{"id":83525,"date":"2023-10-13T04:24:19","date_gmt":"2023-10-13T07:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=83525"},"modified":"2023-10-13T06:03:33","modified_gmt":"2023-10-13T09:03:33","slug":"por-que-industria-brasileira-perdeu-competitividade-e-ficou-para-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2023\/10\/13\/por-que-industria-brasileira-perdeu-competitividade-e-ficou-para-tras\/","title":{"rendered":"Por que ind\u00fastria brasileira perdeu competitividade e ficou para tr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p data-gtm-vis-recent-on-screen104869357_94=\"3618\" data-gtm-vis-first-on-screen104869357_94=\"3618\" data-gtm-vis-total-visible-time104869357_94=\"100\" data-gtm-vis-has-fired104869357_94=\"1\">O \u201cperde-e-ganha\u201d que tem marcado o desempenho da ind\u00fastria brasileira nos \u00faltimos anos, com pequenas oscila\u00e7\u00f5es positivas que se alternam com per\u00edodos de queda, \u00e9 o retrato da decad\u00eancia de um setor que recuou para os n\u00edveis mais baixos de participa\u00e7\u00e3o no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em sete d\u00e9cadas.<\/p>\n<p data-gtm-vis-recent-on-screen104869357_94=\"3618\" data-gtm-vis-first-on-screen104869357_94=\"3618\" data-gtm-vis-total-visible-time104869357_94=\"100\" data-gtm-vis-has-fired104869357_94=\"1\">Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a contribui\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (que re\u00fane todo o setor manufatureiro) para o PIB do pa\u00eds era de pouco mais de 11% em 2020, o percentual mais baixo em 70 anos. A participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria geral \u2013 que inclui a ind\u00fastria extrativa, constru\u00e7\u00e3o civil e atividades de energia e saneamento \u2013 estava em cerca de 20%, tamb\u00e9m uma m\u00ednima hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Atingida por uma \u201ctempestade perfeita\u201d, formada por elevada carga tribut\u00e1ria, problemas de infraestrutura, burocracia, alto custo de energia, dificuldade de acesso a insumos durante a fase mais cr\u00edtica da pandemia e falta de investimento, a ind\u00fastria nacional produz pouco e n\u00e3o consegue competir no cen\u00e1rio global. Estagnado,&nbsp;o setor vem \u201candando de lado\u201d e n\u00e3o deslancha, cada vez mais dependente de recursos do governo para sobreviver.<\/p>\n<p>De acordo com um levantamento da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), seria necess\u00e1rio um investimento anual de R$ 456 bilh\u00f5es na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, por um per\u00edodo de sete a 10 anos, para que fosse alcan\u00e7ado o mesmo patamar de produtividade registrado nos anos 1970.<\/p>\n<h4><strong>Pires na m\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A in\u00e9rcia do setor industrial fez o governo se mexer. Em julho, o ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os,&nbsp;Geraldo Alckmin, anunciou um programa que prev\u00ea investimentos da ordem de R$ 106 bilh\u00f5es, nos pr\u00f3ximos quatro anos, para a renova\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira \u2013 o que o vice-presidente da Rep\u00fablica tem chamado de \u201cneoindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d. A maior parte dos recursos (R$ 65 bilh\u00f5es) vir\u00e1 do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), com foco no financiamento de projetos de inova\u00e7\u00e3o e digitaliza\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o de bens nacionais voltados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.&nbsp;Segundo Alckmin, o programa do governo federal prev\u00ea juro nominal de 4% para a inova\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria, \u201co menor da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Uma outra proposta defendida pelos industriais&nbsp;\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de \u201cPlano Safra da ind\u00fastria\u201d. O programa foi institu\u00eddo em 2003 pelo Minist\u00e9rio da Agricultura para fomentar a produ\u00e7\u00e3o rural brasileira.<\/p>\n<p>\u201cPara a ind\u00fastria operar na fronteira tecnol\u00f3gica, ela precisa de cr\u00e9dito para comprar uma m\u00e1quina. Se voc\u00ea tem de pagar uma taxa de juros para o cr\u00e9dito de 25% ao ano, s\u00f3 para come\u00e7ar, \u00e9 evidente que n\u00e3o vai comprar essa m\u00e1quina. Por que o agroneg\u00f3cio consegue avan\u00e7ar tecnologicamente e \u00e9 mais produtivo? Porque eles conseguem comprar as m\u00e1quinas. O agroneg\u00f3cio n\u00e3o paga 25%, paga menos. \u00c9 claro que v\u00e3o conseguir avan\u00e7ar mais\u201d, afirma o economista-chefe da Fiesp, Igor Rocha.<\/p>\n<p><em><strong>O parque industrial brasileiro opera com obsolesc\u00eancia de 15 anos. Em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, operar com uma m\u00e1quina 15 anos atrasada \u00e9 fatal para a competitividade.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>M\u00e1rio S\u00e9rgio Telles, gerente-executivo de Economia da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), avalia que o maior problema enfrentado pelo setor \u00e9 a taxa de juros, atualmente em 12,75% ao ano. \u201cOs juros elevados reduzem a demanda, principalmente dos setores mais dependentes de cr\u00e9dito. Esses segmentos sofrem bastante neste momento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m h\u00e1 um problema estrutural da economia brasileira. Temos um sistema tribut\u00e1rio que penaliza muito a produ\u00e7\u00e3o. Retira a nossa capacidade de exportar e beneficia os importados na competi\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o nacional. Esse \u00e9 outro fator determinante para a falta de competitividade\u201d, diz Telles.