{"id":9879,"date":"2017-01-25T00:05:51","date_gmt":"2017-01-25T03:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=9879"},"modified":"2017-01-24T21:00:22","modified_gmt":"2017-01-25T00:00:22","slug":"de-bem-com-a-vida-a-verdadeira-razao-pela-qual-o-parto-e-tao-doloroso-e-perigoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/25\/de-bem-com-a-vida-a-verdadeira-razao-pela-qual-o-parto-e-tao-doloroso-e-perigoso\/","title":{"rendered":"De Bem com a Vida: A verdadeira raz\u00e3o pela qual o parto \u00e9 t\u00e3o doloroso e perigoso"},"content":{"rendered":"<h5>\u00a0Dar \u00e0 luz pode ser um processo longo e doloroso. E tamb\u00e9m mortal. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que 830 mulheres morrem todos os dias devido a complica\u00e7\u00f5es durante a gravidez e o parto.<\/h5>\n<p>E este n\u00famero \u00e9 44% menor do que o registrado em 1990, segundo a OMS.<\/p>\n<p>&#8220;Os n\u00fameros s\u00e3o simplesmente terr\u00edveis&#8221;, diz o professor Jonathan Wells, do University College de Londres.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito raro que entre os mam\u00edferos as m\u00e3es paguem um pre\u00e7o t\u00e3o alto para ter filhos&#8221;, continua.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o por que o parto \u00e9 t\u00e3o perigoso para o ser humano? Existe algo que possamos fazer para reduzir esta taxa de mortalidade?<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/143A7\/production\/_93655828_thinkstockphotos-618185718.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Rec\u00e9m-nascido na m\u00e3o de um homem\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os beb\u00eas humanos evolu\u00edram e passaram a ter a cabe\u00e7a maior, o que tamb\u00e9m mudou a din\u00e2mica do nascimento<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os cientistas come\u00e7aram a estudar o parto humano em meados do s\u00e9culo 20. E logo constru\u00edram uma teoria que parecia explicar o que estava acontecendo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Evolu\u00e7\u00e3o e parto<\/h2>\n<p>O problema come\u00e7ava, disseram, nos nossos mais antigos antepassados da cadeia evolutiva &#8211; os Hominini, uma tribo de primatas que faz parte da fam\u00edlia Hominidae.<\/p>\n<p>Os f\u00f3sseis de Hominini mais antigos t\u00eam sete milh\u00f5es de anos e revelam animais com poucos tra\u00e7os em comum conosco, exceto um: andavam eretos sobre duas patas.<\/p>\n<p>Para andar bem assim, o esqueleto do Hominini teve que ser esticado e ganhou uma nova configura\u00e7\u00e3o. Isso afetou a sua p\u00e9lvis.<\/p>\n<p>Na maior parte dos primatas, o canal vaginal, destinado ao nascimento dos filhotes, \u00e9 relativamente reto.<\/p>\n<p>Nos Hominini, por\u00e9m, ele logo tornou-se muito diferente. O quadril ficou mais estreito e o formato da vagina foi distorcido &#8211; tornou-se um cilindro que varia de largura e forma ao longo da sua extens\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/120E3\/production\/_93655937_thinkstockphotos-502412654.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o mostrando gravidez\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os beb\u00eas precisam se contorcer e virar em busca de uma sa\u00edda que se tornou mais irregular e estreita<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Assim, os beb\u00eas Hominini devem ter tido que se contorcer e virar para passar pela vagina e nascer. E isso tornou o nascimento bem mais dif\u00edcil que antes.<\/p>\n<p>Mas as coisas ainda iriam piorar. Cerca de dois milh\u00f5es de anos atr\u00e1s nossos ancestrais Hominini come\u00e7aram a mudar novamente.<\/p>\n<p>Eles perderam as caracter\u00edsticas dos primatas como o corpo pequeno, os bra\u00e7os longos e o c\u00e9rebro pequeno.