{"id":69924,"date":"2022-04-30T04:30:37","date_gmt":"2022-04-30T07:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=69924"},"modified":"2022-04-29T14:33:22","modified_gmt":"2022-04-29T17:33:22","slug":"metrologia-como-medir-um-segundo-ciencia-busca-nova-definicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2022\/04\/30\/metrologia-como-medir-um-segundo-ciencia-busca-nova-definicao\/","title":{"rendered":"Metrologia: Como medir um segundo? Ci\u00eancia busca nova defini\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<article class=\"n--noticia__header \">Em junho, os metrologistas ter\u00e3o uma lista final de crit\u00e9rios que devem ser atendidos para estabelecer a nova defini\u00e7\u00e3o; aprova\u00e7\u00e3o formal deve ser feita at\u00e9 2030<\/p>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 main-news\">\n<div id=\"pw-P_1.4051753\" class=\"pw-container\" data-acesso=\"0\" data-coluna=\"\" data-categoria=\"\">\n<div id=\"sw-P_1.4051753\" class=\"pw-container\">\n<div class=\"row n--noticia__body\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-content col-center\">\n<div class=\"box open\">\n<div id=\"n--noticia__content\" class=\"n--noticia__content content already-sliced already-checked\" data-paywall-wrapper=\"\">\n<p>A civiliza\u00e7\u00e3o moderna, dizem, seria imposs\u00edvel sem a medi\u00e7\u00e3o. E a medi\u00e7\u00e3o seria in\u00fatil se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos todos usando as mesmas unidades.<\/p>\n<p>Assim, por quase 150 anos, os metrologistas do mundo todo concordaram com defini\u00e7\u00f5es estritas para as unidades de medida por meio do&nbsp;Escrit\u00f3rio Internacional de Pesos e Medidas, conhecido por sua sigla francesa, BIPM, e com sede nos arredores de&nbsp;Paris.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje, a ag\u00eancia regula as sete unidades b\u00e1sicas que governam tempo, comprimento, massa,&nbsp;corrente el\u00e9trica, temperatura, intensidade da luz e quantidade de determinada subst\u00e2ncia. Juntas, essas unidades s\u00e3o a linguagem da ci\u00eancia, da tecnologia e do com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Os cientistas est\u00e3o sempre refinando esses padr\u00f5es. Em 2018, eles aprovaram novas defini\u00e7\u00f5es para&nbsp;quilograma&nbsp;(massa), ampere (corrente el\u00e9trica),&nbsp;kelvin (temperatura) e mol (quantidade de subst\u00e2ncia). Com exce\u00e7\u00e3o do mol, todos os padr\u00f5es s\u00e3o subservientes a um: o tempo.<\/p>\n<p>O metro, por exemplo, \u00e9 definido como a dist\u00e2ncia que a luz percorre no v\u00e1cuo durante 1\/299.792.458 de segundo. Da mesma forma, a nova defini\u00e7\u00e3o do quilograma se baseia no segundo, de uma maneira que \u00e9 complicada demais para explicar em menos de v\u00e1rios par\u00e1grafos.<\/p>\n<div class=\"n--noticia__citacao\">\n<div class=\"citacao-texto\">\n<div><strong><em>As unidades n\u00e3o s\u00e3o aut\u00f4nomas, todas dependem do segundo -No\u00ebl C. Dimarcq, f\u00edsico e presidente do comit\u00ea consultivo do BIPM para tempo e frequ\u00eancia<\/em><\/strong><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Isso significa que conceitualmente \u2013 ainda que desajeitadamente \u2013 voc\u00ea pode expressar as outras unidades, como peso ou comprimento, em segundos.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea vai ao supermercado e diz: \u2018Eu gostaria n\u00e3o de 1 quilo de batatas, mas de uma quantidade de segundos de batatas\u2019\u201d, disse Dimarcq.