{"id":57276,"date":"2021-01-11T02:27:55","date_gmt":"2021-01-11T05:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=57276"},"modified":"2021-01-11T04:33:52","modified_gmt":"2021-01-11T07:33:52","slug":"depois-da-tempestade-a-recuperacao-o-que-grandes-instituicoes-esperam-para-a-economia-brasileira-em-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/01\/11\/depois-da-tempestade-a-recuperacao-o-que-grandes-instituicoes-esperam-para-a-economia-brasileira-em-2021\/","title":{"rendered":"Depois da tempestade, a recupera\u00e7\u00e3o? O que grandes institui\u00e7\u00f5es esperam para a economia brasileira em 2021"},"content":{"rendered":"<p>Economia se recuperando com retomada da atividade ap\u00f3s o tombo em 2020 com a pandemia do coronav\u00edrus, taxa b\u00e1sica de juros subindo, mas ainda a n\u00edveis bastante baixos em termos hist\u00f3ricos, infla\u00e7\u00e3o controlada. O ano de 2021 promete trazer boas novas para a atividade brasileira, de acordo com estimativas de grandes bancos e casas de an\u00e1lise compiladas pelo&nbsp;InfoMoney.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja grandes desafios e motivos de cautela para a economia, com destaque para a quest\u00e3o fiscal. Isso ap\u00f3s um ano de fortes gastos, de cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), para conter o impacto do avan\u00e7o da pandemia por meio de programas de aux\u00edlio que foram t\u00e3o importantes para que o tombo do PIB este ano, mas agravando um dos maiores problemas para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A XP Investimentos destaca ainda que o primeiro grande tema do ano \u00e9 o comportamento da economia com o fim dos programas governamentais, que impulsionaram a recupera\u00e7\u00e3o em \u201cV\u201d do consumo no segundo semestre de 2020.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNossos casos otimistas e pessimistas s\u00e3o fortemente dependentes do equil\u00edbrio fiscal e do desenvolvimento de vacinas. No ambiente otimista, a ampla disponibilidade de vacinas ocorre no primeiro trimestre de 2021, enquanto o Brasil mant\u00e9m seu regime fiscal intacto e faz um bom progresso na agenda de reformas no pr\u00f3ximo ano. A estrutura do limite de gastos \u00e9 fortalecida por meio de cortes e abre espa\u00e7o para novos gastos sociais abaixo do limite. O progresso abrangente na agenda de reforma mais ampla fortalece ainda mais as perspectivas, o que implica taxas de juros e infla\u00e7\u00e3o mais baixas por mais tempo\u201d, avaliam.<\/p>\n<p>J\u00e1 no cen\u00e1rio pessimista, os problemas com a Covid-19 se estendem e a recupera\u00e7\u00e3o gradual da atividade n\u00e3o \u00e9 suficiente para criar os empregos necess\u00e1rios e nem para diminuir a press\u00e3o social, e as autoridades decidem continuar com o Or\u00e7amento de Guerra e descartar todas as regras fiscais, levando \u00e0 instabilidade e \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o do real. Isso for\u00e7aria o Banco Central a aumentar as taxas, afetando ainda mais a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio base do banco, a economia cresce 4,3%, o o que deve ajudar a levar o PIB aos n\u00edveis anteriores \u00e0 Covid at\u00e9 o terceiro trimestre de 2021. Para os economistas, a demanda externa contribui e a demanda interna \u00e9 ajudada por um ambiente de taxas de juros baixas. Tanto o investimento como o consumo privado aumentam a recupera\u00e7\u00e3o, enquanto o gasto p\u00fablico n\u00e3o deve ser um vetor importante para o crescimento. Se as regras fiscais permanecerem em vigor e houver ampla disponibilidade de vacinas no segundo trimestre de 2021, a expectativa \u00e9 de um crescimento tamb\u00e9m em 2022, de 2,7%, com riscos de queda nas proje\u00e7\u00f5es decorrentes da incerteza relacionada \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais e do grau de progresso com a agenda de reformas em 2021.