{"id":99090,"date":"2025-02-10T04:10:58","date_gmt":"2025-02-10T07:10:58","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=99090"},"modified":"2025-02-10T05:42:50","modified_gmt":"2025-02-10T08:42:50","slug":"argentina-cara-faz-hermanos-invadirem-o-brasil-para-tour-de-compras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/02\/10\/argentina-cara-faz-hermanos-invadirem-o-brasil-para-tour-de-compras\/","title":{"rendered":"Argentina cara faz \u2018hermanos\u2019 invadirem o Brasil para \u2018tour de compras\u2019"},"content":{"rendered":"<header class=\"styles__ContainerHeaderNoticiaBlockStyled-sc-17abcbt-0 hTqsxb\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"container-news-informs\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"default__StyledWrapper-sc-1jubmr2-0 icjFpt\">\n<div class=\"styles__Tag-sc-1kqcjew-0 styles__TagStyled-sc-1kqcjew-1 jizfvP dtdFoS container\">\n<div class=\"styles__Tag-sc-1kqcjew-0 styles__TagStyled-sc-1kqcjew-1 jizfvP dtdFoS row\">\n<div class=\"styles__Tag-sc-1kqcjew-0 styles__TagStyled-sc-1kqcjew-1 jizfvP dtdFoS col-12\">\n<div class=\"styles__AuthorsNoticiaContainerStyled-sc-q2i3u1-0 dUSNpL authors-noticia\">\n<div class=\"container-content --length-1\">\n<div class=\"informs\">\n<div class=\"names\">\u201cEst\u00e3o indo comprar?\u201d, pergunta a agente da aduana argentina na fronteira com o <strong>Brasil<\/strong>.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"names\">O motorista diz que sim, e ela o deixa passar para a ponte que conecta os dois pa\u00edses. Sem nenhum controle migrat\u00f3rio do lado brasileiro, o residente de Paso de los Libres, que faz divisa com Uruguaiana, entra na cidade ga\u00facha.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"styles__ContentWrapperContainerStyled-sc-1ehbu6v-0 klsZKo content-wrapper -paywall-parent box\">\n<div class=\"styles__ContentWrapperContainerStyled-sc-1ehbu6v-0 klsZKo content-wrapper news-body container content template-especial already-sliced already-checked\" data-paywall-wrapper=\"true\">\n<div class=\"styles__MultiParagraphAdStyled-sc-1yb8ue6-0 jgtefQ\">\n<div class=\"paragraph\">\n<p>\u00c9 o hor\u00e1rio do almo\u00e7o de um s\u00e1bado de fevereiro, e as filas, engrossadas principalmente por argentinos que rumam para as praias do&nbsp;<strong>Rio Grande do Sul<\/strong>&nbsp;e de&nbsp;<strong>Santa Catarina<\/strong>, s\u00e3o imensas e chegam a quase quatro horas de espera. A fila preferencial dos residentes da fronteira \u00e9 um al\u00edvio para os \u201clibrenses\u201d, que cada vez mais recorrem ao Brasil para comprar alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza.<\/p>\n<p>\u201cOs produtos aqui saem pela metade do pre\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;<strong>Argentina<\/strong>. Compro tudo, sab\u00e3o em p\u00f3, arroz, bolacha\u201d, diz a contadora argentina Florencia Del Bove, que atravessa semanalmente a ponte que liga os dois pa\u00edses para se abastecer em um hipermercado de Uruguaiana.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">No carrinho, a contadora colocou macarr\u00e3o, temperos, produtos de higiene pessoal e de limpeza, \u00f3leo de cozinha, e at\u00e9 um esfreg\u00e3o e uma air fryer. Tamb\u00e9m tem leite longa-vida, que neste hipermercado de Uruguaiana est\u00e1 R$ 3,8, quando em um supermercado de Paso de los Libres ronda R$ 9.