{"id":9290,"date":"2017-01-03T03:45:21","date_gmt":"2017-01-03T06:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=9290"},"modified":"2017-01-03T03:46:26","modified_gmt":"2017-01-03T06:46:26","slug":"o-barato-pode-custar-caro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/03\/o-barato-pode-custar-caro\/","title":{"rendered":"O barato pode custar caro."},"content":{"rendered":"<p><em>Estamos prontos, aqui, para a libera\u00e7\u00e3o da maconha medicinal?<\/em><\/p>\n<p>Andando pelas ruelas de Santa Monica, a maravilhosa praia californiana, nos deparamos com uma\u00a0<a href=\"http:\/\/cartacapital.com.br\/sociedade\/a-cracolandia-no-centro-da-disputa-politica-em-sao-paulo\" target=\"_blank\">Cracol\u00e2ndia\u00a0<\/a>de Primeiro Mundo. Os viciados perambulam sob efeito de drogas e medicamentos, sem, contudo, amea\u00e7ar os transeuntes, e os transeuntes, mesmo se sentindo amea\u00e7ados, adaptam-se ao clima e at\u00e9 apreciam a \u201carte primitiva\u201d vendida pelos viciados \u2013 uma pincelada aqui, um trago ali, e o conv\u00edvio parece ser pac\u00edfico e n\u00e3o atrapalhar o com\u00e9rcio e o turismo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cartacapital.com.br\/revista\/927\/maconha-a-grande-vencedora-das-eleicoes-americanas\" target=\"_blank\">A venda da maconha na Calif\u00f3rnia<\/a>\u00a0est\u00e1 liberada para fins medicinais, n\u00e3o s\u00f3 a venda de subprodutos, mas a da planta mesmo. Uma prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica resolve. Como consegui-la \u00e9 f\u00e1cil. Pelas ruas, de cor verde bem sugestiva, existem v\u00e1rios postos de atendimento de uma cl\u00ednica chamada \u201cDr. Green\u201d. Jovens panfleteiros ficam \u00e0 porta oferecendo consultas por 40 d\u00f3lares e explicam que o cliente entra na sala, faz uma entrevista com um m\u00e9dico e em minutos sai com uma autoriza\u00e7\u00e3o para compra de maconha. A\u00ed \u00e9 s\u00f3 ir em um dos pontos de venda oficiais e escolher o produto, pois as de origem s\u00e3o v\u00e1rias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9287\" aria-describedby=\"caption-attachment-9287\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/maconha.jpeg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9287 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/maconha.jpeg?resize=400%2C266\" width=\"400\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/maconha.jpeg?w=400&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/maconha.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9287\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;R. estava muito nervoso, mas eu estava bem calmo com a ajuda de uma pequena dose de coca\u00edna&#8221; &#8211; Sigmund Freud descrevendo um jantar na casa de seu professor<\/figcaption><\/figure>\n<p>O m\u00e9dico n\u00e3o fica\u00a0na sala de consulta, mas na \u201cesta\u00e7\u00e3o central\u201d, a r\u00e1pida entrevista \u00e9 feita por telefone ou m\u00eddia digital, n\u00e3o h\u00e1 exame f\u00edsico nem uma tentativa pr\u00e9via de tratamento com outros medicamentos. \u00c9 s\u00f3 referir na entrevista que voc\u00ea est\u00e1 ansioso ou deprimido, como sugerem os vendedores \u00e0 porta. Simples assim.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cartacapital.com.br\/sociedade\/com-restricoes-a-maconha-medicinal-brasil-boicota-o-proprio-futuro-4118.html\" target=\"_blank\">O uso \u00e9 medicinal,<\/a>\u00a0mas sem controle. Segundo estudo publicado na revista\u00a0<em>Cannabis and Cannabinoid Research<\/em>, apenas 20% das pessoas envolvidas na dispensa\u00e7\u00e3o de maconha para os usu\u00e1rios tiveram treinamento m\u00e9dico ou cient\u00edfico sobre a droga. De acordo com a autora da pesquisa, Nancy Haug, da Universidade de Palo Alto, em muitos casos n\u00e3o h\u00e1 nenhuma indica\u00e7\u00e3o de uso medicinal da maconha ou de seus subprodutos; e em outros tantos, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 err\u00f4nea e poderia at\u00e9 exacerbar o problema dos pacientes.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, as libera\u00e7\u00f5es judiciais s\u00e3o mais para o tratamento de alguns tipos espec\u00edficos de epilepsia, onde recentes estudos demonstram maior controle das crises em alguns pacientes. J\u00e1 nos EUA, as queixas mais comuns vistas pela equipe de dispensa\u00e7\u00e3o foram: dor cr\u00f4nica (93%), ins\u00f4nia (80%) e ansiedade (80%). Epilepsia era vista por apenas 40% dos centros de dispensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos casos de dispensa\u00e7\u00e3o\u00a0de concentra\u00e7\u00f5es de canabinoides, tipo THC e CBD, as formula\u00e7\u00f5es eram incongruentes com as indica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas encontradas na literatura m\u00e9dica: 13% dos dispensadores indicavam THC para ansiedade e 7% para epilepsia, sendo nesses dois casos contraindicado, por piorar tais doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Outro fator do descontrole \u00e9 que<a href=\"http:\/\/cartacapital.com.br\/sociedade\/a-guerra-as-drogas-e-um-mecanismo-de-manutencao-da-hierarquia-racial\" target=\"_blank\">\u00a0liberar o uso de maconha e seus derivados<\/a>\u00a0virou um bom neg\u00f3cio para os governos. Mais da metade dos estados americanos j\u00e1 liberaram seu uso m\u00e9dico, mas s\u00f3 quatro para uso recreativo. A expectativa nos Estados Unidos \u00e9 de que sejam arrecadados cerca de 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de impostos em 2017. O Oregon, que liberou a maconha recreativa e cobra 25% de impostos, recolheu 14 milh\u00f5es de d\u00f3lares no primeiro m\u00eas. O mercado de maconha medicinal da Calif\u00f3rnia gira mais de 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano e gera milhares de empregos.<\/p>\n<p>Parece ser um bom neg\u00f3cio a libera\u00e7\u00e3o da maconha recreativa, pois controlar o uso apenas medicinal aqui no Brasil ser\u00e1 dispendioso e praticamente imposs\u00edvel. O \u00fanico problema \u00e9 que os efeitos a longo prazo da maconha em grandes popula\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o por ser estudados, e talvez boa parte do ganho com impostos tenha de ser gasta com cl\u00ednicas de sa\u00fade mental. Foi assim com o \u00e1lcool, assim ser\u00e1 com a maconha.<\/p>\n<p><strong><em>Cr\u00e9dito: Artigo publicado na <\/em><em>Revista Carta Capital do dia 02\/01<\/em><em>\/201<\/em><em>7<\/em><em> \u00a0\u00a0\u2013 dispon\u00edvel na web <\/em><em>03\/01<\/em><em>\/201<\/em><em>7<\/em><em>\u00a0\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos prontos, aqui, para a libera\u00e7\u00e3o da maconha medicinal? Andando pelas ruelas de Santa Monica, a maravilhosa praia californiana, nos deparamos com uma\u00a0Cracol\u00e2ndia\u00a0de Primeiro Mundo. 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