{"id":6796,"date":"2016-11-01T00:03:32","date_gmt":"2016-11-01T03:03:32","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=6796"},"modified":"2016-10-31T20:57:13","modified_gmt":"2016-10-31T23:57:13","slug":"remuneracao-no-setor-publico-no-brasil-e-maior-do-que-a-norte-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2016\/11\/01\/remuneracao-no-setor-publico-no-brasil-e-maior-do-que-a-norte-americana\/","title":{"rendered":"Remunera\u00e7\u00e3o no setor p\u00fablico no Brasil \u00e9 maior do que a norte-americana."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Compara\u00e7\u00e3o entre os ganhos mensais de trabalhadores do setor p\u00fablico no Brasil e nos Estados Unidos mostra que algumas categorias t\u00eam valores nos contracheques superiores ao de norte-americanos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos argumentos mais usados para buscar uma vaga no setor p\u00fablico. Quando se compara a m\u00e9dia de sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos brasileiros com a dos servidores de outros pa\u00edses, fica claro que o Brasil paga, em geral, muito bem. Para chegar a essa conclus\u00e3o, foram analisados dados fornecidos pelo site americano PayScale, em compara\u00e7\u00e3o com o Boletim Estat\u00edstico de Pessoal do Governo Federal e informa\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara dos Deputados e do Tribunal Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao comparar algumas m\u00e9dias salariais brasileiras com fun\u00e7\u00f5es similares nos Estados Unidos, a conclus\u00e3o \u00e9 que os trabalhadores brasileiros costumam ingressar no servi\u00e7o p\u00fablico ganhando mais, mesmo a renda per capita no pa\u00eds norte-americano sendo cinco vezes maior. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que o sal\u00e1rio inicial, no Brasil, costuma ser mais pr\u00f3ximo do teto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto, nos Estados Unidos, um analista legislativo come\u00e7a ganhando R$ 9,3 mil, ele assume o mesmo cargo, no Brasil, recebendo muito mais: a remunera\u00e7\u00e3o mais baixa para a fun\u00e7\u00e3o \u00e9 R$ 20 mil. Mas, com o passar dos anos, o funcion\u00e1rio brasileiro chega, no m\u00e1ximo, a R$ 26 mil (crescimento de 30%), enquanto, nos Estados Unidos, pode dobrar o sal\u00e1rio e atingir R$ 21,8 mil. Analistas judici\u00e1rios tamb\u00e9m ganham mais no Brasil, do in\u00edcio ao topo da carreira. Podem receber sal\u00e1rios de at\u00e9 16,8 mil no Brasil, enquanto o m\u00e1ximo, nos EUA, \u00e9 de R$ 13,4 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diferen\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um servidor com cargo similar ao de agente da Pol\u00edcia Federal chega a ganhar, nos Estados Unidos, mais que o dobro de um brasileiro. O m\u00e1ximo que pode ganhar na corpora\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 R$ 178,8 mil por ano, enquanto, nos EUA, o teto \u00e9 R$ 462,1 mil. Fiscais da Receita Federal no topo da carreira tamb\u00e9m ganham mais no pa\u00eds norte-americano: at\u00e9 R$ 27,7 mil por m\u00eas, contra R$ 22,5 mil, no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nos EUA, a atividade de alf\u00e2ndega \u00e9 separada da atividade de auditor-fiscal. No Brasil \u00e9 tudo junto&#8221;, explica o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Cl\u00e1udio Damasceno. Vale lembrar que n\u00e3o foram levados em conta os benef\u00edcios trabalhistas, como vale-refei\u00e7\u00e3o e vale-transporte, nem a possibilidade de o funcion\u00e1rio acumular uma fun\u00e7\u00e3o comissionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, apesar de os brasileiros ganharem mais no come\u00e7o da carreira, eles n\u00e3o t\u00eam muita margem de crescimento depois, ao contr\u00e1rio do que ocorre nos EUA. L\u00e1, a remunera\u00e7\u00e3o no in\u00edcio, muitas vezes, \u00e9 mais baixa, mas o sistema permite evolu\u00e7\u00f5es maiores ao longo do tempo. &#8220;\u00c9 preciso levar em conta que, no Brasil, apesar de, muitas vezes, o trabalhador entrar no setor p\u00fablico com um sal\u00e1rio mais alto, ele n\u00e3o costuma ganhar muito mais depois&#8221;, explica Claudia Passador, especialista em gest\u00e3o p\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Setores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo argumento \u00e9 usado para explicar a diferencia\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios entre a iniciativa privada e o servi\u00e7o p\u00fablico no Brasil. O sal\u00e1rio m\u00e9dio do funcion\u00e1rio p\u00fablico \u00e9 de R$ 3.880, diante de R$ 2.210 na iniciativa privada, segundo levantamento do consultor legislativo Marcos K\u00f6hler, feito em setembro, com base em dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre janeiro de 2003 e o mesmo m\u00eas deste ano, os sal\u00e1rios m\u00e9dios do funcionalismo p\u00fablico cresceram 33%. No mesmo per\u00edodo, a iniciativa privada teve ganhos de 10%. A diferen\u00e7a entre o sal\u00e1rio m\u00e9dio nos setores privado e p\u00fablico passou de R$ 880 para R$ 1,7 mil nos \u00faltimos 13 anos. Ou seja, servidores p\u00fablicos ganham, em m\u00e9dia, 75% mais que o trabalhador da iniciativa privada. