{"id":89736,"date":"2024-06-27T04:12:21","date_gmt":"2024-06-27T07:12:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=89736"},"modified":"2024-06-27T05:53:19","modified_gmt":"2024-06-27T08:53:19","slug":"brasil-esta-secando-aponta-mapbiomas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2024\/06\/27\/brasil-esta-secando-aponta-mapbiomas\/","title":{"rendered":"Brasil est\u00e1 secando, aponta Mapbiomas"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text s1811lbz t1qen3t4 m1km9ap7 wgx1hx2 b1ho1h07\">Em 2023, a superf\u00edcie de \u00e1gua encolheu 3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, mostram dados do Mapbiomas. Situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica \u00e9 no Pantanal, que perdeu 61% de \u00e1gua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica medida desde 1985.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"cl16rh rdrhdio s1amioo0 hh5424a advertisement\">\n<div id=\"dw_d_article_top\" class=\"gpt-slot sps7s0t\" data-google-query-id=\"CN28pb6y-4YDFUVc3QIdLbsKNw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/228556409\/DW_D_Article_Top_0__container__\">Em 2023, o territ\u00f3rio do Brasil ficou um pouco mais seco. Em todos os meses do ano, inclusive durante a temporada de chuvas, a superf\u00edcie de \u00e1gua encolheu, aponta levantamento divulgado nesta quarta-feira (26\/06) pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental MapBiomas, uma rede que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia e que realiza estudos para monitorar mudan\u00e7as na cobertura e no uso da terra.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"s1ebneao rich-text t1it8i9i r1wgtjne wgx1hx2 b1ho1h07\">\n<p>A perda registrada no ano passado foi de 3% em compara\u00e7\u00e3o com 2022. \u00c9 como se a \u00e1gua esparramada sobre 5.700 km\u00b2 tivesse evaporado \u2013 o equivalente a cinco vezes a cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div class=\"render-container embed dw-widget\">\n<div class=\"s1smsexi dw-widget\"><iframe class=\"cmplazyload\" title=\"Elemento externo integrado\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476726\" data-cmp-vendor=\"c43449\" data-cmp-src=\"\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476726\" data-cmp-preview=\"100%x300\" data-cmp-done=\"1\" data-cmp-ab=\"1\" data-cmp-activated=\"1\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Desde 1985, in\u00edcio do per\u00edodo analisado pelo Mapbiomas, a tend\u00eancia observada no pa\u00eds \u00e9 de decl\u00ednio. Especificamente em 2023, a redu\u00e7\u00e3o foi de 1,5% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica. Atualmente, a \u00e1gua cobre 183.000 km\u00b2 do territ\u00f3rio brasileiro, o que corresponde a 2% do total.<\/p>\n<p>&#8220;A tend\u00eancia geral \u00e9 de perda de \u00e1gua. A explica\u00e7\u00e3o para esse cen\u00e1rio \u00e9 complexa e se deve a v\u00e1rios fatores como mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o,&nbsp;aumento de temperatura, ver\u00f5es mais quentes e mais longos, mudan\u00e7as no uso do solo&#8221;, afirma \u00e0 DW Juliano Schirmbeck, coordenador t\u00e9cnico do Mapbiomas \u00c1gua.<\/p>\n<h2>Extremos de Norte a Sul<\/h2>\n<p>O impacto dos eventos clim\u00e1ticos extremos de 2023 \u00e9 um dos destaques preocupantes da cole\u00e7\u00e3o de dados. A Amaz\u00f4nia, por exemplo, iniciou aquele ano com superf\u00edcie de \u00e1gua acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica e, meses depois, o bioma enfrentou uma&nbsp;<a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/seca-na-amaz%C3%B4nia-transforma-paisagem-tropical-em-deserto\/a-67110708\">seca sem precedentes<\/a>. O rio Negro registrou o menor \u00edndice desde que seu n\u00edvel come\u00e7ou a ser acompanhado, h\u00e1 100 anos.