{"id":59940,"date":"2021-04-03T03:00:21","date_gmt":"2021-04-03T06:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=59940"},"modified":"2021-04-02T20:02:26","modified_gmt":"2021-04-02T23:02:26","slug":"asteroide-que-dizimou-dinossauros-deu-origem-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2021\/04\/03\/asteroide-que-dizimou-dinossauros-deu-origem-a-amazonia\/","title":{"rendered":"Asteroide que dizimou dinossauros deu origem \u00e0 Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Pesquisa na &#8220;Science&#8221; sugere que impacto de asteroide na Terra h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos mudou drasticamente o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o das matas tropicais, originando a floresta densa e escura da Amaz\u00f4nia que conhecemos hoje.<\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>O impacto do asteroide que dizimou os dinossauros&nbsp;h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos ajudou a dar origem \u00e0s florestas tropicais que conhecemos hoje, apontou um estudo publicado na revista cient\u00edfica&nbsp;<em>Science&nbsp;<\/em>nesta sexta-feira (02\/04).<\/p>\n<p>Pesquisadores analisaram dezenas de milhares de f\u00f3sseis de p\u00f3len, esporos e folhas para entender como a colis\u00e3o do asteroide afetou as matas tropicais da Am\u00e9rica do Sul. Esses f\u00f3sseis foram coletados em 39 locais em toda a Col\u00f4mbia e datam de 70 milh\u00f5es a 56 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Os cientistas conclu\u00edram que, ap\u00f3s a enorme rocha espacial&nbsp;ter atingido a Terra, exterminando mais de 75% da vida no planeta, o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o que formava essas florestas tamb\u00e9m mudou drasticamente.<\/p>\n<p>Antes da colis\u00e3o, a floresta tropical que prosperava na Col\u00f4mbia consistia de arbustos floridos banhados pela luz do sol, que por sua vez flu\u00eda atrav\u00e9s de grandes fendas entre as copas de con\u00edferas altas. Ap\u00f3s o asteroide, essa floresta com dossel aberto foi transformada nas florestas densas e escuras da Amaz\u00f4nia que conhecemos hoje, afirmam os cientistas.<\/p>\n<p>Ao analisar os f\u00f3sseis coletados, o estudo descobriu que a diversidade de plantas diminuiu 45% imediatamente ap\u00f3s a queda da rocha espacial. Depois do evento, levou 6 milh\u00f5es de anos para que a rica diversidade da floresta tropical se recuperasse. Mesmo assim, a mata nunca foi a mesma.<\/p>\n<p>&#8220;Um \u00fanico acidente hist\u00f3rico mudou a trajet\u00f3ria ecol\u00f3gica e evolutiva das florestas tropicais&#8221;, afirma Carlos Jaramillo, pesquisador no Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian na Cidade do Panam\u00e1. &#8220;As florestas que temos hoje s\u00e3o realmente o subproduto do que aconteceu h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos.&#8221;<\/p>\n<p>Antes, as florestas tropicais eram uma mistura de angiospermas, ou \u00e1rvores e arbustos floridos, e de outras esp\u00e9cies de plantas, como con\u00edferas e samambaias. &#8220;A competi\u00e7\u00e3o pela luz n\u00e3o era t\u00e3o intensa&#8221;, explica Jaramillo, que \u00e9 paleoecologista, campo da ci\u00eancia que estuda f\u00f3sseis para reconstruir ecossistemas do passado.<\/p>\n<p>Depois, as samambaias e con\u00edferas desapareceram em grande parte, e as angiospermas passaram a representar cerca de 90% das esp\u00e9cies de plantas da floresta.<\/p>\n<h2>Por que mudou?<\/h2>\n<p>Os motivos n\u00e3o s\u00e3o totalmente claros, afirmam os cientistas no estudo. O clima da regi\u00e3o no final do per\u00edodo Cret\u00e1ceo, h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos, era semelhante ao de hoje: quente e \u00famido. Mas outros fatores provavelmente estavam em jogo.<\/p>\n<p>Enormes saur\u00f3podes herb\u00edvoros, os dinossauros de pesco\u00e7o longo, teriam ajudado a manter as lacunas abertas entre as \u00e1rvores, permitindo a entrada de luz, diz Jaramillo. Assim que o asteroide colidiu com a Terra, os dinossauros sa\u00edram de cena. Segundo o pesquisador, a extin\u00e7\u00e3o de certas fam\u00edlias de plantas devido ao impacto tamb\u00e9m pode ter influenciado.<\/p>\n<p>Um terceiro fator prov\u00e1vel foi uma mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do solo da floresta. As chuvas frequentes durante o Cret\u00e1ceo quente e \u00famido removeram muitos nutrientes dos solos, o que teria favorecido a exist\u00eancia de gimnospermas como as con\u00edferas.<\/p>\n<p>&#8220;As gimnospermas tinham essa capacidade incr\u00edvel de crescer com muito pouca comida e podiam vencer as angiospermas&#8221;, explica Jaramillo.<\/p>\n<p>Segundo a equipe, as cinzas que ca\u00edram ap\u00f3s o impacto do asteroide podem ter adicionado f\u00f3sforo aos solos, fertilizando-os efetivamente. Com mais comida dispon\u00edvel, as angiospermas superaram as gimnospermas, crescendo rapidamente em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u e bloqueando a luz do sol.<\/p>\n<p>Esse dossel espesso e fechado apareceu logo ap\u00f3s o impacto, mas a diversidade florestal demorou muito mais para se recuperar, pois novas esp\u00e9cies come\u00e7aram a evoluir para ocupar novos nichos ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Jaramillo, esse longo caminho de recupera\u00e7\u00e3o da floresta traz um alerta importante para o impacto duradouro das atividades humanas modernas, como o desmatamento. &#8220;Gerar nova diversidade leva tempo geol\u00f3gico&#8221;, diz ele. &#8220;N\u00e3o se trata apenas de plantar \u00e1rvores.&#8221;<\/p>\n<h2>A import\u00e2ncia da pesquisa<\/h2>\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<em>Science<\/em>, a paleoecologista Elena Stiles, da Universidade de Washington em Seattle, que n\u00e3o participou do estudo, afirma que a pesquisa \u00e9 a primeira a trazer uma ideia abrangente do que aconteceu nos ecossistemas tropicais logo ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros. Segundo ela, a maioria dos estudos sobre o evento envolve florestas na Am\u00e9rica do Norte ou mais ao sul, como na Patag\u00f4nia, mas n\u00e3o nos tr\u00f3picos.<\/p>\n<p>Para Stiles, tamb\u00e9m \u00e9 impressionante a possibilidade de que a descoberta possa ajudar a responder a uma pergunta de longa data sobre a surpreendente biodiversidade da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muito tempo&nbsp;as pessoas se perguntam de onde vem toda essa diversidade&#8221;, afirma a cientista. Pesquisadores j\u00e1 especularam, por exemplo, que o clima do continente ou seu longo isolamento de outras regi\u00f5es podem ser os respons\u00e1veis. &#8220;Portanto, \u00e9 realmente interessante que esse evento de extin\u00e7\u00e3o em massa possa ter sido um dos mecanismos que o moldaram para ser esta regi\u00e3o \u00fanica.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle -@internet 03\/04\/2021<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa na &#8220;Science&#8221; sugere que impacto de asteroide na Terra h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos mudou drasticamente o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o das matas tropicais, originando a floresta densa e escura da Amaz\u00f4nia que conhecemos hoje. 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