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O &#8216;dilema obst\u00e9trico&#8217;<\/h2>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, ganharam tra\u00e7os mais humanos: ficaram mais altos, com bra\u00e7os mais curtos e c\u00e9rebros maiores. Esta \u00faltima caracter\u00edstica foi especialmente ruim para as f\u00eameas Hominini.<\/p>\n<p>As f\u00eameas tinham que ter a p\u00e9lvis estreita, com a vagina comprimida, para poderem andar bem sobre as duas pernas. Por sua vez, os fetos estavam desenvolvendo cabe\u00e7as maiores e foi ficando cada vez mais dif\u00edcil para os filhotes passar por p\u00e9lvis t\u00e3o estreitas.<\/p>\n<p>O nascimento tornou-se doloroso e potencialmente mortal &#8211; e continua assim at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n<p>Em 1960, o antrop\u00f3logo americano Sherwood Washburn deu a esta ideia o nome de dilema obst\u00e9trico.<\/p>\n<p>Alguns cientistas, entre eles Wells, n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com a explica\u00e7\u00e3o e come\u00e7aram a questionar o dilema obst\u00e9trico.<\/p>\n<p>Eles acreditam que a teoria de Washburn \u00e9 muito simplista e que muitos outros fatores tamb\u00e9m contribu\u00edram para o problema do parto humano.<\/p>\n<p>Holly Dunsworth, da Universidade Rhode Island, ouviu falar do dilema obst\u00e9trico quando ainda era estudante de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Achava muito interessante e queria encontrar evid\u00eancias para comprovar o dilema obst\u00e9trico&#8221;, diz. &#8220;Mas logo tudo come\u00e7ou a mudar&#8221;.<\/p>\n<p>O problema eram as an\u00e1lises de Washburn.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AB4F\/production\/_93655834_thinkstockphotos-534666341.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Estudos mostram que o parto passou a ser mais dif\u00edcil desde os nossos mais antigos antepassados da cadeia evolutiva<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Quando escreveu seu artigo, ele disse que o dilema obst\u00e9trico foi resolvido com as f\u00eameas dando \u00e0 luz num est\u00e1gio relativamente inicial do desenvolvimento dos beb\u00eas&#8221;, diz Wells.<\/p>\n<p>Voltemos ent\u00e3o ao momento em que os c\u00e9rebros humanos come\u00e7aram a ficar maiores, dois milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Gesta\u00e7\u00e3o mais curta<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>Washburn sugeriu que os humanos encontraram uma solu\u00e7\u00e3o para o dilema: reduzir o tempo de gravidez.<\/p>\n<p>Assim, os beb\u00eas humanos foram for\u00e7ados a vir ao mundo antes do que realmente deveriam, para assim continuarem sendo menores e com c\u00e9rebros pequenos.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o de Washburn parece l\u00f3gica. Basta segurar nos bra\u00e7os um rec\u00e9m-nascido para verificar como ele \u00e9 fr\u00e1gil e pouco desenvolvido.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o cient\u00edfica dominante \u00e9 de que outros primatas, que mantiveram o per\u00edodo maior de gesta\u00e7\u00e3o, d\u00e3o \u00e0 luz filhotes mais bem desenvolvidos.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade, diz Dunsworth. &#8220;Temos beb\u00eas maiores e gesta\u00e7\u00f5es mais longas do que se imagina&#8221;.<\/p>\n<p>A gesta\u00e7\u00e3o humana \u00e9 longa. Dura entre 38 e 40 semanas, enquanto a do chimpanz\u00e9 tem 32 semanas e gorilas e orangotangos d\u00e3o \u00e0 luz depois de 37 semanas.<\/p>\n<p>A gravidez humana \u00e9 37 dias mais longa que a de um primata do nosso tamanho.<\/p>\n<p>O mesmo vale para o tamanho do c\u00e9rebro. As mulheres d\u00e3o \u00e0 luz beb\u00eas com c\u00e9rebros maiores do que o de um primata com a mesma massa corporal. Isso significa que um ponto central do dilema obst\u00e9trico de Washburn est\u00e1 incorreto.