{"id":83888,"date":"2023-10-30T04:28:10","date_gmt":"2023-10-30T07:28:10","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=83888"},"modified":"2023-10-30T07:00:55","modified_gmt":"2023-10-30T10:00:55","slug":"infraestrutura-entenda-o-momento-historico-e-os-desafios-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2023\/10\/30\/infraestrutura-entenda-o-momento-historico-e-os-desafios-do-brasil\/","title":{"rendered":"Infraestrutura: entenda o momento hist\u00f3rico e os desafios do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"general\" data-gjs-type=\"default\" data-gjs-selectable=\"false\" data-gjs-hoverable=\"false\">\n<div class=\"box-content\" data-gjs-type=\"default\" data-gjs-selectable=\"false\" data-gjs-hoverable=\"false\">\n<p><strong>\u2022 O principal gargalo do crescimento e do bem-estar \u00e9 a infraestrutura de um pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2022 Para dar modernidade a esse pilar \u00e9 preciso legisla\u00e7\u00e3o moderna e fluxo de capitais<\/strong><\/p>\n<section class=\"section-materia\">\n<section class=\"conteudo\">\n<article><strong>\u2022 Analistas alertam que, sem investimento, Brasil perde competitividade em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses em desenvolvimento<\/strong><\/article>\n<article><\/article>\n<article><strong>\u2022 Nova Lei de Licita\u00e7\u00f5es pode combater corrup\u00e7\u00e3o e garantir a finaliza\u00e7\u00e3o de projeto<\/strong><\/article>\n<article><\/article>\n<article><strong>\u2022 Congresso precisa acelerar pautas e governo deve aprimorar estrutura de garantias<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<div class=\"GLsN6Ux4\">\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6698 lazy loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dinheiro.revistaseditora3.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/07-2.jpg?resize=696%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"470\" data-src=\"https:\/\/dinheiro.revistaseditora3.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/07-2.jpg\" data-was-processed=\"true\"> <img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6697 lazy loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dinheiro.revistaseditora3.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/06-2.jpg?resize=696%2C448&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"448\" data-src=\"https:\/\/dinheiro.revistaseditora3.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/06-2.jpg\" data-was-processed=\"true\"><\/p>\n<section data-hb-type=\"ads\" data-hb-position=\"after-content\" data-hb-provider=\"\">\n<hr>\n<\/section>\n<div>\n<div class=\"GLsN6Ux4\">\n<div>\n<div class=\"clearfix\">Existem dois motivos pelos quais destravar investimentos em infraestrutura significa dar um salto na hist\u00f3ria de qualquer pa\u00eds.&nbsp;O primeiro \u00e9 o mais evidente.&nbsp;O apelo econ\u00f4mico. Um aparato robusto de&nbsp; energia,&nbsp;saneamento,&nbsp;telecomunica\u00e7\u00e3o&nbsp;e&nbsp;transporte&nbsp;(ferrovias, hidrovias, malha a\u00e9rea e rodovias) \u00e9 seminal para garantir&nbsp;fluidez e escalabilidade de produtos e servi\u00e7os. Em resumo, \u00e9 a&nbsp;base para o aumento de emprego e renda&nbsp;de forma consistente e duradoura. O tema \u00e9 t\u00e3o decisivo que conseguiu algo improv\u00e1vel: ser consenso entre economistas. Tanto que h\u00e1 dois anos ficou famosa a carta aberta que 17 deles, todos vencedores do Pr\u00eamio Nobel, assinam em conjunto. \u201cO sucesso do s\u00e9culo 21 exigir\u00e1 o desenvolvimento da infraestrutura\u201d, afirmaram no documento que inclu\u00eda nomes como Stephen Stiglitz e Daniel Kahneman.