{"id":73950,"date":"2022-10-08T05:00:49","date_gmt":"2022-10-08T08:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=73950"},"modified":"2022-10-08T05:31:30","modified_gmt":"2022-10-08T08:31:30","slug":"buscando-qualidade-de-vida-e-sentido-no-trabalho-jovens-pulam-mais-de-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2022\/10\/08\/buscando-qualidade-de-vida-e-sentido-no-trabalho-jovens-pulam-mais-de-emprego\/","title":{"rendered":"Buscando qualidade de vida e sentido no trabalho, jovens \u201cpulam\u201d mais de emprego"},"content":{"rendered":"<p>Maioria dos jovens de 18 a 24 anos permanece dentro de uma empresa at\u00e9 2,9 meses; a partir dos 50 anos, esse n\u00famero sobe para 10 anos ou mais<\/p>\n<p>Impacientes? Inst\u00e1veis? Intolerantes? Quando o assunto \u00e9 mercado de trabalho, n\u00e3o \u00e9 incomum ouvir adjetivos como esses direcionados a jovens da&nbsp;<strong><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/tudo-sobre\/geracao-z\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gera\u00e7\u00e3o Z<\/a><\/span><\/strong>&nbsp;\u2014 formada por pessoas nascidas ap\u00f3s 1996. E, muito provavelmente, essas palavras saem da boca de pessoas bem mais experientes.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros confirmam esse cen\u00e1rio. Dados do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia coletados em 2020 apontam essa discrep\u00e2ncia geracional no Brasil: quase um quarto dos jovens entre 18 a 24 anos permanece dentro de uma empresa por pouco menos de tr\u00eas meses (veja no gr\u00e1fico). Esse grupo, conforme o levantamento, chega a&nbsp; 2,47 milh\u00f5es de pessoas nessa faixa et\u00e1ria. Em seguida, 2,40 milh\u00f5es (24,1%) ficam de um a pouco menos de dois anos.<\/p>\n<p>Dos trabalhadores de 50 a 64 anos, 41,67% (o equivalente a 4,26 milh\u00f5es de pessoas) ficam 10 anos ou mais num mesmo emprego.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9: em vez de fazer carreira e buscar&nbsp;<em>a voca\u00e7\u00e3o para o resto da vida<\/em>, jovens profissionais tendem a desejar uma carreira um pouco mais movimentada.<\/p>\n<p>Esse movimento n\u00e3o \u00e9 visto s\u00f3 no Brasil, e ganhou at\u00e9 nome: \u201c<em>job hopping<\/em>\u201d (pular de emprego, na tradu\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas). Nos Estados Unidos, dados da CareerBuilder, plataforma americana de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o, mostram que a Gera\u00e7\u00e3o Z fica, em m\u00e9dia, 2 anos e 3 meses em um mesmo local de trabalho. Nos Baby Boomers, essa m\u00e9dia \u00e9 de 8 anos e 3 meses.<\/p>\n<p>Qual a explica\u00e7\u00e3o para os dados? Segundo especialistas consultados pela&nbsp;CNN, existem raz\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e comportamentais para que o n\u00famero de&nbsp;<em>job-hoppers<\/em>&nbsp;crescesse no pa\u00eds. Confira:<\/p>\n<figure id=\"attachment_73951\" aria-describedby=\"caption-attachment-73951\" style=\"width: 739px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-73951 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/aadfdf7c-3b97-48f1-b7be-5f149dd52faf.jpg?resize=696%2C1096\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"1096\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/aadfdf7c-3b97-48f1-b7be-5f149dd52faf.jpg?w=739&amp;ssl=1 739w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/aadfdf7c-3b97-48f1-b7be-5f149dd52faf.jpg?resize=190%2C300&amp;ssl=1 190w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/aadfdf7c-3b97-48f1-b7be-5f149dd52faf.jpg?resize=650%2C1024&amp;ssl=1 650w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/aadfdf7c-3b97-48f1-b7be-5f149dd52faf.jpg?resize=696%2C1096&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/aadfdf7c-3b97-48f1-b7be-5f149dd52faf.jpg?resize=267%2C420&amp;ssl=1 