{"id":57401,"date":"2021-01-14T03:25:54","date_gmt":"2021-01-14T06:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=57401"},"modified":"2021-01-13T18:42:52","modified_gmt":"2021-01-13T21:42:52","slug":"petrobras-e-a-segunda-maior-do-mundo-em-operacoes-no-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/01\/14\/petrobras-e-a-segunda-maior-do-mundo-em-operacoes-no-oceano\/","title":{"rendered":"Petrobras \u00e9 a segunda maior do mundo em opera\u00e7\u00f5es no oceano"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Em estudo que mapeou as 100 maiores corpora\u00e7\u00f5es que atuam na economia dos oceanos, petrol\u00edfera brasileira aparece na segunda posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"intro\">Concentra\u00e7\u00e3o de poder traz riscos para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, apontam pesquisadores.<\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Entre as 100 maiores corpora\u00e7\u00f5es transnacionais que operam nos oceanos mundo afora, a Petrobras aparece em segundo lugar. A lista, divulgada nesta quarta-feira (13\/01), \u00e9 parte de uma pesquisa publicada na renomada revista&nbsp;<em>Science Advances,<\/em>&nbsp;feita por cientistas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e das Universidades&nbsp;de Estocolmo e Uppsala, na Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>Foram avaliados oito principais setores que operam nos oceanos: petr\u00f3leo e g\u00e1s offshore, equipamentos e constru\u00e7\u00e3o navais, produ\u00e7\u00e3o e processamento de pescados e frutos do mar, transporte de cont\u00eaineres, constru\u00e7\u00e3o e reparo de navios, turismo de cruzeiros, atividades portu\u00e1rias e energia e\u00f3lica.<\/p>\n<p>Combinadas, essas ind\u00fastrias geraram ganhos de 1,9 trilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2018 (10,4 trilh\u00f5es de reais). A brasileira Petrobras faturou 46 bilh\u00f5es de d\u00f3lares naquele ano, o equivalente a cerca de 250&nbsp;bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>O estudo, que tem como objetivo avaliar a concentra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no ambiente mar\u00edtimo e os perigos que isso representa, mostrou ainda que Ar\u00e1bia Saudita, Brasil, Ir\u00e3, M\u00e9xico e Estados Unidos s\u00e3o, respectivamente, sede das maiores transnacionais de petr\u00f3leo e g\u00e1s offshore.<\/p>\n<p>Para os cientistas, esse n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o na economia oce\u00e2nica, fortemente dependente de recursos naturais, particularmente pesca, apresenta riscos para a sustentabilidade e uso global dos mares.<\/p>\n<p>&#8220;Essa tend\u00eancia inclui o potencial que essa economia concentrada tem de retardar o progresso rumo \u00e0s metas globais de acesso e uso equitativos dos recursos e espa\u00e7os oce\u00e2nicos e, de forma mais ampla, para seu uso sustent\u00e1vel&#8221;, detalha \u00e0 DW Brasil John Virdin, principal autor do estudo.<\/p>\n<p>Soma-se a esse cen\u00e1rio o fato de a ind\u00fastria do petr\u00f3leo ser fonte consider\u00e1vel de gases do efeito estufa, que aceleram as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, a queima dos combust\u00edveis f\u00f3sseis produzidos pelas petroleiras, junto com carv\u00e3o, \u00e9 respons\u00e1vel por 60% das emiss\u00f5es globais.<\/p>\n<h2>Queda e ascens\u00e3o da Petrobras<\/h2>\n<p>Depois de anos de crise financeira e de credibilidade a partir de 2014, quando o&nbsp;grande esquema de desvio de dinheiro dentro da empresa veio \u00e0 tona, a recupera\u00e7\u00e3o recente da Petrobras impressionou.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea),&nbsp;os lucros ca\u00edram rapidamente a partir de 2012, o que levou a brasileira a ter a maior d\u00edvida do mundo entre as petroleiras.<\/p>\n<p>Em 2020, por\u00e9m, ano de pandemia de covid-19, a Petrobras atingiu seu maior n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o anual de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural &#8211; foram 2,28 milh\u00f5es e 2,84 milh\u00f5es de barris por dia, respectivamente.<\/p>\n<p>O recorde, segundo a pr\u00f3pria empresa, se deve ao &#8220;foco em ativos de classe mundial em \u00e1guas profundas e ultraprofundas&#8221;, \u00e1reas onde a Petrobras considera ter diferencial competitivo.