<\/p>\n<div class=\"render-container embed dw-widget\">\n<div class=\"s1smsexi dw-widget\"><iframe class=\"cmplazyload\" title=\"Elemento externo integrado\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476751\" data-cmp-vendor=\"c43449\" data-cmp-src=\"\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476751\" data-cmp-preview=\"100%x300\" data-cmp-done=\"1\" data-cmp-ab=\"1\" data-cmp-activated=\"1\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>O Pampa, do lado oposto do Brasil, iniciou os primeiros quatro meses de 2023 na fase mais seca de sua s\u00e9rie hist\u00f3rica. Em setembro, chuvas intensas come\u00e7aram a ocorrer no Sul e provocaram inunda\u00e7\u00f5es, deixando milhares de desabrigados e dezenas de mortos. &#8220;A chuva caiu principalmente em cidades que est\u00e3o dentro do bioma Mata Atl\u00e2ntica, mas a \u00e1gua escorreu para o Pampa e fez com que aumentasse a disponibilidade&#8221;, detalha Schirmbeck.<\/p>\n<p>A era dos extremos impulsionados pelas&nbsp;mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, analisa o pesquisador, se mostrou com bastante clareza no ano que passou. &#8220;H\u00e1 anos escutamos dos cientistas que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocariam eventos extremos mais graves e com maior frequ\u00eancia. Isso foi visto nos extremos geogr\u00e1ficos do Brasil&#8221;, comenta o coordenador da s\u00e9rie do Mapbiomas.<\/p>\n<h2>A crise no Pantanal<\/h2>\n<p>Proporcionalmente, o&nbsp;Pantanal&nbsp;foi o bioma que mais secou desde 1985. Em 2023, a superf\u00edcie de \u00e1gua anual registrada ficou em 3.820 km\u00b2, o que representou uma redu\u00e7\u00e3o de 61% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica. Al\u00e9m da diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea alagada, o tempo em que este terreno fica submerso tamb\u00e9m caiu.<\/p>\n<p>&#8220;O Pantanal \u00e9 uma das maiores \u00e1reas \u00famidas do mundo e est\u00e1 sob preocupa\u00e7\u00e3o especial. A superf\u00edcie de \u00e1gua anual, que permanece pelo menos seis meses, caiu drasticamente, \u00e9 a maior redu\u00e7\u00e3o desde 1985&#8221;, pontua Schirmbeck.<\/p>\n<div class=\"render-container embed dw-widget\">\n<div class=\"s1smsexi dw-widget\"><iframe class=\"cmplazyload\" title=\"Elemento externo integrado\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476604\" data-cmp-vendor=\"c43449\" data-cmp-src=\"\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476604\" data-cmp-preview=\"100%x300\" data-cmp-done=\"1\" data-cmp-ab=\"1\" data-cmp-activated=\"1\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 quatro d\u00e9cadas, o Pantanal contava com mais de 65% de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em seu entorno. Atualmente, n\u00e3o passa de 40%. Muitos desses pontos concentram nascentes \u2013 que ajudam a inundar o terreno \u2013 , exatamente por onde avan\u00e7a a fronteira agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Com o bioma mais seco, a&nbsp;<a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/por-que-pantanal-pode-viver-pior-temporada-de-fogo-em-2024\/a-69397143\">temporada de inc\u00eandios<\/a>&nbsp;come\u00e7ou precocemente neste ano e coloca \u00e0 prova a sua resili\u00eancia. Nas duas primeiras semanas de junho, o n\u00famero de focos de calor \u00e9 quase 700% maior que o mesmo per\u00edodo de 2020, o ano da pior crise do fogo at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A maior parte dos focos se concentra no munic\u00edpio de Corumb\u00e1, Mato Grosso do Sul, onde tamb\u00e9m foi registrada, em 2023, a maior perda de superf\u00edcie de \u00e1gua proporcional, com redu\u00e7\u00e3o de 53% em compara\u00e7\u00e3o com a m\u00e9dia hist\u00f3rica.<\/p>\n<h2>Crescimento fabricado<\/h2>\n<p>J\u00e1 a superf\u00edcie de \u00e1gua na Mata Atl\u00e2ntica cresceu, ficando 3% acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica. Diversas localidades no bioma registraram altos n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o com inunda\u00e7\u00f5es em \u00e1reas agr\u00edcolas e deslizamentos.