267w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/aadfdf7c-3b97-48f1-b7be-5f149dd52faf.jpg?resize=533%2C840&amp;ssl=1 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-73951\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Minist\u00e9rio do Trabalho &#8211; CNN Brasil Business<\/figcaption><\/figure>\n<div><a class=\"flourish-credit\" href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/11194411\/?utm_source=embed&amp;utm_campaign=visualisation\/11194411\" target=\"_top\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/made_with_flourish.svg\" alt=\"Made with Flourish\"><\/a><\/div>\n<h4><strong>Diferen\u00e7as econ\u00f4micas<\/strong><\/h4>\n<p>Marco Tulio Zanini, professor da FGV, explica que as gera\u00e7\u00f5es t\u00eam experi\u00eancias hist\u00f3ricas diferentes. Especialmente para a Gera\u00e7\u00e3o Y do Brasil, ou seja, aqueles nascidos nos anos 80 e primeira metade dos anos 90, tiveram uma viv\u00eancia marcada pela escassez de recursos e de perspectivas.<\/p>\n<p>Esses acabaram seguindo um curso mais tradicional de a\u00e7\u00e3o, em linhas de: procurar uma carreira para seguir durante toda a vida, buscar um emprego est\u00e1vel e permanecer nele at\u00e9 se aposentar.<\/p>\n<p>Na \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, as coisas mudam de perspectiva.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea olha para um pa\u00eds que, hoje, tem uma economia mais est\u00e1vel e uma melhor oferta de emprego, al\u00e9m de empregos melhores para quem se preparou. Os indiv\u00edduos podem empreender e criar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, at\u00e9 construir uma carreira olhando para o exterior\u201d, diz Zanini.<\/p>\n<h4><strong>Busca por qualidade de vida<\/strong><\/h4>\n<p>Alexandre Pellaes, professor e palestrante TedX explica que, tradicionalmente, existem 5 passos em uma carreira. Um indiv\u00edduo adentra uma empresa ou toma determinada decis\u00e3o profissional na inten\u00e7\u00e3o de:<\/p>\n<ul>\n<li>Aprendizado, para come\u00e7ar a navegar o mundo profissional;<\/li>\n<li>Dinheiro, por vezes mais relevante que o aprendizado;<\/li>\n<li>Status, na busca por um cargo de n\u00edvel diferenciado e por liderar pessoas;<\/li>\n<li>Qualidade de vida, pois, ap\u00f3s conseguir o prest\u00edgio, o profissional come\u00e7a a se perguntar como equilibrar as responsabilidades com a vida fora do trabalho;<\/li>\n<li>Impacto, pensando no legado e na relev\u00e2ncia que aquele trabalho ter\u00e1 para o mundo e sociedade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa \u201cescadinha\u201d, seguida em grande parte pelos Baby Boomers e pela Gera\u00e7\u00e3o X, \u00e9 questionada pelas novas gera\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o preocupadas com qualidade de vida e impacto do trabalho desde o come\u00e7o da carreira.<\/p>\n<p>\u201cGera\u00e7\u00f5es mais antigas s\u00e3o focadas em fidelidade, solidez de carreira. Era tudo muito quadrado. Hoje, com ambientes e estruturas mais flex\u00edveis, temos um convite constante para questionarmos nossas pr\u00f3prias carreiras\u201d, complementa Pellaes.<\/p>\n<p>Essas diferen\u00e7as acabam levando a um inevit\u00e1vel conflito de gera\u00e7\u00f5es. Segundo o professor, as gera\u00e7\u00f5es mais velhas acham que as mais novas precisam \u201cpagar ped\u00e1gio\u201d para atingir felicidade e realiza\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Esses comportamentos (e conflitos) transpassam todas as barreiras da vida desses jovens, t\u00e3o empenhados na&nbsp;busca por significado. E, segundo os especialistas, o arranjo social permite isso: n\u00e3o h\u00e1 mais o peso nessa juventude para casar, formar uma fam\u00edlia, ter casa e carros pr\u00f3prios. \u201cOs contratos sociais foram flexibilizados, dando a essa gera\u00e7\u00e3o mais liberdade\u201d, complementa Marco.