{"id":9393,"date":"2017-01-06T03:41:07","date_gmt":"2017-01-06T06:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=9393"},"modified":"2017-01-06T03:41:07","modified_gmt":"2017-01-06T06:41:07","slug":"servidora-gravida-nao-pode-ser-exonerada-de-funcao-comissionada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/06\/servidora-gravida-nao-pode-ser-exonerada-de-funcao-comissionada\/","title":{"rendered":"Servidora gr\u00e1vida n\u00e3o pode ser exonerada de fun\u00e7\u00e3o comissionada"},"content":{"rendered":"<p>A estabilidade provis\u00f3ria da gestante visa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do emprego, mas tamb\u00e9m \u00e0 garantia do sal\u00e1rio enquanto estiverem preenchidos os requisitos para a sua manuten\u00e7\u00e3o. Esse foi o entendimento aplicado pela ju\u00edza\u00a0Audrey Choucair Vaz, em atua\u00e7\u00e3o na\u00a0<strong>15\u00aa Vara do Trabalho de Bras\u00edlia<\/strong>, ao garantir a perman\u00eancia de uma empregada p\u00fablica gr\u00e1vida em fun\u00e7\u00e3o comissionada durante a gesta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 seis meses ap\u00f3s a data do parto.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel permitir que empregada deixe de receber a contrapresta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria relativa \u00e0 fun\u00e7\u00e3o ocupada desde o ano de 2012, no momento, em que, sabidamente, os gastos financeiros se tornam mais acentuados\u201d, analisou a ju\u00edza.\u00a0Conforme informa\u00e7\u00f5es do processo, a trabalhadora ocupa a fun\u00e7\u00e3o desde de 2012 e foi exonerada em 2015, quando estava no oitavo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em sua defesa, a\u00a0<strong>empresa p\u00fablica<\/strong>\u00a0defendeu que \u00e9 l\u00edcita a revers\u00e3o da autora ao cargo efetivo, de acordo com o previsto nos termos do artigo 468, par\u00e1grafo \u00fanico, da CLT. Sustentou ainda que a estabilidade conferida \u00e0 gestante refere-se ao emprego e n\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o, por isso, o pedido da autora n\u00e3o teria amparo legal.<\/p>\n<p>No entendimento da ju\u00edza respons\u00e1vel pela senten\u00e7a, a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade \u00e9 uma garantia constitucional derivada do princ\u00edpio fundamental da dignidade da pessoa humana, que tem por objetivo proteger o beb\u00ea, conferindo \u00e0 m\u00e3e as condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para o seu sustento e suas necessidades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>\u201cA exonera\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>fun\u00e7\u00e3o comissionada<\/strong>\u00a0no per\u00edodo pr\u00f3ximo \u00e0 data do parto importa, sem d\u00favida nenhuma, em viola\u00e7\u00e3o \u00e0 garantia constitucional de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade e ofensa ao princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana. Como conseguiria a autora outro emprego, ou ainda, como conseguiria dentro da r\u00e9 uma outra coloca\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o gratificada, uma vez que j\u00e1 se aproximava do parto?\u201d, ponderou a ju\u00edza Audrey Choucair Vaz.<\/p>\n<p>Para a ju\u00edza, a conduta da empresa tamb\u00e9m significa ofensa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do mercado trabalho da mulher, significando retrocesso e discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cA medida aplicada pelo empregador acaba por punir a mulher pela gesta\u00e7\u00e3o, servindo de forma indevida como desest\u00edmulo \u00e0s outras colegas de trabalho, que vendo a conduta empresarial, teriam receio em engravidar, com redu\u00e7\u00e3o significativa de sua remunera\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o\u00a0foi fundamentada no entendimento jurisprudencial do\u00a0<strong>Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong>\u00a0consolidado em julgados que t\u00eam garantido a gestantes militares e servidoras p\u00fablicas civis a estabilidade provis\u00f3ria gestacional tamb\u00e9m para o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es comissionadas. \u201cA Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica deve, antes de optar pela exonera\u00e7\u00e3o, buscar solu\u00e7\u00f5es alternativas mais aceit\u00e1veis, como se valer de designa\u00e7\u00e3o de substitutos para exerc\u00edcio interino das fun\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou a magistrada.<\/p>\n<p><strong>Per\u00edodo de estabilidade<\/strong><br \/>\nRecentemente, a licen\u00e7a-maternidade foi ampliada para seis meses, principalmente em entes da\u00a0<strong>Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/strong>. No entanto, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal ainda confere \u00e0 gestante estabilidade provis\u00f3ria de emprego de apenas cinco meses ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<p>\u201cDe forma a conciliar o texto constitucional com a altera\u00e7\u00e3o legal superveniente, e observando os limites do pedido da autora, a manuten\u00e7\u00e3o da gratifica\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o reconhecida nesta senten\u00e7a estender-se-\u00e1 a data seis meses ap\u00f3s o parto\u201d, decidiu a ju\u00edza na senten\u00e7a.\u00a0<em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do TRT-10.<\/em><\/p>\n<p><strong>Processo\u00a01275-13.2015.5.10.0015<\/strong><\/p>\n<p><strong>Canal Aberto Brasil com informa\u00e7\u00f5es do portal Consultor Jur\u00eddico 06\/01\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estabilidade provis\u00f3ria da gestante visa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do emprego, mas tamb\u00e9m \u00e0 garantia do sal\u00e1rio enquanto estiverem preenchidos os requisitos para a sua manuten\u00e7\u00e3o. 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