{"id":9238,"date":"2017-01-02T00:18:00","date_gmt":"2017-01-02T03:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=9238"},"modified":"2017-01-01T10:47:22","modified_gmt":"2017-01-01T13:47:22","slug":"2017-marcara-o-inicio-da-era-dos-robos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/02\/2017-marcara-o-inicio-da-era-dos-robos\/","title":{"rendered":"2017 marcar\u00e1 o in\u00edcio da era dos rob\u00f4s?"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><strong><em>&#8220;Seus ossos v\u00e3o virar areia e, sobre essa areia, um novo deus andar\u00e1.&#8221;\u00a0<\/em><\/strong>A frase \u00e9 da rob\u00f4 Dolores, personagem da s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <i>Westworld<\/i>.<\/p>\n<p>A realidade pode n\u00e3o ser t\u00e3o ruim assim &#8211; mas certamente um muro, uma fronteira ou um novo esquema de permiss\u00e3o de trabalho n\u00e3o ser\u00e3o capazes de det\u00ea-los: a ascens\u00e3o dos rob\u00f4s pode ser o grande acontecimento de 2017.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que desde a quebra do primeiro tear pelos ludistas, no auge da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, em protesto contra a industrializa\u00e7\u00e3o e as novas tecnologias, a mecaniza\u00e7\u00e3o vem tirando o trabalho das pessoas.<\/p>\n<p>Mas o processo est\u00e1 caminhando cada vez mais r\u00e1pido, acelerando o tempo todo. E a pr\u00f3xima onda pode arrebentar logo &#8211; e perto de voc\u00ea.<\/p>\n<p>Temos hoje uma grande diversidade de novas tecnologias aplicadas \u00e0 rob\u00f3tica avan\u00e7ada e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de computadores mais r\u00e1pidos, melhores e mais brilhantes.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se trata da chamada &#8220;intelig\u00eancia geral&#8221;, que vai conseguir atingir objetivos complexos em ambientes t\u00e3o complexos quanto com poucos recursos computacionais e que pode levar ao enigma \u00e9tico (e at\u00e9 agora fict\u00edcio) sobre a consci\u00eancia das m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Mas equipamentos cada vez mais elaboradas est\u00e3o realizando mais e mais trabalhos que antes exigiam o c\u00e9rebro humano e substituindo tamb\u00e9m a for\u00e7a f\u00edsica.<\/p>\n<p>Impressoras 3D eliminaram vagas de emprego na manufatura. Carros sem motoristas est\u00e3o bem pr\u00f3ximos de virar realidade, assim como os caminh\u00f5es que n\u00e3o exigir\u00e3o ningu\u00e9m atr\u00e1s do volante &#8211; o que n\u00e3o deixa de ser um pouco assustador se pensarmos que o motorista de caminh\u00e3o \u00e9 um dos trabalhos mais comuns em muitas partes do mundo, por exemplo.<\/p>\n<p>Uma pesquisa recente da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sugere que cerca de metade dos postos de trabalho existentes hoje nos EUA ser\u00e3o automatizados at\u00e9 2033.<\/p>\n<p>Datil\u00f3grafos e escritur\u00e1rios j\u00e1 foram extintos h\u00e1 algum tempo. Os pr\u00f3ximos podem ser pessoas com boa forma\u00e7\u00e3o que trabalham em Marketing, Medicina, Direito e, sim, at\u00e9 no Jornalismo.<\/p>\n<p>E lembrem-se dos banc\u00e1rios. Em um artigo recente publicado pela ag\u00eancia <i>Bloomberg<\/i>, o presidente do banco State Street, de Boston, Michael Rogers, afirmou que atualmente emprega cerca de 30 mil pessoas, mas acredita que at\u00e9 2020 uma em cada cinco delas ser\u00e1 substitu\u00edda por um algor\u00edtmo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15D49\/production\/_93171498_111.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Carros automatizados sem motoristas\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">JUSTIN SULLIVAN\/GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os carros sem motoristas s\u00e3o uma aposta de v\u00e1rias empresas de tecnologia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O escolhido de Donald Trump para assumir o Minist\u00e9rio do Trabalho, Andrew Puzder, presidente de uma empresa que controla redes de lanchonetes nos EUA, est\u00e1 feliz em ter menos funcion\u00e1rios e \u00e9 adepto dos servi\u00e7os automatizados de atendimento ao consumidor.