<\/p>\n<p>Mas agora, pela primeira vez em mais de meio s\u00e9culo, os cientistas est\u00e3o prestes a mudar a defini\u00e7\u00e3o do segundo, porque uma nova gera\u00e7\u00e3o de rel\u00f3gios consegue medi-lo com mais precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em junho, os metrologistas do BIPM ter\u00e3o uma lista final de crit\u00e9rios que devem ser atendidos para estabelecer a nova defini\u00e7\u00e3o. Dimarcq disse esperar que a maior parte seja cumprida at\u00e9 2026 e que a aprova\u00e7\u00e3o formal aconte\u00e7a at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Tudo deve ser feito com cuidado. A arquitetura da medi\u00e7\u00e3o global depende do segundo. Ent\u00e3o, quando a defini\u00e7\u00e3o da unidade muda, sua dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto loaded\" data-config=\"{&quot;tipo&quot;:&quot;FOTO&quot;,&quot;id&quot;:&quot;1243625&quot;,&quot;provider&quot;:&quot;AGILE&quot;}\">\n<figure class=\"n--noticia__image modulo-noticia\">\n<p><figure style=\"width: 932px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.estadao.com.br\/resources\/jpg\/8\/9\/1651190683398.jpg?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"Rel\u00f3gio\" width=\"696\" height=\"464\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Museu do Rel\u00f3gio na Dimep, primeira fabricamente do objeto no Pa\u00eds; cientistas est\u00e3o prestes a mudar a defini\u00e7\u00e3o de segundo: em junho, j\u00e1 devem ter lista de crit\u00e9rios Foto: WERTHER SANTANA\/ESTAD\u00c3O &#8211; 22\/01\/2021<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201c\u00c9 uma coisa que acontece uma vez a cada cinquenta anos\u201d, disse Elizabeth A. Donley, chefe da divis\u00e3o de tempo e frequ\u00eancia do Instituto Nacional de Padr\u00f5es e Tecnologia, ou NIST, em Boulder, Colorado. Ela est\u00e1 no comit\u00ea consultivo internacional do BIPM com Dimarcq. \u201cE \u00e9 uma coisa muito importante que queremos acertar, com muito debate. \u00c9 muito emocionante trabalhar nisso, com certeza\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"intertitulo\"><strong>O tempo do c\u00e9sio<\/strong><\/h4>\n<p>No passado, os humanos contavam o tempo olhando para os c\u00e9us. Mas, desde 1967, os metrologistas definiram o tempo medindo o que acontece dentro do \u00e1tomo \u2013 marcando, por assim dizer, o eterno batimento card\u00edaco do universo.<\/p>\n<p>Mas o tempo ainda tem suas ra\u00edzes e at\u00e9 sua nomenclatura na cronometragem astron\u00f4mica. Originalmente, o tempo se baseava no caminho da&nbsp;<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/terra-planeta\"><strong>Terra<\/strong><\/a>&nbsp;em seu giro di\u00e1rio, do dia para a noite e vice-versa. Ent\u00e3o, os antigos astr\u00f4nomos eg\u00edpcios que usavam o sistema de contagem duodecimal, baseado no n\u00famero 12, dividiram o dia e a noite em 12 horas cada, dando-nos as 24 horas do dia.<\/p>\n<p>Essas horas variavam em dura\u00e7\u00e3o, dependendo de onde a Terra estava em sua \u00f3rbita em torno do&nbsp;<strong>Sol<\/strong>. H\u00e1 pouco mais de 2 mil anos, os astr\u00f4nomos gregos, que precisavam de horas fixas para calcular coisas como os movimentos da&nbsp;<strong>Lua<\/strong>, desenvolveram a ideia revolucion\u00e1ria de que um \u00fanico dia deveria ser dividido em 24 horas de mesma dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse mesmo pensamento astron\u00f4mico os levou a reaproveitar o antigo m\u00e9todo babil\u00f4nico de contar com base no n\u00famero 60, o sistema sexagesimal, para definir a hora. E, assim como tinham dividido o c\u00edrculo ou a esfera da Terra em 60 partes e, depois, mais uma vez em 60, constituindo os 360 graus, eles dividiram a hora.