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Eles defendiam o pacote conhecido por&nbsp;Build Back Better, de US$ 2,2 trilh\u00f5es, proposto pelo governo Joe Biden. Se o primeiro motivo \u00e9 econ\u00f4mico,&nbsp;o segundo \u00e9 social. Investir em infraestrutura \u00e9 o primeiro&nbsp;caminho de redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. Em especial num pa\u00eds no qual 100 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam em suas casas acesso a redes de esgoto. Durante audi\u00eancia junto \u00e0 Comiss\u00e3o de Infraestrutura do Senado, em maio, a&nbsp;ministra do Planejamento, Simone Tebe<strong>t<\/strong>, foi direto ao ponto.&nbsp;<em>\u201cO Brasil \u00e9 muito rico para ter um povo t\u00e3o pobre.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Destravar esse n\u00f3 exigir\u00e1 duas coisas. Uma legisla\u00e7\u00e3o modernizada e fluxo de capitais. No caso brasileiro, os investimentos em infraestrutura de base ca\u00edram de 5% do PIB nos anos 1980 para a casa dos 1,7%. Este ano, devem chegar a 1,9%. \u00c9 pouco.<\/p>\n<p>Para&nbsp;Jorge Sant\u2019Anna, CEO e cofundador da BMG Seguros, profundo conhecedor do tema, ser\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos 4,3% do PIB por ano pelos pr\u00f3ximos dez anos. \u201cO subinvestimento acarreta baixa competitividade em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, disse. O&nbsp;Brasil ocupa a 78\u00aa posi\u00e7\u00e3o no Ranking de Competitividade Global de 2021, que classificou 141 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Sant\u2019Anna v\u00ea uma chance hist\u00f3rica para o Brasil a partir de janeiro, quando entra em vigor a&nbsp;Nova Lei de Licita\u00e7\u00f5es (14.133\/21). Mais do que seguran\u00e7a jur\u00eddica, ela pode mudar de patamar o universo de contrata\u00e7\u00e3o de projetos de infraestrutura. Ir\u00e1 corrigir, em sua vis\u00e3o, um gap legal de 130 anos em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>No fim do s\u00e9culo 19, os americanos sofriam de males que os brasileiros conhecem bem: a corrup\u00e7\u00e3o a partir de obras p\u00fablicas. Em 1894, criaram uma legisla\u00e7\u00e3o (aprimorada no s\u00e9culo passado) baseada em Performance Bonds.<\/p>\n<p>Basicamente, ela prev\u00ea a obrigatoriedade de que todo contrato de constru\u00e7\u00e3o firmado entre o poder p\u00fablico e uma pessoa jur\u00eddica privada a partir de determinado valor seja, sem exce\u00e7\u00e3o, segurado em 100% do valor do contrato. Mais que isso. Que seria preciso inserir entre contratante (p\u00fablico) e contratado (privado) um&nbsp;agente que de alguma forma fiscalize a execu\u00e7\u00e3o financeira e a execu\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos projetos. \u201cSe n\u00e3o houver a entrega do jeito que est\u00e1 acordado, a seguradora assume a obra ou indeniza o governo\u201d, disse Sant\u2019Anna.<\/p>\n<h5><strong>\u201cS\u00f3 h\u00e1 um caminho: ampliar investimentos privados e investimentos p\u00fablicos. O mundo quer investir&nbsp;<\/strong><strong>no Brasil.\u201d <\/strong><strong>Renan Filho&nbsp;<\/strong><strong>ministro dos Transportes<\/strong><\/h5>\n<p>Essa simples modelagem centen\u00e1ria permite o \u00f3bvio: que os projetos sejam entregues. Se o contratado n\u00e3o acabar a obra, a seguradora assume e conclui.&nbsp;Outro ponto igualmente decisivo: a corrup\u00e7\u00e3o desapareceu.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea interp\u00f5e entre o contratado e o contratante um agente que fiscaliza tudo\u201d, disse Sant\u2019Anna. Para ele, a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece no ato da compra ou da contrata\u00e7\u00e3o e sim durante a obra.