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outros problemas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias de Washburn.<\/p>\n<p>A base do dilema obst\u00e9trico afirma que o tamanho e o formato da p\u00e9lvis humana &#8211; e da p\u00e9lvis feminina especialmente &#8211; s\u00e3o muito afetados pelo nosso h\u00e1bito de caminhar eretos.<\/p>\n<p>Em 2015, Anna Warrener e seus colegas da Universidade Harvard questionaram esta hip\u00f3tese.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Import\u00e2ncia da nutri\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Eles coletaram dados metab\u00f3licos de volunt\u00e1rios de ambos os sexos, que caminhavam e corriam.<\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios com quadril mais largo n\u00e3o eram menos eficientes ao caminhar e correr do que aqueles com quadris mais estreitos.<\/p>\n<p>&#8220;A premissa b\u00e1sica do dilema obst\u00e9trico &#8211; de que ter uma p\u00e9lvis menor ou estreita \u00e9 melhor para a efici\u00eancia biomec\u00e2nica &#8211; n\u00e3o est\u00e1 correta&#8221;, disse Helen Kurki, da Universidade de Victoria, no Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Kurki n\u00e3o participou do estudo de Warrener, mas sua pr\u00f3pria pesquisa identificou mais problemas na hip\u00f3tese tradicional do dilema obst\u00e9trico.<\/p>\n<p>Se a p\u00e9lvis feminina \u00e9 mesmo controlada por duas for\u00e7as que se op\u00f5em &#8211; a necessidade de ser estreita para andar e a de ser larga para dar \u00e0 luz &#8211; o formato da vagina iria variar pouco entre as mulheres. Teria sido &#8220;estabilizado&#8221; pela sele\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>Mas depois de analisar centenas de esqueletos humanos, Kurki relatou em 2015 que a vagina varia muito de tamanho e forma.<\/p>\n<p>&#8220;Creio que minhas descobertas trazem mudan\u00e7as para o dilema obst\u00e9trico,&#8221; diz Kurki.<\/p>\n<p>Deste modo, a tese de Washburn n\u00e3o parece mais t\u00e3o satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Dunsworth acredita que falta uma pe\u00e7a importante neste quebra-cabe\u00e7a: a energia.<\/p>\n<p>&#8220;As \u00faltimas semanas e meses de gravidez s\u00e3o cansativos&#8221;, diz ela, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e.<\/p>\n<p>Algumas gr\u00e1vidas costumam dizer brincando que o desenvolvimento do feto \u00e9 como o de um parasita. Em certo sentido, \u00e9 isso mesmo: seu consumo de energia aumenta a cada dia.<\/p>\n<p>Os c\u00e9rebros humanos t\u00eam uma fome insaci\u00e1vel de energia. Desenvolver um segundo pequeno c\u00e9rebro no seu \u00fatero pode levar uma gr\u00e1vida \u00e0 beira do esgotamento em termos metab\u00f3licos.<\/p>\n<p>Dunsworth chama isto de hip\u00f3tese da energia e gesta\u00e7\u00e3o do crescimento (EGG, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Ela sugere que a dura\u00e7\u00e3o da gravidez humana \u00e9 determinada pela dificuldade em continuar a nutrir um feto depois de 39 semanas &#8211; n\u00e3o pela dificuldade de espremer um beb\u00ea pelo canal vaginal.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5D2F\/production\/_93655832_thinkstockphotos-90113448.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o com 4 vis\u00f5es de feto encaixado na pelvis\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Holly Dunsworth, da Universidade Rhode Island, afirma que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o excessiva com a rela\u00e7\u00e3o entre o tamanho da cabe\u00e7a do beb\u00ea e a largura da pelvis da m\u00e3e<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisadora acha que as pessoas se preocupam demais com a rela\u00e7\u00e3o entre o tamanho da cabe\u00e7a do beb\u00ea e a largura da vagina. Ela diz que a p\u00e9lvis simplesmente evoluiu para ter o tamanho adequado.