{"id":99936,"date":"2025-03-05T04:20:49","date_gmt":"2025-03-05T07:20:49","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=99936"},"modified":"2025-03-03T21:41:18","modified_gmt":"2025-03-04T00:41:18","slug":"orfeu-negro-a-vez-que-o-brasil-ganhou-o-oscar-mas-nao-levou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/03\/05\/orfeu-negro-a-vez-que-o-brasil-ganhou-o-oscar-mas-nao-levou\/","title":{"rendered":"&#8220;Orfeu Negro&#8221;: a vez que o Brasil &#8220;ganhou&#8221; o Oscar, mas n\u00e3o levou"},"content":{"rendered":"<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O filme se passa no&nbsp;Rio de Janeiro. A hist\u00f3ria \u00e9 em portugu\u00eas brasileiro. As&nbsp;m\u00fasicas&nbsp;s\u00e3o de Tom Jobim (1927-1994), Luiz Bonf\u00e1 (1922-2001), Vinicius de Moraes (1913-1980) e Ant\u00f4nio Maria (1921-1964). A produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 brasileira \u2014 mas n\u00e3o s\u00f3; oficialmente o filme \u00e9 \u00edtalo-franco-brasileiro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Quando se diz que o Brasil,&nbsp;at\u00e9 o pr\u00eamio deste domingo (2\/3) para&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Ainda Estou Aqui<\/i>, nunca havia ganhado, \u00e9 preciso explicar a hist\u00f3ria desse grande sucesso internacional chamado&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Ele ganhou o&nbsp;Oscar&nbsp;de melhor filme estrangeiro de 1960 (categoria hoje chamada de melhor filme internacional). Mas o pr\u00eamio foi para a Fran\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Isso porque a principal produtora foi a francesa Dispat Films, em participa\u00e7\u00e3o maior do que a italiana Gemma Cinematografica e do que a brasileira Tupan Filmes. O produtor respons\u00e1vel foi Sacha Gordine (1910-1968), franc\u00eas de origem russa.<\/p>\n<\/div>\n<h4 dir=\"ltr\"><strong>A seguir, explicamos essa hist\u00f3ria.<\/strong><\/h4>\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O filme&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro [&#8230;]&nbsp;<\/i>foi rodado inteiramente no Rio de Janeiro, com quase que a totalidade do elenco sendo brasileira, falado em portugu\u00eas, com m\u00fasica brasileira e, sobretudoA seguir, explicamos essa hist\u00f3ria., inspirado em uma pe\u00e7a do Vinicius de Moraes, que \u00e9 um brasileiro bem conhecido tamb\u00e9m&#8230; e esses brasileiros foram, sim, creditados no filme&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil o produtor de cinema Cao Quintas, professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Quintas diz, ainda, que &#8220;essa discuss\u00e3o \u00e9 extremamente apropriada no momento, n\u00e3o s\u00f3 pela euforia da indica\u00e7\u00e3o brasileira ao Oscar agora [o filme &#8216;Ainda Estou Aqui&#8217; recebeu tr\u00eas indica\u00e7\u00f5es, recorde na hist\u00f3ria do cinema brasileiro], mas pela discuss\u00e3o sobre regulamenta\u00e7\u00e3o do streaming no Brasil, que precisa passar por uma defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 uma obra cinematogr\u00e1fica brasileira&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O professor explica que &#8220;em rela\u00e7\u00e3o a coprodu\u00e7\u00f5es&#8221;, &#8220;normalmente o coprodutor majorit\u00e1rio indica o produtor delegado do filme, que passa a ser respons\u00e1vel por qualquer aspecto ligado \u00e0 obra&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Nesse caso, conforme fica claro nos cr\u00e9ditos de abertura, Sacha Gordine \u00e9 o delegado. &#8220;E a Fran\u00e7a foi o pa\u00eds respons\u00e1vel por indicar o filme para concorrer ao Oscar. Nessa modalidade [filme estrangeiro], os filmes s\u00e3o indicados pelos respectivos pa\u00edses de origem&#8221;, esclarece.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">De acordo com o regulamento da Academia de Artes e Ci\u00eancias Cinematogr\u00e1ficas dos Estados Unidos, que confere o pr\u00eamio, \u00e9 nomeado como respons\u00e1vel por cada filme aquele que responder pela produtora com maior participa\u00e7\u00e3o no trabalho \u2014no caso de Orfeu Negro, a companhia francesa. Isto justifica o fato de que quem inscreveu o filme na competi\u00e7\u00e3o foi a Dispat Films.