{"id":86283,"date":"2024-01-29T04:17:08","date_gmt":"2024-01-29T07:17:08","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=86283"},"modified":"2024-01-28T18:27:29","modified_gmt":"2024-01-28T21:27:29","slug":"o-drama-dos-jovens-nem-nem-que-nao-estudam-nem-trabalham","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2024\/01\/29\/o-drama-dos-jovens-nem-nem-que-nao-estudam-nem-trabalham\/","title":{"rendered":"O drama dos jovens nem-nem, que n\u00e3o estudam nem trabalham"},"content":{"rendered":"<header class=\"sc-osfUn cknHRf\">\n<p class=\"sc-iJfdHH sc-cCIIiH sc-jdkVqZ sc-gFWRCe cmgBOB kzaFDA hGpdag kTNyaU sc-fjaMjM hwnFyE teaser-text has-italic\"><em><strong>Eles s\u00e3o um quarto dos brasileiros entre 15 e 29 anos e um retrato da desigualdade no Brasil: na sua maioria pobres, negros e mulheres.<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"sc-iJfdHH sc-cCIIiH sc-jdkVqZ sc-gFWRCe cmgBOB kzaFDA hGpdag kTNyaU sc-fjaMjM hwnFyE teaser-text has-italic\">A carioca Carolina Cristina de Barros tinha 15 anos quando o teste de gravidez deu positivo. Yan Lucas veio \u00e0 luz em julho de 2016, levando a jovem a interromper os estudos e enfrentar o duplo desafio de ser m\u00e3e precoce e m\u00e3e solteira. O pai, seu namorado na \u00e9poca, nunca a ajudou.<\/p>\n<figure id=\"attachment_86284\" aria-describedby=\"caption-attachment-86284\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-86284 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?resize=696%2C305\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?resize=300%2C131&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?resize=1024%2C448&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?resize=768%2C336&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?resize=696%2C305&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?resize=1068%2C467&amp;ssl=1 1068w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/19013992_1004.webp?resize=960%2C420&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-86284\" class=\"wp-caption-text\">No Brasil, quase metade dos jovens que n\u00e3o estudam nem trabalham s\u00e3o mulheres pretas ou pardas. Necessidade de cuidados familiares e com o lar atinge mulheres de maneira desproporcional e mant\u00e9m 2,5 milh\u00f5es delas fora do mercado de trabalhoFoto: picture-alliance\/AP Photo\/F. Dana<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"sc-iJfdHH sc-iUeHef sc-eflkNB sc-lbyHcV cmgBOB fQqUuT guLzpQ ljQpIU sc-gMiUki jsZWgs rich-text has-italic has-italic\">\n<p>Nascida no ano 2000, Carolina enfrenta um dos males do mil\u00eanio \u2013 o limbo dos jovens &#8220;nem-nem&#8221;, que n\u00e3o estudam e nem trabalham. A situa\u00e7\u00e3o afeta jovens no mundo todo, mas tem \u00edndices alarmantes no Brasil, onde encontra agravantes ligados a pobreza, ra\u00e7a e g\u00eanero.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 10,9 milh\u00f5es de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos n\u00e3o estudam e n\u00e3o trabalham, o que representa 22,3% \u2013 ou um em cada cinco \u2013 desta faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>A maioria desses jovens s\u00e3o pobres (61,2%) e&nbsp;mulheres (63,4%).&nbsp;Quase metade (43,3%) s\u00e3o mulheres pretas ou pardas. Carolina faz parte das tr\u00eas estat\u00edsticas. Ela mora sozinha com o filho em Senador Camar\u00e1, favela em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Eu vou \u00e0s ruas, deixo curr\u00edculo, mas \u00e9 muito dif\u00edcil. Porque eu n\u00e3o consegui terminar os estudos e tamb\u00e9m porque sou preta. Ou seja, primeiro emprego, estudos incompletos, sem experi\u00eancia&#8230; Rejeitam o meu curr\u00edculo&#8221;, resume a jovem, hoje com 23 anos.