{"id":7863,"date":"2016-12-09T04:44:04","date_gmt":"2016-12-09T07:44:04","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=7863"},"modified":"2016-12-09T04:44:04","modified_gmt":"2016-12-09T07:44:04","slug":"odebrecht-delata-caixa-2-em-dinheiro-vivo-para-o-governador-de-sao-paulo-geraldo-alckmin-psdb-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2016\/12\/09\/odebrecht-delata-caixa-2-em-dinheiro-vivo-para-o-governador-de-sao-paulo-geraldo-alckmin-psdb-sp\/","title":{"rendered":"Odebrecht delata caixa 2 em dinheiro vivo para o  Governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP)."},"content":{"rendered":"<p>A Odebrecht afirmou no acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada com a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato que realizou pagamento de caixa dois, em dinheiro vivo, para as campanhas de 2010 e 2014 do governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).<\/p>\n<p>Executivos da empreiteira mencionam duas pessoas pr\u00f3ximas ao governador como intermedi\u00e1rias dos repasses e afirmam que n\u00e3o chegaram a discutir o assunto diretamente com Alckmin.<\/p>\n<p>Segundo a dela\u00e7\u00e3o, R$ 2 milh\u00f5es em esp\u00e9cie foram repassados ao empres\u00e1rio Adhemar Ribeiro, irm\u00e3o da primeira-dama, Lu Alckmin. A entrega do recurso, de acordo com os termos da dela\u00e7\u00e3o, ocorreu no escrit\u00f3rio de Ribeiro, na capital paulista.<\/p>\n<p>Em 2010, o tucano foi eleito no primeiro turno com 50,63% dos votos v\u00e1lidos \u2013o segundo colocado na disputa foi o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT).<\/p>\n<p>Em 2014, o caixa dois para a campanha de reelei\u00e7\u00e3o de Alckmin teve como um dos operadores, segundo a empreiteira, o hoje secret\u00e1rio de Planejamento do governo paulista, Marcos Monteiro, pol\u00edtico de confian\u00e7a do governador.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca das negocia\u00e7\u00f5es dos recursos, ele seria chamado de &#8220;MM&#8221; pelos funcion\u00e1rios da Odebrecht. A\u00a0Folha\u00a0n\u00e3o obteve os valores que teriam sido pagos na campanha para a reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alckmin foi reconduzido ao cargo com 57% dos votos, ficando \u00e0 frente de Paulo Skaf (PMDB), segundo colocado.<\/p>\n<p>Um dos executivos que delataram o caixa dois \u00e9 Carlos Armando Paschoal, o CAP, ex-diretor da Odebrecht em S\u00e3o Paulo e um dos respons\u00e1veis por negociar doa\u00e7\u00f5es eleitorais para pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Ele faz parte do grupo de 77 funcion\u00e1rios da empreiteira que assinaram h\u00e1 duas semanas um acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada com investigadores da Lava Jato.<\/p>\n<p>CAP, como \u00e9 conhecido, tamb\u00e9m fez afirma\u00e7\u00f5es sobre o suposto repasse, revelado pela\u00a0Folha, de\u00a0<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2016\/08\/1799887-jose-serra-recebeu-r-23-mi-via-caixa-2-afirma-odebrecht.shtml\" target=\"_blank\">R$ 23 milh\u00f5es via caixa dois<\/a>\u00a0para a campanha presidencial de 2010 do atual ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Jos\u00e9 Serra (PSDB).<\/p>\n<p>Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicam que n\u00e3o h\u00e1 doa\u00e7\u00f5es diretas da Odebrecht \u00e0 conta da candidatura de Alckmin em 2010 e 2014.<\/p>\n<p>O tribunal registra, em 2010, apenas uma doa\u00e7\u00e3o oficial de R$ 100 mil da Braskem, bra\u00e7o petroqu\u00edmico da empreiteira, \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do PSDB em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>No ano de 2014, foi informada uma doa\u00e7\u00e3o de R$ 200 mil da mesma empresa ao comit\u00ea financeiro da campanha a governador. Esse recurso foi repassado pelo comit\u00ea \u00e0 conta da candidatura do tucano.<\/p>\n<p>O codinome de Alckmin nas listas de propina e caixa dois da empreiteira era &#8220;santo&#8221;, segundo informa\u00e7\u00e3o publicada pela revista &#8220;Veja&#8221; recentemente.<\/p>\n<p>O apelido aparecia associado nas planilhas da Odebrecht apreendidas pela Pol\u00edcia Federal \u00e0 duplica\u00e7\u00e3o da rodovia Mogi-Dutra, uma obra do governo Alckmin de 2002. A palavra &#8220;ap\u00f3stolo&#8221;, escrita originalmente na p\u00e1gina, foi rasurada e trocada por &#8220;santo&#8221;.<\/p>\n<p>O mesmo codinome \u00e9 citado em e-mail de 2004, enviado por Marcio Pelegrino, executivo da Odebrecht que gerenciou a constru\u00e7\u00e3o da linha 4-Amarela do Metr\u00f4, na capital paulista.<\/p>\n<p>Na mensagem, Pelegrino diz que era preciso fazer um repasse de R$ 500 mil para a campanha &#8220;com vistas a nossos interesses locais&#8221;. O executivo afirma que o benefici\u00e1rio do suposto suborno era o &#8220;santo&#8221;.