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Um caso semelhante que ilustra essa situa\u00e7\u00e3o foi com o filme&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">O Beijo da Mulher Aranha<\/i>, de 1985. Dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco (1946-2016), com elenco internacional e falado em ingl\u00eas, a obra sempre foi considerada mais americana do que brasileira. A coprodu\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses foi indicada ao Oscar de melhor filme de 1986, sendo considerada uma candidata dos Estados Unidos. N\u00e3o levou.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"O-dia-em-que-Vinicius-de-Moraes-ressignificou-a-mitologia-grega\" class=\"bbc-1lgzob2 eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>O dia em que Vinicius de Moraes ressignificou a mitologia grega<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O que posso dizer \u00e9 que&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>&nbsp;\u00e9 uma das obras mais importantes do Vinicius, e que a Fran\u00e7a n\u00e3o tem vergonha de ter pegado isso pra ela&#8221;, afirma \u00e0 BBC News Brasil o roteirista de cinema Lusa Silvestre.<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\">\n<figure style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"bbc-139onq\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/c130\/live\/17b6f250-f355-11ef-9e61-71ee71f26eb1.jpg.webp?resize=327%2C279&#038;ssl=1\" alt=\"Tom Jobim\" width=\"327\" height=\"279\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Trilha sonora do filme inclui m\u00fasicas de Tom Jobim @arquivo nacional<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-15f1ujd\" dir=\"ltr\"><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em 1954, o poeta Vinicius de Moraes escreveu uma pe\u00e7a chamada&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu da Concei\u00e7\u00e3o<\/i>. Baseou-se no drama de&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu e Eur\u00eddice<\/i>, da mitologia grega. Na releitura brasileira, a hist\u00f3ria cl\u00e1ssica foi ambientada em uma favela carioca.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O espet\u00e1culo tinha requintes hist\u00f3ricos \u2014 marcou o in\u00edcio da genial parceria musical de Vinicius com Tom Jobim, que musicou todo o espet\u00e1culo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">A pe\u00e7a entrou em cartaz em 1956, no Teatro Municipal do Rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">A cenografia foi assinada pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). A encena\u00e7\u00e3o ficou a cargo do Teatro Experimental do Negro de Abdias Nascimento (1914-2011) \u2014 foi a segunda vez na hist\u00f3ria que um elenco de atores negros protagonizou uma pe\u00e7a no elitista Municipal carioca.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O enredo grego do amor tr\u00e1gico entre Orfeu e Eur\u00eddice foi transposto para um feriado de carnaval. Os sentimentos presentes na trama original seguem na releitura po\u00e9tica-dramat\u00fargica de Vinicius: tem ci\u00fames, tem sangue, tem vingan\u00e7a. Tem amor e tem morte.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Havia um Brasil modelo exporta\u00e7\u00e3o nessa hist\u00f3ria, mesmo que n\u00e3o fosse essa a inten\u00e7\u00e3o de Vinicius. Favela, samba, negritude, Rio de Janeiro, carnaval: ingredientes considerados interessantes e cinematogr\u00e1ficos.<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\">\n<figure style=\"width: 329px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"bbc-139onq\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/dd15\/live\/1d636e40-f355-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=329%2C508&#038;ssl=1\" alt=\"Vin\u00edcius de Moraes\" width=\"329\" height=\"508\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Hist\u00f3ria foi baseada em pe\u00e7a de teatro escrita por Vinicius de Moraes @arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-15f1ujd\" dir=\"ltr\"><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O diretor de cinema e escritor franc\u00eas Marcel Camus (1912-1980) encarou a oportunidade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\"><i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>&nbsp;saiu em filme em 1959. Foi adaptado da pe\u00e7a de Vinicius, escrito por Camus e Jacques Viot (1898-1973) em parceria com Vinicius, embora o brasileiro n\u00e3o tenha sido creditado \u2014 e dirigido por Camus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">A trilha sonora foi assinada oficialmente por Tom Jobim e Luiz Bonf\u00e1. Vinicius e Ant\u00f4nio Maria tiveram m\u00fasicas de sua lavra inclu\u00eddas, mas n\u00e3o receberam os cr\u00e9ditos. O elenco teve atores brasileiros, como o protagonista Orfeu, vivido por Breno Mello (1931-2008). Eur\u00eddice foi encarnada pela americana Marpessa Dawn (1934-2008).