{"id":58693,"date":"2021-02-24T03:15:19","date_gmt":"2021-02-24T06:15:19","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=58693"},"modified":"2021-02-23T17:22:10","modified_gmt":"2021-02-23T20:22:10","slug":"stj-contrato-de-servicos-advocaticios-nao-pode-estipular-penalidade-para-rompimento-unilateral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/02\/24\/stj-contrato-de-servicos-advocaticios-nao-pode-estipular-penalidade-para-rompimento-unilateral\/","title":{"rendered":"STJ: Contrato de servi\u00e7os advocat\u00edcios n\u00e3o pode estipular penalidade para rompimento unilateral"},"content":{"rendered":"<div class=\"bloco_conteudo_cabecalho\">\n<h6 id=\"pstj_elContTitNoticia\" class=\"titulo_texto\">\u200bPara a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), no contrato de honor\u00e1rios advocat\u00edcios, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a estipula\u00e7\u00e3o de penalidade para as hip\u00f3teses de ren\u00fancia ou revoga\u00e7\u00e3o unilateral do mandato do advogado, independentemente de motiva\u00e7\u00e3o, respeitado o direito de recebimento dos honor\u00e1rios proporcionais ao servi\u00e7o prestado.<\/h6>\n<\/div>\n<div id=\"corpoDaNoticiaBox\" class=\"conteudo_texto\">\n<div id=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl05__ControlWrapper_RichHtmlField\" class=\"ms-rtestate-field\" aria-labelledby=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl05_label\">\n<div>\n<p>Com base nesse entendimento, o colegiado reformou o ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso do Sul (TJMS).<\/p>\n<p>No caso analisado pela turma, o contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os advocat\u00edcios tinha previs\u00e3o de vencimento antecipado do valor integral dos honor\u00e1rios na hip\u00f3tese de revoga\u00e7\u00e3o unilateral do mandato por parte da cliente.<\/p>\n<p>Os embargos opostos pela cliente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o movida pela firma de advocacia foram julgados improcedentes em primeiro grau. O TJMS confirmou a senten\u00e7a sob o argumento de que o contrato trazia disposi\u00e7\u00e3o expressa de necessidade do pagamento do valor integral dos honor\u00e1rios na hip\u00f3tese de revoga\u00e7\u00e3o antecipada, caracterizando-se como t\u00edtulo l\u00edquido, certo e exig\u00edvel.<\/p>\n<p>No recurso especial, a cliente alegou viola\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social dos contratos, aus\u00eancia de certeza, liquidez e exigibilidade do t\u00edtulo em execu\u00e7\u00e3o e vulnera\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da confian\u00e7a que deve nortear a rela\u00e7\u00e3o cliente-advogado, em raz\u00e3o de cl\u00e1usula que visava \u00e0 vincula\u00e7\u00e3o dos contratantes de forma permanente.<\/p>\n<h2>Confian\u00e7a rec\u00edproca<\/h2>\n<p>Segundo a relatora, ministra Nancy Andrighi, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.oab.org.br\/visualizador\/19\/codigo-de-etica-e-disciplina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>C\u00f3digo de \u00c9tica e Disciplina da OAB<\/strong><\/a>&nbsp;prev\u00ea no artigo 16 \u2013 em rela\u00e7\u00e3o ao profissional \u2013 a possibilidade de ren\u00fancia a patroc\u00ednio sem a necessidade de mencionar os motivos, sendo o mesmo racioc\u00ednio aplic\u00e1vel \u00e0 hip\u00f3tese de revoga\u00e7\u00e3o unilateral do mandato por parte do cliente (artigo 17).<\/p>\n<p>&#8220;Considerando que a advocacia n\u00e3o \u00e9 atividade mercantil e n\u00e3o vislumbra exclusivamente o lucro, bem como que a rela\u00e7\u00e3o entre advogado e cliente \u00e9 pautada na confian\u00e7a de cunho rec\u00edproco, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel \u2013 caso ocorra a ruptura do neg\u00f3cio jur\u00eddico por meio de ren\u00fancia ou revoga\u00e7\u00e3o unilateral do mandato \u2013 que as partes fiquem vinculadas ao que fora pactuado sob a amea\u00e7a de comina\u00e7\u00e3o de penalidade&#8221;, observou.<\/p>\n<h2>Cl\u00e1usula penal<\/h2>\n<p>Ao reformar o ac\u00f3rd\u00e3o no ponto que tratou da validade da cobran\u00e7a integral dos honor\u00e1rios contratados, a ministra destacou que a decis\u00e3o de segunda inst\u00e2ncia acabou por referendar a aplica\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usula penal na situa\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio de um direito potestativo \u2013 o qual n\u00e3o admite contesta\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 prerrogativa jur\u00eddica de impor a outrem a sujei\u00e7\u00e3o ao seu exerc\u00edcio \u2013 por parte da cliente, materializado na revoga\u00e7\u00e3o unilateral do mandato.<\/p>\n<p>&#8220;A incid\u00eancia da penalidade constante na referida cl\u00e1usula contratual criou a situa\u00e7\u00e3o, inusitada e antijur\u00eddica, de vincula\u00e7\u00e3o da recorrente\/cliente de maneira permanente a uma rela\u00e7\u00e3o contratual \u2013 \u200bnos termos do que fora descrito anteriormente \u2013 regida pela confian\u00e7a rec\u00edproca, ausente de natureza mercantil e que n\u00e3o vislumbra exclusivamente o lucro. Dessa forma, o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido merece reforma&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>Nancy Andrighi acrescentou que o t\u00edtulo de cr\u00e9dito, no caso, n\u00e3o tem for\u00e7a executiva, pois n\u00e3o preenche todos os requisitos do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2015-2018\/2015\/Lei\/L13105.htm#art783\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 783<\/strong><\/a>&nbsp;do C\u00f3digo de Processo Civil, j\u00e1 que se fundamenta em contrato com cl\u00e1usula inexig\u00edvel \u2013 o que acarreta a iliquidez do cr\u00e9dito cobrado.<\/p>\n<p>De forma un\u00e2nime, a turma deu parcial provimento ao recurso especial, julgou procedentes os embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o e declarou extinta a execu\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo do ajuizamento de eventual a\u00e7\u00e3o de conhecimento para arbitramento de honor\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n<p>Leia o&nbsp;<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=1996501&amp;num_registro=202001611598&amp;data=20201112&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><\/a>.\u200b<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"pstj_elContProcessosRelacionados\" class=\"obj_texto_label_processos\"><span class=\"texto\">Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;<span class=\"destaque\">processo(s):<\/span><\/span><span id=\"pstj_elContItensProcessosRelacionados\" class=\"obj_textos_rel_processos\"><a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201882117\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">REsp 1882117<\/a><\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><strong>STJ 24\/0\/2021<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bPara a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), no contrato de honor\u00e1rios advocat\u00edcios, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a estipula\u00e7\u00e3o de penalidade para as hip\u00f3teses de ren\u00fancia ou revoga\u00e7\u00e3o unilateral do mandato do advogado, independentemente de motiva\u00e7\u00e3o, respeitado o direito de recebimento dos honor\u00e1rios proporcionais ao servi\u00e7o prestado. 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