<\/p>\n<figure class=\"styles__FigureImageWrapper-sc-1qk1vbn-0 hpdEPq figure-image-wrapper   \">\n<div class=\"figure-image-container\">\n<figure style=\"width: 893px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/7TALRIEIUNHV3DTEMZ43BUQ7RA.jfif?quality=80&amp;auth=2550ffd293cd4db057c5ba16eb4e54a493515a9710868726914adc7b3aac8f47&amp;width=380\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 728px, (max-width: 1024px) 984px, 1322px\" srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/7TALRIEIUNHV3DTEMZ43BUQ7RA.jfif?quality=80&amp;auth=2550ffd293cd4db057c5ba16eb4e54a493515a9710868726914adc7b3aac8f47&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/7TALRIEIUNHV3DTEMZ43BUQ7RA.jfif?quality=80&amp;auth=2550ffd293cd4db057c5ba16eb4e54a493515a9710868726914adc7b3aac8f47&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/7TALRIEIUNHV3DTEMZ43BUQ7RA.jfif?quality=80&amp;auth=2550ffd293cd4db057c5ba16eb4e54a493515a9710868726914adc7b3aac8f47&amp;width=1200 1322w\" alt=\"Hayd\u00e9e Umeres trabalha em supermercado no lado argentino da fronteira: mesmo com desconto de funcion\u00e1ria em supermercado argentino, prefere comprar do lado brasileiro da fronteira\" width=\"893\" height=\"669\" data-srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/7TALRIEIUNHV3DTEMZ43BUQ7RA.jfif?quality=80&amp;auth=2550ffd293cd4db057c5ba16eb4e54a493515a9710868726914adc7b3aac8f47&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/7TALRIEIUNHV3DTEMZ43BUQ7RA.jfif?quality=80&amp;auth=2550ffd293cd4db057c5ba16eb4e54a493515a9710868726914adc7b3aac8f47&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/7TALRIEIUNHV3DTEMZ43BUQ7RA.jfif?quality=80&amp;auth=2550ffd293cd4db057c5ba16eb4e54a493515a9710868726914adc7b3aac8f47&amp;width=1200 1322w\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Hayd\u00e9e Umeres trabalha em supermercado no lado argentino da fronteira: mesmo com desconto de funcion\u00e1ria em supermercado argentino, prefere comprar do lado brasileiro da fronteira Foto: Luciana Taddeo\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Mesmo com o custo da viagem, os bate-e-voltas quinzenais, cada vez mais comum dos moradores de Paso de los Libres para fazer supermercado no Brasil, representa uma economia de cerca de 50%. A diferen\u00e7a se explica por uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores. Por um lado, a brusca diminui\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o \u2013 de 25,5% em dezembro de 2023 para 2,7% em dezembro de 2024 \u2013 ocorreu sobre pre\u00e7os extremamente elevados.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Por outro lado, a Argentina ficou mais cara em d\u00f3lares, pois o governo manteve o controle sobre a cota\u00e7\u00e3o oficial do peso, permitindo uma&nbsp;<strong>desvaloriza\u00e7\u00e3o mais lenta do que a infla\u00e7\u00e3o<\/strong>. Como resultado, a diferen\u00e7a antes expressiva entre o&nbsp;<strong>d\u00f3lar<\/strong> paralelo e o oficial diminuiu tanto que j\u00e1 n\u00e3o torna os produtos significativamente mais baratos para os brasileiros que chegam ao pa\u00eds vizinho com moeda estrangeira.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Al\u00e9m disso, o peso argentino se valorizou em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, enquanto o real perdeu for\u00e7a, criando um cen\u00e1rio que tornou o Brasil um destino ainda mais atrativo para os \u201chermanos\u201d.