<\/p>\n<p>De acordo com a&nbsp;Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o Brasil tem um dos piores \u00edndices de jovens nesta situa\u00e7\u00e3o quando comparado a outros 38 pa\u00edses. Segundo o relat\u00f3rio&nbsp;<em>Education at a Glance<\/em>, de 2023, o pa\u00eds fica \u00e0 frente apenas da \u00c1frica do Sul, Col\u00f4mbia, Chile, Rep\u00fablica Tcheca e Turquia nesse quesito. Enquanto uma m\u00e9dia de 14,7% de jovens entre 18 e 24 anos est\u00e3o fora da escola e do trabalho nos pa\u00edses analisados, no Brasil a propor\u00e7\u00e3o chega a 24,4%.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container\">\n<div class=\"sc-knwvCr jcnpmE sc-cwFklu eKiotc lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Carolina Barros com o filho, Yan Lucas\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/68096478_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Carolina Barros com o filho, Yan Lucas\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Carolina Barros com o filho, Yan Lucas Foto: Privat<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h4><strong>Perda estimada em R$ 46,3 bi para o PIB<\/strong><\/h4>\n<p>O contingente de jovens que n\u00e3o estuda e nem trabalha \u00e9 um indicador importante n\u00e3o apenas da vulnerabilidade juvenil, como tamb\u00e9m para medir a perda de potencial de produtividade de uma economia \u2013 no presente e no longo prazo, j\u00e1 que se trata de uma for\u00e7a de trabalho que pode atuar por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Se essa parcela da popula\u00e7\u00e3o estivesse ativa no Brasil, o PIB de 2022 teria crescido R$ 46,3 bilh\u00f5es. A conta \u00e9 da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC), segundo estudo divulgado neste m\u00eas (15\/01) com base nos dados do IBGE.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-86285 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/e26ebc18-edbb-460f-9d1b-b42d3332f185.jpg?resize=696%2C815\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"815\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/e26ebc18-edbb-460f-9d1b-b42d3332f185.jpg?w=739&amp;ssl=1 739w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/e26ebc18-edbb-460f-9d1b-b42d3332f185.jpg?resize=256%2C300&amp;ssl=1 256w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/e26ebc18-edbb-460f-9d1b-b42d3332f185.jpg?resize=696%2C815&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/e26ebc18-edbb-460f-9d1b-b42d3332f185.jpg?resize=359%2C420&amp;ssl=1 359w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/e26ebc18-edbb-460f-9d1b-b42d3332f185.jpg?resize=718%2C840&amp;ssl=1 718w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/p>\n<div class=\"render-container embed dw-widget\">\n<div class=\"sc-kKHIly fMzQSP dw-widget\">O relat\u00f3rio da OCDE, baseado em dados de 2022, frisa a import\u00e2ncia de governos desenvolverem pol\u00edticas p\u00fablicas para evitar que jovens entrem nessa situa\u00e7\u00e3o, ou para que saiam dela o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Dificuldades para transitar da escola para o mercado de trabalho no in\u00edcio da vida adulta podem ter consequ\u00eancias de longo prazo na vida de um jovem, e quanto mais tempo se passa nesta situa\u00e7\u00e3o, mais dif\u00edcil \u00e9 sair.<\/div>\n<\/div>\n<h4><strong>Potencial desperdi\u00e7ado<\/strong><\/h4>\n<p>Para a economista e analista do IBGE Denise Guichard, \u00e9 fundamental que governo, empresas e a sociedade olhem com mais aten\u00e7\u00e3o para os jovens nessa situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos cuidar da juventude de hoje. \u00c9 uma perda de potencial de produtividade e de capital humano muito grande. S\u00e3o 11 milh\u00f5es de jovens fora do mercado de trabalho e do sistema de ensino, tantas oportunidades desperdi\u00e7adas&#8221;, enfatiza. &#8220;As pessoas perdem, e o pa\u00eds perde.