<\/p>\n<p>Teoricamente, a evolu\u00e7\u00e3o poderia ter feito a p\u00e9lvis das mulheres maior &#8211; mas isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>Kurki concorda. &#8220;O canal vaginal \u00e9 grande o bastante para a passagem do feto&#8221;, diz.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Mas vejamos os n\u00fameros de mortes de m\u00e3es: 830 por dia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O parto na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria<\/h2>\n<p>Mesmo entre mulheres que n\u00e3o morrem durante o parto, alguns estudos dizem que o processo causa danos que mudam a vida delas em 40% dos casos. O pre\u00e7o que as mulheres pagam pela maternidade parece incrivelmente alto.<\/p>\n<p>Em 2012, Wells e sua equipe analisaram o nascimento na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria e chegaram a uma conclus\u00e3o surpreendente: na maior parte da evolu\u00e7\u00e3o humana, o parto foi muito mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Mas estudar o nascimento na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A p\u00e9lvis do Hominin raramente \u00e9 preservada como f\u00f3ssil e os cr\u00e2nios de rec\u00e9m-nascidos menos ainda.<\/p>\n<p>Mas as evid\u00eancias encontradas indicam que algumas esp\u00e9cies humanas, como o Homo erectus e alguns Neandertais, viveram momentos tranquilos na hora de dar \u00e0 luz.<\/p>\n<p>Na verdade, Wells e seus colegas suspeitam que o nascimento tenha sido um dos menores problemas da nossa esp\u00e9cie &#8211; pelo menos no come\u00e7o.<\/p>\n<p>Existem muito poucos esqueletos de beb\u00eas entre os restos humanos dos chamados grupos ca\u00e7adores-coletores, o que pode indicar que a mortalidade entre seus rec\u00e9m-nascidos era relativamente pequena.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16F03\/production\/_93655939_thinkstockphotos-510042349.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Beb\u00ea dormindo no ombro de homem\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A situa\u00e7\u00e3o nutricional das m\u00e3es pode estar associada \u00e0 mortalidade e \u00e0s dificuldades em dar \u00e0 luz<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o mudou alguns milhares de anos atr\u00e1s. As pessoas se tornaram agricultoras e os esqueletos de rec\u00e9m-nascidos tornaram-se bem mais comuns.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola&#8217;<\/h2>\n<p>Se houve um aumento da mortalidade de rec\u00e9m-nascidos nos prim\u00f3rdios da agricultura, certos fatores certamente estiveram envolvidos.<\/p>\n<p>Por exemplo, os primeiros agricultores viviam em assentamentos populosos e, por isso, doen\u00e7as transmiss\u00edveis provavelmente se tornaram mais comuns.<\/p>\n<p>Quando uma epidemia atinge certo grupo, os rec\u00e9m-nascidos s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Wells e sua equipe acreditam que a mudan\u00e7a para a agricultura tamb\u00e9m levou a altera\u00e7\u00f5es no desenvolvimento que tornaram mais dif\u00edcil o parto.<\/p>\n<p>H\u00e1 um detalhe impressionante que os arque\u00f3logos perceberam ao comparar esqueletos de antigos agricultores e seus ancestrais ca\u00e7adores-coletores.<\/p>\n<p>Os agricultores eram bem mais baixos, provavelmente porque a sua dieta rica em carboidratos n\u00e3o era nutritiva comparada com a dieta rica em prote\u00ednas dos ca\u00e7adores-coletores.<\/p>\n<p>Combinar este dois fatores com o nascimento humano subitamente se tornou mais dif\u00edcil 10 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Algo parecido com este &#8220;efeito da revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola&#8221; reaparece sempre que a alimenta\u00e7\u00e3o humana se torna pobre em nutrientes &#8211; especialmente nas dietas que cont\u00eam muitos carboidratos e a\u00e7\u00facares, o que estimula o crescimento fetal.