{"id":81082,"date":"2023-06-30T04:11:36","date_gmt":"2023-06-30T07:11:36","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=81082"},"modified":"2023-06-30T07:22:04","modified_gmt":"2023-06-30T10:22:04","slug":"e-real-ou-imaginado-como-seu-cerebro-sabe-a-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2023\/06\/30\/e-real-ou-imaginado-como-seu-cerebro-sabe-a-diferenca\/","title":{"rendered":"\u00c9 real ou imaginado? Como seu c\u00e9rebro sabe a diferen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Novos experimentos mostram que o c\u00e9rebro distingue entre imagens percebidas e imaginadas verificando se elas cruzam um \u2018limiar de realidade\u2019<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Esses n\u00e3o s\u00e3o apenas versos de&nbsp;<em>Bohemian Rhapsody<\/em>, m\u00fasica do Queen. S\u00e3o tamb\u00e9m as perguntas a que o&nbsp;<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/ciencia\/fernando-reinach\/uma-nova-teoria-de-como-funciona-o-cerebro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">c\u00e9rebro<\/a><\/span>&nbsp;precisa responder o tempo todo ao processar fluxos de sinais visuais dos olhos e imagens puramente mentais que ficam borbulhando na imagina\u00e7\u00e3o. Estudos de varredura cerebral conclu\u00edram repetidas vezes que ver algo e imaginar algo gera padr\u00f5es de atividade neural muito semelhantes. Mas, para a maioria de n\u00f3s, as experi\u00eancias subjetivas que se produzem s\u00e3o muito diferentes.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">\u201cSe quiser, posso olhar pela janela agora e imaginar um unic\u00f3rnio galopando na rua\u201d, disse Thomas Naselaris, professor associado da Universidade de Minnesota. A rua pareceria de verdade e o unic\u00f3rnio, n\u00e3o. \u201c\u00c9 muito claro para mim\u201d, disse ele. Saber que os unic\u00f3rnios s\u00e3o figuras m\u00edticas quase n\u00e3o tem a ver com isso: um simples cavalo branco imagin\u00e1rio pareceria igualmente irreal.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Mas ent\u00e3o, \u201cpor que n\u00e3o estamos sempre alucinando?\u201d, perguntou Nadine Dijkstra, p\u00f3s-doutoranda da University College London. Um estudo que ela liderou, publicado recentemente na&nbsp;<em>Nature Communications<\/em>, traz uma resposta intrigante: o c\u00e9rebro avalia as imagens que est\u00e1 processando segundo um \u201climiar de realidade\u201d. Se o sinal cruza o limiar, o c\u00e9rebro pensa que \u00e9 real; se n\u00e3o cruza, o c\u00e9rebro pensa que \u00e9 imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Esse sistema funciona bem na maioria das vezes porque os sinais imagin\u00e1rios geralmente s\u00e3o fracos. Mas, se um sinal imaginado \u00e9 forte o suficiente para cruzar o limiar, o c\u00e9rebro o interpreta como realidade.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Embora o c\u00e9rebro seja muito competente para avaliar as imagens da mente, parece que \u201cesse tipo de verifica\u00e7\u00e3o da realidade \u00e9 um grande desafio\u201d, disse Lars Muckli, professor de neuroci\u00eancias visuais e cognitivas da Universidade de Glasgow. As novas descobertas levantam quest\u00f5es sobre se varia\u00e7\u00f5es ou altera\u00e7\u00f5es nesse sistema podem levar a alucina\u00e7\u00f5es, pensamentos intrusivos ou mesmo sonhos.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">\u201cEles fizeram um \u00f3timo trabalho, na minha opini\u00e3o, ao pegar uma quest\u00e3o sobre a qual os fil\u00f3sofos v\u00eam debatendo h\u00e1 s\u00e9culos e definir modelos com resultados previs\u00edveis e test\u00e1veis\u201d, disse Naselaris.<\/p>\n<div class=\"styles__IntertitleWrapper-sc-1mcv1te-0 iOVxiD intertitle-wrapper\">\n<h4><strong>Quando percep\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o se misturam<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">O estudo de imagens imaginadas de Dijkstra nasceu nos primeiros dias da pandemia de covid-19, quando quarentenas e lockdowns interromperam sua agenda de trabalho. Entediada, ela come\u00e7ou a ler a literatura cient\u00edfica sobre imagina\u00e7\u00e3o \u2013 e depois passou horas vasculhando artigos em busca de relatos hist\u00f3ricos sobre como cientistas fizeram experimentos acerca de um conceito t\u00e3o abstrato. Foi assim que ela se deparou com um estudo de 1910 conduzido pela psic\u00f3loga Mary Cheves West Perky.