<\/p>\n<div class=\"render-container embed dw-widget\">\n<div class=\"s1smsexi dw-widget\"><iframe class=\"cmplazyload\" title=\"Elemento externo integrado\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476765\" data-cmp-vendor=\"c43449\" data-cmp-src=\"\/webapi\/iframes\/widget\/pt-br\/69476765\" data-cmp-preview=\"100%x300\" data-cmp-done=\"1\" data-cmp-ab=\"1\" data-cmp-activated=\"1\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>No Cerrado e na Caatinga, a disponibilidade superficial da \u00e1gua tamb\u00e9m aumentou. Isso pode ser explicado pela cria\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios e hidrel\u00e9tricas ao longo do tempo. Atualmente, 23% de toda \u00e1gua dispon\u00edvel no pa\u00eds se concentra em \u00e1reas constru\u00eddas de armazenamento \u2013 a maioria est\u00e1 na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Por outro lado, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente quando se analisam os corpos h\u00eddricos naturais: sua superf\u00edcie encolheu 30,8% em 2023 em rela\u00e7\u00e3o a 1985. Metade das bacias hidrogr\u00e1ficas do pa\u00eds estavam abaixo da m\u00e9dia no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, o ambiente natural est\u00e1 secando. O ganho de superf\u00edcie \u00e9 no ambiente antr\u00f3pico, constru\u00eddo pelo homem. Isso vai na contram\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 \u00e1gua recomendadas num clima em mudan\u00e7a&#8221;, afirma Schirmbeck, referindo-se a solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza como&nbsp;cidades-esponjas&nbsp;e preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas \u00famidas.<\/p>\n<p>Essas estrat\u00e9gias permitem o armazenamento de \u00e1gua da chuva no solo que, aos poucos, escorre para os rios. Elas ajudam tamb\u00e9m a evitar enchentes nas grandes cidades, como as que ocorreram no fim de abril e come\u00e7o de maio no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<div class=\"render-container rich-text-ad\">\n<div class=\"cl16rh rdrhdio s1amioo0 hh5424a advertisement\">\n<div id=\"dw_d_article_incontent-1\" class=\"gpt-slot sps7s0t\" data-google-query-id=\"CIWRmcKy-4YDFbdU3QIdrcYNPQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/228556409\/DW_D_Article_InContent-1_0__container__\"><span style=\"color: var(--td_text_color, #111111); font-family: var(--td_default_google_font_2, 'Roboto', sans-serif); font-size: 27px;\">De cientista a refugiado clim\u00e1tico<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os dados do Mapbiomas \u00c1gua usam como base as imagens do sat\u00e9lite Landsat 5. Ele faz parte de um programa da ag\u00eancia espacial americana Nasa e integra a rede de observa\u00e7\u00e3o mais cont\u00ednua de toda a Terra. Embora a antena do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) capte desde a d\u00e9cada de 1970 as imagens do Landsat, a cobertura do territ\u00f3rio brasileiro de forma sistematizada se deu a partir de 1985.<\/p>\n<p>Morador de Roca Sales, no Rio Grande do Sul, Schirmbeck precisou se refugiar em Bel\u00e9m, Par\u00e1, para finalizar a pesquisa sobre o cen\u00e1rio de 2023. Ele deixou a cidade ga\u00facha em 10 de maio depois das enchentes recordes atingirem duramente o cotidiano da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A casa constru\u00edda em 1944 onde moravam os pais do pesquisador foi alagada. O casal de idosos foi retirado pelo telhado numa madrugada. A resid\u00eancia onde vivia com a esposa e a filha, de cinco anos, ficou isolada devido a um deslizamento de terra e perdeu a conex\u00e3o com a rede de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tamb\u00e9m virei um refugiado clim\u00e1tico. Tudo o que estamos registrando \u00e9 um alerta para repensarmos urgentemente a nossa rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente, para darmos import\u00e2ncia aos estudos cient\u00edficos, aos dados, na tomada de decis\u00e3o pelas autoridades&#8221;,&nbsp;comenta ao relatar a experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: N\u00e1dia Pontes \/ Deutsche Welle&nbsp;&#8211; @ dispon\u00edvel na internet 27\/6\/2024<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2023, a superf\u00edcie de \u00e1gua encolheu 3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, mostram dados do Mapbiomas. Situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica \u00e9 no Pantanal, que perdeu 61% de \u00e1gua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica medida desde 1985. Em 2023, o territ\u00f3rio do Brasil ficou um pouco mais seco. 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