{"id":57787,"date":"2021-01-26T03:15:14","date_gmt":"2021-01-26T06:15:14","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=57787"},"modified":"2021-01-26T06:42:17","modified_gmt":"2021-01-26T09:42:17","slug":"a-pandemia-exacerbou-as-desigualdades-aponta-relatorio-da-oxfam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/01\/26\/a-pandemia-exacerbou-as-desigualdades-aponta-relatorio-da-oxfam\/","title":{"rendered":"A pandemia exacerbou as desigualdades, aponta relat\u00f3rio da Oxfam"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<div class=\"meta-post\">&nbsp;<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content mgt-xlarge\">\n<p><em><strong>No relat\u00f3rio \u201cO V\u00edrus da Desigualdade\u201d, a Oxfam destaca que a contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus afetou todos, mas os super-ricos recuperam perdas&nbsp;em tempo recorde, enquanto os mais pobres ter\u00e3o que esperar mais de&nbsp;<\/strong><\/em><em><strong>uma d\u00e9cada. A pandemia da covid-19 alastrou o caos econ\u00f4mico em quase todos os pa\u00edses ao mesmo tempo \u2013 algo que acontece pela primeira em mais de 100 anos. Al\u00e9m dos mais pobres, mulheres e negros foram os mais afetados&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em fevereiro de 2020, os mais ricos tinham 100% de suas fortunas. Em mar\u00e7o, essa riqueza caiu para&nbsp;70,3%, voltando aos 100% em novembro. Para se ter uma ideia da velocidade dessa recupera\u00e7\u00e3o, os&nbsp;mais ricos do planeta levaram cinco anos para recuperarem o que perderam durante a crise financeira de&nbsp;2008.<\/p>\n<p>As 1.000 pessoas mais ricas do mundo recuperaram todas as perdas que tiveram durante a pandemia&nbsp;de covid-19 em apenas nove meses (entre fevereiro e novembro de 2020), enquanto os mais pobres do&nbsp;planeta v\u00e3o levar pelo menos 14 anos para conseguir repor as perdas devido ao impacto econ\u00f4mico da&nbsp;pandemia. \u00c9 o que revela o relat\u00f3rio O V\u00edrus da Desigualdade, lan\u00e7ado pela Oxfam nesta segunda-feira (25\/1) na abertura do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, em Davos, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, os bilion\u00e1rios acumularam US$ 3,9 trilh\u00f5es entre 18 de mar\u00e7o e 31 de dezembro de&nbsp;2020 \u2013 a riqueza total deles hoje \u00e9 de US$ 11,95 trilh\u00f5es, o equivalente ao que os governos do G20&nbsp;gastaram para enfrentar a pandemia. S\u00f3 os 10 maiores bilion\u00e1rios acumularam US$ 540 bilh\u00f5es nesse&nbsp;per\u00edodo.<\/p>\n<p>A pandemia da covid-19 tem o potencial de aumentar a desigualdade econ\u00f4mica em quase todos os&nbsp;pa\u00edses ao mesmo tempo, revela o relat\u00f3rio \u2013 algo que acontece pela primeira vez desde que as&nbsp;desigualdades come\u00e7aram a ser medidas h\u00e1 mais de 100 anos. O v\u00edrus matou mais de dois milh\u00f5es de&nbsp;pessoas pelo mundo e tirou emprego e renda de milh\u00f5es de pessoas, empurrando-as para a pobreza.<\/p>\n<p><strong>Prosperidade para poucos<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, os mais ricos \u2013 indiv\u00edduos e empresas \u2013 est\u00e3o prosperando como nunca. \u201cA crise&nbsp;provocada pela pandemia exp\u00f4s nossa fragilidade coletiva e a incapacidade da nossa economia&nbsp;profundamente desigual trabalhar para todos.&nbsp;No entanto, tamb\u00e9m nos mostrou a grande import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o governamental para proteger nossa<br \/>\nsa\u00fade e meios de subsist\u00eancia\u201d, afirma o relat\u00f3rio. Pol\u00edticas transformadoras que pareciam impens\u00e1veis antes da crise, de&nbsp;repente se mostraram poss\u00edveis. \u201cN\u00e3o pode haver retorno para onde est\u00e1vamos antes da pandemia. Em<br \/>\nvez disso, a sociedade, cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, empresas, governos e institui\u00e7\u00f5es devem agir com base na<br \/>\nurg\u00eancia de criar um mundo mais igualit\u00e1rio e sustent\u00e1vel\u201d, reitera.<\/p>\n<p>\u201cA pandemia escancarou as desigualdades \u2013 no Brasil e no mundo. \u00c9 revoltante ver um pequeno grupo&nbsp;de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais j\u00e1 ocorridas na hist\u00f3ria\u201d, afirma&nbsp;Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. \u201cEnquanto os super ricos lucram, os mais pobres perdem&nbsp;empregos e renda, ficando \u00e0 merc\u00ea da mis\u00e9ria e da fome.