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Perky pediu aos participantes que imaginassem frutas enquanto olhavam para uma parede em branco. Nesse momento, ela secretamente projetava na parede imagens bem fracas dessas frutas \u2013 t\u00e3o fracas que quase n\u00e3o eram vis\u00edveis \u2013 e perguntava aos participantes se eles estavam vendo alguma coisa. Nenhum deles pensou ter visto algo real, embora tenham comentado como sua imagem imaginada parecia v\u00edvida. \u201cSe eu n\u00e3o soubesse que estava imaginando, teria pensado que era de verdade\u201d, disse um participante.<\/p>\n<figure class=\"styles__FigureImageWrapper-b6bp58-0 dVDQKl figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\">\n<figure style=\"width: 936px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.estadao.com.br\/resizer\/Y7rr9fps_ZGnY58DTGU4ldT6Zto%3D\/936x0\/filters%3Aformat%28jpg%29%3Aquality%2880%29\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/MVLXU4IBP5CFTHFCGJDHPQEHIU.jpg?resize=696%2C923&#038;ssl=1\" alt=\"Um estudo de 1910 da psic\u00f3loga Mary Cheves West Perky descobriu que, quando nossas percep\u00e7\u00f5es correspondem ao que estamos imaginando, assumimos que suas entradas s\u00e3o imagin\u00e1rias.\" width=\"696\" height=\"923\" data-srcset=\"\/resizer\/NxKd-f1PqgrVqQ3ANLkWO4ZqJH8=\/380x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/MVLXU4IBP5CFTHFCGJDHPQEHIU.jpg 768w, \/resizer\/U0gdXFVkLhksnMHSD5A_xSW4HXA=\/768x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/MVLXU4IBP5CFTHFCGJDHPQEHIU.jpg 1024w, \/resizer\/Y7rr9fps_ZGnY58DTGU4ldT6Zto=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/MVLXU4IBP5CFTHFCGJDHPQEHIU.jpg 1322w\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Um estudo de 1910 da psic\u00f3loga Mary Cheves West Perky descobriu que, quando nossas percep\u00e7\u00f5es correspondem ao que estamos imaginando, assumimos que suas entradas s\u00e3o imagin\u00e1rias. Foto: https:\/\/doi.org\/10.2307\/1413350<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">A conclus\u00e3o de Perky foi: quando nossa percep\u00e7\u00e3o de algo corresponde ao que sabemos que estamos imaginando, conclu\u00edmos que \u00e9 imagin\u00e1rio. Com o tempo, essa conclus\u00e3o veio a ser conhecida na psicologia como o Efeito Perky. \u201c\u00c9 um grande cl\u00e1ssico\u201d, disse Bence Nanay, professor de psicologia filos\u00f3fica da Universidade de Antu\u00e9rpia. Virou uma esp\u00e9cie de \u201ccoisa obrigat\u00f3ria para quem escreve sobre imagens dar pitacos a respeito do experimento de Perky\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Na d\u00e9cada de 1970, a pesquisadora de psicologia Sydney Joelson Segal renovou o interesse pelo trabalho de Perky atualizando e modificando o experimento. Em um estudo subsequente, Segal pediu aos participantes que imaginassem algo, como o horizonte da cidade de Nova York, enquanto projetava algo mais fraco na parede \u2013 como um tomate. O que os participantes viram foi uma mistura da imagem imaginada com a real, como o horizonte da cidade de Nova York ao p\u00f4r do sol. As descobertas de Segal sugeriram que a percep\u00e7\u00e3o e a imagina\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes podem \u201cse misturar, literalmente\u201d, disse Nanay.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Nem todos os estudos que visavam replicar as descobertas de Perky foram bem-sucedidos. Alguns deles fizeram testes repetidos com os participantes, o que confundiu os resultados: quando as pessoas sabem o que voc\u00ea est\u00e1 tentando testar, elas tendem a mudar as respostas para o que acham que \u00e9 correto, disse Naselaris.