<\/p>\n<p>DEPOIMENTOS<\/p>\n<p>Duas semanas depois de assinar os acordos de leni\u00eancia e de dela\u00e7\u00e3o premiada, a Odebrecht est\u00e1 agora na fase de depoimento dos executivos que firmaram compromisso com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>Os depoimentos come\u00e7aram nesta semana, mas a maioria est\u00e1 prevista para a pr\u00f3xima, incluindo o do herdeiro e ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht.<\/p>\n<p>Segundo investigadores, as oitivas de Marcelo devem durar mais de tr\u00eas dias na sede da Pol\u00edcia Federal em Curitiba, onde ele est\u00e1 preso desde junho de 2015. A expectativa \u00e9 que todos os depoimentos terminem at\u00e9 o fim deste ano.<\/p>\n<p>Pessoas envolvidas na negocia\u00e7\u00e3o relatam uma preocupa\u00e7\u00e3o em dar celeridade \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o dos acordos, ato que valida as tratativas e que precisa ser feito pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavaski. Apenas a partir dessa etapa, os executivos passar\u00e3o a cumprir suas penas.<\/p>\n<p>OUTRO LADO<\/p>\n<p>Procurado pela\u00a0Folha\u00a0para se manifestar sobre a dela\u00e7\u00e3o da Odebrecht, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) afirmou, por meio de sua assessoria, que &#8220;\u00e9 prematura qualquer conclus\u00e3o com base em informa\u00e7\u00f5es vazadas de dela\u00e7\u00f5es n\u00e3o homologadas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Apenas os tesoureiros das campanhas, todos oficiais, foram autorizados pelo governador Geraldo Alckmin a arrecadar fundos dentro do que determina a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral&#8221;, diz nota.<\/p>\n<p>Sobre o codinome &#8220;santo&#8221; que aparece em planilha da Odebrecht, a nota afirmou que o apelido &#8220;aparece em outros documentos oficiais apreendidos na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato referentes aos anos de 2002 e 2004, sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com elei\u00e7\u00f5es disputadas pelo governador Geraldo Alckmin&#8221;.<\/p>\n<p>A assessoria do governo informou que Marcos Monteiro, citado pela Odebrecht como intermedi\u00e1rio de caixa dois na campanha de 2014, foi o tesoureiro daquela campanha.<\/p>\n<p>Em nota, a assessoria de Monteiro disse que ele \u00e9 o tesoureiro do diret\u00f3rio estadual do PSDB h\u00e1 dois anos e &#8220;presta contas do fundo partid\u00e1rio \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral com regularidade&#8221;.<\/p>\n<p>A\u00a0Folha\u00a0entrou em contato com a empresa de Adhemar Ribeiro, cunhado de Alckmin citado pela empreiteira como operador do caixa dois em 2010, e deixou recado sobre o teor da reportagem. Ele n\u00e3o atendeu ao telefonema e nem retornou o contato at\u00e9 a conclus\u00e3o deste texto.<\/p>\n<p>Procurada, a Odebrecht diz que n\u00e3o se manifesta sobre negocia\u00e7\u00e3o com a Justi\u00e7a. Sua assessoria afirmou que a empreiteira &#8220;refor\u00e7a seu compromisso com uma atua\u00e7\u00e3o \u00e9tica, \u00edntegra e transparente, expresso por meio das medidas concretas j\u00e1 adotadas para refor\u00e7ar e ampliar o sistema de conformidade nas empresas do grupo&#8221;.<\/p>\n<p>O acordo de dela\u00e7\u00e3o da Odebrecht era um dos mais aguardados na Lava Jato. Entre os mencionados nas conversas preliminares est\u00e3o o presidente Michel Temer (PMDB), os ex-presidentes Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT), o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores Jos\u00e9 Serra (PSDB), governadores, deputados e senadores.<\/p>\n<p>Detido desde junho do ano passado, Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo, firmou um acordo de pena de dez anos, sendo que\u00a0<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2016\/11\/1828590-marcelo-odebrecht-fica-preso-ate-fim-de-2017-preve-acordo.shtml\" target=\"_blank\">cumprir\u00e1 mais um em regime fechado<\/a>, at\u00e9 o fim de 2017.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da dela\u00e7\u00e3o dos executivos, a empresa fechou um acordo de leni\u00eancia para garantir o direito de continuar sendo contratada pelo poder p\u00fablico. Com isso, retira ainda um entrave \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos junto a institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>A empreiteira Odebrecht se comprometeu a pagar uma multa de R$ 6,7 bilh\u00f5es em 20 anos. O dinheiro ser\u00e1 dividido entre o Brasil, que ficar\u00e1 com pelo menos 70% dos recursos, Estados Unidos e Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Bela Megale de Brasilia\/Folha de S\u00e3o Paulo \u2013 dispon\u00edvel na web 09\/12\/2016<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Odebrecht afirmou no acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada com a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato que realizou pagamento de caixa dois, em dinheiro vivo, para as campanhas de 2010 e 2014 do governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). 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