{"id":76846,"date":"2023-01-09T04:15:53","date_gmt":"2023-01-09T07:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=76846"},"modified":"2023-01-08T05:20:55","modified_gmt":"2023-01-08T08:20:55","slug":"como-deve-mudar-relacao-do-brasil-com-a-china-no-novo-governo-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2023\/01\/09\/como-deve-mudar-relacao-do-brasil-com-a-china-no-novo-governo-lula\/","title":{"rendered":"Como deve mudar rela\u00e7\u00e3o do Brasil com a China no novo governo Lula"},"content":{"rendered":"<div class=\"e1j2237y6 bbc-q4ibpr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-1atl7vu euvj3t14\">\n<p><b>Foi em 2009, pen\u00faltimo ano do segundo mandato de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), agora de volta \u00e0 Presid\u00eancia, que a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos. Desde ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre os dois pa\u00edses ganhou for\u00e7a e se consolidou.<\/b><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Mas, no plano pol\u00edtico, os \u00faltimos quatro anos, sob a presid\u00eancia de Jair Bolsonaro (PL), representaram um ponto fora da curva nesses la\u00e7os: foram marcados por animosidade, com direito, inclusive, a troca p\u00fablica de farpas, como o epis\u00f3dio que envolveu Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, e o ent\u00e3o embaixador chin\u00eas em Bras\u00edlia, Yang Wanmig (<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">relembre no fim desta reportagem<\/i>).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Apesar disso, o atrito n\u00e3o esfriou o com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses que, ao que tudo indica, pode bater novo recorde em 2022.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"etpldq00 bbc-oa9drk ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p>Como est\u00e1, ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre o Brasil e a China e o que deve mudar neste terceiro mandato de Lula?<\/p>\n<\/div>\n<section class=\"e1j2237y8 bbc-sswtix e8sa160\" role=\"region\" aria-label=\"Publicidade 2\" aria-hidden=\"true\" data-e2e=\"advertisement\"><\/section>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\"><b>Animosidade &#8216;teatral&#8217;?<\/b><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem acreditar que, se por um lado, n\u00e3o deve haver grandes mudan\u00e7as no com\u00e9rcio bilateral entre os dois pa\u00edses, por outro, esperam uma reaproxima\u00e7\u00e3o no campo pol\u00edtico, al\u00e9m de um enfoque maior em setores como sustentabilidade e meio ambiente, uma agenda j\u00e1 definida como priorit\u00e1ria pelo novo governo brasileiro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Um bom sinal nesse sentido, na opini\u00e3o deles, veio com o an\u00fancio de que Lula vai visitar a China, al\u00e9m de Estados Unidos e Argentina \u2014 os tr\u00eas pa\u00edses s\u00e3o, atualmente, os principais parceiros comerciais do Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Os especialistas alertam, contudo, que o novo governo petista deveria estabelecer bases para uma rela\u00e7\u00e3o &#8220;mais sofisticada&#8221; com a China dentro do pr\u00f3prio agroneg\u00f3cio, bem como reduzir sua depend\u00eancia da exporta\u00e7\u00e3o de commodities (mat\u00e9rias-primas como petr\u00f3leo e soja), por meio de produtos de maior valor agregado. Parcerias em setores estrat\u00e9gicos, como energia e tecnologia, t\u00eam que ser aprimoradas e intensificadas, acrescentam.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;A rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com a China esfriou muito no governo Bolsonaro. Mas ainda assim a parte comercial em si n\u00e3o foi particularmente prejudicada, tendo inclusive crescido no ano passado (at\u00e9 novembro; os dados de dezembro ainda n\u00e3o foram divulgados). Acho curioso que, apesar desse desinteresse \u2014 e at\u00e9 mesmo certa animosidade \u2014 de parte do governo Bolsonaro, a rela\u00e7\u00e3o com a China fluiu muito bem em termos pr\u00e1ticos na \u00e1rea econ\u00f4mica. Os investimentos aumentaram, o com\u00e9rcio bateu recorde atr\u00e1s de recorde, abriram novos mercados para produtos agr\u00edcolas na China&#8221;, explica \u00e0 BBC News Brasil Tulio Cariello, diretor de conte\u00fado e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Ent\u00e3o, no fim das contas, acho que todo esse suposto afastamento da China foi uma coisa &#8220;teatral&#8221; de uma minoria