{"id":57584,"date":"2021-01-19T02:40:53","date_gmt":"2021-01-19T05:40:53","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=57584"},"modified":"2021-01-19T05:45:14","modified_gmt":"2021-01-19T08:45:14","slug":"por-que-o-consumo-de-carne-bovina-no-brasil-deve-voltar-em-2021-ao-patamar-de-decadas-atras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/01\/19\/por-que-o-consumo-de-carne-bovina-no-brasil-deve-voltar-em-2021-ao-patamar-de-decadas-atras\/","title":{"rendered":"Por que o consumo de carne bovina no Brasil deve voltar em 2021 ao patamar de d\u00e9cadas atr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<div class=\"e1j2237y2 css-vf19ca-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-s561j-Container e1c9i7u10\">\n<p><b>Em meio a uma alta de 18% no pre\u00e7o das carnes em 2020, o consumo de prote\u00edna bovina pelos brasileiros caiu no ano passado ao menor n\u00edvel em mais de duas d\u00e9cadas.<\/b><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A perspectiva para 2021 \u00e9 de que os pre\u00e7os da carne de boi continuem em alta, como resultado da oferta restrita de gado no pa\u00eds e forte demanda da China. Isso num cen\u00e1rio de menor disponibilidade de renda dos brasileiros, com desemprego recorde, avan\u00e7o da pandemia e fim do aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Diante desse quadro, a expectativa de analistas \u00e9 de uma nova queda no consumo interno de carne bovina esse ano, o que deve levar o acesso \u00e0 prote\u00edna preferida pelos brasileiros a n\u00edveis anteriores \u00e0 d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Quem mais sofre nesse cen\u00e1rio s\u00e3o os consumidores&#8221;, diz Rodrigo Queiroz, analista de mercado da Scot Consultoria, especializada em cota\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Consumo-\u00e9-o-menor-desde-pelo-menos-1996\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">Consumo \u00e9 o menor desde pelo menos 1996<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo brasileiro de carne bovina foi de 29,3 quilos por habitante em 2020, uma queda de 5% em rela\u00e7\u00e3o aos 30,7 quilos por habitante de 2019, ano em que o consumo j\u00e1 havia recuado 9%.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">O patamar de 2020 \u00e9 o menor da s\u00e9rie hist\u00f3rica da Conab, que tem in\u00edcio em 1996.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">E representa uma redu\u00e7\u00e3o de 13,5 quilos por habitante em rela\u00e7\u00e3o ao ponto m\u00e1ximo da s\u00e9rie, de 42,8 quilos por habitante em 2006, durante o primeiro governo Lula (PT).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A Conab mede o chamado consumo aparente ou disponibilidade interna per capita, que \u00e9 o volume produzido, descontadas as exporta\u00e7\u00f5es e somadas as importa\u00e7\u00f5es. O n\u00famero para 2020 \u00e9 uma estimativa, j\u00e1 que ainda n\u00e3o h\u00e1 dados fechados para a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria no ano passado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Os dados da Conab consideram apenas a carne bovina fiscalizada. Mas, considerando a produ\u00e7\u00e3o informal, a tend\u00eancia \u00e9 a mesma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Segundo estimativa da consultoria Agrifatto, levando em conta a produ\u00e7\u00e3o formal e informal, o consumo de carne bovina teria ca\u00eddo 11% em 2020, para 34 quilos por habitante, contra 38,2 quilos por habitante em 2019.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Pre\u00e7o-da-carne-de-segunda-foi-o-que-mais-subiu\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">Pre\u00e7o da carne de segunda foi o que mais subiu<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No ano passado, o pre\u00e7o das carnes subiu 17,97%, segundo o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo), bem acima da alta de 4,52% da infla\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Dos cortes bovinos analisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), apenas o nobre fil\u00e9-mignon teve queda de pre\u00e7o em 2020, de 6,28%. J\u00e1 a picanha (17,01%), o contrafil\u00e9 (12,71%) e a alcatra (5,39%) ficaram mais caros no ano passado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">As carnes de segunda, mais consumidas pela popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, cujos rendimentos foram impulsionados pelo aux\u00edlio emergencial em 2020, foram as que mais subiram, com alta de 29,74% da costela, aumento de 27,67% do m\u00fasculo e avan\u00e7os de 26,79% e 20,75%, respectivamente, do cupim e do ac\u00e9m.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A alta das carnes nos supermercados acompanhou o aumento do pre\u00e7o do boi no campo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A arroba do boi gordo fechou 2020 cotada a R$ 267,15, uma alta de 29% em rela\u00e7\u00e3o ao final de 2019, segundo o Cepea da Esalq\/USP (Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura &#8220;Luiz de Queiroz&#8221; da Universidade de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Somente nos primeiros 15 dias de 2021, o pre\u00e7o do boi gordo j\u00e1 subiu 7,77%.