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">No filme, tamb\u00e9m h\u00e1 participa\u00e7\u00f5es at\u00e9 de Ti\u00e3o Macal\u00e9 (1926-1993) e Cartola (1908-1980).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Foi um sucesso retumbante. A ponto de o ex-presidente americano Barack Obama citar a obra em seu livro de mem\u00f3rias&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Dreams From My Father<\/i>. Ou do artista pl\u00e1stico Jean-Michel Basquiat (1960-1988) lembrar da obra como uma de suas primeiras influ\u00eancias.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\"><i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>&nbsp;ganhou a Palma de Ouro em Cannes, al\u00e9m das categorias de filmes estrangeiros do Globo de Ouro e do Oscar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Mas isso n\u00e3o significa que o Brasil j\u00e1 tem Oscar. Todos os louros foram contabilizados para a Fran\u00e7a, que detinha o maior controle da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"Fran\u00e7a-ou-Brasil\" class=\"bbc-1lgzob2 eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>Fran\u00e7a ou Brasil?<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em 1959, o cineasta franco-su\u00ed\u00e7o Jean-Luc Godard (1930-2022) escreveu um artigo sobre&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>&nbsp;para a revista francesa Cahiers Du Cinema, no qual menciona: &#8220;Estou muito surpreso e muito desapontado porque eu n\u00e3o vejo nada do Rio em&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>&#8220;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">E Quintas, hoje, concorda: &#8220;Eu n\u00e3o me conven\u00e7o que&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>&nbsp;seja um filme brasileiro&#8221;, diz. &#8220;Ou que retrate com propriedade um Brasil existente. Simples assim.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Pelo contr\u00e1rio. Ele praticamente se apropria de um Brasil imagin\u00e1rio, [\u00e9] um neocolonialismo que filma essa alegoria e oferece essa sandice para o mundo ver&#8221;, afirma Quintas. &#8220;\u00c9 um filme que n\u00e3o fala de um Brasil real, exibe somente aquele Brasil ex\u00f3tico que o estrangeiro quer ver, aquele Brasil do imagin\u00e1rio coletivo global.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">\u00c0 BBC News Brasil, o cineasta Luiz Bolognesi diz: &#8220;N\u00e3o sejamos ufanistas. Trata-se de uma produ\u00e7\u00e3o francesa com um diretor franc\u00eas. Ent\u00e3o o Oscar \u00e9 da Fran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Ele reconhece, contudo, uma problematiza\u00e7\u00e3o na maneira como os brasileiros foram creditados.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O que a gente sabe \u00e9 que a coprodu\u00e7\u00e3o brasileira foi tratada de modo que hoje n\u00e3o seria. Foi escondida. Hoje essa participa\u00e7\u00e3o seria muito mais evidente&#8221;, comenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Essa problematiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o parecia ser relevante na \u00e9poca em que o filme foi lan\u00e7ado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em pelo menos duas cr\u00edticas publicadas no jornal franc\u00eas Le Monde sobre o filme, ambas de 1959, o escritor Jean de Baroncelli (1914-1998) classificou a obra como &#8220;sucesso franc\u00eas&#8221;. Embora reconhecesse que a hist\u00f3ria se passava no Rio, era inspirada em cria\u00e7\u00e3o do brasileiro Vinicius de Moraes e embalada pela bossa nova, enfatizava que os m\u00e9ritos criativos dessa transposi\u00e7\u00e3o para a tela eram do diretor franc\u00eas Camus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;De um ponto de vista mais estritamente cinematogr\u00e1fico, \u00e9 apropriado sublinhar os m\u00e9ritos de Marcel Camus, que, em condi\u00e7\u00f5es materiais muitas vezes dif\u00edceis, foi capaz de produzir o mais deslumbrante dos filmes de espet\u00e1culo sem nunca ceder \u00e0 vulgaridade tur\u00edstica ou \u00e0s conven\u00e7\u00f5es comerciais&#8221;, escreveu Baroncelli, em texto publicado em junho daquele ano.