{"id":91970,"date":"2024-09-25T04:25:21","date_gmt":"2024-09-25T07:25:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=91970"},"modified":"2024-09-24T18:22:58","modified_gmt":"2024-09-24T21:22:58","slug":"carreiras-de-elite-no-setor-publico-vao-ganhar-ate-r-36-mil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2024\/09\/25\/carreiras-de-elite-no-setor-publico-vao-ganhar-ate-r-36-mil\/","title":{"rendered":"Carreiras de elite no setor p\u00fablico v\u00e3o ganhar at\u00e9 R$ 36 mil"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Carreiras de elite no setor p\u00fablico v\u00e3o ganhar at\u00e9 R$36mil com aumentos que chegam a 10,9%<\/strong><\/h4>\n<p>Ap\u00f3s assinaturas de&nbsp;45 acordos salariais&nbsp;entre o&nbsp;governo Lula&nbsp;e sindicatos, distor\u00e7\u00f5es e desigualdades seguem como marca na estrutura\u00e7\u00e3o dos vencimentos dos servidores federais. Em alguns casos,&nbsp;cargos de elite, com vencimentos que v\u00e3o chegar a R$ 36 mil, conseguiram ter reajustes maiores do que trabalhadores com renda bem menor.<\/p>\n<p>Em 14 das categorias que fecharam acordo com o governo, os profissionais que ocupam o n\u00edvel mais avan\u00e7ado na carreira tiveram reajuste menor do que de outras sete carreiras da elite do servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de levantamento da&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;feito a partir de 40 dos 45 termos de acordo assinados com o MGI (Minist\u00e9rio da Gest\u00e3o e da Inova\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7os P\u00fablicos). Foi comparada a tabela remunerat\u00f3ria de maio de 2023, ap\u00f3s o primeiro reajuste concedido pelo governo federal, com a que valer\u00e1 a partir de 2025.<\/p>\n<p>Os projetos de lei de reestrutura\u00e7\u00e3o das carreiras ainda ser\u00e3o enviados para aprova\u00e7\u00e3o no Congresso. De acordo com o MGI, 98,2% da for\u00e7a de trabalho do governo federal fechou acordo de reajuste e reestrutura\u00e7\u00e3o de carreira. Para o pr\u00f3ximo ano, o&nbsp;impacto or\u00e7ament\u00e1rio ser\u00e1 de R$ 16 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Carreiras de elite t\u00eam maior poder de barganha com o governo. Por isso, s\u00e3o favorecidas pela capacidade de articular com o&nbsp;Congresso&nbsp;e saem na frente nas negocia\u00e7\u00f5es, segundo Humberto Martins, professor de gest\u00e3o p\u00fablica da FDC (Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral).<\/p>\n<p>Essas categorias est\u00e3o atreladas a \u00e1reas mais sens\u00edveis do setor p\u00fablico, como seguran\u00e7a e finan\u00e7as, e fun\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de Estado, como diplomacia e gest\u00e3o governamental. Para o professor, a proximidade com o poder faz esses servidores embarcarem em propostas disfuncionais, que sobrevalorizam suas carreiras.<\/p>\n<p>&#8220;As distor\u00e7\u00f5es para cima t\u00eam um efeito t\u00f3xico e geram um v\u00edcio de remunera\u00e7\u00f5es acima do razo\u00e1vel. O limite, aparentemente, \u00e9 o teto [Constituicional, de R$ 44 mil]&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo o MGI, o governo n\u00e3o quis dar \u00e0s categorias um ganho salarial acumulado inferior \u00e0 infla\u00e7\u00e3o prevista para os quatro anos da atual gest\u00e3o. A pasta diz ainda que os acordos visaram dar racionalidade aos agrupamentos de carreira.<\/p>\n<p>Parte da elite do Executivo, que inclui&nbsp;diplomatas, analistas de com\u00e9rcio exterior e analistas do&nbsp;Banco Central, ter\u00e1 aumento de 10,9% para o pr\u00f3ximo ano. Para profissionais de n\u00edvel mais avan\u00e7ado na carreira, o sal\u00e1rio passar\u00e1 a ser R$ 33.086,10.<\/p>\n<p>O aumento \u00e9 maior do que o concedido a cargos mais baixos de assistentes e oficiais de chancelaria, por exemplo. Eles ter\u00e3o sal\u00e1rio de R$ 5.516 no pr\u00f3ximo ano, ap\u00f3s reajuste de 9%.<\/p>\n<p>J\u00e1 os delegados e peritos criminais da&nbsp;Pol\u00edcia Federal&nbsp;conquistaram aumento de 8,15% para servidores no topo da carreira. Com isso, a categoria vai manter a maior remunera\u00e7\u00e3o no Executivo entre os acordos analisados, R$ 36 mil.