<\/p>\n<h2><strong>Quest\u00e3o \u00e9 o fiscal<\/strong><\/h2>\n<p>Conforme destacado acima, o fiscal \u00e9 um dos maiores desafios impostos nos \u00faltimos anos \u2013 e que a pandemia s\u00f3 agravou. A expectativa \u00e9 de um novo ano de d\u00e9ficit, mas as previs\u00f5es variam sobre qual ser\u00e1 o peso da d\u00edvida para a economia brasileira.<\/p>\n<p>Pelo cen\u00e1rio tra\u00e7ado pelo Minist\u00e9rio da Economia, o Brasil deve acumular 13 anos de rombos sucessivos nas contas p\u00fablicas. Com despesas maiores que receitas desde 2014, o pa\u00eds deve manter essa tend\u00eancia at\u00e9 2026. As contas p\u00fablicas s\u00f3 devem voltar ao azul em 2027.<\/p>\n<p>Segundo o Credit Suisse, apesar da perspectiva mais positiva para o crescimento econ\u00f4mico em 2021 e 2022 e, consequentemente, para a din\u00e2mica das contas fiscais, a trajet\u00f3ria da d\u00edvida bruta como percentual do PIB seguir\u00e1 em trajet\u00f3ria de alta no nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>A incerteza, na verdade, come\u00e7a antes, com os casos de contamina\u00e7\u00e3o e hospitaliza\u00e7\u00e3o pela Covid-19 tendo acelerado nas \u00faltimas semanas. \u201cA extens\u00e3o desse impacto depende da evolu\u00e7\u00e3o desta nova fase da pandemia, dif\u00edcil de prever\u201d, avalia a XP. Depende tamb\u00e9m do in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o que, na avalia\u00e7\u00e3o da equipe de an\u00e1lise, acontece no primeiro trimestre de 2021. Mas h\u00e1 risco de execu\u00e7\u00e3o, por quest\u00f5es log\u00edsticas e pelo fato de ainda n\u00e3o termos claro qual vacina chegar\u00e1 primeiro ao Brasil em condi\u00e7\u00f5es de ser disponibilizada ao grande p\u00fablico.<\/p>\n<p>Quanto aos motores do crescimento, por um lado o fim dos programas de transfer\u00eancia de renda e de suporte ao emprego devem reduzir a percep\u00e7\u00e3o de renda das fam\u00edlias. Por outro, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que recupera\u00e7\u00e3o em curso do mercado de trabalho e a poupan\u00e7a circunstancial feita pelas classes m\u00e9dias e alta durante a pandemia deve permitir que o consumo avance mais do que a renda. A pol\u00edtica monet\u00e1ria bastante expansionista tamb\u00e9m deve ajudar a impulsionar a demanda dom\u00e9stica, atrav\u00e9s de um mercado de cr\u00e9dito que continua a apresentar sinais positivos para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Como resultado, a XP espera que o consumo agregado, assim como o PIB, siga em expans\u00e3o ao longo de 2021, mas em ritmo significativamente mais lento do que no segundo semestre do ano passado, quando a economia registrou uma recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o tombo no primeiro semestre. A previs\u00e3o \u00e9 de alta da atividade em 3,4%, ainda sem recuperar o tombo projetado de 4,6% de 2020.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Safra, que tem expectativa de alta de 4,4% da atividade este ano ap\u00f3s a baixa de 4,1% no ano passado, espera que o pa\u00eds deva apresentar uma mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o do crescimento em 2021, com uma expans\u00e3o mais forte do setor de servi\u00e7os. Isso deve favorecer a retomada do emprego e do consumo, especialmente no segundo semestre, avalia.