<\/p>\n<p>A primeira divis\u00e3o das 24 horas do dia (conhecida em latim como partes minutae primae) lhes deu a dura\u00e7\u00e3o do minuto, que era 1\/1.440 de um dia solar m\u00e9dio. A segunda divis\u00e3o (partes minutae secundae) lhes forneceu a dura\u00e7\u00e3o \u2013 e o nome \u2013 do segundo, que era 1\/86.400 de um dia. Essa defini\u00e7\u00e3o permaneceu at\u00e9 1967. (Houve um breve desvio para algo chamado tempo das efem\u00e9rides que era t\u00e3o complicado que nem mesmo os metrologistas o usavam).<\/p>\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto loaded\" data-config=\"{&quot;tipo&quot;:&quot;FOTO&quot;,&quot;id&quot;:&quot;780827&quot;,&quot;provider&quot;:&quot;AGILE&quot;}\">\n<figure class=\"n--noticia__image modulo-noticia\">\n<p><figure style=\"width: 932px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.estadao.com.br\/resources\/jpg\/2\/9\/1502720213592.jpg?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"Big Ben\" width=\"696\" height=\"464\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Apesar de ser conhecido no mundo inteiro, muitos pensam que o Big Ben \u00e9 o rel\u00f3gio, que tamb\u00e9m fica na torre, mas o apelido pertence, na realidade, ao &#8220;grande sino&#8221;, que pesa 13,7 toneladas Foto: REUTERS\/Neil Hall<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mas a defini\u00e7\u00e3o tinha problemas. A Terra est\u00e1 diminuindo gradualmente sua rota\u00e7\u00e3o di\u00e1ria: os dias est\u00e3o ficando um pouco mais longos e, portanto, o segundo astron\u00f4mico tamb\u00e9m. Essas pequenas diferen\u00e7as se somam. Com base em extrapola\u00e7\u00f5es a partir de eclipses hist\u00f3ricos e outras observa\u00e7\u00f5es, a Terra perdeu mais de tr\u00eas horas nos \u00faltimos 2 mil anos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a unidade de tempo padr\u00e3o, baseada em c\u00e1lculos astron\u00f4micos, n\u00e3o \u00e9 constante, uma realidade que se tornou cada vez mais intoler\u00e1vel para os metrologistas durante as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20, quando se descobriu como a rota\u00e7\u00e3o da Terra era irregular. A ci\u00eancia exige const\u00e2ncia, confiabilidade e replicabilidade. O mesmo acontece com o tempo \u2013 e no final da d\u00e9cada de 1960, a sociedade estava se tornando cada vez mais dependente das frequ\u00eancias dos sinais de r\u00e1dio, que exigiam tempos extremamente precisos.<\/p>\n<p>Os metrologistas se voltaram para o movimento muito mais previs\u00edvel das part\u00edculas at\u00f4micas. Os \u00e1tomos nunca se desgastam nem desaceleram. Suas propriedades n\u00e3o mudam com o tempo. S\u00e3o rel\u00f3gios perfeitos.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo 20, os cientistas conseguiram que \u00e1tomos de&nbsp;<strong>c\u00e9sio 133<\/strong>&nbsp;mostrassem seus tiques secretos. O c\u00e9sio, um metal prateado-ouro que \u00e9 l\u00edquido \u00e0 temperatura ambiente, tem \u00e1tomos pesados e lentos, o que significa que s\u00e3o relativamente f\u00e1ceis de rastrear.<\/p>\n<p>No caso do c\u00e9sio 133, a frequ\u00eancia \u00e9 de quase 9,2 bilh\u00f5es de tiques por segundo \u2013 9.192.631.770, para ser mais preciso. O comprimento do segundo usado no experimento se baseou na dura\u00e7\u00e3o do dia em 1957, quando estavam ocorrendo os experimentos cient\u00edficos originais, e derivou de medi\u00e7\u00f5es da Terra, da Lua e das estrelas. Em 1967, metrologistas do BIPM estabeleceram a resson\u00e2ncia de frequ\u00eancia natural do c\u00e9sio 133 como o comprimento oficial do segundo.