{"id":57557,"date":"2021-01-18T04:59:50","date_gmt":"2021-01-18T07:59:50","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=57557"},"modified":"2021-01-18T06:45:53","modified_gmt":"2021-01-18T09:45:53","slug":"mudancas-no-trabalho-aceleradas-pela-pandemia-desafiam-sindicatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/01\/18\/mudancas-no-trabalho-aceleradas-pela-pandemia-desafiam-sindicatos\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as no trabalho, aceleradas pela pandemia, desafiam sindicatos"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<article class=\"n--noticia__header \">\n<h6 class=\"n--noticia__subtitle\">Revolu\u00e7\u00e3o digital altera ambiente que favoreceu crescimento das organiza\u00e7\u00f5es desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o e amplia incertezas sobre o futuro<\/h6>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 main-news\">\n<div id=\"pw-P_1.3584773\" class=\"pw-container\" data-acesso=\"0\" data-coluna=\"\" data-categoria=\"\">\n<div id=\"sw-P_1.3584773\" class=\"pw-container\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<div class=\"row n--noticia__body\">\n<section class=\"col-xs-12 col-content col-center \">\n<div class=\"n--noticia__state \">\n<div class=\"n--noticia__state-desc\">\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o movimento sindical brasileiro obteve conquistas memor\u00e1veis. Sua galeria de trof\u00e9us inclui a elei\u00e7\u00e3o de Lula, o seu grande l\u00edder, para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, a cria\u00e7\u00e3o do PT, um partido com ra\u00edzes oper\u00e1rias que chegou ao poder pela via democr\u00e1tica, e a realiza\u00e7\u00e3o de greves hist\u00f3ricas, que mudaram os rumos pol\u00edticos do Pa\u00eds, como a dos metal\u00fargicos do ABC, em S\u00e3o Paulo, nos anos 1970, durante o regime militar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content n--noticia__content\">\n<div class=\"banner-in-content\">\n<div id=\"hmeio1-8-2\" class=\"publicidade dfp complete __notempty\" data-screenmap=\"Custom_{&quot;[1200,0]&quot;:[&quot;[728,90]&quot;,&quot;[468,60]&quot;],&quot;[576,0]&quot;:[&quot;[468,60]&quot;,&quot;[300,100]&quot;,&quot;[300,50]&quot;,&quot;[320,50]&quot;],&quot;[0,0]&quot;:[&quot;[300,250]&quot;,&quot;[300,100]&quot;,&quot;[320,50]&quot;,&quot;[300,50]&quot;]}\" data-target=\"{&quot;formato&quot;:&quot;hmeio1&quot;,&quot;page_url&quot;:[&quot;economia.estadao.com.br&quot;,&quot;noticias&quot;,&quot;geral&quot;,&quot;mudancas-no-trabalho-aceleradas-pela-pandemia-desafiam-sindicatos&quot;,&quot;70003584773&quot;],&quot;pg_tipo&quot;:&quot;economia&quot;,&quot;tags&quot;:&quot;lula-luiz-inacio-lula-da-silva,dieese-departamento-intersindical-de-estatistica-e-estudos-socioeconomicos,clt-consolidacao-das-leis-do-trabalho,jose-pastore,automacao,emprego-e-desemprego-trabalho,reforma-trabalhista,comercio-eletronico&quot;,&quot;assinante_brp&quot;:&quot;false&quot;,&quot;assinante&quot;:&quot;true&quot;,&quot;cluster&quot;:&quot;assinante&quot;}\" data-status=\"complete\" data-prebid=\"rendered\" data-original-id=\"hmeio1-8\" data-google-query-id=\"COeQ8r6Xpe4CFckxuQYdG6ANmg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/118650305\/estadao\/economia_1__container__\">Nos governos petistas, os sindicatos e seus dirigentes se tornaram t\u00e3o fortes e influentes que a express\u00e3o \u201cRep\u00fablica sindicalista\u201d voltou a ser usada por muitos analistas e advers\u00e1rios pol\u00edticos. Embora a difus\u00e3o e at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do termo sejam atribu\u00eddas a Carlos Lacerda, o l\u00edder da extinta UDN, em refer\u00eancia ao governo&nbsp;Jo\u00e3o Goulart&nbsp;(1961-1964), foi no per\u00edodo em que o PT ocupou o Pal\u00e1cio do Planalto, provavelmente, que ele encontrou a sua mais completa tradu\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os anos dourados do movimento sindical, por\u00e9m, parecem ter ficado para tr\u00e1s \u2013 e n\u00e3o apenas pelo desgaste de Lula e do PT, com a corrup\u00e7\u00e3o que prosperou nos governos do partido, e pelos pecados cometidos na economia, que jogaram o Pa\u00eds na maior recess\u00e3o de que se tem not\u00edcia em todos os tempos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cFuturo incerto\u201d.