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Falta-gado-e-sobra-demanda-chinesa\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">Falta gado e sobra demanda chinesa<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;H\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o de fatores que explica a alta no pre\u00e7o do boi&#8221;, diz Lygia Pimentel, diretora-executiva da Agrifatto. &#8220;O mais determinante \u00e9 o ciclo pecu\u00e1rio: entre 2016 e 2018, n\u00f3s abatemos muitas f\u00eameas no Brasil, com isso, o pre\u00e7o do bezerro subiu muito e diminuiu a oferta de gado pronto para entregar.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Desde o final de 2019, com o pre\u00e7o dos chamados animais de reposi\u00e7\u00e3o (bezerro, boi magro e garrote) em alta, os produtores passaram a reter as f\u00eameas nas fazendas para produzir novos animais. Com menos f\u00eameas &#8220;indo para o gancho&#8221;, na linguagem dos pecuaristas, a oferta de gado para abate ficou reduzida no ano passado e a tend\u00eancia \u00e9 que a reten\u00e7\u00e3o de f\u00eameas continue ao longo desse ano, j\u00e1 que o pre\u00e7o do bezerro segue nas alturas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;O segundo fator importante certamente foi a China, porque, nos outros mercados compradores de carne brasileira \u2014 Egito, R\u00fassia, Chile, Estados Unidos \u2014, houve retra\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Pimentel, destacando ainda o papel da alta do d\u00f3lar nesse impulso \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es para a China, o que reduz a oferta de carne no mercado interno, levando \u00e0 alta de pre\u00e7os.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A analista destaca que a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds asi\u00e1tico nos embarques brasileiros de carne bovina chegou a 40,9% em 2020, comparado a 25,3% em 2019 e 6,5% em 2015.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">E que, com esse impulso chin\u00eas, a participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o total de carne bovina brasileira chegou a 28% no ano passado, contra 24% em 2019 e 19,3% em 2015.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Forte-demanda-da-China-ainda-\u00e9-reflexo-da-gripe-su\u00edna\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">Forte demanda da China ainda \u00e9 reflexo da gripe su\u00edna<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">O coronav\u00edrus em 2020 tornou o quarto surto de gripe su\u00edna da China em 2018 uma lembran\u00e7a distante. Mas \u00e9 essa epidemia que ainda repercute na forte demanda chinesa por prote\u00ednas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Ainda n\u00e3o houve resolu\u00e7\u00e3o para a peste su\u00edna africana. Ningu\u00e9m sabe o n\u00famero exato, mas se estima que ela dizimou entre 40% e 60% do plantel de su\u00ednos na China, isso representa mais ou menos um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de carne de porco do mundo&#8221;, diz Rodrigo Queiroz, da Scot Consultoria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Com essa redu\u00e7\u00e3o na oferta de su\u00ednos, os chineses t\u00eam consumido mais frango e carne bovina, da\u00ed o forte aumento da demanda naquele pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Al\u00e9m desse fator conjuntural, tamb\u00e9m contribu\u00edram para o crescimento das importa\u00e7\u00f5es pela China o fato de ela ter sido a \u00fanica grande economia do mundo a registrar crescimento em 2020, mesmo em meio \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus, e um fator mais de longo prazo, que \u00e9 o gradual aumento de renda da popula\u00e7\u00e3o chinesa, o que resulta em maior consumo de prote\u00ednas mais caras, como \u00e9 o caso da carne bovina.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Quem-se-beneficia-da-alta-de-pre\u00e7os\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">Quem se beneficia da alta de pre\u00e7os?<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Segundo os analistas, a alta de pre\u00e7os do boi gordo tem impacto distintos na cadeia pecu\u00e1ria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Os pecuaristas que trabalham com engorda e recria chegaram a perder margem no ano passado, j\u00e1 que o farelo de soja subiu 100%, o milho subiu 70% e o bezerro, mais de 80% dependendo da categoria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Por mais que o boi tenha subido de pre\u00e7o, os custos de produ\u00e7\u00e3o variaram acima&#8221;, observa Pimentel, da Agrifatto. Segundo ela, pecuaristas que trabalham com o ciclo completo \u2014 produzindo o bezerro, engordando ele e vendendo o boi dois anos depois &#8211; tiveram margens melhores, porque seu estoque se valorizou.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">J\u00e1 entre os frigor\u00edficos, a diferen\u00e7a est\u00e1 entre os pequenos dedicados ao mercado interno e os maiores, com certifica\u00e7\u00e3o para exportar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;O frigor\u00edfico que trabalha exclusivamente com o mercado dom\u00e9stico foi muito prejudicado em 2020, porque o pre\u00e7o do boi gordo subiu muito e o pre\u00e7o da carne no atacado n\u00e3o acompanhou na mesma medida, ent\u00e3o ele perdeu margem.