<\/p>\n<div class=\"xWw2LhWi\">\n<div>\n<div class=\"clearfix\">O avan\u00e7o legal deve destravar a capacidade de o Brasil atrair investimentos que hoje n\u00e3o cabem no bolso do governo<strong>.<\/strong> Tanto que o novo Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), focado em Desenvolvimento e Sustentabilidade e lan\u00e7ado dia 11 de agosto, n\u00e3o fica de p\u00e9 sem o dinheiro privado. Do total de R$ 1,7 trilh\u00e3o previstos (83% investidos at\u00e9 2026), a maior parte do bolo sairia da iniciativa privada (cerca de 40%).<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Saneamento e log\u00edstica<\/strong><\/h3>\n<p><strong>Um dos principais aportes, de R$ 610 bilh\u00f5es, ser\u00e1 em<\/strong>:<br \/>\n<strong>\u2022&nbsp;<\/strong><strong>moderniza\u00e7\u00e3o da mobilidade urbana<\/strong>,<br \/>\n<strong>\u2022&nbsp;<\/strong><strong>saneamento<\/strong>,<br \/>\n<strong>\u2022&nbsp;<\/strong><strong>gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong>,<br \/>\n<strong>\u2022&nbsp;<\/strong><strong>urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas,<br \/>\n\u2022<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>conten\u00e7\u00e3o de encostas e combate a enchentes<\/strong>.<\/p>\n<p>Outro eixo fundamental do programa \u00e9 o de&nbsp;Transporte Eficiente e Sustent\u00e1vel, que toca justamente na&nbsp;infraestrutura log\u00edstica, com aportes em&nbsp;rodovias,&nbsp;ferrovias,&nbsp;portos,&nbsp;aeroportos&nbsp;e&nbsp;hidrovias, com aporte previsto de&nbsp;R$ 349 bilh\u00f5es.<\/p>\n<h6>\u201cNo Brasil, a efici\u00eancia do investimento em infraestrutura \u00e9 muito baixa. h\u00e1 muitos projetos mal desenhados.\u201d Silvia Matos FGV\/Ibre<\/h6>\n<p>O&nbsp;Minist\u00e9rio dos Transportes, comandado por&nbsp;Renan Filho, j\u00e1 se mexe para incentivar e garantir a atua\u00e7\u00e3o de players da iniciativa privada no jogo. A pasta reuniu no dia 19 de outubro, na sede da B3, em S\u00e3o Paulo, mais de 130 investidores, representantes de construtoras e associa\u00e7\u00f5es do setor rodovi\u00e1rio para apresentar os caminhos de&nbsp;redu\u00e7\u00e3o dos gargalos log\u00edsticos&nbsp;a partir da amplia\u00e7\u00e3o de investimentos no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO Pa\u00eds percebeu, o presidente Lula percebeu, que s\u00f3 h\u00e1 um caminho: ampliar investimentos privados e investimentos p\u00fablicos. O mundo quer investir no Brasil\u201d, afirmou Renan Filho na abertura do evento&nbsp;Brasil Transport Invest. A inten\u00e7\u00e3o do ministro \u00e9 expandir a integra\u00e7\u00e3o entre os setores p\u00fablico e privado e garantir a previsibilidade dos projetos para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es para isso \u00e9 a&nbsp;Pol\u00edtica Nacional de Outorgas Rodovi\u00e1rias, publicada sob forma da Portaria 995\/2023 no dia 18 de outubro. A norma define diretrizes para promover sustentabilidade contratual, social e ambiental.<\/p>\n<p>Outra medida \u00e9 a&nbsp;retomada de cerca de 500 contratos&nbsp;que estavam parados ou em ritmo lento, de obras e manuten\u00e7\u00e3o de estradas. Isso foi poss\u00edvel pela margem aberta com a promulga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional 126\/2022, que permite ao governo deixar de fora do teto de gastos R$ 145 bilh\u00f5es no or\u00e7amento de 2023.<\/p>\n<p>Para abrir ainda mais flancos de investimentos em infraestrutura, h\u00e1 uma agenda importante em debate no Congresso, e que precisa avan\u00e7ar.