&#8221;<\/p>\n<p>O termo nem-nem \u00e9 a vers\u00e3o em portugu\u00eas da sigla em ingl\u00eas NEET (<em>not in education, employment, or training<\/em>, ou seja, fora da educa\u00e7\u00e3o, emprego ou forma\u00e7\u00e3o profissional).<\/p>\n<p>Muitos rejeitam a express\u00e3o por sugerir que o jovem \u00e9 respons\u00e1vel pela&nbsp;situa\u00e7\u00e3o. Alguns economistas preferem falar em &#8220;sem-sem&#8221;, ou seja, sem escola e sem emprego, para refor\u00e7ar as desigualdades e faltas de oportunidade na raiz do problema.<\/p>\n<p>Os motivos que levam jovens a estarem fora da escola e do trabalho apontam para m\u00faltiplos obst\u00e1culos, que envolvem baixa qualidade da educa\u00e7\u00e3o, falta de acesso ao mercado de trabalho e desigualdade de oportunidades e de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container\">\n<div class=\"sc-knwvCr jcnpmE sc-cwFklu eKiotc lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Geovani Cunha sentado na proa de um barco ao entardecer com o mar e montanhas ao fundo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/68096575_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Geovani Cunha sentado na proa de um barco ao entardecer com o mar e montanhas ao fundo\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Geovani Cunha ainda n\u00e3o conseguiu emprego, apesar da rotina persistente de entrega de curr\u00edculos Foto: Privat<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h4><strong>Corrida de obst\u00e1culos<\/strong><\/h4>\n<p>Geovani Cunha, de 21 anos, terminou os estudos h\u00e1 tr\u00eas anos, mas ainda n\u00e3o conseguiu emprego, apesar de uma rotina insistente de distribuir curr\u00edculos.<\/p>\n<p>Suas dificuldades refletem problemas enfrentados por jovens pobres e pardos como ele \u2013 desde o ensino p\u00fablico, que considerou fraco (&#8220;os professores mais faltavam do que iam&#8221;) ao estigma que sente ao sair da favela onde mora para os bairros mais abastados da zona sul do Rio (&#8220;a gente v\u00ea o julgamento no olhar das pessoas. Na zona sul, todo preto \u00e9 favelado, vagabundo, ladr\u00e3o&#8221;).<\/p>\n<p>&#8220;Estou correndo atr\u00e1s, mas garanto que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Acordar cedo para entregar curr\u00edculo por a\u00ed, sabendo que vou ficar sem almo\u00e7ar, passando mal no sol em fila de emprego. O patr\u00e3o n\u00e3o quer saber dos seus problemas, se voc\u00ea comeu ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O rapaz sonha em entrar para as For\u00e7as Armadas. Passou em duas provas para ser bombeiro e fuzileiro naval, mas n\u00e3o conseguiu seguir no processo de sele\u00e7\u00e3o por falta de dinheiro para fazer os exames m\u00e9dicos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Geovani foi criado pelos av\u00f3s. Tem pouco contato com a m\u00e3e; j\u00e1 o pai passou parte da inf\u00e2ncia de Geovani na pris\u00e3o e morreu ap\u00f3s um acidente de moto, por neglig\u00eancia m\u00e9dica. O jovem cresceu num distrito na cidade costeira de Mangaratiba, a duas horas da capital, mas se mudou para o Rio porque l\u00e1 n\u00e3o havia emprego.<\/p>\n<p>Hoje, vive com a tia em Vila Vint\u00e9m, comunidade na zona oeste do Rio. Enquanto busca emprego, faz bicos para sobreviver \u2013 troca l\u00e2mpadas, arruma fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, vende bala no trem que liga Realengo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o Central do Brasil, no Centro, a cerca de 30km.