{"id":9296,"date":"2017-01-04T00:05:49","date_gmt":"2017-01-04T03:05:49","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=9296"},"modified":"2017-01-03T19:29:17","modified_gmt":"2017-01-03T22:29:17","slug":"ao-mesmo-tempo-que-reprime-prisao-brasileira-permite-armas-cozinha-e-maconha-diz-antropologa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/04\/ao-mesmo-tempo-que-reprime-prisao-brasileira-permite-armas-cozinha-e-maconha-diz-antropologa\/","title":{"rendered":"Ao mesmo tempo que reprime, pris\u00e3o brasileira permite armas, cozinha e maconha, diz antrop\u00f3loga"},"content":{"rendered":"<p>A pris\u00e3o brasileira \u00e9 &#8220;uma coisa muito louca&#8221;, descreve a antrop\u00f3loga e pesquisadora em viol\u00eancia Alba Zaluar. Ela explica: ao mesmo tempo que enjaula e oferece condi\u00e7\u00f5es degradantes, o sistema carcer\u00e1rio do pa\u00eds permite armas, drogas e at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas &#8211; \u00e0s vezes vendidas nas cantinas das unidades.<\/p>\n<p>&#8220;As pris\u00f5es brasileiras n\u00e3o t\u00eam nada a ver com essa vis\u00e3o foucaultiana, da disciplinariza\u00e7\u00e3o, da possibilidade de vigiar tudo. Aqui no Rio, presos constroem as pr\u00f3prias celas, e a cantina vende de tudo: fog\u00e3ozinho, gelo para colocar no isopor. O pessoal cozinha nas celas.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das primeiras a estudar a infiltra\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico nas comunidades pobres do Rio, Zaluar diz que a coniv\u00eancia com a entrada de maconha e outras subst\u00e2ncias que alteram o estado de consci\u00eancia s\u00e3o formas de aliviar a tens\u00e3o desses lugares &#8220;explosivos&#8221;, onde rebeli\u00f5es como a do Complexo Penitenci\u00e1rio An\u00edsio Jobim (Compaj), pr\u00f3ximo a Manaus, s\u00e3o &#8220;mais do que esperadas&#8221;. Durante mais de 17 horas de motim, 56 presos morreram.<\/p>\n<p>A f\u00f3rmula que cria o conflito, conta a antrop\u00f3loga \u00e0 BBC Brasil, \u00e9 clara: superpopula\u00e7\u00e3o, rivalidade entre fac\u00e7\u00f5es, circunst\u00e2ncias desumanas e um sentimento generalizado de injusti\u00e7a.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12B12\/production\/_93226567_12279185_1353077344708767_3587218753317654217_n.jpg?resize=640%2C360\" alt=\"Alba Zaluar coordenou durante anos grupo de pesquisa sobre viol\u00eancia e estudou o narcotr\u00e1fico nas favelas cariocas\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Alba Zaluar coordenou durante anos grupo de pesquisa sobre viol\u00eancia e estudou o narcotr\u00e1fico nas favelas cariocas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Leia abaixo os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil: Que elementos estavam presentes no complexo penitenci\u00e1rio pr\u00f3ximo a Manaus para que explodisse uma rebeli\u00e3o? Um motim desse tamanho era esperado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alba Zaluar: <\/strong>Convenhamos, \u00e9 mais do que esperado, porque um pres\u00eddio que tem vagas para 400 pessoas ter mais de 1.200 j\u00e1 \u00e9 um problema. E a p\u00f3lvora \u00e9 exatamente esta: voc\u00ea tem presos demais, inclusive muitos que n\u00e3o t\u00eam senten\u00e7a ainda. \u00c9 uma superpopula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria de homens que n\u00e3o se sentem culpados de nenhum crime que justifique a perda da liberdade dessa maneira. Eles n\u00e3o consideram que traficar drogas seja um crime grave. Muitos se consideram apenas comerciantes. No caso de estupro ou dos homicidas \u00e9 diferente, inclusive eles punem os estupradores dentro da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o relacionamento entre os homens \u00e9 complicado, justamente porque