desastre ainda maior na pandemia"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">A hist\u00f3ria de alguns brasileiros e brasileiras que levaram al\u00edvio e socorro a muitas pessoas que sofrem com os impactos severos relacionados ao coronav\u00edrus.&nbsp; <span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Quando a not\u00edcia da pandemia chegou ao sert\u00e3o baiano, a apreens\u00e3o tomou conta das comunidades rurais. Com um cen\u00e1rio constante de escassez de \u00e1gua e solo pouco produtivo nesta por\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido brasileiro, Noilton Pereira, fot\u00f3grafo da cidade de Ruy Barbosa que coordena um projeto social, sabia que mais fam\u00edlias sofreriam com a falta de alimento.<\/p>\n<p>Logo muitos doadores da iniciativa, que ele batizou como &#8220;Sert\u00e3o Forte&#8221;, sumiram. S\u00e3o eles que contribuem com a compra de fotos que Pereira tira dos moradores da regi\u00e3o, que est\u00e1 dentro do chamado Pol\u00edgono das Secas, e que ajudam na aquisi\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Com o agravamento da pandemia, in\u00fameras fam\u00edlias em necessidade se somaram \u00e0s 20 que recebiam apoio mensal de Pereira. Mas um refor\u00e7o inesperado apareceu. &#8220;Vimos a fome aumentar, mas a ajuda chegou bem na hora pra suprir&#8221;, conta.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"col2\">\n<div class=\"standaloneWrap\">\n<div class=\"imgTeaserM video\" data-media-id=\"54370175\">\n<div class=\"mediaItem\" data-media-id=\"54370175\">\n<div class=\"teaserImg\" title=\"\">\n<div id=\"videoContainer-543701750\" class=\"jwplayer jw-reset jw-state-idle jw-stretch-uniform jw-flag-aspect-mode jw-skin-dwskin hola_preview_over_player jw-flag-user-inactive jw-breakpoint-2\" tabindex=\"0\" role=\"application\" aria-label=\"Player de v\u00eddeo\">\n<div class=\"jw-aspect jw-reset\"><span style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 27px;\">Pobreza e desabrigados aumentam no Brasil em meio \u00e0 pandemia<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Mais cestas b\u00e1sicas passaram a ser doadas por outras entidades para que o fot\u00f3grafo as distribu\u00edsse pelo sert\u00e3o de Ruy Barbosa durante a pandemia. Nos \u00faltimos meses, ele acabou perdendo as contas de quantas foram, mas se lembra da marca recorde atingida no fim de 2020. &#8220;Sei que s\u00f3 em dezembro foram 400&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Durante as entregas, os retratos que s\u00e3o vendidos e trazem recursos para o projeto n\u00e3o deixaram de ser feitos. O dinheiro que arrecada com a venda dessas imagens e de vaquinhas virtuais tamb\u00e9m constr\u00f3i casas para fam\u00edlias que vivem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o fam\u00edlias que vivem na zona rural e que produziam. Mas a seca, a falta de investimento na agricultura familiar dificultam muito. Essas pessoas n\u00e3o t\u00eam terra, vivem em locais emprestados, que algu\u00e9m deixou morar provisoriamente&#8221;, conta o ex-radialista sobre o perfil local.&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, 20 casas j\u00e1 foram entregues e duas est\u00e3o constru\u00e7\u00e3o, com previs\u00e3o de serem finalizadas no in\u00edcio de 2021. &#8220;Como radialista, sempre visitava as comunidades, via as dificuldades, mas n\u00e3o sabia como ajudar. O Sert\u00e3o Forte foi uma maneira de fazer algo e mostrar ao mundo as pessoas fortes que vivem aqui&#8221;, detalha Pereira.<\/p>\n<h2>Apoio a ind\u00edgenas<\/h2>\n<p>Na cidade mais ind\u00edgena do Brasil, S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, Amazonas, o temor era que a chegada do novo coronav\u00edrus significasse uma cat\u00e1strofe. Mas o di\u00e1logo entre diversas autoridades p\u00fablicas e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, uma proeza num ano de tantos conflitos, salvou centenas de vidas.<\/p>\n<p>Um Comit\u00ea de Enfrentamento \u00e0 covid-19 foi formado imediatamente, sob coordena\u00e7\u00e3o de Marivelton Barroso, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Alto Rio Negro (Foin), com participa\u00e7\u00e3o do poder municipal, Ex\u00e9rcito, Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), Igreja Cat\u00f3lica, Instituto Socioambiental (ISA) entre outros.