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Ent\u00e3o Dijkstra, sob a dire\u00e7\u00e3o de Steve Fleming, especialista em metacogni\u00e7\u00e3o da University College London, montou uma vers\u00e3o moderna do experimento que evitou o problema. Em seu estudo, os participantes n\u00e3o tiveram a chance de editar suas respostas porque foram testados apenas uma vez. O trabalho modelou e examinou o Efeito Perky e duas outras hip\u00f3teses concorrentes sobre como o c\u00e9rebro diferencia a realidade da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"styles__IntertitleWrapper-sc-1mcv1te-0 iOVxiD intertitle-wrapper\">\n<h4><strong>Redes de avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Uma dessas hip\u00f3teses diz que o c\u00e9rebro usa as mesmas redes para a realidade e a imagina\u00e7\u00e3o, mas que os exames cerebrais de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional n\u00e3o t\u00eam resolu\u00e7\u00e3o alta o suficiente para os neurocientistas discernirem as diferen\u00e7as na maneira como as redes s\u00e3o usadas. Um dos estudos de Muckli, por exemplo, sugere que no c\u00f3rtex visual do c\u00e9rebro, respons\u00e1vel por processar as imagens, as experi\u00eancias imagin\u00e1rias s\u00e3o codificadas em uma camada mais superficial do que as experi\u00eancias reais.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Diante das imagens funcionais do c\u00e9rebro, \u201cficamos apertando os olhos\u201d, disse Muckli. Dentro de cada equivalente a um pixel em uma varredura cerebral, existem cerca de mil neur\u00f4nios, e n\u00e3o conseguimos enxergar o que cada um est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">A outra hip\u00f3tese, sugerida por estudos conduzidos por Joel Pearson na Universidade de New South Wales, \u00e9 que os mesmos caminhos no c\u00e9rebro codificam tanto a imagina\u00e7\u00e3o quanto a percep\u00e7\u00e3o, mas a imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas uma forma mais fraca de percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Durante os lockdowns pand\u00eamicos, Dijkstra e Fleming recrutaram pessoas para um estudo online. Quatrocentos participantes foram instru\u00eddos a olhar para uma s\u00e9rie de imagens cheias de est\u00e1tica e imaginar linhas diagonais inclinadas para a direita ou para a esquerda. Entre cada tentativa, solicitou-se aos participantes que avaliassem o qu\u00e3o v\u00edvidas eram as imagens em uma escala de 1 a 5. O que os participantes n\u00e3o sabiam era que, na \u00faltima tentativa, os pesquisadores aumentavam lentamente a intensidade de uma imagem fraca de linhas diagonais projetadas \u2013 inclinadas na dire\u00e7\u00e3o que os participantes deveriam imaginar ou na dire\u00e7\u00e3o oposta. Os pesquisadores ent\u00e3o perguntavam aos participantes se o que eles estavam vendo era real ou imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Dijkstra esperava encontrar o Efeito Perky \u2013 esperava que, quando a imagem imaginada combinasse com a projetada, os participantes vissem a proje\u00e7\u00e3o como produto de sua imagina\u00e7\u00e3o. Em vez disso, os participantes foram muito mais propensos a pensar que a imagem estava l\u00e1 de verdade.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">No entanto, houve pelo menos um eco do Efeito Perky nos resultados: os participantes que pensaram que a imagem estava l\u00e1 a viram com mais vividez do que os participantes que pensaram que era tudo imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Em um segundo experimento, Dijkstra e sua equipe n\u00e3o projetaram imagens durante o \u00faltimo teste. Mas o resultado foi o mesmo: as pessoas que classificaram o que estavam vendo como mais v\u00edvido tamb\u00e9m foram mais propensas a classific\u00e1-lo como real.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">As observa\u00e7\u00f5es sugerem que as imagens imaginadas e as percebidas de fato se misturam, disse Dijkstra. \u201cQuando esse sinal misto \u00e9 bem forte ou v\u00edvido, pensamos que reflete a realidade\u201d. \u00c9 prov\u00e1vel que haja algum limite acima do qual os sinais visuais pare\u00e7am reais para o c\u00e9rebro e abaixo do qual eles pare\u00e7am imagin\u00e1rios, disse ela. Mas tamb\u00e9m pode haver um continuum mais gradual.