{"id":58117,"date":"2021-02-05T03:20:53","date_gmt":"2021-02-05T06:20:53","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=58117"},"modified":"2021-02-05T04:55:00","modified_gmt":"2021-02-05T07:55:00","slug":"para-77-dos-brasileiros-proteger-meio-ambiente-e-urgente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/02\/05\/para-77-dos-brasileiros-proteger-meio-ambiente-e-urgente\/","title":{"rendered":"Para 77% dos brasileiros, proteger meio ambiente \u00e9 urgente"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Pesquisa aponta que grande maioria v\u00ea quest\u00e3o clim\u00e1tica como priorit\u00e1ria, mesmo que isso signifique um crescimento econ\u00f4mico mais t\u00edmido. Para 84%, queimadas na Amaz\u00f4nia prejudicam a imagem do Brasil no exterior.<\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Brasileiros de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds s\u00e3o praticamente un\u00e2nimes: para 95% da popula\u00e7\u00e3o, o aquecimento global \u00e9 vis\u00edvel e pode trazer s\u00e9rios preju\u00edzos j\u00e1 para a gera\u00e7\u00e3o atual. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es da pesquisa &#8220;Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: a percep\u00e7\u00e3o dos brasileiros&#8221;, realizada pelo Ibope Intelig\u00eancia, Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) e Programa de Comunica\u00e7\u00e3o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da Universidade de Yale, dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos no Brasil um contexto de negacionismo do aquecimento global&#8221;, comenta Rosi Rosendo, diretora de contas na \u00e1rea de Opini\u00e3o P\u00fablica, Pol\u00edtica e Comunica\u00e7\u00e3o do Ibope Intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Para 78% dos entrevistados, o tema \u00e9 considerado &#8220;muito importante&#8221;, e s\u00e3o as mulheres, jovens com maior escolaridade, mais \u00e0 esquerda do espectro pol\u00edtico e com bom acesso \u00e0 internet que demonstram maior preocupa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, quanto maior a idade dos entrevistados, menor \u00e9 a apreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Feita no contexto da pandemia de covid-19 e crise econ\u00f4mica, a pesquisa mostrou que, para 77% dos participantes, proteger o meio ambiente \u00e9 urgente \u2013 mesmo que isso signifique um crescimento econ\u00f4mico mais t\u00edmido e menos empregos.<\/p>\n<p>O question\u00e1rio foi aplicado a 2.600 brasileiros maiores de 18 anos e residentes nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds, com entrevistas feitas entre setembro e outubro de 2020. Segundo os pesquisadores, o n\u00edvel de confian\u00e7a \u00e9 de 95%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais.<\/p>\n<h2>Clima, fogo e Amaz\u00f4nia<\/h2>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m foi medida na pesquisa. A grande maioria (87%) disse j\u00e1 ter ouvido falar bastante sobre as queimadas que acontecem na regi\u00e3o. Em 2020, o n\u00famero de focos de inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia foi um dos maiores da \u00faltima d\u00e9cada (103.161 focos), segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>No auge da cat\u00e1strofe, a grave situa\u00e7\u00e3o foi negada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a culpar ind\u00edgenas e pequenos agricultores pelo aumento do fogo, durante um discurso na tribuna das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>&#8220;Existe uma baix\u00edssima esperan\u00e7a de que o governo mude sua postura negacionista sobre esse fato t\u00e3o importante para o brasileiro. E isso representa um preju\u00edzo muito grande para o pa\u00eds&#8221;, comenta M\u00e1rcio Astrini, do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o do discurso do governo federal, a percep\u00e7\u00e3o de uma grande maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 que as queimadas prejudicam a imagem do Brasil no exterior (84%) e podem atrapalhar as rela\u00e7\u00f5es comerciais brasileiras com outros pa\u00edses (78%).<\/p>\n<p>Ainda sobre os inc\u00eandios florestais na Amaz\u00f4nia, 77% dos brasileiros veem a a\u00e7\u00e3o humana como principal causa. Entre os respons\u00e1veis mais citados est\u00e3o os madeireiros (76%), agricultores (49%), pecuaristas (48%) e garimpeiros (41%).