<\/p>\n<p>Para os economistas do banco, o ambiente internacional tamb\u00e9m deve ser prop\u00edcio \u00e0 economia brasileira, com a normaliza\u00e7\u00e3o das correntes de com\u00e9rcio internacional, em virtude da vacina\u00e7\u00e3o j\u00e1 iniciada nas principais economias do mundo. A maior varia\u00e7\u00e3o positiva est\u00e1 prevista para a ind\u00fastria, que deve crescer 6,5% no pr\u00f3ximo ano, segundo a equipe. A agropecu\u00e1ria, por sua vez, deve ter alta de 2,2%, e servi\u00e7os devem subir 3,8%. A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de alta de 9,6% para o PIB da constru\u00e7\u00e3o civil, beneficiada pelo baixo n\u00edvel das taxas de juros no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em um ambiente incerto e ainda muito dependente de vacinas, o Morgan Stanley tra\u00e7ou tr\u00eas cen\u00e1rios para a economia brasileira: o mais prov\u00e1vel, em que projeta alta de 4,3% do PIB, o mais otimista, com alta de 5,5% da atividade, enquanto o pessimista aponta para alta de 2,1% da economia no ano.<\/p>\n<p>Os analistas apontam a quest\u00e3o fiscal como o principal tema para os pr\u00f3ximos dois anos no Pa\u00eds. Eles esperam que o governo permane\u00e7a comprometido com o teto de gastos e a aprova\u00e7\u00e3o de reformas emergenciais, o que deve permitir ao governo recuperar alguma credibilidade fiscal at\u00e9 que as outras reformas na \u00e1rea sejam feitas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do Credit, o cumprimento do teto de gastos n\u00e3o \u00e9 suficiente para que a d\u00edvida bruta se estabilize nos pr\u00f3ximos anos. A estabilidade da d\u00edvida exigiria uma combina\u00e7\u00e3o de baixas taxas de juros reais e crescimento moderado do PIB nos anos seguintes. Se a taxa real de juros for de 2,5% nos pr\u00f3ximos anos, o PIB m\u00e9dio precisaria crescer 2% ou mais para levar \u00e0 estabilidade. J\u00e1 se o crescimento do PIB permanecer constante em 2%, a estabilidade da d\u00edvida bruta ocorrer\u00e1 somente em 2030.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o Safra, a d\u00edvida bruta deve equivaler a 89,1% do PIB em 2020 e a 89% em 2021, ano em que o d\u00e9ficit prim\u00e1rio deve recuar de 9,9% para 2,3% do PIB.<\/p>\n<p>O Ita\u00fa tamb\u00e9m tem uma percep\u00e7\u00e3o de queda na d\u00edvida bruta como propor\u00e7\u00e3o do PIB nos pr\u00f3ximos anos, devendo alcan\u00e7ar&nbsp; 84% do PIB em 2021 e 83% do PIB em 2022, ante 74,3% em 2019 e previs\u00e3o de chegar a 89% em 2020.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da revis\u00e3o da s\u00e9rie hist\u00f3rica do PIB, que reduziu a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB em cerca de 1,5 ponto percentual diante do \u00faltimo cen\u00e1rio, os melhores resultados prim\u00e1rios, o crescimento econ\u00f4mico temporariamente acima do potencial, os juros reais abaixo do patamar neutro e um deflator do PIB acima do IPCA beneficiar\u00e3o a d\u00edvida nos pr\u00f3ximos anos. No caso de flexibiliza\u00e7\u00e3o do rigor fiscal, a retomada da economia ficaria prejudicada e a manuten\u00e7\u00e3o da taxa de juros pr\u00f3xima<br \/>\n\u00e0s m\u00ednimas hist\u00f3ricas poderia ser inviabilizada\u201d, avaliam os economistas do banco.<\/p>\n<p>De qualquer forma,&nbsp;os economistas n\u00e3o veem, o Brasil como um \u201cpa\u00eds quebrado\u201d, declara\u00e7\u00e3o esta dada na \u00faltima ter\u00e7a-feira (5) pelo presidente Jair Bolsonaro a um apoiador na sa\u00edda do Pal\u00e1cio da Alvorada, resid\u00eancia oficial da Presid\u00eancia. Contudo, como definiu Mansueto Almeida, secret\u00e1rio do Tesouro, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, n\u00e3o h\u00e1 muito mais espa\u00e7o de manobra.