<\/strong>&nbsp;Com o avan\u00e7o da tecnologia na produ\u00e7\u00e3o e no trabalho, acelerado pela pandemia, as condi\u00e7\u00f5es que favoreceram o protagonismo dos sindicatos desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o est\u00e3o desaparecendo rapidamente, e at\u00e9 agora eles n\u00e3o encontraram uma sa\u00edda para tentar manter a relev\u00e2ncia e at\u00e9 mesmo garantir a sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cNunca o futuro dos sindicatos foi t\u00e3o incerto\u201d, diz Le\u00f4ncio Martins Rodrigues, autor do livro &#8220;Destino do Sindicalismo&#8221; (Ed. Edusp, 336 p\u00e1gs.), uma refer\u00eancia na \u00e1rea. Lan\u00e7ado em 1999, o livro j\u00e1 apontava, com base em experi\u00eancias e dados dos pa\u00edses desenvolvidos, o decl\u00ednio dos sindicatos, em decorr\u00eancia da globaliza\u00e7\u00e3o e da tecnologia, e sugeria que o fen\u00f4meno poderia ser duradouro e se alastrar pelo mundo.<\/p>\n<p>Embora s\u00f3 agora, com a pandemia, as mudan\u00e7as tenham se tornado mais vis\u00edveis no Brasil, elas j\u00e1 vinham ocorrendo l\u00e1 fora desde o fim do s\u00e9culo 20. Segundo Rodrigues, o processo se manifestou de forma tardia no Pa\u00eds porque os sindicatos se beneficiaram de \u201ccircunst\u00e2ncias excepcionais\u201d, que permitiram a ascens\u00e3o de Lula como l\u00edder sindical e a sua chegada ao poder, com o PT. Mas, em sua avalia\u00e7\u00e3o, essa conjun\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel dificilmente vai se repetir. \u201cN\u00e3o h\u00e1 sinal de que isso vai voltar\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n<p>Os desafios que os sindicatos t\u00eam pela frente s\u00e3o grandiosos. A revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, turbinada pela robotiza\u00e7\u00e3o crescente da ind\u00fastria, pelo desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial, pela digitaliza\u00e7\u00e3o do trabalho nos escrit\u00f3rios e pela populariza\u00e7\u00e3o do e-commerce, dever\u00e1 afetar o emprego, as atividades profissionais, a renda da popula\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, com forte impacto na atua\u00e7\u00e3o dos sindicatos.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos anos e d\u00e9cadas, o ambiente em que os sindicatos operam ser\u00e1 muito menos favor\u00e1vel do que no passado recente. Com a chamada 4.\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, os empregos na ind\u00fastria, que j\u00e1 v\u00eam em queda livre h\u00e1 algum tempo, v\u00e3o se tornar uma fra\u00e7\u00e3o do que eram. Isso dever\u00e1 minar a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento, que se beneficiava da presen\u00e7a de um grande n\u00famero de trabalhadores no ch\u00e3o de f\u00e1brica para fazer a sua prega\u00e7\u00e3o e exercitar a musculatura.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Home office<\/strong>. Nas atividades administrativas e de atendimento ao p\u00fablico, como os call centers e o com\u00e9rcio, atingidas em cheio pela acelera\u00e7\u00e3o da automa\u00e7\u00e3o na pandemia, o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 muito diferente. A decis\u00e3o de muitas empresas de manter parte dos empregados em home office depois que a&nbsp;covid-19&nbsp;se for vai complicar ainda mais o quadro. Uma parcela dessa m\u00e3o de obra ser\u00e1 absorvida pelo setor de servi\u00e7os, mas isso tamb\u00e9m n\u00e3o aliviar\u00e1 muito a situa\u00e7\u00e3o. No setor de servi\u00e7os, tradicionalmente, a mobiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 bem mais complicada, devido \u00e0 maior dispers\u00e3o de trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cQuando a m\u00e3o de obra se desloca de uma base industrial mais forte para o setor de servi\u00e7os, que \u00e9 mais atomizado, dominado por micros, pequenas e m\u00e9dias empresas, fica mais dif\u00edcil organizar os trabalhadores\u201d, diz o soci\u00f3logo e consultor Clemente Ganz L\u00facio, ex-diretor t\u00e9cnico do&nbsp;Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos)&nbsp;e hoje envolvido numa for\u00e7a-tarefa formada pelas centrais, para tentar formular uma nova estrat\u00e9gia de atua\u00e7\u00e3o para o movimento sindical.