do governo passado. At\u00e9 porque existem setores poderosos absolutamente interessados na manuten\u00e7\u00e3o de boas rela\u00e7\u00f5es com o pa\u00eds, com \u00e9 o caso do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo parte da ind\u00fastria (aquela que compra insumos importados) busca intensificar as rela\u00e7\u00f5es com a China&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Cariello lembra que, a despeito das tens\u00f5es pol\u00edticas entre Brasil e China, com declara\u00e7\u00f5es repetidas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pessoas do seu entorno contra o gigante asi\u00e1tico durante seu governo, o Minist\u00e9rio da Agricultura criou um &#8220;N\u00facleo China&#8221;, uma unidade especial que cuidava das rela\u00e7\u00f5es com aquele pa\u00eds, a pedido da ex-ministra Teresa Cristina e ligada diretamente a seu gabinete.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">De fato, segundo documento intitulado &#8220;Investimentos chineses no Brasil: hist\u00f3rico, tend\u00eancias e desafios globais (2007-2020)&#8221;, do CEBC, o mais abrangente j\u00e1 realizado sobre o tema, as a\u00e7\u00f5es concretas do governo brasileiro indicaram &#8220;mais continuidade do que ruptura na rela\u00e7\u00e3o bilateral&#8221; com a China.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Entre 2007 e 2021, a China investiu no Brasil US$ 70 bilh\u00f5es \u2014 s\u00f3 em 2021, os investimentos totalizaram US$ 5,9 bilh\u00f5es, o maior valor desde 2017.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">E, no ano passado at\u00e9 novembro (os dados de dezembro ainda n\u00e3o foram divulgados), a corrente de com\u00e9rcio bilateral j\u00e1 aponta novo recorde: US$ 139,4 bilh\u00f5es, cifra que supera a marca de US$ 135,4 bilh\u00f5es registrada em todo o ano de 2021.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Vale lembrar tamb\u00e9m que o maior super\u00e1vit (diferen\u00e7a entre exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es) do Brasil com um s\u00f3 pa\u00eds \u00e9 com a China \u2014 isso significa que mais recursos est\u00e3o entrando no pa\u00eds, melhorando a economia e gerando mais renda, do que saindo. E tamb\u00e9m representa algo pouco comum, uma vez que geralmente \u00e9 a China quem tem super\u00e1vit com seus parceiros (ou seja, vende mais do que compra).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"Aqu\u00e9m-do-potencial\" class=\"bbc-1f03ibc eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>&#8216;Aqu\u00e9m do potencial&#8217;<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Larissa Wachholz, que chefiou o &#8216;N\u00facleo China&#8217; do Minist\u00e9rio da Agricultura sob a gest\u00e3o Bolsonaro e \u00e9 atualmente senior fellow do N\u00facleo \u00c1sia do CEBRI (Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais), um think tank de rela\u00e7\u00f5es internacionais, diz esperar uma rela\u00e7\u00e3o &#8220;muito positiva&#8221; do novo governo brasileiro com a China, mas ressalva que ela ainda n\u00e3o \u00e9 explorada em seu potencial.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;As intera\u00e7\u00f5es pessoais s\u00e3o muito importantes na cultura asi\u00e1tica e isso se aplica \u00e0 China. Agora, isso voltou a ser poss\u00edvel com o governo chin\u00eas suspendendo as medidas mais severas contra a covid. O Brasil segue sendo um parceiro importante para a seguran\u00e7a alimentar e energ\u00e9tica da China, mas em termos de estrat\u00e9gia de desenvolvimento, precisamos ir mais longe&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Wachholz lembra que os tr\u00eas principais produtos exportados pelo Brasil \u00e0 China ainda s\u00e3o petr\u00f3leo, min\u00e9rio de ferro e soja. Mas apesar de o Brasil, como tradicional exportador de commodities (mat\u00e9rias-primas), ter se beneficiado do acelerado crescimento econ\u00f4mico chin\u00eas ao longo dos anos, &#8220;isso n\u00e3o \u00e9 suficiente&#8221;, em sua vis\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Tem sido muito ben\u00e9fica para n\u00f3s (exporta\u00e7\u00e3o de commodities para a China), mas acho que n\u00e3o \u00e9 suficiente. Acho que dever\u00edamos almejar ir al\u00e9m. O Brasil tem uma ambi\u00e7\u00e3o correta, a meu ver, de ser uma economia diversificada. Poder\u00edamos fazer uso das nossas compet\u00eancias e da nossa grande capacidade de exporta\u00e7\u00e3o, de recursos naturais, de commodities para alcan\u00e7ar o nosso objetivo de sermos uma economia diversificada. A China pode ser um parceiro excelente para que esse objetivo seja alcan\u00e7ado&#8221;, opina.