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: hoje, o Brasil n\u00e3o pode abrir m\u00e3o de R$ 1 de receita e ainda tem de se esfor\u00e7ar para recuperar neste e nos pr\u00f3ximos anos a receita que perdeu com a crise da covid-19 na queda do PIB e na arrecada\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou. Vale destacar que, um dia ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o, Bolsonaro voltou atr\u00e1s e falou que&nbsp;o pa\u00eds est\u00e1 uma \u201cmaravilha\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Cen\u00e1rio para infla\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/strong><\/h2>\n<p>Enquanto isso, o cen\u00e1rio para 2021 \u00e9 de uma infla\u00e7\u00e3o relativamente controlada, com as previs\u00f5es variando entre 3,35% e 4,3%. Ou seja, com o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), a infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds, ao redor do centro da meta, de 3,75%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo no ano (ou entre 2,25% e 5,25%).<\/p>\n<p>Conforme destaca a XP Investimentos, ap\u00f3s uma eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de alimentos em 2020, h\u00e1 raz\u00f5es para acreditar que esse movimento deve arrefecer em 2021. A aprecia\u00e7\u00e3o recente do c\u00e2mbio alivia a press\u00e3o de custos internacionais e o fim dos programas emergenciais contribui para desacelerar a demanda interna, mesmo com a gradual melhora no mercado de trabalho. J\u00e1 a a distribui\u00e7\u00e3o de insumos industriais deve se normalizar diante. A expectativa da casa \u00e9 de um IPCA de 3,5% em 2021, ap\u00f3s atingir 4,5% em 2020.&nbsp;<\/p>\n<p>Alberto Ramos, diretor de pesquisa econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina do Goldman Sachs, destacou em&nbsp;entrevista&nbsp;ao&nbsp;InfoMoney&nbsp;que, apesar da infla\u00e7\u00e3o de alimentos alta em 2020 (rodando em cerca de 18% em termos anuais), o Brasil n\u00e3o parece ter um problema de infla\u00e7\u00e3o alta e esses choques provavelmente v\u00e3o moderar durante 2021.<\/p>\n<p>A expectativa do Goldman \u00e9 que os pre\u00e7os administrados subam em 2021 e que os pre\u00e7os de servi\u00e7os, muito impactados pela pandemia, tamb\u00e9m tenham uma recupera\u00e7\u00e3o. Mas, por outro lado, pre\u00e7o de alimenta\u00e7\u00e3o e de bens industriais certamente v\u00e3o moderar um pouco em 2021.<\/p>\n<p>Com isso, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco Central, para 2021, a previs\u00e3o do economista \u00e9 de uma alta entre 1 ponto e 1,5 ponto percentual da Selic no ano, a partir do segundo semestre, levando a Selic para o patamar entre 3% e 3,5%.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 duas quest\u00f5es diferentes para definir a pol\u00edtica monet\u00e1ria: i) para onde vai a infla\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 meta e ii) manejo de risco. Sobre o segundo ponto, manter o juro real muito baixo pode gerar uma volatilidade financeira, uma press\u00e3o no c\u00e2mbio. Deste modo, h\u00e1 considera\u00e7\u00f5es do ponto de vista financeiro e de estabilidade macroecon\u00f4mica que podem requerer uma pol\u00edtica monet\u00e1ria menos acomodativa, independentemente de como esteja o n\u00edvel da infla\u00e7\u00e3o. Dada a incerteza macroecon\u00f4mica, \u00e9 dif\u00edcil ter certeza sobre a calibragem fina da pol\u00edtica monet\u00e1ria, mas n\u00e3o me parece que infla\u00e7\u00e3o saia do eixo e gere muita press\u00e3o sobre a pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d, avalia Ramos.<\/p>\n<p>Para os analistas do Credit, a infla\u00e7\u00e3o deve permanecer em torno de 4% em 2021, impulsionada por um repasse da forte deprecia\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio, retomada da demanda e a implementa\u00e7\u00e3o de aumentos de pre\u00e7os anteriormente adiados ou cancelados.