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio O V\u00edrus da Desigualdade detalha como o atual sistema econ\u00f4mico est\u00e1 permitindo que a&nbsp;elite dos super-ricos acumule riqueza em meio \u00e0 pior recess\u00e3o global desde a crise de 1929 (a Grande&nbsp;Depress\u00e3o) enquanto bilh\u00f5es de pessoas lutam para sobreviver.<\/p>\n<p><strong>\u2022 A recess\u00e3o acabou para os mais ricos, mas continua fazendo estragos entre os mais&nbsp;pobres<\/strong><br \/>\nA pandemia n\u00e3o impediu que os 10 homens mais ricos do mundo conseguissem acumular US$&nbsp;540 bilh\u00f5es desde o seu in\u00edcio \u2013 o suficiente para pagar pela vacina contra a covid-19 para toda&nbsp;a popula\u00e7\u00e3o mundial, e garantir que nenhuma pessoa seja empurrada para a pobreza.<\/p>\n<p>Enquanto&nbsp;isso, a crise do coronav\u00edrus deu in\u00edcio \u00e0 pior crise de empregos em mais de 90 anos.&nbsp;A&nbsp;Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de meio bilh\u00e3o de pessoas est\u00e3o&nbsp;agora sub-empregadas ou sem emprego, enfrentando mis\u00e9ria e fome.<\/p>\n<p>Quando o coronav\u00edrus chegou, mais da metade dos trabalhadores e trabalhadoras dos pa\u00edses de&nbsp;baixa renda viviam na pobreza, e 75% dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo n\u00e3o tinham&nbsp;acesso a prote\u00e7\u00f5es sociais como aux\u00edlio-doen\u00e7a ou seguro-desemprego.<\/p>\n<p><strong>\u2022 As mulheres s\u00e3o as que mais sofrem, de novo.<\/strong><br \/>\nAs mulheres s\u00e3o maioria nos empregos mais prec\u00e1rios, justamente aqueles que foram,&nbsp;globalmente, mais impactados pela pandemia. Se elas tivessem o mesmo n\u00edvel de representa\u00e7\u00e3o&nbsp;que os homens nesses empregos, 112 milh\u00f5es de mulheres n\u00e3o estariam mais sob o risco de&nbsp;perder sua renda ou empregos. \u00c9 o caso, por exemplo, das \u00e1reas de sa\u00fade e assist\u00eancia social&nbsp;que, al\u00e9m de serem mal remuneradas e desvalorizadas, tamb\u00e9m exp\u00f5em mais as mulheres aos&nbsp;riscos de contamina\u00e7\u00e3o por covid-19.<\/p>\n<p><strong>\u2022 A desigualdade de ra\u00e7a est\u00e1 tirando vidas<\/strong>.<br \/>\nNos Estados Unidos, 22 mil pessoas negras e hisp\u00e2nicas ainda estariam vivas se tivessem a&nbsp;mesma taxa de mortalidade por covid-19 que as pessoas brancas. As taxas de contamina\u00e7\u00e3o e&nbsp;mortes por covid-19 s\u00e3o maiores em \u00e1reas mais pobres de pa\u00edses como Fran\u00e7a, Espanha e \u00cdndia.&nbsp;Na Inglaterra, essas taxas s\u00e3o o dobro nas regi\u00f5es mais pobres em compara\u00e7\u00e3o com as mais&nbsp;ricas.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Economias mais justas s\u00e3o a chave para uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica r\u00e1pida da pandemia.<\/strong><br \/>\nUm imposto tempor\u00e1rio sobre os excessivos lucros obtidos pelas 32 corpora\u00e7\u00f5es globais que mais&nbsp;lucraram durante a pandemia poderia arrecadar US$ 104 bilh\u00f5es em 2020. Isso \u00e9 o suficiente&nbsp;para providenciar aux\u00edlios desemprego para todos os trabalhadores e trabalhadoras afetados&nbsp;durante a pandemia e tamb\u00e9m para dar apoio financeiro para todas as crian\u00e7as e idosos em&nbsp;pa\u00edses de renda baixa ou m\u00e9dia.<\/p>\n<p>\u201cA desigualdade extrema n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, mas uma escolha pol\u00edtica. Os governos pelo mundo&nbsp;precisam utilizar esse momento de grande sofrimento para construir economias mais justas,&nbsp;igualit\u00e1rias e inclusivas, que protejam o planeta e acabem com a pobreza\u201d, afirma Katia Maia. \u201cO&nbsp;novo normal p\u00f3s-pandemia n\u00e3o pode ser uma repeti\u00e7\u00e3o de tantos erros do passado que nos&nbsp;legaram um mundo que beneficia poucos \u00e0s custas de milh\u00f5es\u201d, diz Katia, lembrando que a&nbsp;recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tem que incluir as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cN\u00e3o pode&nbsp;haver recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sem responsabilidade social.\u201d<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Vera Batista \/Correio Braziliense &#8211; @internet 26\/01\/2021<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No relat\u00f3rio \u201cO V\u00edrus da Desigualdade\u201d, a Oxfam destaca que a contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus afetou todos, mas os super-ricos recuperam perdas&nbsp;em tempo recorde, enquanto os mais pobres ter\u00e3o que esperar mais de&nbsp;uma d\u00e9cada. 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