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos imaginar que a situa\u00e7\u00e3o nutricional das m\u00e3es deve estar associada com mortalidade materna e dificuldades em dar \u00e0 luz&#8221;, disse Wells.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas sugerem que a melhora da nutri\u00e7\u00e3o pode ser um meio f\u00e1cil de reduzir a mortalidade materna.<\/p>\n<p>Dunsworth e Kurki acreditam que Wells identificou algo importante &#8211; que s\u00f3 poderia ser evidente para um pesquisador com forma\u00e7\u00e3o em nutri\u00e7\u00e3o e desenvolvimento.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AF9B\/production\/_93655944_thinkstockphotos-628076240.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de beb\u00ea coroando\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Durante a evolu\u00e7\u00e3o, a vagina adaptou-se para ficar do tamanho que permite a passagem, em seguran\u00e7a, de um feto maior e mais bem nutrido<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Agora temos uma nova explica\u00e7\u00e3o para as dificuldades do parto humano. As gr\u00e1vidas se adaptaram a alimentar seus fetos ao m\u00e1ximo antes que ele ficasse grande demais.<\/p>\n<p>A vagina adaptou-se para ficar do tamanho exato que permite que este feto supernutrido viaje por ela em seguran\u00e7a.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Equil\u00edbrio delicado<\/h2>\n<p>Mudan\u00e7as alimentares nos \u00faltimos milhares de anos prejudicaram este equil\u00edbrio delicado, tornando o nascimento perigoso &#8211; especialmente para m\u00e3es com uma dieta pobre.<\/p>\n<p>No entanto, Dunsworth diz que provavelmente este n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>As ideias de Washburn fizeram sentido durante d\u00e9cadas, at\u00e9 Dunsworth, Wells, Kurki e outras cientistas come\u00e7arem a desconstrui-las.<\/p>\n<p>&#8220;E se a perspectiva do EGG for boa demais para ser verdade?&#8221; pergunta Dunsworth. &#8220;Precisamos continuar pesquisando e colhendo provas.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente o que outros cientistas est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p>Por exemplo, em 2015 Barbara Fischer, do Instituto Konrad Lorenz de Pesquisas em Evolu\u00e7\u00e3o e Conhecimento de Klosterneuburg, na \u00c1ustria, e Philipp Mitteroecker da Universidade de Viena, tamb\u00e9m na \u00c1ustria, voltaram a analisar a pelvis feminina.<\/p>\n<p>Eles acharam que a hip\u00f3tese do EGG de Dunsworth &#8211; embora seja atraente &#8211; na verdade seria complementar \u00e0s ideias de Washburn em vez de desmenti-las totalmente.<\/p>\n<p>Dunsworth concorda: ela acredita que a evolu\u00e7\u00e3o do nascimento moderno inclui muitos fatores.<\/p>\n<p>Fischer e Mitteroecker investigaram se h\u00e1 alguma correla\u00e7\u00e3o entre o tamanho da cabe\u00e7a feminina e o da p\u00e9lvis. Como o tamanho da cabe\u00e7a \u00e9 heredit\u00e1rio, mulheres com cabe\u00e7as maiores naturalmente teriam a p\u00e9lvis mais larga e mais facilidade no parto.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mudan\u00e7a da p\u00e9lvis da mulher<\/h2>\n<p>A an\u00e1lise de 99 esqueletos indicou que esta rela\u00e7\u00e3o realmente existe. Eles conclu\u00edram ent\u00e3o que o tamanho da cabe\u00e7a da mulher e as dimens\u00f5es da sua p\u00e9lvis devem ter alguma liga\u00e7\u00e3o em termos gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>&#8220;Isto n\u00e3o significa que o problema (do parto) foi resolvido,&#8221; diz Fischer. Mas seria ainda pior se n\u00e3o houvesse rela\u00e7\u00e3o entre o tamanho da cabe\u00e7a e a largura da p\u00e9lvis.