{"id":83637,"date":"2023-10-19T04:23:29","date_gmt":"2023-10-19T07:23:29","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=83637"},"modified":"2023-10-19T05:54:13","modified_gmt":"2023-10-19T08:54:13","slug":"entenda-o-fenomeno-el-nino-e-la-nina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2023\/10\/19\/entenda-o-fenomeno-el-nino-e-la-nina\/","title":{"rendered":"Entenda o fen\u00f4meno El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Pesquisadores previram possibilidade do retorno do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o em 2023. E com ele, a ocorr\u00eancia de eventos extremos clim\u00e1ticos que impactam o clima em todo o mundo.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A desacelera\u00e7\u00e3o dos ventos sobre o Oceano Pac\u00edfico desencadeia uma cadeia de eventos que pode resultar em fortes chuvas na Calif\u00f3rnia, ondas de calor na Europa e secas que devastariam as colheitas do Brasil \u00e0 Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2023, alguns cientistas disseram esperar exatamente esse cen\u00e1rio em este ano, embora eles tenham tido a cautela de afirmar que n\u00e3o podiam&nbsp;saber com certeza se isso se concretizaria&nbsp;at\u00e9 maio. Um estudo publicado em 19 de abril \u2013 que usou&nbsp;m\u00e9todos estabelecidos, mas n\u00e3o foi revisado por pares \u2013 estimou&nbsp;que o clima quente padr\u00e3o do El Ni\u00f1o tinha&nbsp;90% de chances de retornar neste ano.<\/p>\n<p>&#8220;Previmos que ser\u00e1 um evento de moderado a forte \u2013 acima de 1,5\u00b0C&#8221;, afirmou o principal autor do estudo Josef Ludescher, do Instituto de Pesquisa do Impacto Clim\u00e1tico de Potsdam, na Alemanha.<\/p>\n<p>Ocorrendo posteriormente a tr\u00eas anos de clima frio padr\u00e3o do La Ni\u00f1a, tais mudan\u00e7as tornariam as ondas de calor mais quentes e interromperiam os padr\u00f5es clim\u00e1ticos em todo o mundo. H\u00e1 tempos, cientistas lutam para descobrir qual \u00e9 o papel desempenhado pelas&nbsp;mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&#8220;O El Ni\u00f1o \u00e9 respons\u00e1vel por muitos extremos&#8221;, afirmou Regina Rodrigues, ocean\u00f3grafa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). &#8220;Todos os pa\u00edses, de uma forma ou de outra, s\u00e3o afetados&#8221;, acrescentou a pesquisadora que n\u00e3o participou do estudo.<\/p>\n<h4><strong>Como funcionam os fen\u00f4menos El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a<\/strong><\/h4>\n<p>El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a s\u00e3o nomes para padr\u00f5es complexos de ventos e temperaturas no Oceano Pac\u00edfico. Os ventos no oceano podem ter tr\u00eas fases. A primeira \u00e9 neutra, e eles sopram do leste para o oeste. Outra \u00e9 o El Ni\u00f1o, onde eles desaceleraram ou at\u00e9 param. E, a terceira \u00e9 a La Ni\u00f1a, onde sopram mais forte.<\/p>\n<p>D\u00e1 para pensar no Oceano Pac\u00edfico, que cobre um ter\u00e7o da Terra, como uma banheira de \u00e1gua fria com um ventilador pr\u00f3ximo das torneiras. Ao abrir a torneira de \u00e1gua quente por alguns poucos segundos e ligar o ventilador, a brisa jogar\u00e1 um jato de \u00e1gua quente para o fim da banheira. Nos anos &#8220;regulares&#8221;, \u00e9 assim que os ventos empurram o calor da Am\u00e9rica do Sul para a \u00c1sia.<\/p>\n<p>Mas, durante o El Ni\u00f1o, mudan\u00e7as no calor e na press\u00e3o desligam o ventilador. A \u00e1gua quente permanece na regi\u00e3o da torneira, acumulando mais \u00e1gua quente no meio da banheira \u2013 na realidade, no oceano e pr\u00f3ximo da Am\u00e9rica do Sul. Isso impulsiona a evapora\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de nuvens em locais que normalmente n\u00e3o s\u00e3o esperados.