<\/p>\n<div class=\"styles__LinkListWrapper-sc-9ma457-0 dOqFIr link-list-wrapper\">\n<div class=\"list-wrapper\">\n<div class=\"inner-list-wrapper-text\">\n<p class=\"li-title\">\u201cPara n\u00f3s, \u00e9 muito barato; vale a pena ir fazer compras l\u00e1. Toda a minha fam\u00edlia vai\u201d, diz Hayd\u00e9e Umeres, que trabalha em um supermercado em Paso de los Libres. Mesmo com desconto de funcion\u00e1ria, ela afirma economizar ao atravessar a fronteira at\u00e9 Uruguaiana para comprar itens b\u00e1sicos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">E a tend\u00eancia vale tamb\u00e9m para os moradores de cidades mais afastadas da fronteira. In\u00e9s Sanchez \u00e9 de Mercedes, munic\u00edpio argentino a quase duas horas de Uruguaiana, e decidiu passar pela cidade brasileira para comprar produtos para sua padaria. No carrinho, colocou pacotes de refrigerante e de \u00e1gua, para revender, e leite, para elaborar quitutes. Mas o que realmente se destaca na compra s\u00e3o os enormes pacotes com 40 rolos de papel higi\u00eanico que est\u00e1 levando para sua casa e para suas av\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">\u201cMuita gente de Mercedes est\u00e1 vindo para c\u00e1 fazer compras. N\u00e3o vou conseguir vir sempre, porque tenho dois trabalhos, mas o pai de uma amiga vai come\u00e7ar a vir para a gente se abastecer\u201d, conta ela, que foi a Uruguaiana acompanhada de amigos que tamb\u00e9m levaram itens de consumo pessoal, al\u00e9m de roupas que compraram em outros estabelecimentos da cidade.<\/p>\n<figure class=\"styles__FigureImageWrapper-sc-1qk1vbn-0 hpdEPq figure-image-wrapper   \">\n<div class=\"figure-image-container\">\n<figure style=\"width: 893px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/TFPJUK4T4VEK3HZ6EGUKVZZJKA.jfif?quality=80&amp;auth=06619dca42916041e1fcb2fde7f991b5c01b34554fb3447502b67529fd17c6d3&amp;width=380\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 728px, (max-width: 1024px) 984px, 1322px\" srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/TFPJUK4T4VEK3HZ6EGUKVZZJKA.jfif?quality=80&amp;auth=06619dca42916041e1fcb2fde7f991b5c01b34554fb3447502b67529fd17c6d3&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/TFPJUK4T4VEK3HZ6EGUKVZZJKA.jfif?quality=80&amp;auth=06619dca42916041e1fcb2fde7f991b5c01b34554fb3447502b67529fd17c6d3&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/TFPJUK4T4VEK3HZ6EGUKVZZJKA.jfif?quality=80&amp;auth=06619dca42916041e1fcb2fde7f991b5c01b34554fb3447502b67529fd17c6d3&amp;width=1200 1322w\" alt=\"In\u00e9s Sanchez (direita) foi com amigos comprar produtos para revender na sua padaria da cidade de Mercedes, a quase duas horas de Uruguaiana\" width=\"893\" height=\"669\" data-srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/TFPJUK4T4VEK3HZ6EGUKVZZJKA.jfif?quality=80&amp;auth=06619dca42916041e1fcb2fde7f991b5c01b34554fb3447502b67529fd17c6d3&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/TFPJUK4T4VEK3HZ6EGUKVZZJKA.jfif?quality=80&amp;auth=06619dca42916041e1fcb2fde7f991b5c01b34554fb3447502b67529fd17c6d3&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/TFPJUK4T4VEK3HZ6EGUKVZZJKA.jfif?quality=80&amp;auth=06619dca42916041e1fcb2fde7f991b5c01b34554fb3447502b67529fd17c6d3&amp;width=1200 1322w\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">In\u00e9s Sanchez (direita) foi com amigos comprar produtos para revender na sua padaria da cidade de Mercedes, a quase duas horas de Uruguaiana Foto: Luciana Taddeo\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">A economia fica evidente em apenas um dos produtos comprados por Sanchez: em sua cidade, ela paga 1,7 mil pesos (R$ 8,30) por uma latinha de refrigerante, enquanto no Brasil a encontra por R$ 3,90. Surpresa, ela tamb\u00e9m menciona os pre\u00e7os dos aparelhos de ar-condicionado, que podem ser adquiridos por R$ 1,5 mil na cidade brasileira, enquanto em sua regi\u00e3o custariam pelo menos R$ 3,4 mil. \u201c\u00c9 uma loucura\u201d, resume.