{"id":72166,"date":"2022-07-26T04:45:58","date_gmt":"2022-07-26T07:45:58","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=72166"},"modified":"2022-07-26T04:57:48","modified_gmt":"2022-07-26T07:57:48","slug":"dinheiro-publico-nao-e-o-problema-o-problema-e-a-gestao-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2022\/07\/26\/dinheiro-publico-nao-e-o-problema-o-problema-e-a-gestao-dele\/","title":{"rendered":"&#8220;Dinheiro p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 o problema. O problema \u00e9 a gest\u00e3o dele&#8221;"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Brasil: especialistas dizem que dinheiro p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 o problema (problema \u00e9 a gest\u00e3o dele)<\/strong><\/h4>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1970, quando foi cunhado o termo economia comportamental, muitas empresas come\u00e7aram a mudar suas diretrizes e m\u00e9tricas de crescimento. O objetivo era entender melhor como age, o que faz e o que espera o cliente, ao inv\u00e9s de intuir quais produtos e servi\u00e7os seriam os mais desejados. No setor privado, essa nova cultura tamb\u00e9m instituiu a racionaliza\u00e7\u00e3o dos gastos, o que colocou os adeptos do formato na vanguarda muito antes de se falar em algoritmo, inova\u00e7\u00e3o e disruptura. Foi \u00f3timo para as empresas. Mas a onda passou \u00e0 margem de quase todo setor p\u00fablico. Como resultado, ainda hoje, a forma como o Estado opera est\u00e1 cada vez mais distante das boas pr\u00e1ticas da atualidade.<\/p>\n<p>No Brasil, uma ideia que ganhou for\u00e7a \u00e9 a de que os servi\u00e7os p\u00fablicos s\u00e3o ruins e que para resolver isso seria preciso gastar mais dinheiro. Errado. A hist\u00f3ria recente tem comprovado que elevar o gasto n\u00e3o melhora coisa alguma. Trata-se de uma ferramenta pol\u00edtica usada sem grande sucesso desde Get\u00falio Vargas. O Estado brasileiro gasta cada vez mais, sem que a popula\u00e7\u00e3o se beneficie. Como sair desse ciclo?<\/p>\n<p>O economista Esteban Rossi-Hansberg, professor da Chicago University e Princeton, realizou um mapeamento da economia comportamental sob a \u00f3tica do poder p\u00fablico. As respostas descrevem o Brasil: \u201cPa\u00edses com alto n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o e em desenvolvimento relacionam mais dinheiro com qualidade, quando na verdade o dinheiro \u00e9 o que menos importa nesses casos\u201d, afirmou. Para ele, mais importante \u00e9 entender as necessidades da popula\u00e7\u00e3o. \u201cE esse tipo de mapeamento precisa partir dos gestores municipais. Tanto do Legislativo quanto do Executivo\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>PREFEITOS<\/strong>&nbsp;Nas elei\u00e7\u00f5es de 2020, o perfil do prefeito padr\u00e3o no Brasil era homem branco de 50 a 54 anos e apenas metade deles com n\u00edvel superior de escolaridade. Dos eleitos, 78% definem sua profiss\u00e3o principal como prefeito, o que \u00e9 um problema, segundo Rossi-Hansberg. \u201cPol\u00edticos profissionais servem para ganhar elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o para gerir cidades, estados ou pa\u00edses\u201d, disse. Para piorar, o que ocorre no Executivo se repete no Legislativo. Vereadores, deputados e senadores est\u00e3o mais preocupados com o status quo do cargo (e com a pr\u00f3pria reelei\u00e7\u00e3o) do que com o exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es de modo inteligente. Isso tem impacto direto na economia uma vez que a destina\u00e7\u00e3o de recursos do Or\u00e7amento segue o clientelismo, sem crit\u00e9rios de execu\u00e7\u00e3o, performance ou metas.