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Para saber o que est\u00e1 acontecendo dentro de um c\u00e9rebro que tenta distinguir a realidade da imagina\u00e7\u00e3o, os pesquisadores reanalisaram as varreduras cerebrais de um estudo anterior, no qual 35 participantes imaginaram e perceberam vividamente v\u00e1rias imagens, de galos a regadores.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Fazendo compara\u00e7\u00f5es com outros estudos, eles descobriram que os padr\u00f5es de atividade no c\u00f3rtex visual nos dois cen\u00e1rios eram muito semelhantes. \u201cAs imagens v\u00edvidas s\u00e3o mais parecidas com a percep\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o est\u00e1 muito claro se a percep\u00e7\u00e3o fraca \u00e9 mais parecida com as imagens\u201d, disse Dijkstra. Havia ind\u00edcios de que olhar para uma imagem fraca poderia produzir um padr\u00e3o semelhante ao da imagina\u00e7\u00e3o, mas as diferen\u00e7as n\u00e3o eram significativas e precisam ser examinadas mais a fundo.<\/p>\n<figure class=\"styles__FigureImageWrapper-b6bp58-0 dVDQKl figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\">\n<figure style=\"width: 936px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.estadao.com.br\/resizer\/66apyGIm413wXBzBIwp_X-lspUc%3D\/936x0\/filters%3Aformat%28jpg%29%3Aquality%2880%29\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/ZUGDUDHIAJCLRDZG66RMZRFSRA.jpg?resize=696%2C366&#038;ssl=1\" alt=\"Varreduras da fun\u00e7\u00e3o cerebral mostram que imagens imaginadas e percebidas desencadeiam padr\u00f5es de atividade semelhantes, mas os sinais s\u00e3o mais fracos para os imaginados (\u00e0 esquerda).\" width=\"696\" height=\"366\" data-srcset=\"\/resizer\/eHpxu4-oR1-m5kyUcAwQA9Y9t9I=\/380x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/ZUGDUDHIAJCLRDZG66RMZRFSRA.jpg 768w, \/resizer\/XM1LwimCUKY-G0bFtBrl_MDflYA=\/768x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/ZUGDUDHIAJCLRDZG66RMZRFSRA.jpg 1024w, \/resizer\/66apyGIm413wXBzBIwp_X-lspUc=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/ZUGDUDHIAJCLRDZG66RMZRFSRA.jpg 1322w\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Varreduras da fun\u00e7\u00e3o cerebral mostram que imagens imaginadas e percebidas desencadeiam padr\u00f5es de atividade semelhantes, mas os sinais s\u00e3o mais fracos para os imaginados (\u00e0 esquerda). Foto: Nadine Dijkstra<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">O que est\u00e1 claro \u00e9 que o c\u00e9rebro tem de ser capaz de regular com precis\u00e3o a for\u00e7a de uma imagem mental para evitar confus\u00e3o entre fantasia e realidade. \u201cO c\u00e9rebro precisa realizar esse ato de equil\u00edbrio muito cuidadoso\u201d, disse Naselaris. \u201cEm certo sentido, ele interpreta as imagens mentais t\u00e3o literalmente quanto interpreta as imagens visuais\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Eles descobriram que a for\u00e7a do sinal pode ser lida ou regulada no c\u00f3rtex frontal, que analisa emo\u00e7\u00f5es e mem\u00f3rias (entre outras fun\u00e7\u00f5es). Mas ainda n\u00e3o est\u00e1 claro o que determina a vividez de uma imagem mental ou a diferen\u00e7a entre a for\u00e7a do sinal da imagem e o limiar de realidade. Pode ser um neurotransmissor, ou altera\u00e7\u00f5es nas conex\u00f5es neuronais ou algo totalmente diferente, disse Naselaris.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Pode at\u00e9 ser um subconjunto diferente e n\u00e3o identificado de neur\u00f4nios que define o limiar de realidade e dita se um sinal deve seguir por um caminho para imagens imagin\u00e1rias ou um caminho para imagens genuinamente percebidas \u2013 uma descoberta que juntaria a primeira e a terceira hip\u00f3teses, disse Muckli.