{"id":69310,"date":"2022-04-01T04:30:45","date_gmt":"2022-04-01T07:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=69310"},"modified":"2022-04-01T06:54:11","modified_gmt":"2022-04-01T09:54:11","slug":"seu-cerebro-quer-te-convencer-a-consumir-veja-como-resistir-as-tentacoes-de-gastar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2022\/04\/01\/seu-cerebro-quer-te-convencer-a-consumir-veja-como-resistir-as-tentacoes-de-gastar\/","title":{"rendered":"Seu c\u00e9rebro quer te convencer a consumir; veja como resistir \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es de gastar"},"content":{"rendered":"<p>\u201cCad\u00ea voc\u00ea? Estamos com saudades!\u201d Parece at\u00e9 o e-mail de um amigo seu. Mas, na verdade, \u00e9 uma loja te mandando mensagem. Nas redes sociais, \u00e9 a mesma coisa \u2014te chamam at\u00e9 pelo nome. Pensamos em algo e pronto: a oferta j\u00e1 aparece nas redes sociais, na internet. \u00c9 muita tenta\u00e7\u00e3o. \u201cMas existem maneiras de desligar esse processo de querer, de aproveitar oportunidades que a gente sente s\u00f3 naquele momento do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/tudo-sobre\/consumo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">consumo<\/a>\u201d, diz a especialista em economia comportamental Fl\u00e1via \u00c1vila, presidente e fundadora da InBehavior Lab.<\/p>\n<p>E \u00e9 importante entender o que acontece em nossa mente na hora do consumo, principalmente agora, em tempos de crise \u2013 para sobreviver \u00e0 temporada de liquida\u00e7\u00f5es e n\u00e3o se arrepender pelo resto de 2022.<\/p>\n<h4><strong>O que pensamos?<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cNossa mente cria narrativas para justificar o impulso da compra. Coisas como: \u2018ah, \u00e9 uma boa oportunidade\u2019; \u2018quero o prazer imediato e vou pagar no futuro, com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito\u2019\u201d, exemplifica Fl\u00e1via.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 preciso nem que ningu\u00e9m te questione sobre se vale ou n\u00e3o a pena comprar algo. A gente faz isso sozinho e vai criando as justificativas na emo\u00e7\u00e3o. Uma das mais comuns nessa \u00e9poca de ofertas \u00e9, segundo ela, a armadilha do \u201cfresh start\u201d, ou do come\u00e7o novo.<\/p>\n<p>A gente quer investir em algo novo: uma ergom\u00e9trica, roupas novas, um aspirador rob\u00f4 \u2013 como se aquilo fosse dar um \u201crestart\u201d na vida. \u201cVoc\u00ea pensa que est\u00e1 investindo em voc\u00ea, para ter um recome\u00e7o legal. Na verdade, \u00e9 uma cilada. Voc\u00ea gasta, encosta tudo e fica sem o dinheiro\u201d, diz \u00c1vila.<\/p>\n<p>Quer uma prova disso? No site OLX, especializado em anunciar vendas de pessoas f\u00edsicas \u2014principalmente itens de segunda m\u00e3o\u2014, o n\u00famero de an\u00fancios deu um salto no ano passado em rela\u00e7\u00e3o a 2020. S\u00f3 de rob\u00f4 aspirador, a alta de produtos anunciados por pessoas foi de 81%. De ergom\u00e9tricas, 71%. Fritadeiras el\u00e9tricas? 61%. Outro item que teve um grande aumento no n\u00famero de an\u00fancios foi o smartwatch: 43%.<\/p>\n<aside class=\"read__too\">\n<h3 class=\"read__paragraph\"><span style=\"color: #222222; font-family: Verdana, BlinkMacSystemFont, -apple-system, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen, Ubuntu, Cantarell, 'Open Sans', 'Helvetica Neue', sans-serif; font-size: 15px;\">Esse arrependimento \u00e9 comum. Metade das pessoas no Brasil n\u00e3o t\u00eam certeza se fariam a mesma compra se tivessem que repeti-las, segundo pesquisa feita no ano passado pela ag\u00eancia de publicidade R\/GA para analisar o comportamento do consumidor no p\u00f3s-compra em nove mercados da Am\u00e9rica do Norte, da Europa, da \u00c1sia-Pac\u00edfico e da Am\u00e9rica Latina. Ou seja, 50% dos consumidores brasileiros se arrependem do que compram. Depois de feita a aquisi\u00e7\u00e3o, 38% dos consumidores afirmaram que as marcas prometem mais do que efetivamente entregam.