<\/p>\n<div class=\"picBox full\n\"><\/p>\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/iniciativas-que-evitaram-desastre-ainda-maior-na-pandemia\/a-56096845#\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Homem faz entrega de mantimentos em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, Brasil.\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/56096899_401.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Homem faz entrega de mantimentos em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, Brasil.\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Entrega de mantimentos em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma das primeiras medidas foi explicar aos ind\u00edgenas os perigos do v\u00edrus. Cartilhas foram distribu\u00eddas em quatro l\u00ednguas (Baniwa, Tukano, Nhengatu e D\u00e2w), carros de som circulavam pela cidade, os 350 equipamentos de r\u00e1dio distribu\u00eddos pela Terra Ind\u00edgena transmitiam mensagens de precau\u00e7\u00e3o e pediam para que todos ficassem em suas aldeias.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Com atendimento b\u00e1sico de sa\u00fade limitado na cidade, os casos mais graves eram encaminhados para Manaus, a mais de 850 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. &#8220;A gente imaginou que pudesse acontecer o pior. S\u00e3o Gabriel da Cacheira n\u00e3o tem estrutura para lidar com uma pandemia, n\u00e3o tem Unidade de Tratamento Intensiva, n\u00e3o tem respirador&#8221;, diz Juliana Radler, que atua no Programa Rio Negro do ISA.<\/p>\n<p>Com medo de n\u00e3o sobreviverem \u00e0 viagem, ou de n\u00e3o encontrarem um leito dispon\u00edvel na capital, de onde partiram in\u00fameras imagens chocantes do colapso durante a pandemia, os ind\u00edgenas infectados de S\u00e3o Gabriel decidiram permanecer no territ\u00f3rio. Foi ent\u00e3o que uma estrutura trazida de longe, da cidade paulista de Campinas, evitou o pior.<\/p>\n<p>Enfermarias de campanha foram distribu\u00eddas em 14 unidades montadas dentro da Terra Ind\u00edgena pela organiza\u00e7\u00e3o Expedicion\u00e1rios da Sa\u00fade, que oferece atendimento m\u00e9dico volunt\u00e1rio a povos da Amaz\u00f4nia. No auge da pandemia, mais de 400 casos foram tratados nesses locais.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"picBox full\n\"><\/p>\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/iniciativas-que-evitaram-desastre-ainda-maior-na-pandemia\/a-56096845#\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Primeiro paciente ind\u00edgena recuperado de covid-19 ap\u00f3s tratamento \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/56096885_401.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Primeiro paciente ind\u00edgena recuperado de covid-19 ap\u00f3s tratamento \" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Primeiro paciente ind\u00edgena recuperado de covid-19 ap\u00f3s tratamento.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>De todo o Brasil, com apoio de organiza\u00e7\u00f5es como Greenpeace, M\u00e9dicos Sem Fronteiras e&nbsp;do m\u00e9dico Drauzio Varella,&nbsp;chegaram equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, \u00e1lcool em gel, produtos de limpeza e cestas b\u00e1sicas chegaram. Eles&nbsp;foram distribu\u00eddos nas aldeias no pior momento da crise sanit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Desde o in\u00edcio, ficou clara a incapacidade do governo federal de responder \u00e0 crise, principalmente na Amaz\u00f4nia. Essa uni\u00e3o entre entidades, esse di\u00e1logo, fez com que uma grande trag\u00e9dia humanit\u00e1ria fosse evitada&#8221;, diz Radler. &nbsp;<\/p>\n<h2>Ajuda na linha de frente<\/h2>\n<p>Para os profissionais de sa\u00fade que atuam na linha de frente de combate \u00e0 covid-19, o esgotamento f\u00edsico e psicol\u00f3gico acompanharam o ano de 2020. Ciente dessa condi\u00e7\u00e3o, a psic\u00f3loga Simone Silvestrini Hallak, que \u00e0 \u00e9poca estava gr\u00e1vida de tr\u00eas meses, mobilizou volunt\u00e1rios para que eles n\u00e3o sucumbissem.<\/p>\n<p>&#8220;Eu vi que n\u00f3s, psic\u00f3logos, poder\u00edamos ajudar neste momento dando suporte emocional para esses profissionais enfrentarem essa pandemia. \u00c9 um enfrentamento de guerra, e eles s\u00e3o como os soldados&#8221;, fala Hallak sobre a motiva\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia deu vida \u00e0 Rede do Bem, que reuniu 42 psic\u00f3logos que ofereciam atendimento online e gratuito. At\u00e9 agora, 128 profissionais da sa\u00fade de todo o pa\u00eds buscaram esse tipo ajuda, a maioria deles s\u00e3o enfermeiros, t\u00e9cnicos e auxiliares de enfermagem, que trabalham dentro das UTIs e lidam diretamente com pacientes graves.