<\/p>\n<p>Geovani viu amigos enveredarem para o tr\u00e1fico de drogas. Viu um ser assassinado. O caminho do dinheiro pelo crime est\u00e1 &#8220;na porta de casa, andando na pra\u00e7a&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo parece que caminha para a gente ir pro errado. A vida joga a gente pro errado. Gra\u00e7as a Deus, eu sempre tive a cabe\u00e7a no lugar&#8221;, diz ele, afirmando que a f\u00e9 na umbanda lhe d\u00e1 esteio.<\/p>\n<div class=\"vjs-wrapper embed big\">\n<h4 class=\"headline\" aria-label=\"V\u00eddeo incorporado \u2014 Uma d\u00e9cada de crises fez o Brasil perder uma gera\u00e7\u00e3o?\"><strong><span style=\"color: var(--td_text_color, #111111);\">Carga desproporcional para mulheres<\/span><\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<p>Para grande parte dos jovens sem escola e sem trabalho, por\u00e9m, os obst\u00e1culos do mercado de trabalho ainda parecem distantes. Isso porque 66% deles sequer est\u00e3o buscando emprego \u2013 e \u00e9 neste grupo que os pap\u00e9is de g\u00eanero aparecem de forma mais expressiva.<\/p>\n<p>O motivo mais frequente \u00e9 a necessidade de cuidar de parentes ou afazeres dom\u00e9sticos. E esta raz\u00e3o atinge as mulheres, sobretudo as negras, de forma desproporcional. De 7,1 milh\u00f5es de jovens que n\u00e3o buscam ocupa\u00e7\u00e3o, 2,5 milh\u00f5es s\u00e3o mulheres ocupadas com afazeres dom\u00e9sticos ou cuidados familiares.<\/p>\n<p>Segundo Denise Guichard, as mulheres t\u00eam mais dificuldade de sair dessa estat\u00edstica ao longo dos anos. &#8220;Os homens se lan\u00e7am e v\u00e3o para o mercado de trabalho, mas as mulheres param&#8221;, aponta a analista do IBGE.<\/p>\n<p>Neste ano, o pequeno Yan Lucas completar\u00e1 8 anos. Carolina, prestes a fazer 24, vive com os R$ 600 mensais que recebe do Bolsa Fam\u00edlia e com os trocados que ganha fazendo bicos de manicure e de cabeleireira na vizinhan\u00e7a. &#8220;Passamos aperto, mas corro atr\u00e1s para dar as coisas para ele&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Decidida a sair da situa\u00e7\u00e3o gerada pela maternidade precoce, por\u00e9m, Carolina acaba de se inscrever em um supletivo noturno para completar o ensino m\u00e9dio. O curso, numa escola municipal, permite que m\u00e3es sem rede de apoio levem os filhos para a escola.<\/p>\n<p>Carolina espera que, completando o ensino m\u00e9dio, tenha maiores chances de se inserir no mercado de trabalho. Ela sonha em cursar enfermagem.<\/p>\n<p>&#8220;Estou doida para come\u00e7ar as aulas. Para terminar os estudos e finalizar logo essa etapa da minha vida. Para come\u00e7ar 2024 de uma maneira diferente&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: J\u00falia Dias Carneiro \/Deutsche Welle&nbsp; &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 29\/01\/2024<\/strong><\/p>\n<hr>\n<h4 class=\"entry-title\"><strong>Gera\u00e7\u00e3o \u2018nem-nem\u2019 quer trabalhar, mas n\u00e3o tem oportunidades<\/strong><\/h4>\n<p><strong><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/01\/13\/geracao-nem-nem-quer-trabalhar-mas-nao-tem-oportunidades\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/01\/13\/geracao-nem-nem-quer-trabalhar-mas-nao-tem-oportunidades\/<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles s\u00e3o um quarto dos brasileiros entre 15 e 29 anos e um retrato da desigualdade no Brasil: na sua maioria pobres, negros e mulheres. A carioca Carolina Cristina de Barros tinha 15 anos quando o teste de gravidez deu positivo. 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