&nbsp;Entre as proposituras a serem analisadas est\u00e1 o Projeto de Lei 2.646, de 2020, a chamada Lei das Deb\u00eantures de Infraestrutura, que voltou do Senado para a C\u00e2mara em setembro e aguarda tramita\u00e7\u00e3o. Na proposta, a capta\u00e7\u00e3o da&nbsp;venda de t\u00edtulos de cr\u00e9dito deve ser aplicada em projetos de infraestrutura ou em&nbsp;produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica intensiva em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para&nbsp;Gesner Oliveira, economista, professor e coordenador do Centro de Estudos de Infraestrutura e Solu\u00e7\u00f5es Ambientais da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), a Lei das Deb\u00eantures \u00e9 apenas uma iniciativa de uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias que est\u00e3o sendo discutidas pelos congressistas. \u201c\u00c9 preciso acelerar essas pautas\u201d, disse o especialista, ao citar ainda outros textos que contribuem para atrair aportes \u00e0 infraestrutura brasileira, como o PL 7.063\/2017, que consolida as regras para concess\u00f5es, o PL 459\/2017, que permite a securitiza\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis tribut\u00e1rios, o PL 4.881\/2012, legisla\u00e7\u00e3o referente \u00e0 mobilidade urbana, al\u00e9m da revis\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico, economia circular e inser\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio como fonte de energia no Brasil.<\/p>\n<h6>\u201cInvestimento em infraestrutura \u00e9 uma verdadeira fronteira de expans\u00e3o para a economia, uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para o Pa\u00eds crescer de forma sustentada. Inclusive aumentando a competitividade, a produtividade.\u201d<br \/>\n<strong>Gesner Oliveira, da FGV<\/strong><\/h6>\n<p>Segundo ele, apesar dos desafios e das dificuldades, o Brasil tem gerado interesse por parte de investidores internacionais. Entre os fatores est\u00e3o a melhora na classifica\u00e7\u00e3o das notas de risco. A S&amp;P Global Ratings elevou a perspectiva de cr\u00e9dito soberano do Brasil para \u201cpositiva\u201d e a Fitch aumentou a avalia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito soberano do Brasil de BB- para BB. Outra raz\u00e3o \u00e9 conflito no Leste Europeu, entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia.&nbsp;<em>\u201cUma parte dos investimentos que poderiam ir para l\u00e1 foram redirecionados para a Am\u00e9rica Latina, Brasil em particular\u201d<\/em>, disse. \u201cH\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de oportunidades interessantes na infraestrutura, porque tem muita coisa a se fazer.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Baixa efici\u00eancia<\/strong><\/h4>\n<p>O futuro pode at\u00e9 parecer promissor, mas o Brasil insiste em repetir traumas. Por isso&nbsp;Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro e pesquisadora da \u00e1rea de Economia Aplicada do FGV\/Ibre, ressalta que \u00e9 importante avaliar o que ocorreu no passado.<\/p>\n<p>Segundo ela, em an\u00e1lise do pesquisador&nbsp;Claudio Frischtak,&nbsp;da consultoria internacional de neg\u00f3cios Inter.B, a primeira vers\u00e3o do PAC, lan\u00e7ada em 2007, previa investimentos de R$ 504 bilh\u00f5es, mas concluiu apenas 9% dos projetos. A segunda vers\u00e3o, de 2011, avaliada em R$ 708 bilh\u00f5es, entregou 26% das obras.&nbsp;<em>\u201cOs estudos mostram que a efici\u00eancia do investimento em infraestrutura no Brasil \u00e9 muito baixa, pois h\u00e1 muitos atrasos, sobrecustos e projetos mal desenhados\u201d<\/em>, disse Matos.&nbsp;<em>\u201cA governan\u00e7a adotada na realiza\u00e7\u00e3o dos projetos de infraestrutura tem grande influ\u00eancia sobre o resultado desse investimento.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Silvia Matos diz que haver\u00e1&nbsp;dificuldade para o governo conseguir recursos em um contexto de d\u00e9ficit fiscal elevado&nbsp;e o&nbsp;setor privado sofre com juros reais altos. A restri\u00e7\u00e3o para o financiamento \u00e9 muito maior hoje do que foi no passado.