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Ela assinala que, apesar de ser a segunda maior economia do mundo, a China ainda investe muito pouco do seu PIB (Produto Interno Bruto, ou soma de bens e servi\u00e7os de um pa\u00eds) no exterior, ao contr\u00e1rio do Jap\u00e3o (acima de 60%), Estados Unidos (40%) e Uni\u00e3o Europeia (30%).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;\u00c9 muito pouco para a segunda maior economia do mundo. Tem muito potencial de crescimento e o Brasil pode ser um grande receptor desses investimentos. E esses investimentos podem auxiliar o Brasil nesse projeto de desenvolvimento e de ter uma economia diversificada&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Acho que essa \u00e9 a grande reflex\u00e3o. Aonde a gente quer chegar? Quais perfis de cadeias industriais a gente quer atrair? A China pode ser parte disso. Por isso digo que dever\u00edamos almejar ir al\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;S\u00e3o investimentos que podem gerar emprego e renda no Brasil. Que n\u00e3o v\u00e3o apenas abastecer o mercado nacional brasileiro, mas que podem tornar o Brasil um polo exportador desses produtos na Am\u00e9rica do Sul&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"Riscos\" class=\"bbc-1f03ibc eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>Riscos<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Tanto Wachholz e Turiello fazem um alerta: na opini\u00e3o deles, a China j\u00e1 deu sinais de que n\u00e3o quer depender de poucos fornecedores para garantir sua seguran\u00e7a alimentar e energ\u00e9tica e, por isso, vem buscando ampliar o escopo de pa\u00edses de quem compra mat\u00e9rias-primas \u2014 nesse sentido, o Brasil pode acabar &#8220;ficando para tr\u00e1s&#8221; no &#8220;longo prazo&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;A China tem a pretens\u00e3o de aumentar seu potencial agr\u00edcola nacionalmente. Isso \u00e9 dif\u00edcil. Ela j\u00e1 trabalha com a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no limite. Mesmo que ela passe a produzir mais, sua produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta da demanda&#8221;, ressalva Wachholz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">\u00c9 o caso da soja. Hoje, a China j\u00e1 produz o gr\u00e3o localmente. Mas s\u00f3 16 milh\u00f5es de toneladas das 100 milh\u00f5es de que precisa todos os anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Para produzir muito mais do que isso, a China teria que produzir menos arroz, trigo ou milho, que tamb\u00e9m s\u00e3o commodities importantes para a sua seguran\u00e7a alimentar. Mas qual \u00e9 o risco? A China se sente encorajada de desenvolver outros fornecedores no mundo, que possam ajudar a atender sua demanda, como pa\u00edses africanos&#8221;, acrescenta Wachholz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Cariello, do CEBC, concorda. &#8220;N\u00e3o temos como mais nos pautar s\u00f3 nessa ideia vender a commodity bruta para a China, produtos prim\u00e1rios. Por que a pr\u00f3pria China, no longo prazo, est\u00e1 querendo aumentar sua autossufici\u00eancia. Os chineses querem diminuir a depend\u00eancia deles em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas, por exemplo&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Acho que o novo governo Lula tem uma grande chance de estabelecer bases para uma rela\u00e7\u00e3o mais sofisticada com a China dentro do pr\u00f3prio agroneg\u00f3cio. Mas os grandes parceiros da China na \u00e1rea agr\u00edcola, como \u00e9 o caso do Brasil, precisam explorar mercados diferentes dentro da China com maior valor agregado, com uma cesta de produtos maior e ser menos dependente de poucos produtos&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Segundo o especialista, Lula tamb\u00e9m ter\u00e1 que lidar com uma realidade diferente da de seus dois primeiros mandatos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O contexto de Lula 1 e Lula 2 era de muita euforia com a China. Empresas chinesas faziam grandes investimentos no exterior e houve um maior fluxo de com\u00e9rcio, sobretudo na \u00e1rea das commodities&#8221;, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"Equil\u00edbrio\" class=\"bbc-1f03ibc eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>&#8216;Equil\u00edbrio&#8217;<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Um