<\/span><\/h3>\n<\/aside>\n<p>\u201cGeralmente, a expectativa do consumidor \u00e9 alta e n\u00e3o corresponde ao que o produto entrega\u201d, diz Giacomo Groff, vice-presidente de estrat\u00e9gia da R\/GA. \u201cIsso acontece muito porque as marcas investem 80% do que destinam para marketing para o pr\u00e9-compra. E fazem menos esfor\u00e7o para garantir a satisfa\u00e7\u00e3o do cliente no durante e no p\u00f3s-compra.\u201d<\/p>\n<h4><strong>E em tempos de grana curta, quem quer gastar em algo que vai causar frustra\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h4>\n<p>Para evitar essa gastan\u00e7a de dinheiro \u00e0 toa, Rodrigo Dias, planejador de finan\u00e7as pessoais da NoFront, plataforma de educa\u00e7\u00e3o financeira, diz que \u00e9 preciso desarmar os gatilhos que o marketing ativa em n\u00f3s para o consumo. Evitar a exposi\u00e7\u00e3o ao consumo \u00e9 uma delas. Se voc\u00ea n\u00e3o quer gastar, por exemplo, n\u00e3o v\u00e1 ao shopping.<\/p>\n<p>\u00c9 o que faz a dentista Ana Lu\u00edza Silva. \u201cEvito ir a shoppings, lojas, restaurantes. N\u00e3o se expor ao consumo ajuda muito. Claro que isso est\u00e1 bem mais dif\u00edcil agora, com tudo f\u00e1cil de comprar pela internet\u201d, conta ela.<\/p>\n<p>Os e-mails de oferta? Delete e tire seu nome das listas de envio. Sites que t\u00eam registrado seu cart\u00e3o de cr\u00e9dito, para comprar s\u00f3 com um clique? Delete tamb\u00e9m. \u201cA dica \u00e9 criar barreiras para o consumo n\u00e3o ser facilitado e dar tempo de voc\u00ea racionalizar, pensar direito e n\u00e3o ir s\u00f3 pela emo\u00e7\u00e3o do momento\u201d, diz \u00c1vila.<\/p>\n<p>Outra boa sa\u00edda \u00e9 escrever num papel os pr\u00f3s e contras da compra. Isso mesmo: pegue uma caneta e fa\u00e7a isso. \u201c\u00c0s vezes bastam alguns minutos s\u00f3 para voc\u00ea perceber que n\u00e3o precisa daquilo\u201d, diz a especialista. Isso acontece porque na hora de uma compra, nosso c\u00e9rebro tem dois mecanismos: o que age r\u00e1pido, por instinto, impulso, e o racional. As compras por impulso s\u00e3o feitas s\u00f3 usando essa parte do c\u00e9rebro do pensamento r\u00e1pido, da satisfa\u00e7\u00e3o de instintos. \u201cQuando a gente se d\u00e1 um tempo, conseguimos ir para o outro n\u00edvel, o do racional.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Lembre-se da dor do pagamento<\/strong><\/h4>\n<p>O cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 a maior armadilha de todas. Ele tira a dor do pagamento de nossa vis\u00e3o, afinal, fica tudo para o futuro. Mas ele chega. Ent\u00e3o, deixe ele em casa, guarde num lugar dif\u00edcil, tire o registro dos dados dele dos sites. \u201cO cart\u00e3o diminui a dor do pagamento e aumenta o prazer imediato da compra. Se voc\u00ea tem que pagar com dinheiro vivo, d\u00e9bito ou Pix, o pagamento \u00e9 uma coisa real, que acontece ali na hora.\u201d<\/p>\n<p>Dias concorda. \u201cSe voc\u00ea guardar o cart\u00e3o de cr\u00e9dito em uma caixa, num lugar n\u00e3o t\u00e3o f\u00e1cil de acessar, voc\u00ea n\u00e3o compra mais aquela blusinha que vai esgar\u00e7ar na segunda lavada e s\u00f3 faz compras planejadas com ele.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Vasculhe seu arm\u00e1rio antes<\/strong><\/h4>\n<p>Quantas vezes voc\u00ea comprou roupas parecidas, produtos de beleza repetidos, sapatos iguais? A gente esquece o que est\u00e1 guardado, fora de nossa vis\u00e3o cotidiana. Ent\u00e3o, se voc\u00ea est\u00e1 pensando em comprar um protetor solar novo, um perfume, olhe nas suas gavetas para saber se ainda h\u00e1 produtos quase novos esquecidos ali \u2014e os coloque na ativa novamente.