<\/p>\n<p>&#8220;O advento do pr\u00e9-sal colocou a empresa no mapa mundial. N\u00e3o \u00e9 de se surpreender que a Petrobras seja a segunda maior do mundo quando se consideram atividades no oceano&#8221;, comenta Arthur Wieczorek, pesquisador associado ao Centro de Geoci\u00eancias Aplicadas ao Petr\u00f3leo da Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/p>\n<p>Com 87% do total de suas opera\u00e7\u00f5es concentradas na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas e ultraprofundas no Brasil, a petroleira planeja investir 46,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares entre 2021 e 2025 em explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o. O foco, informou \u00e0 DW Brasil, \u00e9 o pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Sobre os rumores recentes de privatiza\u00e7\u00e3o, fontes internas ouvidas pela DW Brasil dizem que, embora haja o desejo do ministro da Economia Paulo Guedes, os militares seriam contra. Atualmente, o Conselho da Administra\u00e7\u00e3o da Petrobras \u00e9 presidido por Eduardo Leal Ferreira, que foi Almirante de Esquadra da Reserva e Comandante da Marinha at\u00e9 janeiro de 2019.<\/p>\n<h2>Efeitos da concentra\u00e7\u00e3o de poder<\/h2>\n<p>Para Henrik Wachtmeister, um dos autores do estudo publicado na&nbsp;<em>Science Advances<\/em>, o caso do Brasil mostra como o esgotamento dos recursos for\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o a se deslocar para opera\u00e7\u00f5es cada vez mais complicadas, mais distantes e em maiores profundidades.<\/p>\n<p>&#8220;O momento de aumento da produ\u00e7\u00e3o do Brasil e da Petrobras tamb\u00e9m ilustra o dif\u00edcil dilema de muitos pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo no que diz respeito \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as do clima e ao Acordo de Paris. Como um dos poucos pa\u00edses com potencial de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo convencional, os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o do Brasil devem aumentar at\u00e9 2030, possivelmente tornando a Petrobras a maior empresa petrol\u00edfera de capital aberto do mundo&#8221;, afirma Wachmeister \u00e0 DW.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que, devido ao seu tamanho e poder desproporcionais, companhias transnacionais, como a Petrobras, possam gerar grandes impactos ambientais e sociais.<\/p>\n<p>&#8220;O dom\u00ednio de um pequeno n\u00famero empresas (\u2026) pode permitir o lobby direcionado dos reguladores para enfraquecer os padr\u00f5es sociais ou ambientais&#8221;, citam os autores, dando como exemplo a imposi\u00e7\u00e3o de barreiras a pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis \u200b\u200bem n\u00edvel nacional ou internacional.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, opina Wieczorek, que n\u00e3o fez parte do estudo, a concentra\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na m\u00e3o da Petrobr\u00e1s n\u00e3o seria t\u00e3o negativa.<\/p>\n<p>&#8220;O controle de seguran\u00e7a e de meio ambiente sobre v\u00e1rias empresas operando seria muito dif\u00edcil no Brasil, onde nem sempre suas entidades reguladores funcionam bem. Aqui, esse comportamento tem que ser uma quest\u00e3o da empresa&#8221;, argumenta, adicionando que a petroleira teria um hist\u00f3rico pequeno de vazamentos em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes empresas do ramo.<\/p>\n<p>&#8220;Toda produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, por\u00e9m, tem perigo de grandes vazamentos. E, quanto maior a produ\u00e7\u00e3o, maior o risco&#8221;, adverte Wieczorek.<\/p>\n<p>Para o pesquisador John Virdin, o estudo ressalta que a economia nos oceanos \u00e9 semelhante a muitos setores da economia global: um n\u00famero relativamente pequeno de grandes corpora\u00e7\u00f5es det\u00eam o controle.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Embora isso represente riscos para as metas globais de uso sustent\u00e1vel dos oceanos e equidade, tamb\u00e9m fornece outra raz\u00e3o para essas grandes empresas assumirem um papel de lideran\u00e7a ajudando a conservar e restaurar os ecossistemas oce\u00e2nicos e apoiar as comunidades que dependem deles&#8221;, pontua.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; @internet 14\/01\/2021<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em estudo que mapeou as 100 maiores corpora\u00e7\u00f5es que atuam na economia dos oceanos, petrol\u00edfera brasileira aparece na segunda posi\u00e7\u00e3o. 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