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Embora as descobertas sejam diferentes de seus resultados, que sustentam a primeira hip\u00f3tese, Muckli gosta da linha de racioc\u00ednio delas. \u00c9 um \u201cartigo animador\u201d, disse ele. \u00c9 uma \u201cconclus\u00e3o intrigante\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Mas a imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que envolve muito mais do que apenas olhar para algumas linhas em um fundo de est\u00e1tica, disse Peter Tse, professor de neuroci\u00eancia cognitiva no Dartmouth College. Imagina\u00e7\u00e3o, disse ele, \u00e9 a capacidade de ver o que tem na geladeira e decidir o que fazer para o jantar, ou (se voc\u00ea for os irm\u00e3os Wright) pegar uma h\u00e9lice, espet\u00e1-la em uma asa e imagin\u00e1-la voando.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">As diferen\u00e7as entre as descobertas de Perky e as de Dijkstra podem ser inteiramente atribu\u00eddas a diferen\u00e7as em seus procedimentos. Mas elas tamb\u00e9m sugerem outra possibilidade: talvez estejamos percebendo o mundo de maneira diferente de nossos ancestrais.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Seu estudo n\u00e3o se concentrou na cren\u00e7a na realidade de uma imagem, foi mais sobre a \u201csensa\u00e7\u00e3o\u201d da realidade, disse Dijkstra. Os autores especulam que, como imagens projetadas, v\u00eddeos e outras representa\u00e7\u00f5es da realidade s\u00e3o comuns no s\u00e9culo 21, nossos c\u00e9rebros podem ter aprendido a avaliar a realidade de maneira um pouco diferente do que as pessoas faziam apenas um s\u00e9culo atr\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Embora os participantes desse experimento \u201cn\u00e3o esperassem ver algo, ainda seria algo mais prov\u00e1vel do que se voc\u00ea vivesse em 1910 e nunca tivesse visto um projetor na vida\u201d, disse Dijkstra. Hoje, o limiar de realidade provavelmente \u00e9 muito menor do que no passado, ent\u00e3o talvez seja necess\u00e1ria uma imagem imaginada muito mais v\u00edvida para ultrapassar o limiar e confundir o c\u00e9rebro.<\/p>\n<div class=\"styles__IntertitleWrapper-sc-1mcv1te-0 iOVxiD intertitle-wrapper\">\n<h4><strong>Uma base para alucina\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">As descobertas abrem quest\u00f5es sobre se o mecanismo pode ser relevante para uma ampla gama de problemas nos quais a diferen\u00e7a entre imagina\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o se dissolve. Dijkstra especula, por exemplo, que, quando as pessoas come\u00e7am a cair no sono e a realidade come\u00e7a a se misturar com o mundo dos sonhos, seu limiar de realidade pode estar diminuindo. Em transtornos como a esquizofrenia, onde h\u00e1 um \u201ccolapso geral da realidade\u201d, talvez haja um problema de calibragem, disse Dijkstra.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">\u201cNa psicose, pode ser que as imagens sejam t\u00e3o boas que atingem esse limiar, ou pode ser que o limiar esteja errado\u201d, disse Karolina Lempert, professora assistente de psicologia na Universidade Adelphi, que n\u00e3o esteve envolvida no estudo. Alguns estudos descobriram que, em pessoas que alucinam, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de hiperatividade sensorial, o que sugere que o sinal da imagem \u00e9 mais intenso. Mas \u00e9 necess\u00e1rio fazer mais pesquisas para estabelecer o mecanismo pelo qual surgem as alucina\u00e7\u00f5es, acrescentou ela. \u201cAfinal, a maioria das pessoas que experimentam imagens v\u00edvidas n\u00e3o tem alucina\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Nanay acha que seria interessante estudar os limiares de realidade de pessoas que t\u00eam hiperfantasia, uma imagina\u00e7\u00e3o extremamente v\u00edvida que muitas vezes as faz confundir fantasia e realidade. Da mesma forma, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas sofrem de experi\u00eancias imagin\u00e1rias muito fortes que sabem que n\u00e3o s\u00e3o reais, como alucina\u00e7\u00f5es com drogas ou sonhos l\u00facidos. Em problemas como o transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, as pessoas geralmente \u201ccome\u00e7am a ver coisas que n\u00e3o queriam ver\u201d, que parecem mais reais do que deveriam, disse Dijkstra.