<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio divulgado na quarta-feira (11\/10),&nbsp;a CNI projetou uma queda de 0,5% da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o do Brasil em 2023. Segundo o IBGE,&nbsp;a produ\u00e7\u00e3o industrial do pa\u00eds teve um avan\u00e7o mensal t\u00edmido em agosto, de 0,4%, \u00faltimo dado dispon\u00edvel.&nbsp;Em julho, o setor havia ca\u00eddo 0,6%. No acumulado do ano, as perdas s\u00e3o de 0,3%. Desempenho t\u00e3o fraco se reflete na confian\u00e7a dos empres\u00e1rios do setor industrial, que recuou, em setembro,&nbsp;para o patamar mais baixo em mais de tr\u00eas anos, desde julho de 2020.<\/p>\n<p>No fim de setembro, uma das gigantes da ind\u00fastria brasileira, a Gerdau, maior produtora de a\u00e7o do pa\u00eds,&nbsp;anunciou que est\u00e1 na \u201cimin\u00eancia\u201d de promover uma onda de demiss\u00f5es. Os cortes seriam resultado da ociosidade em plantas industriais da empresa.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, a economia brasileira passou a conviver com uma infla\u00e7\u00e3o mais alta e a taxa de juros foi subindo, o que dificultou a demanda, que se reduziu\u201d, analisa St\u00e9fano Pacini, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Ibre) e respons\u00e1vel pela Sondagem da Ind\u00fastria da FGV.<\/p>\n<p><em><strong>\u201cA ind\u00fastria vem em um perde-e-ganha desde meados de 2021, ficando mais ou menos no zero a zero, com leve tend\u00eancia de queda. Ela est\u00e1 andando de lado porque vem tentando segurar a onda da conjuntura macroecon\u00f4mica, de taxa de juros alta e demanda fraca.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<h4>Pouca competi\u00e7\u00e3o e muita depend\u00eancia<\/h4>\n<p>Um dos grandes dramas da ind\u00fastria brasileira \u00e9 a falta de capacidade de competir em um mundo no qual o desenvolvimento tecnol\u00f3gico determina quais s\u00e3o os \u201cplayers\u201d mais importantes. \u201cA quest\u00e3o da competitividade est\u00e1 fortemente associada \u00e0 baixa produtividade da ind\u00fastria. O setor tem uma produtividade que \u00e9 apenas 80% daquela alcan\u00e7ada em 1980. Em contrapartida, o que se v\u00ea no mundo todo \u00e9 um aumento da produtividade da ind\u00fastria, embora o setor perca participa\u00e7\u00e3o no PIB\u201d, afirma Claudio Considera, coordenador de Contas Nacionais do FGV Ibre.<\/p>\n<p><em><strong>\u201cA ind\u00fastria brasileira \u00e9 incapaz de produzir mais com menos pessoal. Ela produz menos. Essa \u00e9 a principal raz\u00e3o para o seu fracasso.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Segundo Considera, a falta de investimento em tecnologia \u00e9 o maior problema. \u201cIsso tem muito a ver com a prote\u00e7\u00e3o que, historicamente, foi dada para a nossa ind\u00fastria, de modo que ela n\u00e3o precisasse competir com o resto do mundo. Ela \u00e9 favorecida pela prote\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria que tem\u201d, afirma. \u201cMesmo hoje em dia, com redu\u00e7\u00e3o de tarifas de importa\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria n\u00e3o \u00e9 muito exposta \u00e0 competi\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o precisa fazer isso e, n\u00e3o fazendo isso, vai ficando cada vez mais para tr\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem, outro fator que explica o atraso industrial no pa\u00eds, sobretudo nos \u00faltimos anos, \u00e9 a extrema depend\u00eancia dos insumos produzidos no exterior (como mat\u00e9rias-primas, componentes farmac\u00eauticos e semicondutores), principalmente em pa\u00edses da \u00c1sia.<\/p>\n<p>\u201cNa pandemia, a ind\u00fastria enfrentou um problema s\u00e9rio na cadeia de produ\u00e7\u00e3o global. N\u00e3o havia insumo para produzir. T\u00ednhamos demanda, mas n\u00e3o havia oferta. Quando h\u00e1 um problema de oferta, a tend\u00eancia \u00e9 a de que os pre\u00e7os aumentem. A dificuldade de importar insumos foi muito grande. O Brasil teve uma enorme dificuldade de importar componentes eletr\u00f4nicos\u201d, recorda Pacini.<\/p>\n<p>Claudio Considera, por sua vez, pondera que a perda de espa\u00e7o da ind\u00fastria na economia n\u00e3o \u00e9 exclusividade do Brasil, mas uma tend\u00eancia global. \u201cAs pessoas n\u00e3o querem mais ficar vendo televis\u00e3o dentro de casa. Querem sair, ir ao cinema, jantar fora. Isso aumenta a demanda pelo setor de servi\u00e7os e diminui a da ind\u00fastria\u201d, explica. \u201cFoi o que aconteceu no mundo inteiro. No passado, o setor mais importante era a agropecu\u00e1ria, depois passou a ser a ind\u00fastria e, hoje, os servi\u00e7os tomaram conta.\u201d<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: F\u00e1bio Matos \/ Metr\u00f3poles &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 13\/10\/2023&nbsp;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201cperde-e-ganha\u201d que tem marcado o desempenho da ind\u00fastria brasileira nos \u00faltimos anos, com pequenas oscila\u00e7\u00f5es positivas que se alternam com per\u00edodos de queda, \u00e9 o retrato da decad\u00eancia de um setor que recuou para os n\u00edveis mais baixos de participa\u00e7\u00e3o no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em sete d\u00e9cadas. Segundo dados do Instituto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":83526,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-83525","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/industria-brasileira-perdeu-competitividade.jpg?fit=1500%2C1000&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83527,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83525\/revisions\/83527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}