desses desafios, segundo Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Pequim (China) e em Washington (Estados Unidos), \u00e9 a postura que o Brasil vai adotar diante da guerra comercial e diplom\u00e1tica travada entre China e Estados Unidos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em meio a um processo que descreve como &#8220;reconstru\u00e7\u00e3o&#8221; da pol\u00edtica externa brasileira ap\u00f3s um &#8220;imenso retrocesso&#8221; durate o governo Bolsonaro, Abdenur diz que o Brasil vai precisar manter uma posi\u00e7\u00e3o de &#8220;equidist\u00e2ncia, equil\u00edbrio&#8221; nesse contexto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;N\u00e3o podemos nos alinhar com a China, claro, nem tampouco os Estados Unidos, como fez de maneira ultrajante e vexat\u00f3ria Bolsonaro sob o governo Trump, em que ele se submeteu humildemente aos caprichos, \u00e0s pol\u00edticas, aos preconceitos, \u00e0s ideias reaci\u00f3narias do agora ex-presidente americano&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Diretamente envolvido no lan\u00e7amento da Parceria Estrat\u00e9gica Brasil-China, que lan\u00e7ou as bases para o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre os dois pa\u00edses, em sua \u00e9poca como embaixador em Pequim, o diplomata aposentado e atual conselheiro do CEBRI diz ser &#8220;perfeitamente poss\u00edvel votar contra um pa\u00eds no plano multilateral e preservar com ele uma boa rela\u00e7\u00e3o bilateral&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O Brasil sempre votou contra os Estados Unidos nas quest\u00f5es envolvendo Israel e Palestina e na censura ao injusto embargo econ\u00f4mico contra Cuba&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Seria, portanto, um abandono do alinhamento autom\u00e1tico aos EUA e um retorno \u00e0 tradicional postura de neutralidade por meio do di\u00e1logo que sempre pautou a pol\u00edtica externa brasileira.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"Pol\u00eamicas\" class=\"bbc-1f03ibc eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>Pol\u00eamicas<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">As rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e China ficaram estremecidas no plano pol\u00edtico no governo anterior. Mesmo antes de ser eleito presidente, Bolsonaro fez cr\u00edticas \u00e0 China, ainda durante sua campanha. Os ataques tamb\u00e9m vieram de pessoas pr\u00f3ximas ao presidente, como seus filhos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em fevereiro de 2019, Bolsonaro visitou Taiwan, irritando os chineses \u2014 o pa\u00eds \u00e9 considerado uma &#8220;prov\u00edncia rebelde&#8221; por Pequim.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em novembro de 2020, Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-SP) e filho do ex-presidente, publicou (e depois apagou) mensagem dizendo que o governo brasileiro apoiava uma &#8220;alian\u00e7a global para um 5G seguro, sem espionagem da China&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em comunicado, a embaixada chinesa em Bras\u00edlia falou sobre o governo brasileiro &#8220;arcar com consequ\u00eancias negativas e carregar a responsabilidade hist\u00f3rica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em maio de 2021, Bolsonaro insinuou que a pandemia de coronav\u00edrus seria parte de uma &#8220;guerra biol\u00f3gica&#8221; chinesa e que &#8220;os militares sabem disso&#8221;. Logo depois, o ex-presidente afirmou que o Brasil \u00e9 &#8220;muito importante&#8221; para a China e negou ter citado o pa\u00eds asi\u00e1tico em declara\u00e7\u00e3o sobre a origem do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Uma semana antes, seu ent\u00e3o ministro da Economia, Paulo Guedes, havia dito numa reuni\u00e3o que &#8220;o chin\u00eas inventou o v\u00edrus&#8221;. Posteriormente, pediu desculpas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Cr\u00e9dito: Luis Barrucho \/ BBC News Brasil &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 09\/01\/2023<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi em 2009, pen\u00faltimo ano do segundo mandato de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), agora de volta \u00e0 Presid\u00eancia, que a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos. Desde ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre os dois pa\u00edses ganhou for\u00e7a e se consolidou. 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