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Para a cineasta Lina Chamie, o resultado da premia\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de um &#8220;racioc\u00ednio t\u00e9cnico&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O Oscar, quem sobe l\u00e1 para receber [os de melhor filme] n\u00e3o \u00e9 exatamente o ator, o diretor. Sobem os produtores. E, nesse caso, embora tenha sido coprodu\u00e7\u00e3o, a Fran\u00e7a foi a produtora inicial&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Chamie exemplifica com a hip\u00f3tese de a sua produtora, a Girafa Filmes, de S\u00e3o Paulo, resolvendo fazer um filme sobre a guerra russo-ucraniana, rodado na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Para isso, eu buscaria um parceiro coprodutor na Ucr\u00e2nia e outro, vamos dizer, na Fran\u00e7a. Imaginemos que o filme seja evidentemente falado na l\u00edngua local, o ucraniano, com atores locais&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Nesse caso, o produtor local ucraniano \u00e9 muito importante, mas de quem \u00e9 o filme? O filme \u00e9 rodado na Ucr\u00e2nia, em ucraniano, com uma hist\u00f3ria ucraniana&#8221;, contextualiza ela. &#8220;Mas \u00e9 um filme brasileiro, mesmo que seja s\u00f3 com atores ucranianos. Para efeito de indica\u00e7\u00f5es, o que conta \u00e9 o produtor que iniciou o processo, a produtora proponente.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"Apropria\u00e7\u00e3o\" class=\"bbc-1lgzob2 eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>&#8216;Apropria\u00e7\u00e3o&#8217;?<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Bolognesi, contudo, lembra que h\u00e1 outro elemento que precisa ser considerado a essa discuss\u00e3o. Trata-se de um elemento contempor\u00e2neo, que muitas vezes vem sintetizado na express\u00e3o &#8220;lugar de fala&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;\u00c9 uma hist\u00f3ria brasileira. A\u00ed \u00e9 que o bicho pega&#8221;, diz ele. &#8220;Para onde vai o Oscar \u00e9 o de menos. A regra diz que \u00e9 para a produ\u00e7\u00e3o e s\u00f3 um pa\u00eds pode levar. Isso me parece inquestion\u00e1vel, que esse Oscar, pelas regras do Oscar, pertence \u00e0 Fran\u00e7a. Mas a quest\u00e3o \u00e9: que direito temos de contar hist\u00f3rias de terceiros? Onde come\u00e7a a ser uma apropria\u00e7\u00e3o dessa narrativa?&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Para ele, isso remete a uma problem\u00e1tica decorrente da viol\u00eancia colonial, que &#8220;n\u00e3o \u00e9 apenas uma economia predat\u00f3ria e destrutiva&#8221; e &#8220;uma viol\u00eancia social&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Vai muito al\u00e9m. Tamb\u00e9m se manifesta nos campos da ci\u00eancia e das artes com infinitas apropria\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma. &#8220;Tomam-se narrativas, modos de pintar e de falar de um lugar, e a autoria vai para pessoas que n\u00e3o produzem essa express\u00e3o. Apropriam-se, roubam. O processo colonial \u00e9 um imenso e infinito furto.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\">\n<figure style=\"width: 348px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"bbc-139onq\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/6017\/live\/4cfd67a0-f355-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=348%2C226&#038;ssl=1\" alt=\"Marcel Camus, o presidente Juscelino Kubitschek, Marpessa Dawn, Breno Mello e Vinicius de Morais no Pal\u00e1cio das Laranjeiras, em 1959\" width=\"348\" height=\"226\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Estreia de Orfeu Negro contou com presen\u00e7a de Marcel Camus, o presidente Juscelino Kubitschek, Marpessa Dawn, Breno Mello e Vinicius de Morais no Pal\u00e1cio das Laranjeiras, em 1959 @arquivo nacional<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-15f1ujd\" dir=\"ltr\"><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Esse filme, o processo de fazer esse filme, a maneira como esse filme foi feito apropriou-se de todos os valores culturais nossos, da cultura afrodescendente brasileira. \u00c9 disso que estamos falando&#8221;, critica Bolognesi. &#8220;Esse filme faz parte da viol\u00eancia colonial que \u00e9 roubar, expropriar hist\u00f3rias, narrativas, linguagens, modos de produ\u00e7\u00e3o, de vestimenta, de cabelo, de figurino, de modos de falar. Tudo foi surrupiado pelo chamado primeiro mundo, pelo norte global. O Oscar \u00e9 um detalhe de pouca signific\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O Oscar \u00e9 franc\u00eas. Mas o filme \u00e9 uma hist\u00f3ria preta, escrita por Vinicius de Moraes, em releitura de trag\u00e9dia grega, um processo antropof\u00e1gico que a Semana de Arte Moderna de 1922 sinalizou como resist\u00eancia cultural&#8221;, sintetiza Bolognesi.