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">O boom do fluxo de argentinos para o Brasil trouxe uma vantagem expressiva: segundo o Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es Internacionais, o n\u00famero de argentinos que entraram no Pa\u00eds saltou de 160.875 em dezembro de 2023 para 254.737 no mesmo m\u00eas de 2024, um crescimento de 58,3%.<\/p>\n<div class=\"styles__MultiParagraphAdStyled-sc-1yb8ue6-0 jgtefQ\">\n<div class=\"paragraph\">\n<p>O fen\u00f4meno se explica tamb\u00e9m pelos argentinos indo passar f\u00e9rias no Brasil neste ver\u00e3o. S\u00f3 em dezembro, quase 93 mil argentinos entraram no Brasil atrav\u00e9s do Rio Grande do Sul, o que representou um aumento de 102,2% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2023. J\u00e1 Santa Catarina registrou a entrada de mais de 44 mil argentinos, 90% a mais do que no mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>A vendedora argentina M\u00f3nica Su\u00e1rez chegou a or\u00e7ar uma viagem de uma semana para Ituzaing\u00f3, cidade \u00e0 beira do Rio Paran\u00e1, mas constatou que ir descansar no Brasil sairia muito mais barato. \u201cAqui sairia 2,5 milh\u00f5es de pesos (R$ 12 mil); e no Brasil, R$ 5 mil\u201d, compara.<\/p>\n<div class=\"styles__IntertitleWrapper-sc-vje7ac-0 CZdsZ intertitle-wrapper \">\n<h3 id=\"lojas-vazias\">Lojas vazias<\/h3>\n<\/div>\n<p>Su\u00e1rez trabalha em uma loja de pesca em uma das principais avenidas comerciais de Paso de los Libres, que em um fim da manh\u00e3 de s\u00e1bado est\u00e1 silenciosa. As ruas esvaziadas contrastam com a intensa movimenta\u00e7\u00e3o que havia um ano lotavam a cidade em busca de produtos a pre\u00e7os vantajosos. A situa\u00e7\u00e3o se inverteu.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"styles__FigureImageWrapper-sc-1qk1vbn-0 hpdEPq figure-image-wrapper   \">\n<div class=\"figure-image-container\">\n<figure style=\"width: 893px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/EC7BNK6OPJAGXN6KLMGGVBVMDE.jpeg?resize=696%2C521&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 728px, (max-width: 1024px) 984px, 1322px\" srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/EC7BNK6OPJAGXN6KLMGGVBVMDE.jpeg?quality=80&amp;auth=7b8dfbd468f4857d071333f557ff5c1bcf335aa8451d230c38f0536c205a6866&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/EC7BNK6OPJAGXN6KLMGGVBVMDE.jpeg?quality=80&amp;auth=7b8dfbd468f4857d071333f557ff5c1bcf335aa8451d230c38f0536c205a6866&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/EC7BNK6OPJAGXN6KLMGGVBVMDE.jpeg?quality=80&amp;auth=7b8dfbd468f4857d071333f557ff5c1bcf335aa8451d230c38f0536c205a6866&amp;width=1200 1322w\" alt=\"Uma das principais ruas comerciais de Paso de los Libres est\u00e1 deserta\" width=\"696\" height=\"521\" data-srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/EC7BNK6OPJAGXN6KLMGGVBVMDE.jpeg?quality=80&amp;auth=7b8dfbd468f4857d071333f557ff5c1bcf335aa8451d230c38f0536c205a6866&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/EC7BNK6OPJAGXN6KLMGGVBVMDE.jpeg?quality=80&amp;auth=7b8dfbd468f4857d071333f557ff5c1bcf335aa8451d230c38f0536c205a6866&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/EC7BNK6OPJAGXN6KLMGGVBVMDE.jpeg?quality=80&amp;auth=7b8dfbd468f4857d071333f557ff5c1bcf335aa8451d230c38f0536c205a6866&amp;width=1200 1322w\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Uma das principais ruas comerciais de Paso de los Libres est\u00e1 deserta Foto: Luciana Taddeo\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">A uma quadra dali, os frentistas Juan Sartori e Marcos Carbonell aguardam a chegada de um carro para abastecer. Eles relembram o tempo em que, naquele mesmo posto, brasileiros formavam filas de at\u00e9 oito quarteir\u00f5es para aproveitar o combust\u00edvel subsidiado.