a rivalidade tende a explodir caso n\u00e3o haja uma socializa\u00e7\u00e3o para resolver os conflitos pela palavra. As pessoas que n\u00e3o conseguem fazer isso explodem. E se tiverem alguma arma, v\u00e3o us\u00e1-la. Eles receberam armas pelo buraco (no muro do pres\u00eddio), mas fabricaram outras. Est\u00e3o sempre fabricando armas, e as armas est\u00e3o sempre entrando na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>As pris\u00f5es brasileiras n\u00e3o t\u00eam nada a ver com essa vis\u00e3o foucaultiana, da disciplinariza\u00e7\u00e3o, da possibilidade de vigiar tudo. Aqui no Rio, presos constroem as pr\u00f3prias celas, e a cantina vende de tudo: fog\u00e3ozinho, gelo para colocar no isopor. Os presos cozinham nas celas.<\/p>\n<p>Resumindo, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente explosiva. Voc\u00ea n\u00e3o tem um controle disciplinar, mas um amontoado de homens que n\u00e3o foram socializados para resolver seus conflitos pela palavra. E voc\u00ea bota todos aglomerados dentro de espa\u00e7os de reclus\u00e3o, nos quais eles n\u00e3o podem espairecer.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/449A\/production\/_93226571_hi037079760.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Motim em complexo pr\u00f3ximo a Manaus era \" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AFP<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Motim em complexo pr\u00f3ximo a Manaus era &#8220;mais do que esperado&#8221;, segundo Zaluar<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>BBC Brasil: Ao mesmo tempo em que parecem muito restritivas, as pris\u00f5es brasileiras tamb\u00e9m t\u00eam um com\u00e9rcio paralelo de drogas, armas e bebidas. Isso n\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alba Zaluar: <\/strong>Por que voc\u00ea acha que os carcereiros fecham os olhos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada de drogas que alteram o Estado da mente, principalmente a maconha? Porque a maconha acalma.<\/p>\n<p>Tem mais: (os presos) fabricam bebida alc\u00f3olica dentro da pris\u00e3o. E vende bebida na cantina. A pris\u00e3o brasileira \u00e9 uma coisa muito louca, porque ao mesmo tempo em que \u00e9 extremamente repressiva, de entulhar um monte de gente sem condi\u00e7\u00f5es de higiene, com ratos e baratas, voc\u00ea tem todas essa liberalidade de fazer comida, bebida, fumar maconha, ter armas.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil: A rebeli\u00e3o em Manaus foi gerada pelo conflito entre duas fac\u00e7\u00f5es rivais. Onde est\u00e3o as origens desses grupos e como se tornaram t\u00e3o fortes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alba Zaluar: <\/strong>H\u00e1 alguns estudos (sobre o assunto), feitos principalmente no Rio de Janeiro, porque aqui estavam as grandes pris\u00f5es, com presos pol\u00edticos do Brasil todo e tamb\u00e9m presos comuns. Isso na d\u00e9cada de 1970, durante o regime militar. Os presos pol\u00edticos, quando chegaram em pres\u00eddios grandes, como o de Ilha Grande, se organizaram.<\/p>\n<p>Os presos comuns viram isso e se interessaram. Houve uma intera\u00e7\u00e3o entre os presos pol\u00edticos e os presos comuns, e os \u00faltimos aprenderam a se organizar.<\/p>\n<p>Durante os anos 1970 havia duas falanges, como as fac\u00e7\u00f5es eram chamadas ent\u00e3o: Jacar\u00e9 e Vermelha. A falange Jacar\u00e9 era extremamente violenta, cobrava ped\u00e1gio, intimidava os prisioneiros mais fracos. Havia uma forma de concretizar o poder na pris\u00e3o que era extremamente violenta e injusta do ponto de vista do prisioneiro.<\/p>\n<p>Inventaram ent\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o, seguindo os princ\u00edpios que aprenderam com os presos pol\u00edticos, para se proteger dentro da pris\u00e3o, proibindo o estupro de prisioneiros, o ped\u00e1gio. A fac\u00e7\u00e3o come\u00e7a com o sentido de proteger o prisioneiro.