<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o educados, sempre fazem vendas melhores, nunca tiram f\u00e9rias, chegam atrasados<\/p>\n<p>Se voc\u00ea acha que j\u00e1 leu essas previs\u00f5es todas antes, est\u00e1 certo. Especialistas v\u00eam falando h\u00e1 alguns anos sobre a quarta ou quinta revolu\u00e7\u00e3o industrial, a terceira onda da globaliza\u00e7\u00e3o e a tecnologia disruptiva.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o por que desta vez \u00e9 diferente? Por conta do contexto pol\u00edtico &#8211; a quest\u00e3o \u00e9 essa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A pol\u00edtica<\/h2>\n<p>O que deve significar esse novo impulso econ\u00f4mico, chegando aos bastidores da revolta do Cintur\u00e3o da Ferrugem, regi\u00e3o industrial americana que impulsionou a vit\u00f3ria de Trump e um polo dos esquecidos?<\/p>\n<p>Voc\u00ea deve ter percebido que 2016 foi um ano e tanto nos Estados Unidos. E tudo leva a crer que o clima deve continuar intenso em 2017 na Europa, com as elei\u00e7\u00f5es na Alemanha, Fran\u00e7a, Holanda e, provavelmente, It\u00e1lia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2915\/production\/_93171501_11111.jpg?resize=624%2C351\" alt=\"Joe Biden\" width=\"624\" height=\"351\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">MARK WILSON\/GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Joe Biden diz que a classe pol\u00edtica n\u00e3o tem respostas para a automatiza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Muitos veem isso como nada menos que um aumento dos desprivilegiados. Se h\u00e1 temas recorrentes, alguns deles s\u00e3o sobre nacionalismo e identidade. Mas tamb\u00e9m os deslocamentos econ\u00f4micos e o crescente sentimento de desigualdade.<\/p>\n<p>O professor Richard Baldwin, economista do renomado Instituto Graduate, de Genebra, afirma que isso deve piorar.<\/p>\n<p>Segundo as previs\u00f5es dele, &#8220;alguns quartos de hot\u00e9is em Londres poder\u00e3o ser limpos por pessoas conduzindo rob\u00f4s diretamente do Qu\u00eania ou de Buenos Aires e de outros lugares por menos de um d\u00e9cimo do pre\u00e7o praticado na Europa&#8221;.<\/p>\n<p>E ele tem uma vis\u00e3o simples sobre a rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das pessoas a este cen\u00e1rio: &#8220;Elas v\u00e3o ficar com raiva&#8221;.<\/p>\n<p>Alguns pol\u00edticos reconheceram que 2016 marcou o in\u00edcio dessa raiva. O problema \u00e9 que, entre paredes e barreiras comerciais, eles t\u00eam poucas op\u00e7\u00f5es para lidar com o aumento da desigualdade. E o mesmo acontece entre pensadores e legisladores.<\/p>\n<p>O ex-consultor de economia do vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden escreveu recentemente: &#8220;Para sermos honestos, precisamos admitir que nenhum dos lados &#8211; democratas ou republicanos &#8211; tem um plano robusto e convincente para recuperar os postos de trabalho em comunidades que perderam muito da base manufatureira&#8221;.<\/p>\n<p>E admite: &#8220;Eu mesmo estudei esse problema durante v\u00e1rios anos e n\u00e3o cheguei nem perto de uma resposta&#8221;.<\/p>\n<p>A economista-chefe do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, Christine Lagarde, defende o uso de pol\u00edticas para impulsionar as pessoas a novas vagas de emprego. Mas, para isso, as vagas precisam existir. E nada garante que elas existir\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Solu\u00e7\u00f5es ex\u00f3ticas<\/h2>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas se fala sobre a import\u00e2ncia das habilidades e da forma\u00e7\u00e3o &#8211; e n\u00e3o parece que a ind\u00fastria brit\u00e2nica seja t\u00e3o bem sucedida ou din\u00e2mica nesses quesitos. Ao contr\u00e1rio: est\u00e1 aqu\u00e9m das mais b\u00e1sicas e \u00f3bvias habilidades, dos pedreiros \u00e0 tecnologia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos considerar um cen\u00e1rio: o Reino Unido est\u00e1 com d\u00e9ficit de cl\u00ednicos gerais, e muitos m\u00e9dicos em hospitais s\u00e3o estrangeiros. Apesar disso, h\u00e1 uma grande competi\u00e7\u00e3o para se tornar m\u00e9dico &#8211; somente os alunos mais brilhantes e aplicados, com as melhores notas, t\u00eam alguma chance. A conta n\u00e3o fecha.