{"id":82584,"date":"2023-08-31T04:15:03","date_gmt":"2023-08-31T07:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=82584"},"modified":"2023-08-30T18:54:40","modified_gmt":"2023-08-30T21:54:40","slug":"estudo-analisou-produtos-vendidos-em-supermercados-e-constatou-excesso-de-sodio-gordura-e-acucar-ou-outros-aditivos-em-quase-todos-eles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2023\/08\/31\/estudo-analisou-produtos-vendidos-em-supermercados-e-constatou-excesso-de-sodio-gordura-e-acucar-ou-outros-aditivos-em-quase-todos-eles\/","title":{"rendered":"Estudo analisou produtos vendidos em supermercados e constatou excesso de s\u00f3dio, gordura e a\u00e7\u00facar ou outros aditivos em quase todos eles."},"content":{"rendered":"<h4 class=\"sc-eflkNB gqTvkE sc-czCoYo hdDTRO\"><em><strong>98% dos ultraprocessados no Brasil t\u00eam ingredientes nocivos<\/strong><\/em><\/h4>\n<p class=\"sc-gisvNi sc-bYUneI ePeZBy cwSBZS sc-cIfaPD bsvSn teaser-text\">Estudo analisou 10 mil produtos vendidos em supermercados e constatou excesso de s\u00f3dio, gordura e a\u00e7\u00facar ou outros aditivos em quase todos eles.<\/p>\n<p>Considerados vil\u00f5es da sa\u00fade, s\u00f3dio, gorduras e a\u00e7\u00facares livres em excesso, al\u00e9m de aditivos que real\u00e7am cor, sabor ou textura est\u00e3o em 98,8% dos alimentos ultraprocessados dispon\u00edveis nos supermercados brasileiros. Esta \u00e9 a principal conclus\u00e3o de um estudo desenvolvido pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com o N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da Universidade de S\u00e3o Paulo (Nupens-USP), com colabora\u00e7\u00e3o de outras institui\u00e7\u00f5es, publicado nesta quarta-feira (30\/08) no peri\u00f3dico&nbsp;<em>Scientific Reports<\/em>.<\/p>\n<p>Foram analisados 10 mil produtos considerados ultraprocessados \u2014 ou seja, aqueles que, segundo o Nupens na chamada Classifica\u00e7\u00e3o Nova, &#8220;n\u00e3o s\u00e3o propriamente alimentos, mas, sim, formula\u00e7\u00f5es de subst\u00e2ncias obtidas por meio do fracionamento de alimentos&#8221;. Entre eles est\u00e3o refrigerantes, salgadinhos de pacote, p\u00e3es e outros panificados embalados, margarina, bolachas, doces, chocolates, cereais matinais e misturas para a prepara\u00e7\u00e3o de bebidas com sabor frutas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores verificaram os alimentos embalados dispon\u00edveis em grandes redes de supermercados, seguindo a l\u00f3gica, como explica a nutricionista Daniela Canella, pesquisadora da Uerj e autora principal do artigo, &#8220;de que a maior parte dos alimentos s\u00e3o adquiridos em supermercados&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, 97,1% dos alimentos classificados como ultraprocessados t\u00eam pelo menos um ingrediente cr\u00edtico em excesso \u2014 s\u00f3dio, gorduras e a\u00e7\u00facares livres. &#8220;O consumo excessivo desses componentes est\u00e1 associado ao desenvolvimento de obesidade e diversas outras doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como diabetes, hipertens\u00e3o e doen\u00e7as cardiovasculares&#8221;, alerta Canella.