<\/p>\n<div class=\"styles__MultiParagraphAdStyled-sc-1yb8ue6-0 jgtefQ\">\n<div class=\"paragraph\">\n<p>\u201cN\u00e3o tinha descanso, as filas eram enormes de 6h \u00e0s 21h. N\u00f3s mesmos t\u00ednhamos de rodar para ver em que posto n\u00e3o tinha tanta fila ou ainda tinha gasolina\u201d, descrevem, contando que em novembro de 2023, quando a gasolina comum estava cerca de R$ 2 por litro em Paso de los Libres, a procura era tanta que os postos da estatal YPF n\u00e3o vendiam para brasileiros e outros vendiam com limites m\u00e1ximos. O deles abastecia com a quantidade pedida pelos motoristas, mas precisava de reposi\u00e7\u00e3o praticamente di\u00e1ria com um caminh\u00e3o de 38 litros de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Com a chegada de&nbsp;Javier Milei&nbsp;e os ajustes de pre\u00e7o, a pechincha e a alta procura ficaram no passado. Atualmente, a gasolina comum nesse posto custa R$ 5,90, enquanto em Uruguaiana sai por R$ 6,30. A pequena diferen\u00e7a, refletida na baixa movimenta\u00e7\u00e3o e na redu\u00e7\u00e3o das reposi\u00e7\u00f5es \u2013 agora limitadas a um \u00fanico caminh\u00e3o por semana \u2013, j\u00e1 n\u00e3o compensa a travessia para os brasileiros.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, o que vale, segundo Carbonell, \u00e9 comprar pe\u00e7as de carro no Brasil. Ele mesmo, quando precisou, trocou os quatro pneus do seu em Uruguaiana. \u201cAqui cada pneu sa\u00eda R$ 930, e l\u00e1 paguei R$ 1.116 pelos quatro\u201d, conta ao lado do colega.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">\u201cSentimos muito esse impacto. Antes, os brasileiros vinham todo m\u00eas para c\u00e1, enchiam dois carrinhos de supermercado. Mas agora j\u00e1 faz quase um ano que eles n\u00e3o v\u00eam comprar. N\u00f3s nos mantemos com o p\u00fablico argentino que tamb\u00e9m \u00e9 pouco, porque n\u00f3s mesmos estamos indo fazer compras no Brasil\u201d, relata Umeres.<\/p>\n<figure class=\"styles__FigureImageWrapper-sc-1qk1vbn-0 hpdEPq figure-image-wrapper   \">\n<div class=\"figure-image-container\">\n<figure style=\"width: 893px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/4Z7LGVAEHZGMTHUP3KBGPBW244.jfif?quality=80&amp;auth=4e983e41c5a7f6005afa4f1075b6abc5134febf940685f9a5db5706cc0f481cf&amp;width=380\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 728px, (max-width: 1024px) 984px, 1322px\" srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/4Z7LGVAEHZGMTHUP3KBGPBW244.jfif?quality=80&amp;auth=4e983e41c5a7f6005afa4f1075b6abc5134febf940685f9a5db5706cc0f481cf&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/4Z7LGVAEHZGMTHUP3KBGPBW244.jfif?quality=80&amp;auth=4e983e41c5a7f6005afa4f1075b6abc5134febf940685f9a5db5706cc0f481cf&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/4Z7LGVAEHZGMTHUP3KBGPBW244.jfif?quality=80&amp;auth=4e983e41c5a7f6005afa4f1075b6abc5134febf940685f9a5db5706cc0f481cf&amp;width=1200 1322w\" alt=\"Fila de carros da Argentina esperando para entrar no Brasil em posto de