<\/p>\n<h5>\u201cNo geral, precisamos melhorar o planejamento, com crit\u00e9rios rigorosos de sele\u00e7\u00e3o de projetos, estabilidade e previsibilidade na legisla\u00e7\u00e3o, incentivando a concorr\u00eancia e, por fim, monitoramento, controle e gest\u00e3o dos projetos.\u201d<br \/>\n<strong>Silvia Matos, do FGV\/Ibre<\/strong><\/h5>\n<p>O que faz o tema voltar ao ponto levantado por Sant\u2019Anna, da BMG Seguros. \u201cTodo projeto de infraestrutura exige uma complexa rede de prote\u00e7\u00e3o aos investidores e contratantes\u201d, afirmou. Isso inclui ramifica\u00e7\u00f5es como garantia de pre\u00e7o, qualidade e prazos contratados; retorno do investimento p\u00fablico; fomento \u00e0 exig\u00eancia de um projeto consistente; comprova\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as ambientais\u2026 \u201cVoc\u00ea investiria numa obra que n\u00e3o consiga garantir sua execu\u00e7\u00e3o?\u201d. E ele mesmo responde.&nbsp;<em>\u201cSem uma estrutura de garantia adequada jamais teremos investimento privado no Brasil.\u201d<\/em><\/p>\n<h6><strong>Entrevista com Jorge Sant\u2019Anna, CEO e cofundador BMG SEGUROS<\/strong><br \/>\n\u201cO n\u00edvel de investimento do Novo PAC s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ado se houver uma revolu\u00e7\u00e3o no segmento de seguros e resseguros.\u201d<\/h6>\n<p><strong>Qual ambiente de seguran\u00e7a jur\u00eddica temos hoje no setor de infraestrutura?<\/strong><br \/>\nDe entraves regulat\u00f3rios.&nbsp;Eles provocam uma enorme incerteza no investidor. Basta olharmos o per\u00edodo depois da Lava Jato, em que tivemos um cemit\u00e9rio de obras inacabadas, sem nenhuma indeniza\u00e7\u00e3o de seguradoras tanto a financiadores quanto contratantes. Esse quadro aterroriza investidores privados e sobretudo o estrangeiro. Sem uma estrutura de garantia adequada jamais teremos investimento privado no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Qual a mudan\u00e7a decisiva teremos a&nbsp;<\/strong><strong>partir de janeiro, quando efetivamente entra em vigor a Nova Lei de Licita\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nTodo projeto de infraestrutura exige uma complexa rede de prote\u00e7\u00e3o aos investidores e contratantes, que nos pa\u00edses desenvolvidos s\u00e3o essencialmente desempenhados pela ind\u00fastria de seguros e resseguro, atrav\u00e9s de instrumentos como o Performance Bond.<\/p>\n<p><strong>De que se trata o Performance Bond?<\/strong><br \/>\nUm instrumento que garante pre\u00e7o, qualidade e prazos contratados, al\u00e9m de um projeto consistente e a comprova\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as ambientais. Enfim, ele desempenha papel fundamental na execu\u00e7\u00e3o correta de obras em que o contratante \u00e9 o governo. Nos EUA, os Performance Bonds remontam a 1894.<\/p>\n<p><strong>Nossa legisla\u00e7\u00e3o corrigir\u00e1 isso?<\/strong><br \/>\nA nova lei [14.133\/21] traz uma s\u00e9rie de inova\u00e7\u00f5es e melhorias. Mesmo tendo limite de cobrir s\u00f3 at\u00e9 30% nas obras de grande vulto [no caso americano \u00e9 de 100%], houve aumento da cobertura segurada, j\u00e1 que por aqui antes era de 10%. H\u00e1 tamb\u00e9m inclus\u00e3o da cl\u00e1usula que permite \u00e0s seguradoras finalizarem obras nos casos de insufici\u00eancia financeira do prestador.&nbsp;A seguradora ganhou a posi\u00e7\u00e3o de interveniente do contrato, conferindo a ela maior n\u00famero de obriga\u00e7\u00f5es e responsabilidades na execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quanto a quest\u00e3o de seguros &amp; garantias pode baratear o cr\u00e9dito?