{"id":80657,"date":"2023-06-12T04:12:48","date_gmt":"2023-06-12T07:12:48","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=80657"},"modified":"2023-06-12T06:12:53","modified_gmt":"2023-06-12T09:12:53","slug":"geracao-nem-nem-e-o-futuro-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2023\/06\/12\/geracao-nem-nem-e-o-futuro-perdido\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o \u2018nem-nem\u2019 e o futuro perdido"},"content":{"rendered":"<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Com milh\u00f5es de jovens brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, sem qualifica\u00e7\u00e3o adequada e fora do mercado de trabalho, o futuro do Pa\u00eds pode estar comprometido se essa amea\u00e7a n\u00e3o for combatida de forma eficaz<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">H\u00e1 alguns anos, uma das maiores chagas do Brasil era o&nbsp;analfabetismo. Em 1950, por exemplo, 50,6% da popula\u00e7\u00e3o de 15 anos ou mais era analfabeta. As coisas t\u00eam mudado, apesar das enormes defici\u00eancias do ensino no Brasil.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">O analfabetismo vem caindo entre os mais jovens, hoje est\u00e1 em 5,6%. Talvez uma explica\u00e7\u00e3o para essa melhora seja o uso intensivo do smartphone. Para escrever e ler mensagens no WhatsApp \u00e9 preciso conhecimento, ainda que rudimentar, da escrita. Muita gente ainda escreve de forma atropelada, confusa e com muitos erros, mas j\u00e1 se comunica por escrito.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">O maior problema nessa \u00e1rea \u00e9 agora a gera\u00e7\u00e3o \u201cnem-nem\u201d, a mo\u00e7ada que n\u00e3o trabalha nem estuda. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua \u2013 Educa\u00e7\u00e3o 2022, divulgada h\u00e1 dias pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mostrou que 9,8 milh\u00f5es de pessoas na faixa de 15 aos 29 anos est\u00e3o nessa categoria.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Lamentar n\u00e3o basta; \u00e9 preciso agir. ParaRodrigo Dib, superintendente Institucional do Centro de Integra\u00e7\u00e3o Empresa-Escola (CIEE), al\u00e9m de mostrarem que o Brasil vem falhando em garantir educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e qualifica\u00e7\u00e3o adequada para toda uma gera\u00e7\u00e3o, esses n\u00fameros revelam como a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes pode tornar o futuro ainda mais incerto.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">\u00c9 cen\u00e1rio que n\u00e3o s\u00f3 amplia as&nbsp;desigualdades&nbsp;cr\u00f4nicas no Brasil, como tamb\u00e9m produz outras graves consequ\u00eancias. O baixo n\u00edvel educacional da popula\u00e7\u00e3o jovem&nbsp;derruba diretamente os \u00edndices de produtividade do Pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 como tornar as empresas locais competitivas e exportadoras, se milh\u00f5es de jovens n\u00e3o contam com forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima, s\u00e3o jogados na informalidade ou exercem atividades pouco desafiadoras e sem perspectiva.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Fernando de Holanda Barbosa, pesquisador s\u00eanior do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), acrescenta que qualquer a\u00e7\u00e3o que promova a qualifica\u00e7\u00e3o de jovens no Brasil que n\u00e3o esteja alinhada com o mercado de trabalho ser\u00e1 desperd\u00edcio de recursos. Isso exige&nbsp;ampla reforma educacional, revis\u00e3o da pol\u00edtica nacional de educa\u00e7\u00e3o profissional e tecnol\u00f3gica e cria\u00e7\u00e3o de instrumentos que requalifiquem e treinem pessoal. Como poder\u00e1 esse trabalhador pilotar equipamentos de tecnologia avan\u00e7ada, se n\u00e3o tiver preparo m\u00ednimo para isso?<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">\u201cO mercado est\u00e1 cada vez mais competitivo, e preparar esses jovens para ocupa\u00e7\u00f5es em que ser\u00e1 demandada uma qualifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ser\u00e1 fundamental para o futuro do Pa\u00eds\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Dib sugere melhora na Lei de Aprendizagem que garanta trabalho para os mais jovens, a partir do fortalecimento do&nbsp;Programa Jovem Aprendiz.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">O Brasil conta com cerca de 450 mil jovens aprendizes, mas esse n\u00famero poderia ser muito superior se houvesse melhor divulga\u00e7\u00e3o do programa e, principalmente, fiscaliza\u00e7\u00e3o que obrigasse as empresas a cumprir a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">O superintendente do CIEE pontua tamb\u00e9m que \u00e9 preciso empenho para realizar mudan\u00e7as que desburocratizem as contrata\u00e7\u00f5es para ampliar o n\u00famero de vagas que v\u00e3o ajudar a diminuir esses \u00edndices \u2013 j\u00e1 que a legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea emprego formal e capacita\u00e7\u00e3o profissional para o p\u00fablico jovem.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Mas n\u00e3o basta isso. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, criar pol\u00edticas destinadas a incluir os mais vulner\u00e1veis no mercado de trabalho. Mesmo que contem com melhor forma\u00e7\u00e3o, asmulheres est\u00e3o entre as mais prejudicadas com a falta de oportunidades. Da mesma forma, o baixo acesso dos jovens negros \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es remuneradas n\u00e3o se explica apenas pela falta de experi\u00eancia ou pela baixa forma\u00e7\u00e3o desse segmento social.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Dos 7,1 milh\u00f5es de jovens de 14 a 24 anos que n\u00e3o estudam nem trabalham, 60% s\u00e3o mulheres, a maioria com filhos pequenos; e 68% s\u00e3o pretos ou pardos, segundo levantamento recente sobre empregabilidade de jovens no Brasil realizado pelo<strong>&nbsp;<\/strong>Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Grande parte desses problemas demanda solu\u00e7\u00f5es que precisam partir dos governos e do setor p\u00fablico \u2013 o que torna a situa\u00e7\u00e3o ainda mais cr\u00edtica. N\u00e3o s\u00f3 com a palavra, mas, tamb\u00e9m, com a\u00e7\u00e3o. O governo Lula, que se elegeu prometendo colocar o pobre no&nbsp;Or\u00e7amento, precisa mostrar a que veio.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Celso Ming com Plabo Santana\/ O Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 12\/06\/2023<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_80660\" aria-describedby=\"caption-attachment-80660\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-80660\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/transferir.png?resize=600%2C336\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"336\"><figcaption id=\"caption-attachment-80660\" class=\"wp-caption-text\">@reprodu\u00e7\u00e3o internet estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com milh\u00f5es de jovens brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, sem qualifica\u00e7\u00e3o adequada e fora do mercado de trabalho, o futuro do Pa\u00eds pode estar comprometido se essa amea\u00e7a n\u00e3o for combatida de forma eficaz H\u00e1 alguns anos, uma das maiores chagas do Brasil era o&nbsp;analfabetismo. Em 1950, por exemplo, 50,6% da popula\u00e7\u00e3o de 15 anos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":80658,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-80657","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pri_0611_nemnem-26797464.webp?fit=1200%2C1258&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80657"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80657\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80663,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80657\/revisions\/80663"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80658"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}