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container\">\n<div class=\"sc-WSdAm kCRBVd sc-ikzIVP cGsWnL lazy-load-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Pastor com cabras em regi\u00e3o seca do Marrocos\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/64088289_906.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Pastor com cabras em regi\u00e3o seca do Marrocos\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"img-caption\">Seca deve impactar diretamente nas safras de v\u00e1rios pa\u00edses do mundo<small class=\"copyright\">Foto: FADEL SENNA\/AFP\/Getty Images<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;De repente, h\u00e1 grande quantidade de chuva perto da costa do Peru&#8221;, exemplifica Erin Coughlan de Perez, autora do \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) e pesquisadora do Centro Clim\u00e1tico da Cruz Vermelha. &#8220;S\u00e3o despejos de \u00e1gua sem precedentes num local que costuma ser bastante seco.&#8221;<\/p>\n<p>Os efeitos do El Ni\u00f1o se estendem acima do Oceano Pac\u00edfico e pelo resto do mundo. Eles alteram as rotas das correntes de jato \u2013 ventos fortes muito acima do solo \u2013 que viajam pelo planeta guiados pelas chuvas.<\/p>\n<p>&#8220;As nuvens altas cutucam a atmosfera e desencadeiam ondas [atmosf\u00e9ricas]. Isso perturba o clima em todos os lugares&#8221;, detalha Rodrigues.<\/p>\n<h4><strong>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e El Ni\u00f1o e a La Ni\u00f1a<\/strong><\/h4>\n<p>O El Ni\u00f1o e a La Ni\u00f1a s\u00e3o fen\u00f4menos naturais. Os cientistas ainda n\u00e3o entendem completamente suas causas, mas sabem, pelos recifes de corais e pelos an\u00e9is das \u00e1rvores, que eles sempre variaram. H\u00e1 alguma evid\u00eancia de que eles ficaram mais fortes \u2013 eventos mais fortes do El Ni\u00f1o foram registrados nas \u00faltimas poucas d\u00e9cadas \u2013, mas n\u00e3o est\u00e1 claro se isso \u00e9 apenas casual.<\/p>\n<p>O IPCC descobriu que h\u00e1 &#8220;pouca confian\u00e7a&#8221; de que o aquecimento global j\u00e1 tenha mudado os eventos do El Ni\u00f1o. Alguns modelos de computador mostram o fen\u00f4meno mais forte no futuro, enquanto outros o veem ficando mais fraco.<\/p>\n<p>Mas o IPCC tamb\u00e9m descobriu que os efeitos dos eventos extremos do El Ni\u00f1o e da La Ni\u00f1a provavelmente ser\u00e3o mais fortes \u00e0 medida em que o planeta esquentar.<\/p>\n<p>Como o ar mais quente pode absorver mais umidade, o mesmo evento El Ni\u00f1o significa que mais chuva cai localmente, afirma Ludescher. O ar pode conter 7% a mais de vapor de \u00e1gua para cada 1\u00b0C que o planeta esquentar. Ao queimar combust\u00edveis f\u00f3sseis e destruir as florestas, a humanidade j\u00e1 aumentou a temperatura da Terra em 1,2\u00b0C desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<h4><strong>Impactos do El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/h4>\n<p>As temperaturas da superf\u00edcie global aumentam 0,1\u00b0C durante os anos de El Ni\u00f1o. Nos anos de La Ni\u00f1a, elas caem na aproximadamente no mesmo padr\u00e3o. Isso ocorre porque menos \u00e1gua fria \u00e9 puxada das profundezas do oceano pr\u00f3ximo ao Peru durante o El Ni\u00f1o, deixando mais \u00e1gua quente na superf\u00edcie. Isso aumenta a temperatura das superf\u00edcies.<\/p>\n<p>Um retorno do El Ni\u00f1o em 2023 significa a possibilidade de as temperaturas m\u00e9dias globais&nbsp;ultrapassarem 1,5\u00b0C \u2013 o n\u00edvel no qual os l\u00edderes mundiais prometeram tentar conter o aquecimento global at\u00e9 o final do s\u00e9culo. Ainda assim, a longo prazo, um aumento nas temperaturas pelo fen\u00f4meno n\u00e3o tornaria a humanidade menos propensa a alcan\u00e7ar suas metas clim\u00e1ticas, que dependem do corte da emiss\u00e3o de gases do efeito estufa. Mas o calor extra pode, a curto prazo, prejudicar as pessoas, plantas e animais.