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil comparar a remunera\u00e7\u00e3o p\u00fablica com a privada, porque a privada geralmente vem acompanhada de pesquisa salarial. A p\u00fablica, n\u00e3o&#8221;, explica a presidente do Instituto Brasileiro de Carreira (IBCAA), Carolina Linhares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o especialista em governan\u00e7a p\u00fablica Antonio Lassance, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), o fato de a m\u00e9dia salarial na iniciativa privada ser baixa explica, em parte, a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o p\u00fablico. &#8220;N\u00e3o \u00e9 que a m\u00e9dia no p\u00fablico seja alta. Muitas vezes, \u00e9 uma contraposi\u00e7\u00e3o aos sal\u00e1rios muito baixos das empresas privadas. O Brasil ainda \u00e9 um pa\u00eds com uma grande quantidade de trabalhadores em setores que n\u00e3o se modernizaram&#8221;, pondera.\u00a0 Uma justificativa para os sal\u00e1rios serem mais baixos no setor privado \u00e9 que a alta carga tribut\u00e1ria do pa\u00eds, segundo ele, &#8220;imp\u00f5e um fardo sobre as empresas que mais empregam, e elas descontam nos trabalhadores&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o pesquisador acredita que h\u00e1 uma mentalidade mais ego\u00edsta no setor privado. &#8220;Alguns empres\u00e1rios ainda pensam que constroem seu patrim\u00f4nio sozinhos, sem ajuda de ningu\u00e9m.&#8221;, diz Lassance. &#8220;Quando o Estado n\u00e3o faz um contraponto a isso e se deixa levar pela livre negocia\u00e7\u00e3o, as coisas pioram ainda mais&#8221;, explica. Ou seja, se fosse poss\u00edvel que o setor p\u00fablico cortasse os sal\u00e1rios para acompanhar os da iniciativa privada, as empresas diminuiriam ainda mais os pagamentos, e os dois p\u00f3los receberiam ainda menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qualifica\u00e7\u00e3o garante sal\u00e1rios maiores\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter um diploma garante aos trabalhadores do setor p\u00fablico um sal\u00e1rio significativamente maior do que o de quem est\u00e1 no setor privado. Para Claudia Passador, especialista em gest\u00e3o p\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 mais concentrada no n\u00edvel superior. &#8220;O n\u00edvel b\u00e1sico no Brasil, especificamente, \u00e9 muito mal remunerado. O n\u00edvel m\u00e9dio paga razoavelmente bem, mas o superior, muitas vezes, tem sal\u00e1rios que ultrapassam R$ 20 mil&#8221;, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, ela acredita ser complicado comparar os sal\u00e1rios com os da iniciativa privada, porque h\u00e1 muitos detalhes que diferenciam cargos aparentemente iguais nos dois setores. Por exemplo, o n\u00edvel de especializa\u00e7\u00e3o exigido. &#8220;Um assessor de imprensa no Senado \u00e9 um superespecialista, precisa ter um preparo muito bom. Por isso, tem que ser muito bem remunerado. \u00c9 como se fosse um sal\u00e1rio de um editor de uma grande revista, n\u00e3o da carreira inicial de rep\u00f3rter&#8221;, compara Claudia Passador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem sempre d\u00e1 para comparar com um cargo com nome igual em uma companhia privada. Segundo a presidente do Instituto Brasileiro de Carreira (IBCAA), Carolina Linhares , a compara\u00e7\u00e3o tem que ser feita por fun\u00e7\u00e3o. &#8220;Um auxiliar administrativo do Tribunal de Justi\u00e7a ganha um valor mais alto, mas nem sempre d\u00e1 para comparar a fun\u00e7\u00e3o que ele realiza com a de um profissional com cargo de mesmo nome na iniciativa privada. Pode ser que, no setor p\u00fablico, chamem de auxiliar administrativo a pessoa que faz toda a parte de contas a pagar, enquanto, no privado, \u00e9 s\u00f3 quem assessora ou s\u00f3 faz tarefas muito iniciais&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido a essas peculiaridades, Carolina acredita que investir em um cargo p\u00fablico apenas por conta do sal\u00e1rio pode ser um tiro no p\u00e9. &#8220;Muitas vezes, o que acontece \u00e9 que a pessoa entra com um sal\u00e1rio alto e, daqui a 20 anos, pode at\u00e9 ter esse valor reajustado, mas n\u00e3o tem as conquistas que teria no mercado privado. Se entra como jornalista, por exemplo, depois \u00e9 prov\u00e1vel que esteja gerenciando uma equipe e ganhando muito mais na iniciativa privada&#8221;, compara. Na carreira p\u00fablica, segundo ela, os trabalhadores ficam mais engessados. &#8220;Para conquistar novos cargos, a pessoa tem que fazer novos concursos. Como j\u00e1 costuma ganhar bem, fica na zona de conforto e geralmente n\u00e3o faz isso&#8221;, acredita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra explica\u00e7\u00e3o para a diferen\u00e7a, explica Carolina Linhares do IBCAA, \u00e9 o fato de n\u00e3o poder haver redu\u00e7\u00e3o salarial no servi\u00e7o p\u00fablico. &#8220;No setor privado, \u00e9 comum demitir funcion\u00e1rios que ganham mais e contratar outros com sal\u00e1rios menores.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O n\u00edvel superior, muitas vezes, tem sal\u00e1rios que ultrapassam R$ 20 mil&#8221;, Claudia Passador,\u00a0\u00a0 especialista da USP<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cr\u00e9dito: Alessandra Azevedo\/ Correio Braziliense \u2013 dispon\u00edvel na web 01\/11\/2016<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compara\u00e7\u00e3o entre os ganhos mensais de trabalhadores do setor p\u00fablico no Brasil e nos Estados Unidos mostra que algumas categorias t\u00eam valores nos contracheques superiores ao de norte-americanos N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos argumentos mais usados para buscar uma vaga no setor p\u00fablico. 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