<\/p>\n<p>J\u00e1 os chamados aditivos cosm\u00e9ticos \u2014 ingredientes utilizados para real\u00e7ar a cor, o sabor ou a textura \u2014 est\u00e3o presentes em 82,1% dos produtos. &#8220;\u00c9 mais dif\u00edcil estudar o efeito isolado de cada aditivo ou o combinado de diferentes aditivos do que estudar o efeito de nutrientes cr\u00edticos na sa\u00fade. Mas existem evid\u00eancias da rela\u00e7\u00e3o entre corantes e desenvolvimento de alergias e de transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o com hiperatividade, emulsificantes com altera\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal, nitritos e desenvolvimento de c\u00e2ncer&#8221;, enumera a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9 que, apesar dos aditivos utilizados serem aprovados pela, as ind\u00fastrias n\u00e3o tem que informar nos r\u00f3tulos a quantidade utilizada em cada produto. Com o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, \u00e9 poss\u00edvel que o consumo esteja excedendo a ingest\u00e3o di\u00e1ria aceit\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Com a sobreposi\u00e7\u00e3o desses dois pontos \u2014 o percentual de alimentos com ingredientes cr\u00edticos em excesso e aqueles com aditivos cosm\u00e9ticos \u2014 os pesquisadores chegaram ao alarmante \u00edndice de 98,8% de alimentos com potencial para causar problemas, uma vez que h\u00e1 alimentos que apresentam as duas caracter\u00edsticas e outros que t\u00eam apenas uma delas.<\/p>\n<h4><strong>Preocupa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria<\/strong><\/h4>\n<p>Para a engenheira de alimentos Cristina Leonhardt, fundadora da plataforma Sra Inovadeira, esse cen\u00e1rio \u00e9 consequ\u00eancia do modus operandi da ind\u00fastria aliment\u00edcia no Brasil. &#8220;A perspectiva do desenvolvimento de produtos aqui n\u00e3o \u00e9 necessariamente da nutri\u00e7\u00e3o, mas sim da engenharia de alimentos&#8221;, explica ela, que trabalhou por mais de 15 anos na ind\u00fastria do setor. &#8220;Esta \u00e9 muito atrelada a entregar para o consumidor aquele alimento \u2018perfeito&#8217; para ele, nas melhores condi\u00e7\u00f5es de cor, sabor e textura, e que chegue at\u00e9 o final de sua vida na prateleira sem altera\u00e7\u00f5es dessas caracter\u00edsticas.&#8221;<\/p>\n<p>Leonhardt acrescenta que a ind\u00fastria de alimentos &#8220;evoluiu no Brasil com dois objetivos: garantir a seguran\u00e7a do processo, que os alimentos processados n\u00e3o tragam doen\u00e7as transmitidas por alimentos; e entregar alimentos acess\u00edveis com o prazer sensorial adequado \u00e0quela categoria, considerando que estamos em um pa\u00eds em desenvolvimento&#8221;.<\/p>\n<p>E o desafio \u00e9 maior em um pa\u00eds onde boa parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre, o clima \u00e9 tropical e as dificuldades de distribui\u00e7\u00e3o, pelas dimens\u00f5es continentais e pela infraestrutura, s\u00e3o grandes.<\/p>\n<p>&#8220;Eles querem fazer alimentos mais f\u00e1ceis e mais baratos, que sejam produzidos de maneira muito massiva, e para isso precisam usar muitos aditivos e ingredientes cosm\u00e9ticos&#8221;, resume o jornalista Rafael Tonon, autor do livro&nbsp;<em>As Revolu\u00e7\u00f5es da Comida<\/em>&nbsp;e coordenador do mestrado em jornalismo gastron\u00f4mico no Basque Culinary Center, na Espanha. &#8220;Existe uma escolha da ind\u00fastria aliment\u00edcia de buscar o que \u00e9 mais barato em detrimento ao mais saud\u00e1vel ou melhor para o consumidor.&#8221;<\/p>\n<p>Para Tonon, a situa\u00e7\u00e3o acaba sendo pior em pa\u00edses subdesenvolvidos por causa dos problemas sociais. &#8220;Muitas vezes, um pacote de bolacha custa menos do que um fruta. Isso \u00e9 preocupante&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>\u00c9 uma vis\u00e3o semelhante \u00e0 do especialista em marketing alimentar Mikael Linder, pesquisador no Centro de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional em Pesquisa Agron\u00f4mica para o Desenvolvimento (Cirad), da Fran\u00e7a. &#8220;Muitas vezes um refrigerante \u00e9 mais barato do que um suco natural&#8221;, diz ele.