<\/p>\n<p>Os recifes de corais, por exemplo, devem diminuir de 70 a 90% se o aquecimento global passar de 1,5\u00b0C. Ultrapassar esse limite, mesmo que por pouco tempo, poderia ter consequ\u00eancias permanentes. &#8220;Alguns corais podem n\u00e3o sobreviver a isso. E se eles estiverem mortos, eles n\u00e3o voltam&#8221;, pontua Ludescher.<\/p>\n<h4><strong>Por que El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a s\u00e3o importantes?<\/strong><\/h4>\n<p>Muitas previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas sazonais dependem da previs\u00e3o correta de fase \u2013 e de for\u00e7a&nbsp;\u2013 do El Ni\u00f1o e da La Ni\u00f1a. A informa\u00e7\u00e3o pode ser muito \u00fatil para todos, desde planejadores urbanos a agricultores.<\/p>\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 apenas interesse te\u00f3rico: \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o \u00fatil&#8221;, afirma Perez. Serve, por exemplo, para governo locais fazerem planos de alerta precoce para ondas de calor e criar sistema de prote\u00e7\u00e3o para idosos, que correm maior risco de morrer. &#8220;Isso \u00e9 sobre n\u00f3s e nossa prepara\u00e7\u00e3o, e como sobrevier num mundo em aquecimento&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Ajit Niranjan \/ Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 19\/10\/2023<\/strong><\/p>\n<hr>\n<div class=\"vjs-wrapper embed big\">\n<h4 class=\"sc-jOHGOj jhMDQk sc-gGDOQT ktZCVn\"><strong>&#8220;Perda de \u00e1gua \u00e9 alerta para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;<\/strong><\/h4>\n<div class=\"sc-ezGUZh sc-ilpitK llLYdd dodPrT sc-gVQcLu kFToKW time-area\">&nbsp;<\/div>\n<p class=\"sc-ezGUZh sc-kMbQoj llLYdd itboQC sc-dkkzZO idovIh teaser-text\">Brasil concentra maior volume de \u00e1gua doce do mundo, mas vem secando nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Para especialista, redu\u00e7\u00e3o indica aquecimento global em curso.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/perda-de-%C3%A1gua-%C3%A9-alerta-para-as-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas\/a-65076044\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.dw.com\/pt-br\/perda-de-%C3%A1gua-%C3%A9-alerta-para-as-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas\/a-65076044<\/a> <\/strong><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_83638\" aria-describedby=\"caption-attachment-83638\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-83638 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?resize=696%2C305\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?resize=300%2C131&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?resize=1024%2C448&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?resize=768%2C336&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?resize=696%2C305&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?resize=1068%2C467&amp;ssl=1 1068w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/56714694_1004.webp?resize=960%2C420&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-83638\" class=\"wp-caption-text\">Entre 1985 e 2022, a superf\u00edcie de \u00e1gua no Pantanal diminuiu 81,7% Foto: Philipp Lichterbeck\/DW<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"render-container\">\n<div class=\"sc-gktrok hBfEFp sc-dvMDtO hbGzQh\">\n<div class=\"bg-poster\">\n<div id=\"video-62092558\" class=\"dw-player video-js vjs-fluid vjs-paused video-62092558-dimensions vjs-controls-enabled vjs-workinghover vjs-v8 vjs-user-active vjs-vhs-quality-selector rendered\" lang=\"pt\" tabindex=\"-1\" role=\"region\" translate=\"no\" data-play-btn-title=\"Reproduzir o v\u00eddeo\" data-duration=\"02:29\" aria-label=\"Video Player\">\n<div class=\"vjs-poster\" aria-disabled=\"false\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores previram possibilidade do retorno do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o em 2023. 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