{"id":87599,"date":"2024-03-26T04:09:23","date_gmt":"2024-03-26T07:09:23","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=87599"},"modified":"2024-03-25T20:15:21","modified_gmt":"2024-03-25T23:15:21","slug":"ha-200-anos-brasil-ganhava-sua-primeira-constituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2024\/03\/26\/ha-200-anos-brasil-ganhava-sua-primeira-constituicao\/","title":{"rendered":"H\u00e1 200 anos, Brasil ganhava sua primeira Constitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<header class=\"sc-hxGuYR bWfuob\">\n<p class=\"sc-ivDvhZ iBEcrE sc-bYUneI clArVt sc-kMbQoj bDRlQg sc-cCIIiH kgqfmn sc-BbNMx bBsUeI teaser-text\" style=\"text-align: left;\">Documento foi imposto pelo imperador Dom Pedro 1\u00b0 e se tornou a carta magna at\u00e9 hoje com maior vig\u00eancia no pa\u00eds \u2014 vigorando por 65 anos, at\u00e9 a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"sc-ivDvhZ iBEcrE sc-ilpitK eqflEz sc-jIJgYh fNjber sc-gXCJSa laAjLu sc-cxqeBy blgumf rich-text\" style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Quatro meses ap\u00f3s dissolver a assembleia constituinte que preparava a primeira carta magna do pa\u00eds, o imperador Dom Pedro 1\u00b0 apresentou, ele mesmo, um documento para funcionar como constitui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa, a Constitui\u00e7\u00e3o de 1824 acabou conhecida como &#8220;outorgada&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em linhas gerais, a carta imposta pelo monarca era muito semelhante ao projeto preparado pela assembleia. Com uma substancial diferen\u00e7a: o pr\u00f3prio poder de Dom Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8220;A assembleia constituinte era limitadora dos poderes de Dom Pedro, basicamente porque, pela l\u00f3gica dos tr\u00eas poderes, ele se tornava respons\u00e1vel, ou seja, pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o e controle&#8221;, explica o historiador Marcelo Cheche Galves, professor na Universidade Estadual do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A solu\u00e7\u00e3o encontrada por Dom Pedro foi criativa. &#8220;Ele usou basicamente o mesmo texto do projeto de 1823 com a cria\u00e7\u00e3o de um quarto poder, o poder moderador [exercido por ele mesmo], o que tornava o imperador irrespons\u00e1vel, ou seja, n\u00e3o pass\u00edvel de responsabiliza\u00e7\u00e3o de seus atos e acima dos demais poderes&#8221;, acrescenta Galves.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mesmo com essa adapta\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria, o imperador julgava que era essencial governar dentro de um modelo constitucional, seguindo uma tend\u00eancia de sua \u00e9poca. &#8220;A roupagem constitucional era importante naquele momento&#8221;, diz Galves. &#8220;Havia forte apelo constitucional nos dois lados do Atl\u00e2ntico.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_portrait right\">\n<div class=\"render-container\">\n<div class=\"sc-dkjKgF lcVEbV sc-knwvCr jVjfzN lazy-load-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded aligncenter\" title=\"Capa da Constitui\u00e7\u00e3o de 1824 \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/68647205_902.jpg?resize=475%2C633&#038;ssl=1\" alt=\"Capa da Constitui\u00e7\u00e3o de 1824 \" width=\"475\" height=\"633\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"img-caption\">Capa da Constitui\u00e7\u00e3o de 1824 <small class=\"copyright\">Foto: Arquivo Nacional<\/p>\n<p><\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">Nesse sentido, na posi\u00e7\u00e3o de &#8220;monarca constitucional&#8221;, Dom Pedro ganhava certa prote\u00e7\u00e3o diante de press\u00f5es internas, al\u00e9m de automaticamente se tornar candidato a uma alternativa constitucional em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8220;O objetivo de Dom Pedro foi, de um lado, assegurar uma ordem jur\u00eddica e pol\u00edtica que preservasse o protagonismo pessoal e simb\u00f3lico do monarca e, de outro, alimentar esse protagonismo pela entrada em vigor dos dispositivos constitucionais, acionando a tomada de decis\u00f5es, a barganha de apoios e de favores, o fortalecimento da monarquia constitucional como instrumento e vitrine da presen\u00e7a do Imp\u00e9rio do Brasil no cen\u00e1rio continental e internacional&#8221;, analisa o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ele ressalta que o significado estrat\u00e9gico foi &#8220;acenar com a possibilidade de conciliar passado e futuro, tendo em vista a reunifica\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio portugu\u00eas pela legitimidade din\u00e1stica da Casa de Bragan\u00e7a, pela qual ele n\u00e3o poderia renunciar aos fundamentos do Absolutismo e da Realeza, e pela representatividade