<\/p>\n<h4><strong>Fa\u00e7a um teste drive mental<\/strong><\/h4>\n<p>Antes de dar o clique em uma compra, pare e se afaste do computador. Ou saia da loja. Tente pensar como voc\u00ea se sentiria se j\u00e1 tivesse comprado o produto. Vale a pena? Vai usar? Ou \u00e9 s\u00f3 coisa de momento?<\/p>\n<h4><strong>Inverta o prazer da compra: venda<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cDescobri que vender d\u00e1 tanto prazer quanto comprar\u201d, diz o arquiteto Douglas Cunha. Ele separou coisas que n\u00e3o usava mais \u2014\u00f3culos de sol, lumin\u00e1ria, luvas de couro, massageador\u2014 e vendeu tudo na internet. \u201c\u00c9 t\u00e3o bom dar um uso novo para coisas encostadas. Fora o dinheiro que entra\u201d.<\/p>\n<h4><strong>Contabilidade no papel<\/strong><\/h4>\n<p>Dias, do NoFront, afirma que fazer contas mentais nunca d\u00e1 certo. Inconscientemente, voc\u00ea vai arranjar um jeito de comprar se fizer isso. Mas se colocar tudo no papel, ou na tela, vai ter a real vis\u00e3o de sua contabilidade e vai saber se pode ou n\u00e3o adquirir.<\/p>\n<h4><strong>Crie regras internas<\/strong><\/h4>\n<p>Voc\u00ea quer economizar para qu\u00ea? Para mudar de casa, comprar um carro, fazer um curso? Tr\u00eas professores de economia comportamental da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, criaram um site que ajuda as pessoas a cumprir suas resolu\u00e7\u00f5es, seja economizar, perder peso, parar de fumar.<\/p>\n<p>O site (ou aplicativo) chama-se StickK.com. Nele, voc\u00ea assina um contrato consigo mesmo e se imp\u00f5e penalidades monet\u00e1rias se n\u00e3o cumprir suas promessas: doa\u00e7\u00f5es para servi\u00e7os de caridade e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais.<\/p>\n<p>\u201cSe eu comprar algo que n\u00e3o devo, vou ter que doar roupas usadas ou fazer uma doa\u00e7\u00e3o em dinheiro. Quando voc\u00ea se imp\u00f5e regras assim, as chances de cumprir suas metas aumentam cinco vezes\u201d, diz Fl\u00e1via.<\/p>\n<p>Mas as puni\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser realmente punitivas para voc\u00ea. N\u00e3o adianta driblar com castigos que n\u00e3o v\u00e3o te mobilizar.<\/p>\n<h4><strong>Diga-me com quem andas\u2026<\/strong><\/h4>\n<p>A press\u00e3o dos colegas, por exemplo, \u00e9 outra t\u00e9cnica que pode ser usada para provocar mudan\u00e7as, segundo a economista comportamental Katy Milkman, autora do livro \u201cHow to Change: The Science of Getting from Where You Are to Where You Want to Be\u201d (Como mudar: a ci\u00eancia de ir de onde voc\u00ea est\u00e1 para onde voc\u00ea quer estar \u2013 ainda n\u00e3o lan\u00e7ado em portugu\u00eas).<\/p>\n<p>A autora diz que quando todos seus amigos fazem exerc\u00edcios, as chances de voc\u00ea tamb\u00e9m aderir \u00e0s atividades f\u00edsicas aumentam. Seus amigos s\u00e3o consumistas? Melhor dar um tempo. Ou fazer programas diferentes com eles.<\/p>\n<p>Mas tenha calma. A autora lembra que devido a mentalidades profundamente arraigadas, efetuar mudan\u00e7as n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A transforma\u00e7\u00e3o segundo ela \u00e9 um processo lento. \u00c9 como tratar uma doen\u00e7a cr\u00f4nica: exige paci\u00eancia, perseveran\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, tenha calma. Se sofrer um deslize, n\u00e3o caia na cilada do \u201cj\u00e1 que\u201d. \u201cJ\u00e1 que furei minha poupan\u00e7a, vou continuar gastando. Isso \u00e9 o que a gente pensa quando escorrega\u201d, diz Dias. Respire fundo e continue firme.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: L\u00edlian Cunha \/<span class=\"tp__author\">CNN Brasil Business &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 01\/04\/2022<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCad\u00ea voc\u00ea? Estamos com saudades!\u201d Parece at\u00e9 o e-mail de um amigo seu. Mas, na verdade, \u00e9 uma loja te mandando mensagem. Nas redes sociais, \u00e9 a mesma coisa \u2014te chamam at\u00e9 pelo nome. 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