{"id":9397,"date":"2017-01-06T04:20:37","date_gmt":"2017-01-06T07:20:37","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=9397"},"modified":"2017-01-06T04:20:37","modified_gmt":"2017-01-06T07:20:37","slug":"precariedade-nas-fronteiras-tem-ligacao-com-descaso-com-administrativos-da-pf-denuncia-sindicato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/06\/precariedade-nas-fronteiras-tem-ligacao-com-descaso-com-administrativos-da-pf-denuncia-sindicato\/","title":{"rendered":"Precariedade nas fronteiras tem liga\u00e7\u00e3o com descaso com administrativos da PF, denuncia sindicato."},"content":{"rendered":"<p>A seguran\u00e7a nas fronteiras brasileiras segue prec\u00e1ria. Al\u00e9m dos gargalos na fiscaliza\u00e7\u00e3o de portos e aeroportos, o Brasil precisa gerir 16.886 quil\u00f4metros de fronteiras terrestres. Atualmente, faltam recursos humanos e materiais para o trabalho, o que possibilita que ano ap\u00f3s ano toneladas de drogas e de produtos contrabandeados entrem no Brasil para financiar as opera\u00e7\u00f5es do crime organizado, denunciou o Sindicato Nacional dos administrativos da Pol\u00edcia Federal (Sinpecpf).<\/p>\n<p>Prova disso foi a not\u00edcia amplamente divulgada de que a organiza\u00e7\u00e3o criminosa \u201cFam\u00edlia do Norte\u201d, respons\u00e1vel pelos massacres que resultaram em 60 mortes nos pres\u00eddios do Amazonas, tem liga\u00e7\u00f5es estreitas com as For\u00e7as Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc), que facilita a entrada de armas e drogas que abastecem os criminosos do norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O massacre tamb\u00e9m revelou as rela\u00e7\u00f5es entre o PCC (Primeiro Comando da Capital), de S\u00e3o Paulo, com organiza\u00e7\u00f5es do Paraguai e da Bol\u00edvia.\u00a0Cansados de ter de arcar sozinhos com o custo pol\u00edtico do aumento da viol\u00eancia, governadores e prefeitos tamb\u00e9m passaram a culpar as fronteiras pela origem de males que tanto afligem as grandes cidades, assinalou a entidade sindical. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia e direta: quanto mais desguarnecidas ficam nossas fronteiras, maiores os \u00edndices de criminalidade nos centros urbanos como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Mas por que faltam recursos humanos na \u00e1rea de fronteiras?, questionou. S\u00e3o v\u00e1rios os fatores, segundo o Sinpecpf. Sendo dois principais, que abalam fortemente o efetivo da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p><strong>Indeniza\u00e7\u00e3o de fronteira \u2014<\/strong>\u00a0O primeiro fator \u00e9 a dificuldade de fixa\u00e7\u00e3o de efetivo nessas regi\u00f5es. Na maioria dos casos, as fronteiras brasileiras tem infraestrutura prec\u00e1ria e custo de vida alto. Nenhum servidor quer permanecer nessas regi\u00f5es. Para conter o problema, o governo chegou a instituir Indeniza\u00e7\u00e3o de Fronteira (Lei n\u00ba 12.855), em setembro de 2013, benef\u00edcio criado para estimular a perman\u00eancia dos servidores da Pol\u00edcia Federal e de outros \u00f3rg\u00e3os em localidades de dif\u00edcil provimento.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje a indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 paga, porque o Governo se esquiva de regulamentar as localidades que fazem jus ao benef\u00edcio. S\u00e3o mais de tr\u00eas anos discutindo quais crit\u00e9rios devem caracterizar as regi\u00f5es de dif\u00edcil provimento. A demora motivou uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es judiciais, uma delas impetrada pelo Sinpecpf, que usou como base os par\u00e2metros apontados em estudo da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 por falta de metodologias que a regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o sai\u201d, afirma o presidente do Sinpecpf, \u00c9der Fernando da Silva. \u201cTodos os \u00f3rg\u00e3os envolvidos j\u00e1 apresentaram seus estudos. O governo est\u00e1 claramente protelando para n\u00e3o cumprir a lei e \u2018economizar\u2019 o pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es\u201d, ele pondera.<\/p>\n<p><strong>Desvio de fun\u00e7\u00e3o de policiais \u2014<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>E n\u00e3o \u00e9 apenas na recusa em pagar a Indeniza\u00e7\u00e3o de Fronteira que a economia do governo tem custado caro para o cidad\u00e3o. O segundo fator determinante para a falta de seguran\u00e7a nas fronteiras \u00e9 o desvio de fun\u00e7\u00e3o de policiais federais para atividades administrativas. \u201cA pr\u00e1tica j\u00e1 recorrente na Pol\u00edcia Federal se deve, principalmente, pela recusa dos governantes em valorizar os servidores administrativos da Pol\u00edcia Federal\u201d, destacou o sindicato.<\/p>\n<p>Para que o trabalho dos policiais seja bem sucedido, \u00e9 necess\u00e1rio todo um suporte log\u00edstico dos administrativos, \u00a0profissionais que se encarregam de manter a PF em ordem para que os policiais combatam o crime. Al\u00e9m de prestar suporte aos policiais, os administrativos tamb\u00e9m fazem atividades de fiscaliza\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como controle imigrat\u00f3rio e de empresas de seguran\u00e7a privada.<\/p>\n<p>\u201cOcorre que esses profissionais h\u00e1 anos s\u00e3o menosprezados na institui\u00e7\u00e3o. Exemplo pr\u00e1tico se observa na \u00faltima negocia\u00e7\u00e3o salarial travada com o governo: enquanto os policiais receberam at\u00e9 37% de aumento, os administrativos tiveram de se contentar com 10,8%. O resultado desse descaso \u00e9 que faltam administrativos no \u00f3rg\u00e3o. Nos \u00faltimos quinze anos, apenas dois concursos para a categoria foram abertos, somando 1.922 vagas. Estimativa da pr\u00f3pria Pol\u00edcia Federal \u00e9 de que s\u00e3o necess\u00e1rios novos 5 mil servidores\u201d, assinalou a nota do Sindicato.<\/p>\n<p>Enquanto os novos concursos ficam engavetados, os postos administrativos vagos s\u00e3o preenchidos por policiais federais. \u201cEsse \u00e9 um dos motivos para faltarem policiais nas fronteiras\u201d, denuncia \u00c9der. Na opini\u00e3o do sindicalista, a pr\u00e1tica se configura como improbidade administrativa. \u201cEm vez de contratar mais servidores administrativos, o governo topa pagar at\u00e9 quatro vezes mais para um policial fazer o mesmo trabalho. Para piorar, deixamos de contar com um policial na linha de frente do combate ao crime\u201d, explica. \u201cVamos acionar os \u00f3rg\u00e3os competentes mais uma vez para tentar mudar este cen\u00e1rio\u201d, avisa.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Vera Batista\/Blog do Servidor\/Correio Braziliense \u2013 dispon\u00edvel na web \u00a0\u00a006\/01\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seguran\u00e7a nas fronteiras brasileiras segue prec\u00e1ria. Al\u00e9m dos gargalos na fiscaliza\u00e7\u00e3o de portos e aeroportos, o Brasil precisa gerir 16.886 quil\u00f4metros de fronteiras terrestres. 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