{"id":7800,"date":"2016-12-07T06:50:34","date_gmt":"2016-12-07T09:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=7800"},"modified":"2016-12-07T06:53:30","modified_gmt":"2016-12-07T09:53:30","slug":"demencia-e-intelectualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2016\/12\/07\/demencia-e-intelectualidade\/","title":{"rendered":"Dem\u00eancia e intelectualidade."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>O v\u00ednculo entre o n\u00edvel educacional e a maior chance de se prevenir de males como o Alzheimer<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a de Alzheimer\u00a0\u00e9 a mais comum das dem\u00eancias. Descrita pelo neuropatologista alem\u00e3o Alois Alzheimer, em 1906, ganhou popularidade no fim do s\u00e9culo 20, \u00e9poca em que grandes massas populacionais ultrapassaram os 60 anos de idade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7802\" aria-describedby=\"caption-attachment-7802\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/demencia.jpeg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7802 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/demencia.jpeg?resize=400%2C266\" alt=\"'A velhice \u00e9 rid\u00edcula \u00e9, porventura, a mais triste e derradeira surpresa da natureza humana' (Machado de Assis)\" width=\"400\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/demencia.jpeg?w=400&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/demencia.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7802\" class=\"wp-caption-text\">&#8216;A velhice \u00e9 rid\u00edcula \u00e9, porventura, a mais triste e derradeira surpresa da natureza humana&#8217; (Machado de Assis)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um cont\u00ednuo de sintomas que levam \u00e0 perda da mem\u00f3ria e \u00e0 morte depois de um per\u00edodo vari\u00e1vel, com dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de cerca de seis anos. Menos de 10% dos pacientes sobrevivem mais do que dez anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos est\u00e1gios iniciais, as manifesta\u00e7\u00f5es incluem falta de aten\u00e7\u00e3o, esquecimento de compromissos, de acontecimentos recentes e de onde foram deixados os objetos, e desorienta\u00e7\u00e3o em lugares e ambientes estranhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo, aumenta a dificuldade para gravar informa\u00e7\u00f5es recentes, as confus\u00f5es se acentuam, as conversas se tornam repetitivas e surgem problemas na fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a evolui com comportamento agressivo, ansiedade, del\u00edrios paranoides, defici\u00eancias cognitivas, fadiga, apatia extrema, atrofia muscular, perda de mobilidade e incapacidade de sair da cama e de se alimentar por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>Journal of the American Academy of Medicine<\/em>\u00a0(<em>Jama<\/em>) acaba de publicar um estudo que traz esperan\u00e7a aos mais velhos: o n\u00famero de americanos que desenvolvem Alzheimer est\u00e1 diminuindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo reuniu os dados colhidos em dois inqu\u00e9ritos epidemiol\u00f3gicos: o primeiro conduzido no ano 2000; o segundo, em 2012. Em cada um deles foram avaliadas mais de 10 mil pessoas com pelo menos 65 anos de idade. No estudo do ano 2000, sofriam de Alzheimer ou outro tipo de dem\u00eancia\u00a011,6% dos participantes. Em 2012, esse n\u00famero caiu para 8,8%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nessa queda, John Haaga, diretor do National Institute on Aging, dos Estados Unidos, institui\u00e7\u00e3o que financiou o estudo, calculou que se em 2012 os n\u00fameros tivessem permanecido iguais aos de 2000, teria ocorrido mais de 1 milh\u00e3o de casos de dem\u00eancia a mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a preval\u00eancia diminuiu quase 3% no per\u00edodo, a escolaridade m\u00e9dia dos participantes aumentou de 11,8 para 12,7 anos.\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 consenso para explicar por que a escolaridade exerceria esse efeito protetor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kenneth Langa, professor de Medicina na Universidade de Michigan, autor principal do estudo, atribui o benef\u00edcio ao seguinte mecanismo: \u201cA educa\u00e7\u00e3o modifica o c\u00e9rebro, criando conex\u00f5es mais complexas entre os neur\u00f4nios, de modo a manter o pensamento \u00edntegro at\u00e9 mais tarde, na vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores n\u00e3o afirmam que a educa\u00e7\u00e3o seja o \u00fanico fator capaz de evitar dem\u00eancias. Condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas como hipertens\u00e3o arterial, obesidade, diabetes, colesterol elevado e a presen\u00e7a de doen\u00e7as cardiovasculares constituem fatores de risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhos realizados entre n\u00f3s mostram que as dem\u00eancias s\u00e3o mais prevalentes entre os analfabetos e naqueles com baixa escolaridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por estimular diversas \u00e1reas cerebrais ao mesmo tempo, a\u00a0leitura\u00a0cria conex\u00f5es mais firmes entre os neur\u00f4nios dos centros que armazenam as mem\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre leitura e escolaridade n\u00e3o \u00e9 direta. No Brasil, n\u00e3o s\u00e3o poucos os que cursaram a universidade, mas fogem dos livros como o diabo da cruz.<\/p>\n<p><strong><em>Cr\u00e9dito: Artigo publicado na p\u00e1gina da Revista Carta Capital \u2013 dispon\u00edvel na web 07\/12\/2016<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>\u00a0Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O v\u00ednculo entre o n\u00edvel educacional e a maior chance de se prevenir de males como o Alzheimer A doen\u00e7a de Alzheimer\u00a0\u00e9 a mais comum das dem\u00eancias. 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