<\/p>\n<p>Para 90% dos participantes, a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia pelo fogo \u00e9 uma grande amea\u00e7a n\u00e3o apenas para o pa\u00eds, mas para o clima e o meio ambiente do planeta.<\/p>\n<h2>Diferen\u00e7as entre brasileiros e americanos<\/h2>\n<p>Para Anthony Leiserowitz, diretor do Programa de Comunica\u00e7\u00e3o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da Universidade de Yale, os resultados sobre a opini\u00e3o p\u00fablica brasileira s\u00e3o instigantes em compara\u00e7\u00e3o com pesquisas semelhantes feitas nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto 92% dos brasileiros entendem que o aquecimento global est\u00e1 acontecendo, nos Estados Unidos esse n\u00famero \u00e9 de 73%&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a apontada por ele est\u00e1 na import\u00e2ncia do tema no cotidiano das pessoas: no Brasil, 78% consideram a quest\u00e3o importante; nos Estados Unidos, s\u00e3o apenas 37%.<\/p>\n<p>Uma das poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para essas disparidades, argumenta Leiserowitz, est\u00e1 na pol\u00edtica. &#8220;O debate sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, meio ambiente e desmatamento \u00e9 menos polarizado politicamente no Brasil do que nos Estados Unidos&#8221;, opina, lembrando que, naquele pa\u00eds, pessoas ligadas ao Partido Democrata, do presidente Joe Biden, s\u00e3o muito mais atentas a esses temas do que membros do Partido Republicano, do ex-presidente Donald Trump.<\/p>\n<h2>Olhando para o futuro<\/h2>\n<p>Marcello Brito, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio (Abag) e parte da Coaliz\u00e3o Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, acredita que os resultados deixam claro que a preocupa\u00e7\u00e3o com meio ambiente e sustentabilidade precisa se tornar condi\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Todos aqueles que lidam com riscos, seja no setor privado, seja no governo, deveriam estudar a fundo esse riscos e oportunidades, como outras pesquisas que confirmam o rumo da sociedade. Se a velocidade dessa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 por vezes dif\u00edcil de medir, o sentido j\u00e1 est\u00e1 dado no Brasil e no mundo&#8221;, respondeu \u00e0 DW durante o evento online que apresentou os n\u00fameros.<\/p>\n<p>Embora as expectativas de mudan\u00e7as imediatas sejam baixas, Astrini, do Observat\u00f3rio do Clima, pontua que pesquisas de percep\u00e7\u00e3o servem para levantar o sinal de alerta e para que os governantes se preocupem com a quest\u00e3o. &#8220;A import\u00e2ncia ambiental que est\u00e1 sendo dada pela popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 entrando no mundo das neg\u00f3cios, a vai invadir o mundo da pol\u00edtica tamb\u00e9m&#8221;, defende.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o estudo parece deixar um recado para pol\u00edticos e empres\u00e1rios. Dos 2.600 entrevistados, 42% declararam que j\u00e1 votaram em algum pol\u00edtico em raz\u00e3o de suas propostas para a defesa do meio ambiente. Mais da metade (59%) disse ter deixado de consumir produtos que prejudiquem a natureza.<\/p>\n<p>As responsabilidades em torno da resolu\u00e7\u00e3o dos problemas relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m foram abordadas: governos e empresas foram os mais citados como respons\u00e1veis, por 35% e 32% dos entrevistados, respectivamente.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; @internet 05\/02\/2021<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa aponta que grande maioria v\u00ea quest\u00e3o clim\u00e1tica como priorit\u00e1ria, mesmo que isso signifique um crescimento econ\u00f4mico mais t\u00edmido. Para 84%, queimadas na Amaz\u00f4nia prejudicam a imagem do Brasil no exterior. Brasileiros de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds s\u00e3o praticamente un\u00e2nimes: para 95% da popula\u00e7\u00e3o, o aquecimento global \u00e9 vis\u00edvel e pode trazer s\u00e9rios preju\u00edzos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":58118,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-58117","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/55820643_303.jpg?fit=700%2C394&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58117\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}