<\/p>\n<p>Para a professora da Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Universidade Federal Minas Gerais (UFMG), C\u00e9lia Regina Beltr\u00e3o, grande parte deste comportamento \u00e9 fruto do sistema pol\u00edtico. \u201cA reelei\u00e7\u00e3o, a pluralidade de partidos e o parlamentarismo no arm\u00e1rio s\u00e3o indutores desse jogo fisiol\u00f3gico\u201d, afirmou. A pesquisa de Rossi-Hansberg estima que uma mudan\u00e7a de cultura substancial de um sistema pol\u00edtico dominado pelo fisiologismo leva entre quatro e seis ciclos eleitorais o que no Brasil poderia chegar a 24 anos. \u00c9 pouco menos que o tempo de vida da nossa Constitui\u00e7\u00e3o, promulgada em 1988. Segundo Rossi-Hansberg, para que haja uma mudan\u00e7a cultural na gest\u00e3o p\u00fablica seria preciso deixar de lado o que interessa ao partido ou ao mandato e focar no bem-estar da popula\u00e7\u00e3o. \u201cE para isso existem softwares que mapeiam com precis\u00e3o matem\u00e1tica onde est\u00e3o os reais problemas nacionais\u201d, afirmou. Entender a demanda tamb\u00e9m ajudar a n\u00e3o desperdi\u00e7ar recursos p\u00fablicos. Na It\u00e1lia, um dos pa\u00edses com o maior n\u00famero de idosos da Europa, o primeiro-ministro regulamentou a telemedicina na pandemia. \u201cDeu tudo errado, claro. Seria muito mais eficaz enviar enfermeiros aos domic\u00edlios que gastar horrores com um aplicativo experimental.\u201d<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 exemplos bem-sucedidos. No Reino Unido, um grupo chamado Behavioural Insights Team44 se especializou em pensar novas pol\u00edticas p\u00fablicas para solucionar problemas que atravessam as d\u00e9cadas. Deu t\u00e3o certo que, em 2015, Barack Obama criou diretrizes para que todos os \u00f3rg\u00e3o federais desenvolvessem departamentos para esse tipo de pesquisa. Um dos exemplos pr\u00e1ticos por l\u00e1 foi uma mudan\u00e7a no sistema previdenci\u00e1rio. At\u00e9 2016 o cidad\u00e3o americano precisava ir at\u00e9 o banco para aderir um programa de aposentadoria do governo, o que tornava a taxa de convers\u00e3o baix\u00edssima. At\u00e9 que a Receita inverteu os pap\u00e9is. Os americanos seriam inclusos automaticamente e quem quisesse cancelar \u00e9 que deveria ir ao banco. O resultado \u00e9 que a poupan\u00e7a p\u00fablica aumentou 47% em um ano.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2774593\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.istoedinheiro.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2022\/07\/100-1.jpg?resize=696%2C580&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/www.istoedinheiro.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2022\/07\/100-1.jpg 1024w, https:\/\/www.istoedinheiro.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2022\/07\/100-1-300x250.jpg 300w, https:\/\/www.istoedinheiro.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2022\/07\/100-1-768x641.jpg 768w, https:\/\/www.istoedinheiro.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2022\/07\/100-1-418x349.jpg 418w\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"580\"><\/p>\n<div>\n<div class=\"addthis_sharing_toolbox\" data-url=\"https:\/\/www.istoedinheiro.com.br\/brasil-especialistas-dizem-que-dinheiro-publico-nao-e-o-problema-problema-e-a-gestao-dele\/\" data-title=\"Brasil: especialistas dizem que dinheiro p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 o problema (problema \u00e9 a gest\u00e3o dele) - ISTO\u00c9 DINHEIRO\" data-description=\"\u00c9 um erro afirmar que o Brasil n\u00e3o tem dinheiro para manter seus servi\u00e7os p\u00fablicos. O cerne do problema est\u00e1 no completo descaso com m\u00e9tricas inteligentes de gest\u00e3o.\">\n<div class=\"at-share-btn-elements\"><strong>Cr\u00e9dito: Paula Cristina ? Isto\u00c9 Dinheiro &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 26\/07\/2022<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil: especialistas dizem que dinheiro p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 o problema (problema \u00e9 a gest\u00e3o dele) Desde a d\u00e9cada de 1970, quando foi cunhado o termo economia comportamental, muitas empresas come\u00e7aram a mudar suas diretrizes e m\u00e9tricas de crescimento. 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