<\/p>\n<h4><strong>Curr\u00edculo picotado<\/strong><\/h4>\n<p>Por esse comportamento, as novas gera\u00e7\u00f5es podem ser prejudicadas nas vagas e entrevistas de emprego? As empresas j\u00e1 est\u00e3o prevendo esse comportamento para candidatos mais jovens?<\/p>\n<p>Segundo Lucas Toledo, diretor-executivo da Pagegroup, empresa de recrutamento brit\u00e2nica, ficar muito tempo em uma empresa n\u00e3o \u00e9 necessariamente um indicativo positivo na hora de contratar um funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o \u00e9 que ningu\u00e9m entrega nada em um ano. \u00c9 preciso de um tempo para entender um lugar, produzir valor, gerar entregas consistentes\u201d, explica.<\/p>\n<p>Sandra Gioffi, CEO do Trampo \u00e9 Seu, startup que opera como um Hub para conectar talentos da periferia e as principais empresas do pa\u00eds, afirma que, ao mesmo tempo em que um profissional ficou pouco tempo na mesma empresa, esse curr\u00edculo picotado permitiu que ele vivesse mais experi\u00eancias em culturas e realidades diferentes.<\/p>\n<p>\u201cO mais importante \u00e9 o talento de cada um, independente da gera\u00e7\u00e3o e o engajamento que ele coloca naquilo que faz. Sendo objetiva, temos que ver esse movimento como natural, ou at\u00e9 saud\u00e1vel para todas as gera\u00e7\u00f5es\u201d, finaliza.Remodela\u00e7\u00e3o do trabalho j\u00e1 \u00e9 realidade<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as comportamentais e econ\u00f4micas, catalisadas pela pandemia, s\u00e3o precursoras na hora de pensar um novo modelo de trabalho.<\/p>\n<p>Novas propostas j\u00e1 est\u00e3o pipocando por a\u00ed \u2014 cada vez mais especialistas e empresas est\u00e3o defendendo menos dias de trabalho e menos horas trabalhadas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 jornada de trabalho de 4 dias, por exemplo, 80% das pessoas&nbsp;entrevistadas pela empresa financeira Jefferies&nbsp;afirmaram que gostariam de trabalhar nesse modelo.<\/p>\n<p>\u201cA estrutura do trabalho est\u00e1 se atualizando\u201d, diz Alexandre. \u201c Com essa insatisfa\u00e7\u00e3o do modelo atual, as pessoas ter\u00e3o novos modelos mais flex\u00edveis, mais humanizados, menos r\u00edgidos, que permitem com que se sintam mais realizadas nos cargos que ocupam\u201d.<\/p>\n<p>Para o professor Zanini, o comportamento das gera\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o adentraram o mercado de trabalho depende da estabilidade econ\u00f4mica do pa\u00eds. \u201cTeremos uma dificuldade muito grande de reter m\u00e3o de obra qualificada, porque nossa economia n\u00e3o apresenta nenhum sinal de recupera\u00e7\u00e3o e robustez\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ainda assim, os profissionais ressaltam que a discuss\u00e3o parte de um ponto de privil\u00e9gio. Os dados apresentados n\u00e3o consideram a pir\u00e2mide social brasileira em sua totalidade. Enquanto classes com maior poderio econ\u00f4mico t\u00eam mais possibilidades de experimentar com a carreira, o trabalho pode ser uma oportunidade para se movimentar socialmente, trazendo respeito, status e dinheiro para quem n\u00e3o tem a mesma seguran\u00e7a financeira.<\/p>\n<p><strong><em>Cr\u00e9dito: Sofia Kercher<span class=\"tp__author\">d, sob supervis\u00e3o Ligia Tuon \/ CNN Brasil Business -@ dispon\u00edvel na internet 08\/10\/2022<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maioria dos jovens de 18 a 24 anos permanece dentro de uma empresa at\u00e9 2,9 meses; a partir dos 50 anos, esse n\u00famero sobe para 10 anos ou mais Impacientes? Inst\u00e1veis? Intolerantes? 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