<\/p>\n<p>Mas talvez seja hora de ser otimista. Algumas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante ex\u00f3ticas: uma das que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o movimento conhecido como FALC (<i>Fully Automated Luxury or Leisure Communism<\/i> ou &#8220;comunismo de luxo e lazer totalmente automatizado&#8221;).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C555\/production\/_93171505_111111.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Rob\u00f4 m\u00e9dico\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">SPENCER PLATT\/GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os rob\u00f4s tamb\u00e9m t\u00eam sido usados na Medicina<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O argumento b\u00e1sico dos apoiadores desse movimento \u00e9 que tudo o que precisamos logo vai ser t\u00e3o barato que n\u00f3s poderemos ter muito &#8211; isso, claro, se os atuais propriet\u00e1rios n\u00e3o ficarem com o lucro s\u00f3 para eles.<\/p>\n<p>Alguns pensadores da esquerda s\u00e3o muito mais pessimistas e alertam que essas tend\u00eancias podem terminar com uma guerra entre os pobres &#8211; o exterm\u00ednio dos trabalhadores, literalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Rob\u00f4&#8221; &#8211; termo usado pela primeira vez por um autor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica &#8211; \u00e9 apenas a palavra tcheca para &#8220;servo&#8221;. Com a l\u00f3gica do FALC, todos n\u00f3s ser\u00edamos donos do fruto do trabalho dos rob\u00f4s, como propriet\u00e1rios de escravos sem culpa. Algo como &#8220;o dinheiro \u00e9 pobreza&#8221;. As sociedades p\u00f3s-escassez n\u00e3o precisam disso.<\/p>\n<p>Mas tudo isso depende de quem ser\u00e3o os propriet\u00e1rios dos rob\u00f4s. Isso tamb\u00e9m poderia significar uma revolu\u00e7\u00e3o na forma como n\u00f3s encaramos o trabalho.<\/p>\n<p>Uma vers\u00e3o menos radical de tudo isso poderia ser o sal\u00e1rio dos cidad\u00e3os, uma renda b\u00e1sica universal. Isso significa que todos receberiam essa quantia m\u00ednima, estejam trabalhando ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma entrevista recente \u00e0 revista <i>Wired<\/i>, o presidente Barack Obama j\u00e1 disse que a discuss\u00e3o sobre a renda universal b\u00e1sica \u00e9 inevit\u00e1vel nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Mas isso vai na contram\u00e3o do esp\u00edrito da \u00e9poca. A raiva dos eleitores com as circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas est\u00e1 frequentemente atrelada com a reclama\u00e7\u00e3o de que a elite est\u00e1 paparicando aqueles que n\u00e3o fazem por merecer, sejam os benefici\u00e1rios dom\u00e9sticos ou os trabalhadores imigrantes.<\/p>\n<p>Claramente um projeto para aumentar drasticamente os benef\u00edcios sociais a todos e sem distin\u00e7\u00e3o &#8211; dos bilion\u00e1rios f\u00fateis aos trabalhadores da base da pir\u00e2mide &#8211; pode n\u00e3o conquistar tanto apelo pol\u00edtico da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nenhuma certeza de que uma vida mais &#8220;b\u00e1sica&#8221; seria mais satisfat\u00f3ria, enobrecedora ou menos dividida e desigual que a vida com benef\u00edcios do governo como o seguro-desemprego.<\/p>\n<p>Parece que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis ou \u00f3bvias nem para a revolta do Cintur\u00e3o de Ferrugem nem para a ascens\u00e3o dos rob\u00f4s.<\/p>\n<p>Mas uma boa resolu\u00e7\u00e3o de Ano Novo pode ser uma promessa de procurar por solu\u00e7\u00f5es, sejam elas cinzentas, otimistas, pessimistas, estranhas, manjadas ou otimistas.<\/p>\n<p>Demorou tempo demais para que os pol\u00edticos acordassem para o fato de que o fim da velha era industrial teria consequ\u00eancias graves para todos. Melhor que n\u00e3o leve o mesmo tempo para pensar em um futuro que est\u00e1 ali, dobrando a esquina.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Mark Mardell<span style=\"font-style: inherit;\"> da<\/span> BBC News \u2013 dispon\u00edvel na web 02\/01\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Seus ossos v\u00e3o virar areia e, sobre essa areia, um novo deus andar\u00e1.&#8221;\u00a0A frase \u00e9 da rob\u00f4 Dolores, personagem da s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Westworld. 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