<\/p>\n<h4><strong>Legisla\u00e7\u00e3o mais restritiva<\/strong><\/h4>\n<p>Nesse sentido, Linder defende a imposi\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o mais restritiva quanto aos insumos que possam ser acrescentados pela ind\u00fastria. E que o consumidor seja sempre informado de forma clara. &#8220;Para a ind\u00fastria, \u00e9 muito mais f\u00e1cil adotar certo insumos para produzir com menor custo, maior velocidade e mais facilidade, performando melhor do ponto de vista financeiro&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a de legisla\u00e7\u00e3o pode ser compreendida comparando-se r\u00f3tulos dos mesmos produtos, das mesmas marcas, em mercados diferentes. Estudo realizado em 2012 pela organiza\u00e7\u00e3o americana Center for Science in the Public Interest analisou componentes de refrigerantes com o mesmo nome e da mesma empresa fabricante em diferentes pa\u00edses. Eles constataram que, no Brasil, h\u00e1 casos em que a bebida chega a ter 66 vezes mais do que nos Estados Unidos de uma subst\u00e2ncia potencialmente cancer\u00edgena que comp\u00f5e o corante.<\/p>\n<p>&#8220;Um mesmo fabricante produz alimentos com composi\u00e7\u00e3o diferentes conforme o pa\u00eds. H\u00e1 casos em que se usam quatro ou cinco ingredientes no pa\u00eds A e 15, 16 no pa\u00eds B, porque a legisla\u00e7\u00e3o ali permite e o ambiente favorece&#8221;, comenta Linder.<\/p>\n<p>Especialistas acreditam que esse quadro possa ser revertido, embora o caminho n\u00e3o seja simples. &#8220;Tem de passar por conscientiza\u00e7\u00e3o dos consumidores, aumento de poder aquisitivo do pa\u00eds, legisla\u00e7\u00f5es que orientem para a escolha de produtos mais saud\u00e1veis e tamb\u00e9m por uma quest\u00e3o de \u00e9tica na produ\u00e7\u00e3o de alimentos&#8221;, diz Leonhardt.<\/p>\n<p>Ela defende o argumento de que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos s\u00f3 tem equivalente na de f\u00e1rmacos no sentido de que o seu produto \u00e9 consumido pela popula\u00e7\u00e3o \u2014 e isso aumenta a responsabilidade do setor. &#8220;S\u00e3o produtos que se transformam dentro da gente, do lado de dentro do corpo&#8221;, salienta.<\/p>\n<p>Para Tonon, a melhoria s\u00f3 vir\u00e1 quando a quest\u00e3o for seriamente encarada como pol\u00edtica p\u00fablica. &#8220;N\u00e3o podemos pensar que as pessoas t\u00eam capacidade de escolha em um pa\u00eds em que elas t\u00eam de se preocupar com o que v\u00e3o comer hoje, o que v\u00e3o dar para o filho hoje. O quadro s\u00f3 mudar\u00e1 quando houver pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de olhar mais para o benef\u00edcio do que consumidor do que da ind\u00fastria, tratando as pessoas mais como cidad\u00e3os do que como consumidores&#8221;, vislumbra.<\/p>\n<p>E a conta pode fechar se o foco mudar para a sa\u00fade p\u00fablica. &#8220;A partir do momento que as pessoas comem melhor, elas vivem melhor. E isso tem um impacto enorme no sistema de sa\u00fade&#8221;, acrescenta ele.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: <span class=\"sc-gisvNi ePeZBy\">Edison Veiga \/ Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 31\/08\/2023<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>98% dos ultraprocessados no Brasil t\u00eam ingredientes nocivos Estudo analisou 10 mil produtos vendidos em supermercados e constatou excesso de s\u00f3dio, gordura e a\u00e7\u00facar ou outros aditivos em quase todos eles. 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