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h4 id=\"Made-in-Brazil-\u2014-mas-n\u00e3o-muito-mais-que-isso\" class=\"bbc-1lgzob2 eglt09e0\" tabindex=\"-1\"><strong>&#8216;Made in Brazil&#8217; \u2014 mas n\u00e3o muito mais que isso<\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Mesmo tendo todos esses elementos brasileiros, sendo rodado em portugu\u00eas brasileiro e contando com parte da equipe t\u00e9cnica brasileira, as decis\u00f5es art\u00edsticas e criativas do filme n\u00e3o tinham inger\u00eancia nenhuma de brasileiros: foi uma obra dirigida por um diretor franc\u00eas, Marcel Camus, produzida por outro franc\u00eas, Sacha Gordine, e assinada como uma coprodu\u00e7\u00e3o de uma empresa francesa e outra italiana, ainda que uma produtora brasileira tenha sido creditada como participante, mas n\u00e3o como coprodutora&#8221;, pontua Quintas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Como normalmente os coprodutores s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo financiamento de uma obra cinematogr\u00e1fica, e com isso passam a deter o direito patrimonial dessa obra, podemos inferir que a obra de fato n\u00e3o seria brasileira. E, como foi inscrita pela Fran\u00e7a no Oscar, possivelmente teve um financiamento maior atrav\u00e9s das fontes de recursos francesas \u00e0 \u00e9poca&#8221;, acrescenta o produtor e professor. &#8220;Assim, fica claro que o controle financeiro do filme foi estrangeiro, e que as decis\u00f5es art\u00edsticas finais sobre o filme tamb\u00e9m ficaram nas m\u00e3os de estrangeiros, sobretudo a dire\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Para o produtor Quintas, &#8220;talvez esses pontos at\u00e9 ajudem a explicar a vis\u00e3o estereotipada e romantizada que o filme traz sobre o Rio de Janeiro da \u00e9poca, com a favela sendo quase que uma balada cont\u00ednua ao sabor e ritmo do carnaval&#8221;. &#8220;Queria eu passar o dia batucando enquanto tomo caf\u00e9 e sambando com a galera no metr\u00f4 quando vou para alguma reuni\u00e3o&#8221;, ironiza. &#8220;Eeee, Brasil!&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Interessante que houve muita cr\u00edtica no Brasil por [<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>] ser uma vis\u00e3o estereotipada e tal. Indiretamente, isso tem a ver com a g\u00eanese do filme: uma produtora francesa, um diretor franc\u00eas&#8221;, comenta Chamie.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;No filme vemos um Brasil retratado por lentes e olhos estrangeiros, com personagens representando uma vers\u00e3o atualizada do bom selvagem que os portugueses pintaram quando chegaram aqui em 1500. Ou pior: dos africanos que foram trazidos contra sua vontade pra c\u00e1 para serem domesticados&#8221;, analisa Quintas. &#8220;Beira um colonialismo midi\u00e1tico com um toque modernista. Bom, sem novidades: j\u00e1 assist\u00edamos a isso acontecer nos filmes de Carmen Miranda uns anos antes, e sem esquecer do clich\u00e9 do Z\u00e9 Carioca da Disney, tamb\u00e9m uma d\u00e9cada antes.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Mas houve efeitos positivos. &#8220;Apesar de ser expressar um processo de apropria\u00e7\u00e3o, de viol\u00eancia colonial, o filme foi de extrema import\u00e2ncia para o cinema brasileiro porque tocou na autoestima do brasileiro&#8221;, reconhece Bolognesi. &#8220;Porque evidentemente \u00e9 um filme com cheiro do Brasil, com m\u00fasica brasileira, com protagonistas negros cantando e fazendo uma arte de primeira grandeza.