social e territorial de interesses, diferentes e conflitantes de seus componentes, como, por exemplo, a defini\u00e7\u00e3o de esferas de autonomia regional e a escravid\u00e3o, pela qual pretendia obter a estabilidade e a viabilidade da unidade pol\u00edtica do Imp\u00e9rio&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Autor de, entre outros livros,&nbsp;<em>Dom Pedro \u2013 A Hist\u00f3ria N\u00e3o Contada<\/em>, o pesquisador e bi\u00f3grafo Paulo Rezzutti salienta que, o imperador julgava nunca ter deixado de ser liberal. &#8220;Naquela \u00e9poca, perante 99,9% dos monarcas europeus, principalmente os l\u00edderes da Santa Alian\u00e7a, que eram anticonstitucionais e antiliberais, Dom Pedro 1\u00b0 era um louco ao dar ele pr\u00f3prio ao povo uma constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m disso, ao se posicionar como monarquia constitucional, o Brasil facilitava o seu reconhecimento mundial como na\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Pesquisador na Universidade Estadual Paulista, o historiador Victor Missiato frisa que a carta tamb\u00e9m teve o vi\u00e9s de &#8220;centralizar o poder de Dom Pedro em um ambiente muito fragmentado p\u00f3s-independ\u00eancia&#8221;. De certa forma, era uma maneira de garantir a unidade nacional, considerando o amplo territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Pontos principais<\/span><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\">A Constitui\u00e7\u00e3o de 1824 funcionou para balizar o funcionamento da rec\u00e9m-criada na\u00e7\u00e3o independente brasileira. Delimitou a unidade territorial, criou uma divis\u00e3o clara entre os poderes, garantiu direitos individuais, civis e pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m disso, &#8220;colocou como responsabilidade do Estado brasileiro a educa\u00e7\u00e3o&#8221;, pontua Rezzutti. &#8220;Definiu o catolicismo como religi\u00e3o oficial, mas garantiu o direito de culto de outras religi\u00f5es&#8221;, acrescenta ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">As principais cr\u00edticas foram que a carta manteve o voto censit\u00e1rio, ou seja, o voto ligado ao poder aquisitivo do eleitor e dos candidatos, e o regime escravocrata. Galves alerta, contudo, para o risco de anacronismos ao fazer questionamentos contempor\u00e2neos sobre esses problemas. &#8220;\u00c9 importante n\u00e3o cobrarmos liberdades que n\u00e3o eram majorit\u00e1rias naquele tempo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas ele concorda que a constitui\u00e7\u00e3o tinha &#8220;caracter\u00edsticas de estratifica\u00e7\u00e3o da cidadania&#8221;, j\u00e1 que o voto censit\u00e1rio acabava produzindo &#8220;camadas de cidad\u00e3os com direitos diferentes&#8221;.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Legado<\/span><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\">Martinez afirma que em termos jur\u00eddicos e pol\u00edticos, quase nada ficou at\u00e9 hoje dessa primeira constitui\u00e7\u00e3o. &#8220;Em termos de utopia e de ideologia, herdamos a gen\u00e9rica filia\u00e7\u00e3o ao ordenamento constitucional e o seu apelo na regula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais no interior da na\u00e7\u00e3o e desta com a comunidade internacional envolvente&#8221;, cita ele, referindo-se a quest\u00f5es como divis\u00e3o de poderes, representa\u00e7\u00e3o, direitos individuais e soberania dos Estados nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8220;O registro hist\u00f3rico e a mem\u00f3ria social evocada ou dissimulada s\u00e3o de um imagin\u00e1rio pol\u00edtico de personalismo, centraliza\u00e7\u00e3o, autoritarismo e de viol\u00eancia sistem\u00e1tica, estatal e privada, no exerc\u00edcio e na manuten\u00e7\u00e3o do poder, do controle das inst\u00e2ncias governamentais, da terra, da cultura e da impunidade de in\u00fameras a\u00e7\u00f5es espoliadoras praticadas por segmentos expressivos das elites econ\u00f4micas e de seus representantes pol\u00edticos&#8221;, acrescenta ainda.<\/p>\n<\/div>\n<footer class=\"sc-kkuBet iXIRZz\">\n<div class=\"sc-iLsJcc drLqVP row\">\n<div class=\"sc-bouBDN cuZoTV col col-12 col-xl-6 one-author author\">\n<div class=\"author-name\"><strong>Cr\u00e9dito: Edison Veiga \/<span class=\"sc-ivDvhZ iBEcrE sc-ilpitK eqflEz sc-jIJgYh fNjber sc-jdkVqZ hXmhkR sc-gIvWvA hyNzsk\"> Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 26\/3\/2024<\/span><\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento foi imposto pelo imperador Dom Pedro 1\u00b0 e se tornou a carta magna at\u00e9 hoje com maior vig\u00eancia no pa\u00eds \u2014 vigorando por 65 anos, at\u00e9 a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. 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