<\/p>\n<p>Apesar dessa defini\u00e7\u00e3o baseada no c\u00e9sio, o tempo astron\u00f4mico e o tempo at\u00f4mico ainda est\u00e3o inextricavelmente unidos. O tempo at\u00f4mico precisa ser ajustado ocasionalmente para corresponder ao tempo astron\u00f4mico porque a Terra continua a mudar seu ritmo a um compasso irregular, enquanto o tempo at\u00f4mico permanece constante. Quando o tempo at\u00f4mico fica quase um segundo mais r\u00e1pido que o tempo astron\u00f4mico, os cronometristas o param por um momento, permitindo que a Terra o alcance \u2013 inserem um segundo bissexto. Assim, mesmo que a dura\u00e7\u00e3o do segundo n\u00e3o mude, a dura\u00e7\u00e3o do minuto \u00e0s vezes muda. Ap\u00f3s uma inser\u00e7\u00e3o inicial de 10 segundos bissextos em 1972, os cronometristas agora adicionam um segundo bissexto ao tempo at\u00f4mico a cada ano e meio, aproximadamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, por mais estranho que pare\u00e7a, ainda contamos os segundos da era de 1957, mesmo com nossos rel\u00f3gios at\u00f4micos modernos. Isso porque a resson\u00e2ncia de frequ\u00eancia natural do c\u00e9sio 133 foi medida em 1957 e vinculada \u00e0 dura\u00e7\u00e3o do segundo astron\u00f4mico naquele ano, fato que n\u00e3o mudar\u00e1 mesmo quando o segundo for redefinido mais uma vez.<\/p>\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto loaded\" data-config=\"{&quot;tipo&quot;:&quot;FOTO&quot;,&quot;id&quot;:&quot;1243676&quot;,&quot;provider&quot;:&quot;AGILE&quot;}\">\n<figure class=\"n--noticia__image modulo-noticia\">\n<p><figure style=\"width: 932px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.estadao.com.br\/resources\/jpg\/5\/7\/1651236269375.jpg?resize=696%2C522&#038;ssl=1\" alt=\"Segundos\" width=\"696\" height=\"522\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Um rel\u00f3gio at\u00f4mico de treli\u00e7a de l\u00edtio no NIST em uma imagem composta. Um cart\u00e3o de \u00edndice foi posicionado na frente dos lasers para revelar os caminhos individuais do feixe de laser Foto: Phillips\/ NIST<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<h4 class=\"intertitulo\"><strong>Hor\u00e1rio nobre<\/strong><\/h4>\n<p>A redefini\u00e7\u00e3o est\u00e1 marcha porque os cientistas desenvolveram novos instrumentos chamados rel\u00f3gios at\u00f4micos \u00f3pticos. Estes operam com princ\u00edpios semelhantes aos rel\u00f3gios de c\u00e9sio, mas medem \u00e1tomos que t\u00eam uma resson\u00e2ncia de frequ\u00eancia natural muito mais r\u00e1pida \u2013 ou seja, um tique. Essas frequ\u00eancias n\u00e3o est\u00e3o na faixa de micro-ondas do espectro eletromagn\u00e9tico, mas sim na faixa vis\u00edvel, ou \u00f3ptica \u2013 da\u00ed o nome.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rios tipos de rel\u00f3gios \u00f3pticos, cada um contando os tiques de um \u00e1tomo ou \u00edon diferente \u2013 it\u00e9rbio, estr\u00f4ncio, merc\u00fario, alum\u00ednio e muito mais. At\u00e9 agora, nenhum despontou como favorito para a pr\u00f3xima redefini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cRel\u00f3gios \u00f3pticos definitivamente n\u00e3o est\u00e3o prontos para o hor\u00e1rio nobre\u201d, disse Judah Levine, f\u00edsico da divis\u00e3o de tempo e frequ\u00eancia do NIST. \u201cS\u00e3o apenas projetos de laborat\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>Embora sejam constru\u00eddos para examinar \u00e1tomos min\u00fasculos, a maioria dos rel\u00f3gios at\u00f4micos \u00f3pticos \u00e9 enorme, do tamanho de uma mesa de jantar pesada. Alguns enchem todo um laborat\u00f3rio. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o dif\u00edceis de operar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ter um monte de especialistas acorrentados \u00e0 mesa, se \u00e9 que voc\u00ea me entende\u201d, disse Levine. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 apertar um bot\u00e3o e ir embora\u201d.<\/p>\n<p>Ao todo, existem hoje cerca de vinte ou trinta rel\u00f3gios at\u00f4micos \u00f3pticos de todos os tipos, disse Donley.<\/p>\n<p>Tr\u00eas deles est\u00e3o em Boulder. Um rel\u00f3gio t\u00edpico \u00e9 instalado sobre uma laje de a\u00e7o para isol\u00e1-lo das vibra\u00e7\u00f5es do piso. E est\u00e1 protegido contra dist\u00farbios no campo magn\u00e9tico da Terra. Em seu centro h\u00e1 uma c\u00e2mara de v\u00e1cuo com cerca de 30 cent\u00edmetros de di\u00e2metro, contendo qualquer \u00e1tomo ou \u00edon que esteja sob escrut\u00ednio. Alguns rel\u00f3gios cont\u00eam um \u00fanico \u00edon. Outros t\u00eam milhares do mesmo tipo de \u00e1tomo.<\/p>\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto loaded\" data-config=\"{&quot;tipo&quot;:&quot;FOTO&quot;,&quot;id&quot;:&quot;1243679&quot;,&quot;provider&quot;:&quot;AGILE&quot;}\">\n<figure class=\"n--noticia__image modulo-noticia\">\n<p><figure style=\"width: 932px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.estadao.com.br\/resources\/jpg\/6\/6\/1651236389366.jpg?resize=696%2C928&#038;ssl=1\" alt=\"Rel\u00f3gio\" width=\"696\" height=\"928\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Famoso rel\u00f3gio astron\u00f4mico de Praga, capital da Rep\u00fablica Checa Foto: Juliana Sayuri\/AE<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<h4 class=\"intertitulo\"><strong>Alcan\u00e7ando novas alturas<\/strong><\/h4>\n<p>Por que precisamos de tal precis\u00e3o? Em parte, porque o tempo n\u00e3o \u00e9 apenas tempo: est\u00e1 ligado e \u00e9 influenciado pela gravidade e pela massa. O tempo tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 constante, apesar do que possa sugerir a exist\u00eancia de um padr\u00e3o internacional. A teoria da relatividade geral de Albert Einstein, por exemplo, prev\u00ea que o tempo se move mais lentamente quando est\u00e1 perto de um corpo de massa consider\u00e1vel, como um planeta, porque \u00e9 retardado pela for\u00e7a da gravidade.<\/p>\n<p>Isso significa que, quando o tique-taque de um rel\u00f3gio muda, mesmo que levemente, as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas nas quais o rel\u00f3gio est\u00e1 situado tamb\u00e9m podem ter mudado. Conseguir ler essas mudan\u00e7as abre a possibilidade de que os rel\u00f3gios possam detectar entidades como mat\u00e9ria escura ou ondas gravitacionais, disse Donley.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o testes muito requintados de f\u00edsica fundamental, \u00e9 uma das coisas mais interessantes dos rel\u00f3gios \u00f3pticos\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia j\u00e1 foi realizada. Em 2015, os f\u00edsicos do NIST estavam nos prim\u00f3rdios do desenvolvimento de seus rel\u00f3gios at\u00f4micos \u00f3pticos. Eles ficaram intrigados com o fato de que os segundos estavam apresentando medi\u00e7\u00f5es ligeiramente diferentes nos rel\u00f3gios, os quais estavam em laborat\u00f3rios espalhados por Boulder.<\/p>\n<p>A\u00ed eles pensaram na teoria da relatividade geral. Ser\u00e1 que esses rel\u00f3gios \u00f3pticos estavam respondendo a pequenas mudan\u00e7as na gravidade?<\/p>\n<p>Eles pediram a ajuda de Derek van Westrum, f\u00edsico da Ag\u00eancia Geod\u00e9sica Nacional, que faz parte da Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica. Em 2015 e 2018, van Westrum mediu as diferen\u00e7as de altitude entre os laborat\u00f3rios onde os rel\u00f3gios estavam instalados. Assim como o tempo, a altitude est\u00e1 ligada \u00e0 gravidade e \u00e0 massa.