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Alguns desses problemas podem ter a ver com falhas nos mecanismos cerebrais que normalmente ajudam a fazer essas distin\u00e7\u00f5es. Dijkstra acha que pode ser proveitoso olhar para os limiares de realidade de pessoas que t\u00eam afantasia, a incapacidade de imaginar conscientemente imagens mentais.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">mecanismos pelos quais o c\u00e9rebro distingue o que \u00e9 real do que \u00e9 imagin\u00e1rio tamb\u00e9m podem ter a ver com a forma como ele distingue entre imagens reais e falsas (n\u00e3o aut\u00eanticas). Em um mundo onde as simula\u00e7\u00f5es est\u00e3o se aproximando da realidade, distinguir entre imagens reais e falsas ser\u00e1 cada vez mais desafiador, disse Lempert. \u201cAcho que talvez seja uma quest\u00e3o mais importante do que nunca\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Dijkstra e sua equipe agora est\u00e3o trabalhando para adaptar seu experimento para funcionar em um scanner cerebral. \u201cAgora que o lockdown acabou, quero dar uma olhada nos c\u00e9rebros de novo\u201d, disse ela.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Com o tempo, ela espera descobrir se \u00e9 poss\u00edvel manipular esse sistema para deixar a imagina\u00e7\u00e3o mais real. Por exemplo, realidade virtual e implantes neurais est\u00e3o sendo cogitados para tratamentos m\u00e9dicos, como ajudar cegos a voltar a enxergar. A capacidade de fazer com que as experi\u00eancias pare\u00e7am mais ou menos reais, disse ela, pode ser muito importante para essas aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, visto que a realidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">\u201cDentro do nosso cr\u00e2nio, tudo \u00e9 inventado\u201d, disse Muckli. \u201cConstru\u00edmos todo o mundo, com toda a sua riqueza de detalhes, cores, sons, conte\u00fado e emo\u00e7\u00e3o. Tudo isso \u00e9 criado por nossos neur\u00f4nios\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\">Isso significa que a realidade de uma pessoa \u00e9 diferente da realidade de outra, disse Dijkstra: \u201cA linha entre imagina\u00e7\u00e3o e realidade \u00e9 bem t\u00eanue\u201d.<strong>&nbsp;\/ <\/strong>TRADU\u00c7\u00c3O DE RENATO PRELORENTZOU<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-rhi54a-0 bUErhD\"><em>Hist\u00f3ria original republicada com permiss\u00e3o da Quanta Magazine, uma publica\u00e7\u00e3o editorialmente independente apoiada pela Simons Foundation. Leia o conte\u00fado original em&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.quantamagazine.org\/is-it-real-or-imagined-how-your-brain-tells-the-difference-20230524\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Is It Real or Imagined? How Your Brain Tells the Difference.<\/em><\/a><\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: &nbsp;Yasemin Saplakoglu\/ Quanta Magazine no O Esrad de S\u00e3o Paulo &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 30\/06\/2023<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novos experimentos mostram que o c\u00e9rebro distingue entre imagens percebidas e imaginadas verificando se elas cruzam um \u2018limiar de realidade\u2019 Esses n\u00e3o s\u00e3o apenas versos de&nbsp;Bohemian Rhapsody, m\u00fasica do Queen. S\u00e3o tamb\u00e9m as perguntas a que o&nbsp;c\u00e9rebro&nbsp;precisa responder o tempo todo ao processar fluxos de sinais visuais dos olhos e imagens puramente mentais que ficam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":81083,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-81082","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/GN6KDQC46NDOFJ7WK6A4PZL5RE.jpg?fit=1440%2C810&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81082"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81084,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81082\/revisions\/81084"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}