<\/p>\n<p>Isso foi criando o esquema de lealdade e tamb\u00e9m de conex\u00e3o via neg\u00f3cios. Durante os anos 1970, (as fac\u00e7\u00f5es) estavam principalmente envolvidas com roubos e assaltos a banco, mas no final da d\u00e9cada perceberam que o tr\u00e1fico de drogas dava muito mais dinheiro e era menos perigoso.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 1980, elas j\u00e1 dominavam o tr\u00e1fico. Foram conquistando os v\u00e1rios traficantes, que antes eram <i>freelancers<\/i>, e passaram a ter essa liga\u00e7\u00e3o por conta da prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses interesses comerciais, somados ao interesse em ter prote\u00e7\u00e3o na pris\u00e3o, fez com que as fac\u00e7\u00f5es crescessem. Mas sempre tem briga. Aqui no Rio temos o Comando Vermelho, o Amigo dos Amigos (ADA), o Terceiro Comando e agora o PCC, que est\u00e1 atrelado \u00e0 ADA, de modo que sempre houve muito conflito fora da pris\u00e3o. Dentro dela, evitam-se as brigas separando os presos por fac\u00e7\u00f5es, o que parece n\u00e3o ter ocorrido em Manaus, como n\u00e3o ocorreu no Maranh\u00e3o, em Pedrinhas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16226\/production\/_93226609_hi036545310.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Fac\u00e7\u00f5es dominaram o tr\u00e1fico de drogas nos anos 1980 e aprenderam t\u00e9cnicas com presos pol\u00edticos, diz antrop\u00f3loga\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">EPA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Fac\u00e7\u00f5es dominaram o tr\u00e1fico de drogas nos anos 1980 e aprenderam t\u00e9cnicas com presos pol\u00edticos, diz antrop\u00f3loga<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>BBC Brasil: O secret\u00e1rio de seguran\u00e7a do Amazonas falou que esse foi mais um &#8220;cap\u00edtulo da guerra silenciosa e impiedosa do narcotr\u00e1fico&#8221;. Mas na composi\u00e7\u00e3o das nossas pris\u00f5es h\u00e1 uma grande parcela de pequenos traficantes, e poucos grandes l\u00edderes do tr\u00e1fico.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alba Zaluar: <\/strong>A gente tem v\u00e1rios desses pequenos traficantes. Nunca mataram ningu\u00e9m, sabe? Nunca roubaram. Estavam desempregados, come\u00e7am a vender uma coisa ali, ganham um dinheirinho e ficam vendendo. A\u00ed passam anos na pris\u00e3o, veem um monte de coisa, inclusive rebeli\u00f5es, gente sendo morta e t\u00eam um profundo sentimento de injusti\u00e7a, porque acham que n\u00e3o merecem passar por tudo isso.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil: Al\u00e9m do narcotr\u00e1fico em si, o problema n\u00e3o estaria tamb\u00e9m na forma como o Estado lida com ele, na Justi\u00e7a e no sistema carcer\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alba Zaluar: <\/strong>Exatamente. \u00c9 como o Estado lida com isso. At\u00e9 na proposta da guerra contra as drogas, que faz com que qualquer um que more em favela, tenha um caderninho de nota com os nomes das pessoas para as quais vende e pratique essa atividade comercial, caia na categoria de traficante, sendo que tr\u00e1fico \u00e9 um crime hediondo, que permite penas muito altas.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que isso aumentou enormemente a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria. \u00c9 muito alto o percentual de presos por conta das atividades relacionadas ao tr\u00e1fico. Al\u00e9m disso, acontecem muitos homic\u00eddios por causa dessas guerras de fac\u00e7\u00f5es e eles n\u00e3o s\u00e3o investigados, porque n\u00e3o h\u00e1 como provar nada, n\u00e3o tem testemunha. Esses crimes ficam sem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o do Estado faz com que a droga seja muito valiosa e essa atividade comercial esteja cheia de riscos, ent\u00e3o para se proteger eles t\u00eam que se armar, se organizar e o resultado \u00e9 este.