fronteira\" width=\"893\" height=\"669\" data-srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/4Z7LGVAEHZGMTHUP3KBGPBW244.jfif?quality=80&amp;auth=4e983e41c5a7f6005afa4f1075b6abc5134febf940685f9a5db5706cc0f481cf&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/4Z7LGVAEHZGMTHUP3KBGPBW244.jfif?quality=80&amp;auth=4e983e41c5a7f6005afa4f1075b6abc5134febf940685f9a5db5706cc0f481cf&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/4Z7LGVAEHZGMTHUP3KBGPBW244.jfif?quality=80&amp;auth=4e983e41c5a7f6005afa4f1075b6abc5134febf940685f9a5db5706cc0f481cf&amp;width=1200 1322w\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fila de carros da Argentina esperando para entrar no Brasil em posto de fronteira Foto: Luciana Taddeo\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/figure>\n<div class=\"styles__IntertitleWrapper-sc-vje7ac-0 CZdsZ intertitle-wrapper \">\n<h3 id=\"fechamento-de-lojas-e-demissoes\">Fechamento de lojas e demiss\u00f5es<\/h3>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Na cidade argentina de Bernardo de Irigoyen, na fronteira com Dion\u00edsio Cerqueira (SC) e Barrac\u00e3o (PR), a consequ\u00eancia dessa invers\u00e3o de fluxo foi o fechamento de estabelecimentos comerciais e demiss\u00f5es. \u201cEst\u00e1 muito dif\u00edcil para o com\u00e9rcio argentino, teve uma queda de 70%, 80% das vendas\u201d, lamenta, afirma Walter Feldman, presidente da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio da cidade.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Segundo ele, o movimento de moradores da cidade argentina indo comprar produtos da cesta b\u00e1sica no Brasil se intensificou a partir de outubro e hoje, em um fim de semana, a clientela argentina \u00e9 80% de alguns supermercados do lado brasileiro.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">\u201cOs estabelecimentos se adaptaram para receb\u00ea-los, contratando argentinos, focando nos produtos que os argentinos mais procuram, e aceitam pesos\u201d, relata.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">O boom tamb\u00e9m \u00e9 aproveitado por motoristas que passaram a levar argentinos para o Brasil. O servi\u00e7o inclui aguard\u00e1-los por at\u00e9 duas horas e lev\u00e1-los de volta para a Argentina. Em Paso de los Libres, o servi\u00e7o sai cerca de R$ 150, com duas horas de espera.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Um desses motoristas conta que tem conseguido fazer de tr\u00eas a seis viagens por dia para o Brasil. Mas eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos que trabalham com isso: h\u00e1 tamb\u00e9m os conhecidos como \u201cpassadores\u201d, que transportam passageiros a pre\u00e7os menores porque t\u00eam como principal tarefa levar produtos de um pa\u00eds para o outro burlando a fiscaliza\u00e7\u00e3o alfandeg\u00e1ria para evitar o pagamento de taxas. Em bom portugu\u00eas, o contrabando.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Um deles, que pediu n\u00e3o ser identificado, contou \u00e0 reportagem que entre os principais produtos que os argentinos pedem do Brasil est\u00e3o ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e copos t\u00e9rmicos de uma marca famosa que na Argentina est\u00e3o \u201cos olhos da cara\u201d.