&nbsp;Com isso, o banco espera que a normaliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de servi\u00e7os e da ind\u00fastria deve continuar e a infla\u00e7\u00e3o de alimentos deve permanecer pressionada, levando a uma forte alta do IPCA no primeiro semestre de 2021, batendo 6,7% em maio, para depois come\u00e7ar a perder for\u00e7a entre julho e dezembro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para os pr\u00f3ximos meses, os analistas do banco esperam uma \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o gradual\u201d da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Com a recupera\u00e7\u00e3o da economia, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que o Banco Central aumente os juros, com a Selic chegando a 4,5% no fim de 2021 e em 6% em 2022.&nbsp;Esta alta da taxa b\u00e1sica de juros deve ter in\u00edcio no meio do pr\u00f3ximo ano, momento em que o Credit tamb\u00e9m v\u00ea a infla\u00e7\u00e3o atingindo n\u00edveis mais altos. Mas mais que a alta de pre\u00e7os, os analistas enxergam esse in\u00edcio de novo ciclo pelo BC puxado pela recupera\u00e7\u00e3o da economia nacional.<\/p>\n<p><strong>Confira as proje\u00e7\u00f5es de grandes bancos e casas de an\u00e1lise para os indicadores da economia brasileira em 2021:&nbsp;<\/strong><\/p>\n<div class=\"container-article-table\">\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Institui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td><strong>PIB&nbsp;<\/strong><\/td>\n<td><strong>IPCA&nbsp;<\/strong><\/td>\n<td><strong>Selic (final do ano)&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/td>\n<td><strong>C\u00e2mbio (final do ano)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Morgan<\/strong><\/td>\n<td>+4,3%<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<td>3%<\/td>\n<td>R$ 5,30<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>XP Investimentos<\/strong><\/td>\n<td>+3,4%<\/td>\n<td>3,5%<\/td>\n<td>3%<\/td>\n<td>R$ 4,90<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Ita\u00fa<\/strong><\/td>\n<td>+4%<\/td>\n<td>3,3%<\/td>\n<td>3,5%<\/td>\n<td>R$ 4,75<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Bradesco<\/strong><\/td>\n<td>+3,9%<\/td>\n<td>3,3%<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<td>R$ 5,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Santander<\/strong><\/td>\n<td>+2,9%<\/td>\n<td>3%<\/td>\n<td>2,5%<\/td>\n<td>R$ 4,60<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Credit Suisse<\/strong><\/td>\n<td>+4%<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<td>4,5%<\/td>\n<td>R$ 5,20<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Safra<\/strong><\/td>\n<td>+4,4%<\/td>\n<td>3,2%<\/td>\n<td>3%<\/td>\n<td>por volta de R$ 5,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Goldman Sachs<\/strong><\/td>\n<td>+3,8% a +4%<\/td>\n<td>3,7%<\/td>\n<td>3% a 3,5%<\/td>\n<td>R$ 4,80<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Bank of America<\/strong><\/td>\n<td>+3%<\/td>\n<td>4,4%<\/td>\n<td>3,25%<\/td>\n<td>R$ 5,10<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>BB Investimentos<\/strong><\/td>\n<td>+3,5%<\/td>\n<td>3,4%<\/td>\n<td>3%<\/td>\n<td>R$ 5,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>UBS<\/strong><\/td>\n<td>+3%<\/td>\n<td>4,3%<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<td>R$ 5,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>SulAm\u00e9rica Investimentos<\/strong><\/td>\n<td>+3,6%<\/td>\n<td>3,35%<\/td>\n<td>3%<\/td>\n<td>R$ 5,19<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<h2><strong>C\u00e2mbio: d\u00f3lar abaixo de 5?