Uso de celulares dá mais autonomia para idosos, mas os torna alvos fáceis para golpes

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@reprodução internet / portal zumm.
Dados do IBGE mostram que uso de internet por pessoas acima de 60 anos saltou de 24,7% em 2016 para 66% em 2023; exposição digital aumenta vulnerabilidades e golpes financeiros
 
O uso da internet por idosos acima de 60 anos disparou no Brasil, passando de 24,7% em 2016 para 66% em 2023, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).Essa inclusão digital traz benefícios como redução da solidão, maior autonomia em finanças e acesso a serviços de saúde, mas também expõe os longevos a riscos como fraudes online.

O maior aumento de tentativas de golpe em 2024 foi contra esse público, de acordo com a Serasa Experian.

“A maior participação de pessoas idosas no ambiente digital é uma oportunidade para a sociedade. A internet possibilita aos longevos manter vínculos sociais, reduzir a solidão, estudar e vivenciar experiências, acessar serviços de saúde, ter autonomia em suas finanças e independência.” — afirma Antônio Leitão, gerente geral do Instituto de Longevidade MAG

Segundo Leitão, essa inclusão, porém, só será plena se vier acompanhada de educação digital para promover mais capacitação em segurança online e reduzir riscos como fraudes e desinformação.

Conexões, independência e autoestima

Karoline Fiorotti, professora de geriatria na Afya Educação Médica Vitória, afirma que aplicativos como WhatsApp, chamadas de vídeo e redes sociais ajudam a diminuir o isolamento social vivido pelos idosos.

“Essas ferramentas permitem que os idosos se conectem com familiares, amigos próximos, se reconectem com amigos do passado ou que estejam distantes, façam novas amizades e grupos baseados em interesses comuns e se mantenham sempre conectados”  Karoline Fiorotti, professora de geriatria na Afya Educação Médica Vitória

Outros benefícios do uso para essa parcela da população são o acesso a notícias, cursos, saúde e entretenimento, além da independência para transações bancárias, compra de ingressos, marcação de consultas e compras online.

“Tudo isso sem sair de casa e sem depender da disponibilidade de terceiros”, observa Fiorotti.

Na perspectiva de Andrea Moreira, sócia-diretora da Yabá Consultoria e especialista em ESG social, toda essa possibilidade de conexões sociais e autonomia impacta diretamente na qualidade de vida e longevidade dos idosos.

Por que os idosos viram alvos fáceis de golpes?

Apesar dos benefícios, a exposição digital aumenta vulnerabilidades, especialmente financeiras — um alerta para o setor de seguros, que vê mais fraudes contra longevos. 

Os idosos são alvos fáceis por terem menor familiaridade com a tecnologia, confiança excessiva em estranhos e limitações de atenção e memória.

“Pode ser mais difícil perceber inconsistências em uma história contada por um golpista”, diz Fiorotti, da Afya.

Golpes comuns incluem impostores se passando por familiares em perigo pedindo transações, boletos falsos, mensagens sobre pagamentos inexistentes ou solicitações de dados pessoais como senhas e cartão de crédito (phishing). 

“Há também golpes de romance ou relacionamentos falsos, nos quais as vítimas acabam perdendo dinheiro. Os golpistas manipulam emoções e decisões financeiras de idosos com maior facilidade”  Andrea Moreira, sócia-diretora da Yabá Consultoria

Capacitação e ferramentas inclusivas podem ajudar

Reverter riscos exige ações concretas de políticas públicas, empresas e terceiro setor, segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney.

Fiorotti recomenda programas de inclusão em centros de convivência, escolas, universidades e unidades de saúde, com divulgação de golpes e canais de denúncia.

“Criar interfaces com melhor visibilidade, fontes ampliadas, maior contraste, mais simplificados e com assistentes digitais que auxiliem na navegação dos idosos e tornem o ambiente mais seguro” diz.

Já Moreira lista algumas soluções para diminuir os riscos:

  • Capacitações em segurança digital: Promover cursos presenciais e híbridos com linguagem acessível e simples (considerando analfabetos funcionais), oferecidos em CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e pelo terceiro setor, incluindo exemplos práticos de golpes com vídeos e ilustrações intuitivas;
  • Centros de apoio rápido: Criar linhas telefônicas confiáveis com atendimento humano imediato para esclarecer dúvidas ou resolver problemas na hora;
  • Programas de mentoria intergeracional: Capacitar jovens como voluntários ou mentores para ajudar idosos a reconhecer links falsos, gerenciar senhas e navegar com segurança;
  • Campanhas de prevenção: Realizar ações em rádio, WhatsApp, TV e outros canais, alertando sobre golpes, ensinando a bloquear contas e reagir a ligações suspeitas;
  • Design de produtos mais protetores: Empresas devem criar ferramentas digitais simples, com alertas claros, maior proteção automática e opções híbridas (não 100% virtuais), respeitando realidades econômicas e educacionais de idosos.

“Não se trata só de pessoas acima de 60 anos. Considerando a realidade econômica e educacional do Brasil, é essencial buscar soluções para pessoas acima dos 40 anos também”, afirma Moreira.

Crédito: Vitor Oliveira / InfoMoney – @ disponível na internet 29/1/2026

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