<\/p>\n<p>Suas t\u00e9cnicas tradicionais de pesquisa de nivelamento, que medem a altitude acima do n\u00edvel do mar, descobriram que os rel\u00f3gios estavam de fato em altitudes diferentes. As medi\u00e7\u00f5es de tempo ligeiramente distintas estavam capturando varia\u00e7\u00f5es min\u00fasculas no campo gravitacional. Um rel\u00f3gio apenas 1 cent\u00edmetro mais alto que outro corria mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>\u201cQue a previs\u00e3o maluca de Einstein sobre o que a massa e a gravidade fazem com o tempo realmente tenha uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, para mim \u00e9 uma coisa simplesmente incr\u00edvel\u201d, disse van Westrum, rindo.<\/p>\n<p>Se v\u00e1rios rel\u00f3gios at\u00f4micos \u00f3pticos pudessem ser colocados em diferentes partes do mundo, os geodesistas conseguiriam medir as diferen\u00e7as entre eles e, portanto, as diferen\u00e7as na altitude e no campo gravitacional, disse van Westrum. Por exemplo: uma rede montada perto de um rio inundado poderia explicar para onde a \u00e1gua flui e identificar rotas de fuga para os moradores.<\/p>\n<p>Tais possibilidades est\u00e3o no futuro. Hoje, os f\u00edsicos ainda est\u00e3o tentando fazer com que os rel\u00f3gios \u00f3pticos conversem entre si \u00e0 dist\u00e2ncia, um imperativo para a marca\u00e7\u00e3o do tempo. Rel\u00f3gios \u00f3pticos n\u00e3o podem se comunicar de forma eficiente em sistemas de sat\u00e9lite, por exemplo, porque a hora do sat\u00e9lite ainda n\u00e3o \u00e9 \u00f3ptica.<\/p>\n<p>Os f\u00edsicos est\u00e3o avan\u00e7ando. Um experimento recente no NIST, publicado na revista Nature no ano passado, ligou os tr\u00eas rel\u00f3gios em Boulder atrav\u00e9s de fibra \u00f3ptica.<\/p>\n<p>E os cientistas est\u00e3o olhando mais uma vez para os c\u00e9us em busca de ajuda. Agora, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 para rastrear os movimentos de planetas ou estrelas, mas para usar informa\u00e7\u00f5es de muito al\u00e9m de nossa gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>Usando interferometria, pesquisadores na It\u00e1lia e no Jap\u00e3o recentemente tentaram conectar dois rel\u00f3gios at\u00f4micos \u00f3pticos a cerca de 9 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. O experimento envolveu v\u00e1rias antenas lendo sinais de r\u00e1dio do espa\u00e7o sideral distante e, em seguida, ligando as informa\u00e7\u00f5es a rel\u00f3gios at\u00f4micos.<\/p>\n<p>Funcionou e, por um momento, o tempo e o espa\u00e7o se fundiram, mediados pelas estrelas.<strong>\/<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Alanna Mitchell, The New York Times &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o de Renato Prelorentzou no O Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 30\/04\/2022<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em junho, os metrologistas ter\u00e3o uma lista final de crit\u00e9rios que devem ser atendidos para estabelecer a nova defini\u00e7\u00e3o; aprova\u00e7\u00e3o formal deve ser feita at\u00e9 2030 A civiliza\u00e7\u00e3o moderna, dizem, seria imposs\u00edvel sem a medi\u00e7\u00e3o. E a medi\u00e7\u00e3o seria in\u00fatil se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos todos usando as mesmas unidades. Assim, por quase 150 anos, os metrologistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":69925,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-69924","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/1651236269376.jpg?fit=932%2C699&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69924\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69925"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}