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Segundo Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo-MT (Sindicato das Ind\u00fastrias de Frigor\u00edficos de Mato Grosso), foram muitos os frigor\u00edficos que precisaram fazer ajustes para sobreviver ao ano passado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Toda ind\u00fastria tem uma linha de equil\u00edbrio de produ\u00e7\u00e3o, com uma s\u00e9rie de custos fixos. Quando o abate fica muito abaixo da capacidade da empresa, aumenta o custo no produto final, isso se reflete nesse pre\u00e7o maior que estamos vendo na ponta, com a carne mais cara para o consumidor&#8221;, diz Bellincanta, que estima que a ociosidade da ind\u00fastria frigor\u00edfica esteve entre 15% e 25% ao longo de 2020, sendo que o normal \u00e9 uma folga em torno dos 10%.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"E-o-que-esperar-para-2021\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">E o que esperar para 2021?<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No ano que se inicia, as perspectivas n\u00e3o s\u00e3o melhores, j\u00e1 que a renda e a demanda do brasileiro devem diminuir, mas os pre\u00e7os da carne tendem a continuar em alta, devido \u00e0 escassez de oferta e \u00e0 forte demanda externa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Com o desemprego acima dos 14% e a extin\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial, o consumidor brasileiro de baixa renda vai para prote\u00ednas alternativas, como ovo, frango e su\u00edno, que tamb\u00e9m est\u00e3o com valores altos, mas a carne bovina \u00e9 a que mais sente quando o poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o diminui&#8221;, diz Queiroz, da Scot Consultoria.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Esperamos uma nova queda do consumo per capita de carne bovina esse ano, voltando a patamares antigos, de 20, 30 anos atr\u00e1s&#8221;, completa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">O pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, estudou em sua tese de mestrado a rela\u00e7\u00e3o entre varia\u00e7\u00e3o de renda e consumo de carnes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;O consumo de qualquer tipo de alimento de valor agregado maior \u00e9 determinado por renda, pre\u00e7o e prefer\u00eancia&#8221;, diz Carvalho. &#8220;A carne bovina de primeira \u00e9 a que tem maior elasticidade entre as carnes, em torno de 0,6. Ou seja, se a renda aumentar 10%, o gasto com carne bovina de primeira aumenta 6%. Para carne de segunda, a elasticidade \u00e9 de 0,2.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Nesse primeiro semestre, com o fim do aux\u00edlio, o consumo cai no mercado brasileiro, sem sombra de d\u00favida&#8221;, diz o pesquisador, ponderando que o quadro pode ser melhor na segunda metade do ano, caso a economia venha a se recuperar, levando a um aumento da renda.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"O-problema-n\u00e3o-acaba-em-2021\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">O problema n\u00e3o acaba em 2021<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Pimentel, da Agrifatto, avalia que os pre\u00e7os das carnes devem permanecer pressionados pelo menos at\u00e9 a metade de 2022, por conta do ciclo pecu\u00e1rio. &#8220;A baixa oferta de boi gordo n\u00e3o \u00e9 algo que se consegue resolver de imediato. A produ\u00e7\u00e3o de bovinos \u00e9 plurianual, come\u00e7a a produzir hoje, para entregar esse animal daqui dois, tr\u00eas, quatro anos. Ent\u00e3o demora.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">J\u00e1 Bellincanta, do Sindifrigo-MT, avalia que, mesmo quando houver aumento da oferta de gado, os pre\u00e7os da carne bovina n\u00e3o voltar\u00e3o aos n\u00edveis do passado, devido a mudan\u00e7as na ind\u00fastria pecu\u00e1ria que tornaram o processo de produ\u00e7\u00e3o mais custoso.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;O Brasil, a cada dia que passa, tem menos animais sendo terminados a pasto. O grande rebanho brasileiro hoje \u00e9 terminado em confinamento&#8221;, diz o empres\u00e1rio. &#8220;H\u00e1 cerca de dez ou 15 anos atr\u00e1s, havia menos de 20% de animais terminados a cocho, hoje \u00e9 mais da metade. Esses animais comem gr\u00e3os, e por isso s\u00e3o finalizados em 18 a 24 meses, comparado a tr\u00eas a quatro anos quando o animal era solto no pasto.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-oywjep-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Ent\u00e3o teremos uma prote\u00edna mais cara sem data, n\u00e3o h\u00e1 volta nesse processo. A arroba do boi ganhou valor e ter\u00e1 oscila\u00e7\u00f5es, mas estar\u00e1 sempre em novo patamar.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Cr\u00e9dito: Thais Carran\u00e7a\/ BBC News Brasil @internet 19\/01\/2021<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a uma alta de 18% no pre\u00e7o das carnes em 2020, o consumo de prote\u00edna bovina pelos brasileiros caiu no ano passado ao menor n\u00edvel em mais de duas d\u00e9cadas. A perspectiva para 2021 \u00e9 de que os pre\u00e7os da carne de boi continuem em alta, como resultado da oferta restrita de gado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":57585,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-57584","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/109950191_carne3.jpg?fit=800%2C450&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57584\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}