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\">\n<figure style=\"width: 403px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"bbc-139onq\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/660e\/live\/59b29420-f355-11ef-896e-d7e7fb1719a4.jpg.webp?resize=403%2C237&#038;ssl=1\" alt=\"Cartola\" width=\"403\" height=\"237\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">O m\u00fasico Cartola participou da trilha do filme @arquivo nacional<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-15f1ujd\" dir=\"ltr\"><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O cineasta diz que isso inspirou &#8220;jovens artistas brasileiros de teatro e cinema&#8221;, fazendo com que uma gera\u00e7\u00e3o nova &#8220;acreditasse na pr\u00f3pria cultura&#8221; e visse que &#8220;nossa arte n\u00e3o est\u00e1 nos apartamentos da zona sul&#8221;, &#8220;o que \u00e9 mais significativo e relevante est\u00e1 entre as empregadas dom\u00e9sticas e os trabalhadores bra\u00e7ais que moram na favela&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;O filme ajudou essa consci\u00eancia, at\u00e9 de jovens intelectuais da bossa nova e todo o movimento intelectual que come\u00e7ou a olhar o samba, o candombl\u00e9 com muito mais respeito, come\u00e7ou a olhar os corpos que faziam o carnaval com admira\u00e7\u00e3o e respeito maior. J\u00e1 que os franceses babavam por isso&#8221;, comenta Bolognesi. &#8220;Abriu espa\u00e7o para que atores e atrizes negros brilhassem e deixassem de ser apenas vil\u00f5es, passassem a ser protagonistas.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Para isso, contribuiu a chancela internacional.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Quando os franceses disseram &#8216;isso pode ser feito&#8217; e o filme foi premiado pelo planeta, passou a virar uma refer\u00eancia&#8221;, defende Bolognesi. &#8220;Ent\u00e3o, para o foco da cultura, da pot\u00eancia da cultura origin\u00e1ria do Brasil, o filme foi extremamente importante ao revelar para as elites conservadoras retr\u00f3gradas que ali, entre os trabalhadores que at\u00e9 pouco tempo eram escravizados, havia relev\u00e2ncia cultural, express\u00e3o art\u00edstica relevante.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Quintas acredita que&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Orfeu Negro<\/i>&nbsp;contribuiu &#8220;muito mais com a difus\u00e3o da m\u00fasica brasileira do que com a difus\u00e3o cinematogr\u00e1fica nacional&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;A trilha sonora, t\u00e3o bem explorada e, essa sim, adequada ao filme, teve entre seus temas&nbsp;<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">A Felicidade<\/i>, de Tom Jobim, um dos grandes cl\u00e1ssicos da bossa nova, muito conhecido internacionalmente at\u00e9 hoje&#8221;, assinala ele.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Cr\u00e9dito: <\/strong><strong><span role=\"text\"><span class=\"bbc-1ypcc2\">Edison Veiga \/ <\/span><\/span><span class=\"bbc-1y5sx98\">De Bled (Eslov\u00eania) para a BBC News Brasil &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 5\/3\/2025<\/span><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_99938\" aria-describedby=\"caption-attachment-99938\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-99938 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=696%2C503\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?w=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=300%2C217&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=768%2C555&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=581%2C420&amp;ssl=1 581w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=150%2C108&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=696%2C503&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/59facb40-f356-11ef-8c03-7dfdbeeb2526.jpg.webp?resize=324%2C235&amp;ssl=1 324w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-99938\" class=\"wp-caption-text\">Breno Mello e Marpessa Dawn em cena de Orfeu Negro @getty images<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme se passa no&nbsp;Rio de Janeiro. A hist\u00f3ria \u00e9 em portugu\u00eas brasileiro. As&nbsp;m\u00fasicas&nbsp;s\u00e3o de Tom Jobim (1927-1994), Luiz Bonf\u00e1 (1922-2001), Vinicius de Moraes (1913-1980) e Ant\u00f4nio Maria (1921-1964). A produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 brasileira \u2014 mas n\u00e3o s\u00f3; oficialmente o filme \u00e9 \u00edtalo-franco-brasileiro. 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