<\/strong><\/h2>\n<p>Apesar de passar por uma forte queda no fim do ano passado, o d\u00f3lar encerrou 2020 com valoriza\u00e7\u00e3o de 29% ante o real, deixando a moeda brasileira entre uma das piores do mundo. Al\u00e9m do fiscal, o forte avan\u00e7o da Covid 19 consolidou o Brasil como um dos pa\u00edses mais afetados pela pandemia no mundo, enquanto o segundo semestre foi de maior queda da moeda americana em um cen\u00e1rio de grande liquidez global e avan\u00e7o no desenvolvimento de vacinas contra o coronav\u00edrus. Mas os fatores de risco devem seguir no radar dos investidores, o que deve movimentar o c\u00e2mbio no ano que come\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de um m\u00eas, Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander,&nbsp;destacou em evento&nbsp;que o cen\u00e1rio do d\u00f3lar \u00e9 bin\u00e1rio, dependendo desse fator. Se o governo seguir a trajet\u00f3ria de afirmar a responsabilidade fiscal e a macroecon\u00f4mica, h\u00e1 espa\u00e7o para o d\u00f3lar chegar a R$ 4,60. Por outro lado, se o governo n\u00e3o conseguir dar uma demonstra\u00e7\u00e3o clara sobre como vai endere\u00e7ar a quest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, a moeda americana poder\u00e1 atingir R$ 6,70, segundo ela.<\/p>\n<p>Apesar disso, o cen\u00e1rio-base da economista \u00e9 de um c\u00e2mbio mais baixo em meio a um cen\u00e1rio internacional favor\u00e1vel e redu\u00e7\u00e3o de riscos fiscais, que poder\u00e3o reduzir os pr\u00eamios de ativos brasileiros em geral, levando o real a se fortalecer de forma mais pronunciada. As proje\u00e7\u00f5es do Santander s\u00e3o de d\u00f3lar a R$ 4,60 este ano e R$ 4,15 em 2022.<\/p>\n<p>O Bank of America, por sua vez, diz estar \u201ccautelosamente otimista\u201d com rela\u00e7\u00e3o ao real, citando valuations \u201catrativos\u201d e expectativa de maior clareza sobre o cen\u00e1rio fiscal no primeiro trimestre de 2021.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que h\u00e1 espa\u00e7o para remover algum pr\u00eamio de risco no primeiro trimestre de 2021, \u00e0 medida que o governo d\u00e1 mais clareza sobre as perspectivas fiscais. Em nosso cen\u00e1rio-base, o teto de gastos permanecer\u00e1 em vigor ao longo de 2021 e a agenda de reformas avan\u00e7ar\u00e1, o que seria positivo para o real\u201d, disseram em relat\u00f3rio Gabriel Tenorio e Claudio Irigoyen, que tamb\u00e9m consideram o risco fiscal o principal motor da desvaloriza\u00e7\u00e3o de 29% da moeda brasileira no ano passado.<\/p>\n<p>Para o BB Investimentos, que prev\u00ea o d\u00f3lar a R$ 5, superada a crise sanit\u00e1ria, a expectativa \u00e9 de que o pa\u00eds retome as discuss\u00f5es em torno da agenda de consolida\u00e7\u00e3o fiscal, o que deve contribuir para a redu\u00e7\u00e3o das incertezas que pairam sobre a sustentabilidade fiscal do Brasil no longo prazo, o que pode gerar uma press\u00e3o de queda para o real. Mas, dado o cen\u00e1rio de juros dom\u00e9sticos mais baixos,&nbsp; o c\u00e2mbio tende a se estabilizar em um patamar mais elevado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia dos \u00faltimos anos.&nbsp;<\/p>\n<p>As previs\u00f5es apontam para um 2021 melhor do que ano que passou. Por\u00e9m, \u00e9 preciso considerar os riscos no radar. \u201c[A pandemia] torna dif\u00edcil modelar o crescimento porque n\u00e3o \u00e9 o tipo de choque tradicional da economia, \u00e9 algo que acontece uma vez a cada cem anos. Esse n\u00edvel de incerteza significa que o leque de crescimento poss\u00edvel para 2021 \u00e9 bem mais amplo\u201d, na avalia\u00e7\u00e3o de Ramos, do Goldman Sachs.<\/p>\n<p>\u201cEstamos operando com um grau de incerteza muito elevado, que se soma \u00e0 pr\u00f3pria incerteza relacionada ao processo legislativo, ao ajuste fiscal e \u00e0 governabilidade. Ser\u00e1 um ano complicado, de grande volatilidade\u201d, aponta o economista.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Lara Riz\u00e9rio\/InfoMoney &#8211; @internet 11\/01\/2021<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia se recuperando com retomada da atividade ap\u00f3s o tombo em 2020 com a pandemia do coronav\u00edrus, taxa b\u00e1sica de juros subindo, mas ainda a n\u00edveis bastante baixos em termos hist\u00f3ricos, infla\u00e7\u00e3o controlada. 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