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil prever a redu\u00e7\u00e3o do custo do financiamento. Mas nos custos estruturais \u00e9 inevit\u00e1vel, uma vez que o seguro reduzir\u00e1 enormemente os riscos de execu\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n<p><strong>A seguradora passa a ser um player relevante \u00e0 mesa. O segmento est\u00e1 pronto?<\/strong><br \/>\nTemos hoje o mercado financeiro mais transparente e mais bem supervisionado do mundo. Mas o mercado de seguros ainda est\u00e1 muito atr\u00e1s. D\u00e9cadas atr\u00e1s.&nbsp;E sem um mercado de seguro moderno e inovador n\u00e3o teremos financiamento privado para a infraestrutura.Existem hoje, digamos, cinco grandes seguradoras de garantia no Pa\u00eds. E destas somente duas ou tr\u00eas v\u00e3o ter compet\u00eancia e capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para entrar nesse jogo.<\/p>\n<p><strong>E sem elas\u2026 sem investimento privado?<\/strong><br \/>\nSim. E o subinvestimento em infraestrutura acarreta em baixa competitividade. Comparado a outros pa\u00edses em desenvolvimento ou emergentes, temos a pior situa\u00e7\u00e3o. Do total de rodovias, apenas 13,5% s\u00e3o pavimentadas. Das ferrovias, apenas um ter\u00e7o est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o comercial. E dos mais de 41 mil quil\u00f4metros de hidrovias, apenas 53% s\u00e3o economicamente naveg\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 preciso acontecer para essa nova chance n\u00e3o ser desperdi\u00e7ada?<\/strong><br \/>\nA gente vive um cen\u00e1rio de oportunidades. Mas a li\u00e7\u00e3o de casa do ecossistema inteiro ainda est\u00e1 no come\u00e7o. Minha ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 sensibilizar as pessoas chave dentro do governo e de alguma maneira dizer, \u2018olha, tem aqui um bloqueador que eu preciso ajudar a desbloquear\u2019.&nbsp;O mercado privado n\u00e3o ser\u00e1 capaz de fazer frente \u00e0 enorme demanda do novo PAC. Esse n\u00edvel de investimento s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ado se houver uma revolu\u00e7\u00e3o no mundo de seguros e resseguros e uma interconex\u00e3o com os mercados financeiro e de capitais.<\/p>\n<\/div>\n<section data-hb-type=\"ads\" data-hb-position=\"after-content\" data-hb-provider=\"\">\n<div id=\"see_more\" class=\"vejamais\"><strong>Cr\u00e9dito: Beto Silva e Edson Rossi \/ Isto\u00c9 Dinheiro &#8211; @ dispon\u00edvel n internet 30\/10\/2023<\/strong><\/div>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/section>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<footer>\n<div class=\"cointainer\">\n<div class=\"info-footer\">\n<p class=\"p1\" data-hb-type=\"copyright\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2022 O principal gargalo do crescimento e do bem-estar \u00e9 a infraestrutura de um pa\u00eds \u2022 Para dar modernidade a esse pilar \u00e9 preciso legisla\u00e7\u00e3o moderna e fluxo de capitais \u2022 Analistas alertam que, sem investimento, Brasil perde competitividade em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses em desenvolvimento \u2022 Nova Lei de Licita\u00e7\u00f5es pode combater corrup\u00e7\u00e3o e garantir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":83889,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-83888","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/infraestrutura.jpg?fit=2048%2C1152&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83888"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83888\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83891,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83888\/revisions\/83891"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}