{"id":7699,"date":"2016-12-05T00:05:07","date_gmt":"2016-12-05T03:05:07","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=7699"},"modified":"2016-12-04T08:34:56","modified_gmt":"2016-12-04T11:34:56","slug":"moral-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2016\/12\/05\/moral-da-historia\/","title":{"rendered":"Moral da hist\u00f3ria."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Acidentes como o de Medell\u00edn nos revoltam, mas a revolta \u00e9 contra o qu\u00ea? Uma lenda teria sido interrompida antes da consagra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Time pequeno, de pequena cidade do interior, sem grandes jogadores, mas com um esp\u00edrito de equipe irresist\u00edvel, derrota times muitas vezes maiores e chega a um t\u00edtulo consagrador. Com varia\u00e7\u00f5es, j\u00e1 vimos esse filme muitas vezes. A hist\u00f3ria \u00e9 antiga como a de David e Golias e se repete, como fic\u00e7\u00e3o ou, mais raramente, como realidade, atrav\u00e9s do tempo. E sua moral \u00e9 sempre a mesma: n\u00e3o importa o seu tamanho, importa o tamanho do seu sonho. Importa o que um menino com um bodoque ou um time pequeno com seu atrevimento podem contra os poderosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a hist\u00f3ria tem um final tr\u00e1gico como a da Chapecoense, entramos no terreno de outra moral, ou de uma moral sem sentido. A lenda da Chapecoense n\u00e3o era para terminar assim, num avi\u00e3o despeda\u00e7ado no meio do mato. Contra a enormidade da trag\u00e9dia, nada resta para ser entendido, salvo o acaso criminoso e o poder amoral, ou imoral, da morte. Acidentes como o de Medell\u00edn nos revoltam, mas a revolta \u00e9 contra o qu\u00ea? Uma lenda teria sido interrompida antes da consagra\u00e7\u00e3o. A morte coletiva teria estragado a lenda. Moral da hist\u00f3ria: nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terremoto que destruiu Lisboa em 1755 levou muita gente a questionar o Deus cruel que causara tantas mortes. O iluminista Voltaire escreveu, na \u00e9poca, que o terremoto provava que Deus n\u00e3o existia, existia um acaso sem nome e sem respons\u00e1veis. Diante da enormidade da trag\u00e9dia, buscava-se um culpado em meio \u00e0s ru\u00ednas de Lisboa, o que correspondia a buscar uma moral com sentido para o terror. Muitos tornaram-se ateus, mas muitos tamb\u00e9m atribu\u00edram o fato de algumas igrejas da cidade terem resistido ao terremoto a milagres. Diante do inexplic\u00e1vel, as pessoas se apegam a qualquer resto de raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da Chapecoense, a lenda vai sobreviver \u00e0 gratuidade da trag\u00e9dia, e n\u00e3o ser\u00e1 um milagre. Dizem que o clube de Chapec\u00f3 \u00e9 o mais bem administrado do pa\u00eds. O time ser\u00e1 reconstru\u00eddo. E a cidade e o mundo guardar\u00e3o para sempre a lembran\u00e7a daquele time atrevido, que n\u00e3o chegou ao t\u00edtulo, mas chegou \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong><em>Cr\u00e9dito: Artigo publicado no <\/em><em>J<\/em><em>ornal <\/em><em>O Globo<\/em><em> \u2013 dispon\u00edvel na web 0<\/em><em>5<\/em><em>\/12\/2016<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\"><strong>\u00a0Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acidentes como o de Medell\u00edn nos revoltam, mas a revolta \u00e9 contra o qu\u00ea? Uma lenda teria sido interrompida antes da consagra\u00e7\u00e3o Time pequeno, de pequena cidade do interior, sem grandes jogadores, mas com um esp\u00edrito de equipe irresist\u00edvel, derrota times muitas vezes maiores e chega a um t\u00edtulo consagrador. Com varia\u00e7\u00f5es, j\u00e1 vimos esse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5095,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[134],"tags":[],"class_list":{"0":"post-7699","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/carinha_colunista_Verissimo.jpg?fit=220%2C220&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7699\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}