<\/p>\n<p>O reajuste \u00e9 superior ao de profissionais em fim de carreira no Inmetro, que tiveram aumento de 6,2%. O maior sal\u00e1rio vai a R$ 23.108,23 no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>O levantamento da&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;considera apenas o maior e o menor sal\u00e1rio de cada um dos 40 acordos, e n\u00e3o de cada cargo. Um acordo pode beneficiar mais de uma categoria, como foi o caso do assinado pelas carreiras de previd\u00eancia, sa\u00fade e trabalho, do Departamento Nacional de Auditoria do&nbsp;SUS&nbsp;(Denasus) de agentes de combate \u00e0s endemias.<\/p>\n<p>As desigualdades persistem at\u00e9 entre cargos de uma mesma categoria. Enquanto terceiros-secret\u00e1rios, etapa inicial na carreira de diplomatas, tiveram reajuste de 7,8%, os ministros de primeira-classe, \u00faltimo n\u00edvel no&nbsp;Itamaraty, conseguiram aumento de 10,9%.<\/p>\n<h4><strong>Reestrutura\u00e7\u00e3o levou a recomposi\u00e7\u00e3o de at\u00e9 103%<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar do poder de barganha das carreiras de elite, o governo tamb\u00e9m negociou com categorias que estavam mais desestruturadas. O tempo sem reajustes e o&nbsp;congelamento de sal\u00e1rios na pandemia, de 2020 e 2021, gerou desfalques em toda a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, segundo Ursula Peres, professora de gest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas da&nbsp;<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha-topicos%2Fusp%2F\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">USP<\/a>.<\/p>\n<p>Por isso, nos acordos com o MGI, houve carreiras que, al\u00e9m da recomposi\u00e7\u00e3o salarial, tamb\u00e9m ter\u00e3o mudan\u00e7as quanto \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o. Isso alterou os n\u00edveis de progress\u00e3o de carreira e, em alguns casos, aumentou sal\u00e1rios em mais de 50%.<\/p>\n<p>&#8220;Quem consegue e quem n\u00e3o consegue tem a ver com a import\u00e2ncia na pol\u00edtica estrat\u00e9gica, mas todas as carreiras tiveram perdas em fun\u00e7\u00e3o da pandemia e outras muito antes disso, porque j\u00e1 estavam h\u00e1 um tempo sem recomposi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Ursula.<\/p>\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o atingiu sobretudo carreiras novas ou que foram mais afetadas por falta de recursos. O acordo com os servidores da&nbsp;Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas), por exemplo, se encaixa nessa categoria e foi um dos primeiros a ser fechado. Profissionais que ocupam o cargo de maior sal\u00e1rio ter\u00e3o aumento de 44,7% para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Analistas de&nbsp;tecnologia&nbsp;da informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passaram por reestrutura\u00e7\u00e3o e receberam aumento de 75%, o melhor resultado entre os cargos mais bem remunerados. Nessa categoria, os que ocupam cargos mais baixos e est\u00e3o no in\u00edcio da carreira tiveram reajuste de 103%.<\/p>\n<p>Mas, mesmo com reajuste elevado, essas categorias ainda t\u00eam o sal\u00e1rio baixo comparado \u00e0s carreiras de elite. Analistas de tecnologia no \u00faltimo n\u00edvel da carreira receber\u00e3o R$ 19.865,61 no pr\u00f3ximo ano \u2013R$ 13,2 mil a menos do que as categorias do topo do funcionalismo federal.<\/p>\n<p>Para Humberto Martins, da FDC, conceder reajustes em um cen\u00e1rio em que as carreiras ainda est\u00e3o desorganizadas \u00e9 uma estrat\u00e9gia ineficiente. Ainda neste ano, o governo federal contava com 250 tabelas de remunera\u00e7\u00e3o e mais de 300&nbsp;agrupamentos de carreiras.<\/p>\n<p>Seria necess\u00e1rio que o Minist\u00e9rio da Gest\u00e3o adotasse uma nova postura, mudando a estrutura de cargos para reduzir as tabelas de remunera\u00e7\u00e3o e, a partir disso, conceder os reajustes necess\u00e1rios, segundo Martins<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Luany Galdeano \/ Folha de S\u00e3o Paulo na p\u00e1gina da Condsef &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 25\/9\/2024<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carreiras de elite no setor p\u00fablico v\u00e3o ganhar at\u00e9 R$36mil com aumentos que chegam a 10,9% Ap\u00f3s assinaturas de&nbsp;45 acordos salariais&nbsp;entre o&nbsp;governo Lula&nbsp;e sindicatos, distor\u00e7\u00f5es e desigualdades seguem como marca na estrutura\u00e7\u00e3o dos vencimentos dos servidores federais. 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