<\/p>\n<p>D\u00e9bora C\u00e2ndido de Azevedo, psic\u00f3loga clinica e professora, supervisionou os atendimentos. &#8220;As queixas foram se modificando ao longo do tempo. No in\u00edcio da pandemia, era o medo. Depois, ao longo do tempo, eram cansa\u00e7o e estresse&#8221;, afirma sobre o perfil dos que buscaram apoio.<\/p>\n<p>Quando 2020 se aproximou do fim, os relatos se voltaram mais para a dificuldade de lidar com o afastamento da fam\u00edlia, problemas nas rela\u00e7\u00f5es causadas pelo estresse e aumento do uso de \u00e1lcool, relata Azevedo. Ansiedade, medo da morte, depress\u00e3o, ins\u00f4nia e luto eram comuns aos que est\u00e3o no front.<\/p>\n<p>&#8220;O mais importante foi eles saberem que t\u00eam um espa\u00e7o de apoio, saber que eles n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. Isso \u00e9 fundamental&#8221;, diz Azevedo sobre a Rede do Bem.<\/p>\n<h2>Aux\u00edlio a mulheres empreendedoras<\/h2>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o financeiro do pa\u00eds, em S\u00e3o Paulo, Ana Fontes e sua equipe precisaram de muita agilidade e horas intensas de trabalho para ajudar as 750 mil brasileiras que fazem parte da Rede Mulher Empreendedora.<\/p>\n<p>Elas atuam nos mais diferentes ramos, tamanhos de neg\u00f3cio e regi\u00f5es. &#8220;E entraram em p\u00e2nico num primeiro momento. Receb\u00edamos centenas de mensagens perguntando o que deveriam fazer j\u00e1 que, para 40% delas, o neg\u00f3cio \u00e9 a fonte de renda da fam\u00edlia&#8221;, relembra Fontes as rea\u00e7\u00f5es ao impacto econ\u00f4mico da pandemia.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"col2 right\">\n<div class=\"standaloneWrap\">\n<div class=\"imgTeaserM video\" data-media-id=\"54425674\">\n<div class=\"mediaItem\" data-media-id=\"54425674\">\n<div class=\"teaserContentWrap information\">\n<h2>Pandemia impulsiona surgimento de novas favelas no Brasil<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Quase que de imediato, a Rede preparou uma s\u00e9rie de cursos online sobre vendas na internet, reestrutura\u00e7\u00e3o das contas e outros temas urgentes \u00e0s empreendedoras. Mas Fontes foi al\u00e9m para responder aos tempos de crise.<\/p>\n<p>Focadas em mulheres que n\u00e3o tinham como gerar renda por conta da pandemia e em vulnerabilidade social, ela colocou de p\u00e9 em um m\u00eas uma opera\u00e7\u00e3o gigante. Era o projeto &#8220;Her\u00f3is usam m\u00e1scaras&#8221;, apoiado por bancos, que produziu 12,5 milh\u00f5es de m\u00e1scaras e gerou renda para 6500 mulheres costureiras no Brasil todo.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Pra recuperar a economia, a gente precisa das mulheres, precisa ajudar e incentivar as mulheres&#8221;, afirma Fontes, que fundou a Rede em 2010 e j\u00e1 ganhou diversos pr\u00eamios.<\/p>\n<p>Para 2021, um outro projeto j\u00e1 est\u00e1 engatilhado: Pot\u00eancia Feminina. Fomentada pelo Google, a organiza\u00e7\u00e3o pensou em solu\u00e7\u00f5es para ajudar mulheres que vivem em periferias do pa\u00eds. Foram selecionadas iniciativas como a que apoia marisqueiras no bairro de Vergel, em Alagoas.&nbsp;<\/p>\n<p>Ao todo, 50 mil mulheres ser\u00e3o capacitadas ao longo de dois anos. Elas v\u00e3o receber mentoria, acompanhamento do projeto, acelera\u00e7\u00e3o e, ao fim, 180 neg\u00f3cios receber\u00e3o 10 mil reais como capital semente para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>&#8220;O n\u00famero de mulheres falando em empreender aumentou. Isso porque elas foram as mais demitidas, foram as que sofreram mais fortemente o impacto e precisam gerar renda. E o empreendedorismo \u00e9 um caminho&#8221;, comenta Fontes sobre os desafios para 2021.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil @internet 31\/12\/2020<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pobreza e desabrigados aumentam no Brasil em meio \u00e0 pandemia\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cYINW034A8k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de alguns brasileiros e brasileiras que levaram al\u00edvio e socorro a muitas pessoas que sofrem com os impactos severos relacionados ao coronav\u00edrus.&nbsp; &nbsp;&nbsp; Quando a not\u00edcia da pandemia chegou ao sert\u00e3o baiano, a apreens\u00e3o tomou conta das comunidades rurais. 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