<\/p>\n<p>E ainda h\u00e1 outra complica\u00e7\u00e3o: o corpo das mulheres muda \u00e0 medida em que elas v\u00e3o envelhecendo.<\/p>\n<p>Em maio de 2016, um estudo de Marcia Ponce de Le\u00f3n e Christoph Zollikofer da Universidade de Zurique, na Su\u00ed\u00e7a, examinou dados p\u00e9lvicos de 275 pessoas &#8211; homens e mulheres &#8211; de todas as idades.<\/p>\n<p>Os pesquisadores conclu\u00edram que as dimens\u00f5es da p\u00e9lvis mudam durante a vida de uma mulher.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3A6B\/production\/_93655941_thinkstockphotos-504476658.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"M\u00e3os envolvendo p\u00e9s de beb\u00ea\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">As primeiras dificuldades na gesta\u00e7\u00e3o e no parto teriam surgido quando os ancestrais do homem passaram a caminhar eretos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O estudo sugere que a p\u00e9lvis feminina apresenta um formato mais prop\u00edcio ao parto entre os 19 e 26 anos &#8211; quando a mulher est\u00e1 no auge da fertilidade.<\/p>\n<p>Os cientistas sugerem que estas mudan\u00e7as tornam o parto um pouco mais f\u00e1cil. A teoria foi batizada de &#8220;dilema obst\u00e9trico do desenvolvimento&#8221; (DOD).<\/p>\n<p>Por volta dos 40 anos, a p\u00e9lvis muda gradualmente de forma para ficar pronta para a menopausa.<\/p>\n<p>At\u00e9 que ponto o nascimento ainda \u00e9 um processo que est\u00e1 evoluindo e mudando?<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Evoluindo para ter beb\u00eas maiores<\/h2>\n<p>Em dezembro de 2016, Fischer e Mitteroecker ganharam destaque com um estudo que abordou a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Estudos anteriores haviam indicado que beb\u00eas maiores t\u00eam maior chance de sobreviv\u00eancia e que o tamanho ao nascer \u00e9 de alguma forma heredit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Juntos, estes fatores podem aumentar a quantidade de fetos humanos que ultrapassam o tamanho determinado pela p\u00e9lvis feminina e isso poderia causar mortes nos partos.<\/p>\n<p>Mas muitos beb\u00eas nascem por meio de cesarianas, uma cirurgia que tira a crian\u00e7a da barriga da m\u00e3e sem que ela chegue ao canal vaginal.<\/p>\n<p>Fischer e Mitteroecker sugeriram que, nas sociedades onde a cesariana se tornou mais comum, os fetos podem agora ser &#8220;muito maiores&#8221; e ainda ter uma chance de sobreviv\u00eancia razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias \u00e9 que o n\u00famero de mulheres que deram \u00e0 luz beb\u00eas grandes demais para passar pelas suas p\u00e9lvis aumentou 20% em poucas d\u00e9cadas, em algumas partes do mundo.<\/p>\n<p>Mais claramente: em algumas sociedades as mulheres est\u00e3o evoluindo para ter beb\u00eas maiores.<\/p>\n<p>Por enquanto, tudo isso \u00e9 teoria. Mas a ideia \u00e9 intrigante.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Colin Barras da BBC Earth \u2013 dispon\u00edvel na web 25\/01\/2017<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Dar \u00e0 luz pode ser um processo longo e doloroso. E tamb\u00e9m mortal. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que 830 mulheres morrem todos os dias devido a complica\u00e7\u00f5es durante a gravidez e o parto. E este n\u00famero \u00e9 44% menor do que o registrado em 1990, segundo a OMS. &#8220;Os n\u00fameros s\u00e3o simplesmente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":9882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-9879","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/parto.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9879\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}