Inflação só volta à meta em 2027, diz relatório do Banco Central

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@ Fernando Lopes/CB/D.A Press.

A inflação deve se manter acima do teto da meta, de 4,5%, em 2025, de acordo com as projeções do Relatório de Política Monetária, divulgado ontem pelo Banco Central. A publicação, que substitui o antigo Relatório Trimestral de Inflação, avalia que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 12 meses deve encerrar o ano no patamar de 5,1%.

O BC projeta um cenário no qual somente no primeiro trimestre de 2026 a inflação de 12 meses volta a ficar abaixo do teto da meta. No fim do próximo ano, a expectativa é que a taxa recue para 3,7%, para então atingir o centro da meta, de 3%, no segundo semestre de 2027. Durante a entrevista de apresentação do relatório, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu que a autoridade monetária trabalha com um cenário de inflação acima da meta durante um longo período. “A gente sabe que a gente vai conviver com uma inflação acima da meta e que os mecanismos de transmissão desse processo vão se dar nesta ordem que a gente tem comunicado”, disse.

Confirmado esse cenário, a autoridade monetária terá de encaminhar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no próximo mês de julho, explicando as razões para o descumprimento da meta, conforme prevê o novo sistema de metas contínuas, que entrou em vigor em janeiro deste ano.

 
Galípolo ainda reconheceu, durante entrevista coletiva de anúncio do Relatório de Política Monetária, nesta quinta-feira (27/3), que a autoridade monetária trabalha com um cenário de inflação acima da meta durante um longo período. – (crédito: Raphael Ribeiro/BC)

“As projeções de inflação se mantiveram acima da meta, tornando a convergência para a meta desafiadora”, destacou o BC, no relatório. Sobre a atividade econômica no país, o Banco Central reduziu a projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 1,9%. De acordo com a autoridade monetária, a mudança foi causada pela queda nas previsões para os setores de indústria e serviços, alinhado com resultados negativos no último trimestre de 2024 e pela expectativa maior de desaceleração ao longo do ano. “Em termos de trajetória do PIB ao longo do ano, projeta-se um crescimento mais expressivo no primeiro trimestre, após a alta modesta no quarto trimestre de 2024, e certa estabilidade nos trimestres seguintes”, avalia o BC.

Resultados mais fortes na agropecuária, juntamente com o aumento no valor do salário-mínimo e a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), devem contribuir para a aceleração da atividade no primeiro trimestre, de acordo com o relatório. Por outro lado, uma parte do crescimento esperado para o primeiro trimestre parece ser influenciado por ajustes sazonais, o que faz com que as expectativas para a atividade econômica no início de 2025 ainda tenham que ser feitas com cautela, na avaliação do Copom.

Na entrevista, Galípolo disse que ainda não há definições sobre quanto tempo deve durar o período atual de taxas de juros mais elevadas. Após o aumento de 3 pontos-base na Selic, que passou de 11,25% para 14,25% em apenas três reuniões, Galípolo disse que o ciclo de política monetária mais restritiva deve se estender. “O Banco Central tem consciência de que esse é um momento um pouco mais incômodo do ponto de vista de indicadores econômicos que você vai estar com uma taxa de juros caminhando para um patamar elevado, do ponto de vista de contração, e ainda com uma inflação que vai estar rodando acima da meta e que a gente espera, dentro do cenário que está projetado, que isso vai começar a bater na atividade (econômica)”, destacou o presidente.

Galípolo reconheceu que a autoridade monetária trabalha com um cenário de inflação acima da meta durante um longo período. “A gente sabe que a gente vai conviver com uma inflação acima da meta e que os mecanismos de transmissão desse processo vão se dar nessa ordem que a gente tem comunicado”, disse.

Fiscal

O relatório divulgado ontem destaca que a situação fiscal do país é “bastante desafiadora”. “Os analistas esperam que 2025 tenha deficit primário maior do que o ano anterior — o que interromperia a recente trajetória de melhora — e que a razão dívida/PIB siga crescendo ao longo da década”, destaca o documento. De acordo com o BC, a maior parte dos analistas acredita que não houve uma mudança relevante na situação fiscal desde o fim de 2024.

No ano passado, apesar de o resultado primário do setor público ter melhorado em comparação a 2023, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu, chegando a 76,1% do PIB. Para 2025, a maioria dos analistas ouvidos pelo BC considera que a meta de resultado primário deve ser cumprida novamente, apesar de ainda sugerirem que o quadro fiscal segue desafiador.

Crédito: Raphael Pati / Correio Braziliense – @ disponível na internet 29/3/2025

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