Ficção científica vira plano real: data centers de IA podem ser construídos no espaço
Outros que prometeram apoio à ideia incluem Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin; Sam Altman, diretor-presidente da OpenAI; e Jensen Huang, CEO da Nvidia.
“Não é um debate — isso vai acontecer”, disse Philip Johnston, CEO da Starcloud, uma startup de data centers espaciais. “A questão é quando.”
A noção ganhou força à medida que a corrida da IA atingiu um ponto de febre, alimentando temores de uma possível bolha. Meta, OpenAI, Microsoft, Amazon e outras grandes empresas de tecnologia estão investindo centenas de bilhões de dólares em data centers pelo mundo, com a OpenAI sozinha comprometendo US$ 1,4 trilhão nesses projetos.
A Arábia Saudita e outros países também estão despejando dinheiro nesses esforços, enquanto empresas menores acumulam dívidas e assumem riscos financeiros para entrar na disputa.
Mesmo assim, data centers em terra estão cada vez mais esbarrando em limites. Em muitos lugares, os projetos não têm energia disponível suficiente para as necessidades de computação. Também surgiu oposição local sobre se os data centers estão aumentando as contas de serviços públicos e agravando a escassez de água.
Isso levou a ideias mais criativas — alguns diriam mais otimistas — com data centers espaciais. Técnicos e cientistas pesquisaram a ideia e concluíram que alguma versão desses projetos pode ser viável nas próximas décadas. Mas céticos afirmam que as propostas contrariam leis físicas e seriam astronomicamente caras.
Figuras de destaque da tecnologia, como Musk, também fizeram recentemente comentários sobre data centers espaciais em uma escala muito maior do que as pesquisas atuais sugerem ser possível, disse Pierre Lionnet, economista espacial e diretor da Eurospace, uma associação do setor.
“É completamente sem sentido”, afirmou.
A Nasa (Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço) apresentou a ideia de data centers espaciais na década de 1960. Nos anos 1980, o conceito de “repositórios de dados” no espaço surgiu em histórias de ficção científica. Na última década, também emergiu a noção de data centers espaciais capazes de alimentar a IA moderna.
O principal benefício de construir um data center no espaço é a energia abundante, com acesso quase 24 horas por dia ao sol e sem nuvens para obstruir os painéis solares do projeto, disse Johnston. Também há menos regulações ambientais do que na Terra, sem mencionar a ausência de vizinhos para se opor à instalação ou reclamar da conta de luz.
Mas a viabilidade depende de se será mais barato lançar materiais ao espaço e de se problemas técnicos como radiação e refrigeração poderão ser resolvidos nesse meio-tempo. Especialistas divergem sobre quão rapidamente essas condições poderão ser atendidas.
“Como tese de negócio, é plausível”, disse Phil Metzger, professor de física na Universidade da Flórida Central e ex-físico da Nasa. “É uma discussão em evolução.”
Data centers no espaço seriam diferentes das instalações do tamanho de estádios de futebol na Terra. A maioria dos conceitos visuais de empresas como a Starcloud se parece com grandes satélites, com um conjunto de servidores abrigando chips de IA no centro de quilômetros de painéis solares para alimentá-los.
Os data centers teriam de ser reconstruídos a cada cinco anos, que é quando os chips costumam ser substituídos, disse Johnston, da Starcloud. Eles seriam visíveis ao amanhecer e ao entardecer da Terra, aparecendo no céu com cerca de um quarto da largura da lua, afirmou.
Mas é caro demais criar data centers espaciais hoje. Um quilo de material custa cerca de US$ 8.000 para ser lançado ao espaço, disse Lionnet. A taxa mais barata — cerca de US$ 2.000 por quilo — é oferecida pela fabricante de foguetes SpaceX, acrescentou. Racks individuais de servidores em um data center podem pesar mais de 1.000 quilos.
Se os custos de lançamento espacial caírem para cerca de US$ 200 por quilo, a economia começará a fazer sentido, disse Metzger.
Ele prevê que isso levará cerca de uma década. Em um artigo de pesquisa sobre o Suncatcher publicado em novembro, o Google previu que os custos poderiam cair a esse nível “em meados da década de 2030”, comparando o cronograma aos seus táxis-robôs autônomos, que levaram 15 anos para serem desenvolvidos.
Chips e semicondutores modernos também não são feitos para suportar a radiação no espaço, o que prejudicaria sua capacidade de computar de forma confiável, disse Benjamin Lee, professor de engenharia elétrica e de sistemas na Universidade da Pensilvânia.
E, embora o espaço esteja a congelantes -235ºC, ele também é um vácuo. Isso significa que não há ar para transferir o calor dos chips de IA. Para resfriá-los, os data centers precisariam, em vez disso, de grandes painéis radiadores para dissipar o calor.
Obstáculos assim não impediram pessoas como Musk, que lidera a SpaceX e a startup de inteligência artificial xAI.
Musk começou a discutir data centers espaciais com outras pessoas em novembro, no X, a plataforma social que ele possui, dizendo que a “escalada séria da IA” teria de “ser feita no espaço”.
Em outra postagem, ele cogitou construir 300 gigawatts de data centers espaciais, o que exigiria mais da metade da energia que os Estados Unidos usam em um ano.
Bret Johnsen, diretor financeiro da SpaceX, disse em carta a acionistas no mês passado que a empresa exploraria uma oferta pública inicial no próximo ano em parte para levantar dinheiro para projetos, incluindo “data centers de IA no espaço”.
A SpaceX e Musk não responderam a pedidos de comentário.
Tom Mueller, ex-executivo da SpaceX que acredita que os humanos chegarão ao limite das fontes terrestres de energia até 2040, disse que parte do motivo de Musk e outros líderes de IA estarem falando sobre data centers espaciais é a oportunidade financeira.
“A coisa mais quente para investir agora é IA, e a segunda coisa mais quente é o espaço”, disse Mueller. “Agora elas estão convergindo.”
c.2026 The New York Times Company
Crédito: Eli Tan e Ryan Mac no The New York Times / InfoMoney – @ disponível na internet 8/1/2025