<\/p>\n<figure class=\"styles__FigureImageWrapper-sc-1qk1vbn-0 hpdEPq figure-image-wrapper   \">\n<div class=\"figure-image-container\">\n<figure style=\"width: 893px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/3MKGJKRDBBF75GX4GQ76N3I24A.jfif?quality=80&amp;auth=6925060255021f5cf0efd59d3e8cc6fffbce3477c00bf625b66631605a90f71c&amp;width=380\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 728px, (max-width: 1024px) 984px, 1322px\" srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/3MKGJKRDBBF75GX4GQ76N3I24A.jfif?quality=80&amp;auth=6925060255021f5cf0efd59d3e8cc6fffbce3477c00bf625b66631605a90f71c&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/3MKGJKRDBBF75GX4GQ76N3I24A.jfif?quality=80&amp;auth=6925060255021f5cf0efd59d3e8cc6fffbce3477c00bf625b66631605a90f71c&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/3MKGJKRDBBF75GX4GQ76N3I24A.jfif?quality=80&amp;auth=6925060255021f5cf0efd59d3e8cc6fffbce3477c00bf625b66631605a90f71c&amp;width=1200 1322w\" alt=\"Frentistas Juan Sartori e Marcos Carbonell lembram quando carros do Brasil iam abastecer na Argentina\" width=\"893\" height=\"669\" data-srcset=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/3MKGJKRDBBF75GX4GQ76N3I24A.jfif?quality=80&amp;auth=6925060255021f5cf0efd59d3e8cc6fffbce3477c00bf625b66631605a90f71c&amp;width=380 768w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/3MKGJKRDBBF75GX4GQ76N3I24A.jfif?quality=80&amp;auth=6925060255021f5cf0efd59d3e8cc6fffbce3477c00bf625b66631605a90f71c&amp;width=768 1024w, https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/3MKGJKRDBBF75GX4GQ76N3I24A.jfif?quality=80&amp;auth=6925060255021f5cf0efd59d3e8cc6fffbce3477c00bf625b66631605a90f71c&amp;width=1200 1322w\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Frentistas Juan Sartori e Marcos Carbonell lembram quando carros do Brasil iam abastecer na Argentina Foto: Luciana Taddeo\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">A caixa com tr\u00eas ventiladores \u00e9 comprada em Uruguaiana por 65 mil pesos, e o \u201cpassador\u201d cobra 10 mil pelo servi\u00e7o. Ele conta que, em Paso de los Libres, somente uma unidade custaria 40 mil e, em outras prov\u00edncias, pode passar de 60 mil.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Em v\u00e1rias lojas da cidade, comerciantes relataram ao&nbsp;Estad\u00e3o&nbsp;que dobraram a meta de vendas que tinham para o m\u00eas de janeiro. Lidiane Z\u00e1rate, gerente de um dos free shops de Uruguaiana, conta que janeiro sempre \u00e9 um m\u00eas de alto fluxo no local, mas que neste ano \u201cfoi muito fora da curva, totalmente diferente\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">A maioria dos consumidores argentinos nessas lojas s\u00e3o os argentinos que passam pela cidade antes de ir para praias brasileiras ou voltar para seu pa\u00eds. Segundo Z\u00e1rate, a maioria chega com d\u00f3lares, mas tamb\u00e9m h\u00e1 um uso massivo do&nbsp;<strong>Pix<\/strong>, que passou a ser utilizado por meio de alguns aplicativos de contas virtuais que surgiram no \u00faltimo ano na Argentina.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dXbqCe  \">Para os comerciantes e o setor hoteleiro de Uruguaiana, a invas\u00e3o argentina \u00e9 sin\u00f4nimo de metas batidas e bonifica\u00e7\u00f5es. \u201cEspero que eles continuem ganhando dinheiro e vindo gastar, porque estamos felizes\u201d, comemora.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: &nbsp;Luciana Taddeo \/ O Estrado de S\u00e3o Paulo &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 10\/2\/2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cEst\u00e3o indo comprar?\u201d, pergunta a agente da aduana argentina na fronteira com o Brasil. &nbsp; O motorista diz que sim, e ela o deixa passar para a ponte que conecta os dois pa\u00edses. 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