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E0DA\/production\/_93226575_hi037082527.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Familiares choram mortes de presos no Compaj; crueldade nos assassinatos serve para intimidar fac\u00e7\u00f5es rivais, diz Zaluar\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AP<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Familiares choram mortes de presos no Compaj; crueldade nos assassinatos serve para intimidar fac\u00e7\u00f5es rivais, diz Zaluar<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>BBC Brasil: Nesta rebeli\u00e3o no Amazonas, assim como em outras, o n\u00famero e a crueldade das mortes chocaram. Por que vemos assassinatos t\u00e3o b\u00e1rbaros entre presos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alba Zaluar: <\/strong>\u00c9 uma coisa que tem a ver com a guerra, se chama sociologia do <i>ethos<\/i> guerreiro. Na guerra voc\u00ea mata ou voc\u00ea morre. E, al\u00e9m disso, voc\u00ea tem que mostrar para seu inimigo que est\u00e1 muito forte. Para fazer isso, tem que se armar muito, ter muitos soldados. E tamb\u00e9m fazer essas demonstra\u00e7\u00f5es (de for\u00e7a).<\/p>\n<p>Quanto mais cruel voc\u00ea \u00e9, mais medo provoca no inimigo. Assim como tem uma corrida armamentista, h\u00e1 uma corrida de crueldade. Eles v\u00e3o se tornando cada vez mais cru\u00e9is para dar cada vez mais medo no rival.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil: Como lidar com rebeli\u00f5es como esta e o que fazer para evit\u00e1-las?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alba Zaluar: <\/strong>Em primeiro lugar, voc\u00ea n\u00e3o pode jogar um bando de homens dessa maneira dentro de pris\u00f5es e esquec\u00ea-los l\u00e1, deixar que se virem, que resolvam os problemas de comida, da cela, as tens\u00f5es l\u00e1 dentro. A pris\u00e3o \u00e9 um lugar extremamente tenso. Precisa ter alguma coisa que demonstre que h\u00e1 sa\u00eddas. A sa\u00edda para o preso seria adquirir uma profiss\u00e3o, se educar mais, continuar a trabalhar.<\/p>\n<p>V\u00e1rios desses que est\u00e3o nas pris\u00f5es s\u00e3o trabalhadores, j\u00e1 tinham atividades laborais antes, eram desempregados, mas sabiam fazer coisas. Voc\u00ea tem que dar essa possibilidade, demonstrando que \u00e9 poss\u00edvel sair. Penas imensas, anos e anos na pris\u00e3o, n\u00e3o facilitam em nada a vida deles.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, a pr\u00f3pria maneira de julgar tem que ser aprimorada, porque muitos desses presos se sentem extremamente injusti\u00e7ados, e isso n\u00e3o \u00e9 bom para a cabe\u00e7a deles nem para quem est\u00e1 como eles na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem sistemas de pena alternativa e algo que se chama justi\u00e7a restaurativa. \u00c9 aquela que faz com que a v\u00edtima ou seus parentes e o perpetrador da a\u00e7\u00e3o criminosa se encontrem para que um saiba o mal que causou ao outro. Especialmente para que quem fez o mal entenda o que provocou, se arrependa e demonstre que compreende os efeitos de suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Ingrid Fagundez<span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\"> d<\/span><\/strong><strong>a BBC Brasil em S\u00e3o Paulo<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pris\u00e3o brasileira \u00e9 &#8220;uma coisa muito louca&#8221;, descreve a antrop\u00f3loga e pesquisadora em viol\u00eancia Alba Zaluar. 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