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aplicativos<\/strong>. Ao mesmo tempo, novas formas de contrata\u00e7\u00e3o est\u00e3o ganhando espa\u00e7o no mercado, como alternativa ao sistema de trabalho em tempo integral, no qual os sindicatos se movimentam com maior desenvoltura.&nbsp;<\/p>\n<p>Favorecidas pela reforma trabalhista de 2017, que \u00e9 alvo da ira permanente dos sindicalistas, apesar de agradarem as empresas e muitos profissionais, elas incluem o trabalho parcial, pelo qual o empregado trabalha at\u00e9 25 horas semanais, e o intermitente, em que o funcion\u00e1rio \u00e9 convocado para trabalhar conforme a necessidade das empresas e ganha por hora trabalhada.&nbsp;<\/p>\n<p>Com o corte de vagas formais, regidas&nbsp;pela&nbsp;CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), muitos empregados v\u00e3o se tornar empreendedores. S\u00f3 no ano passado, 1,9 milh\u00e3o de trabalhadores se registrou como MEI (microempreendedor individual), de acordo com o Sebrae (Servi\u00e7o de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas), um recorde desde o surgimento da categoria, em 2009. O n\u00famero de prestadores de servi\u00e7o para os aplicativos de entrega e transporte, como Uber, iFood e Rappi, que n\u00e3o mant\u00eam v\u00ednculo empregat\u00edcio, tamb\u00e9m se multiplicou. \u201cO mundo moderno n\u00e3o \u00e9 de emprego, \u00e9 de trabalho\u201d, afirma o advogado e consultor Magnus Apost\u00f3lico, ex-diretor de Rela\u00e7\u00f5es Trabalhistas da Febraban, a entidade que re\u00fane os bancos do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tudo isso, h\u00e1 uma mudan\u00e7a significativa de mentalidade ocorrendo na sociedade, que se revela, em toda a sua extens\u00e3o, no caso dos motoristas e entregadores de aplicativos. Embora os sindicatos tentem alici\u00e1-los, sob o argumento de que a rela\u00e7\u00e3o deles com as empresas deveria ser regida pela CLT, a maior parte da turma n\u00e3o quer nem ouvir falar do assunto.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHoje, os pr\u00f3prios trabalhadores falam que querem ser donos da pr\u00f3pria vida\u201d, diz o consultor. \u201cN\u00e3o existe coisa pior para os sindicatos do que achar que t\u00eam influ\u00eancia e a base que eles acreditam representar dizer \u2018olha, eu nem sei que voc\u00eas existem\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Para o&nbsp;soci\u00f3logo Jos\u00e9 Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho da Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de S\u00e3o Paulo, isso n\u00e3o significa que os sindicatos v\u00e3o desaparecer. Nem que o trabalho formal vai acabar. Em sua vis\u00e3o, v\u00e1rias atividades exigem formaliza\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo com os empregados, por quest\u00f5es estrat\u00e9gicas e de confidencialidade.&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda assim, para superar as mudan\u00e7as trazidas pela revolu\u00e7\u00e3o digital, os sindicatos ter\u00e3o de mostrar que s\u00e3o capazes de se reinventar e se adaptar aos novos tempos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Jos\u00e9 Fucs, O Estado de S.Paulo &#8211; @internet 18\/01\/2021<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolu\u00e7\u00e3o digital altera ambiente que favoreceu crescimento das organiza\u00e7\u00f5es desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o e amplia incertezas sobre o futuro Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o movimento sindical brasileiro obteve conquistas memor\u00e1veis. 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