Abertura de 2026 expõe tensões entre política, justiça e governança institucional

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A abertura oficial do exercício de 2026, marcada por sessões solenes no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciou não apenas o início dos trabalhos formais dos Poderes, mas também o acirramento de disputas políticas e institucionais que já vinham se desenhando no cenário nacional.

No STF, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada por forte conteúdo político. Segundo análise publicada pelo O Estado de São Paulo, o chefe do Executivo utilizou o ambiente do Supremo como espaço de projeção discursiva, retomando pautas tradicionais de seu campo político e evitando enfrentar temas sensíveis da conjuntura, como os desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master.   

O gesto reforça a percepção de que o Judiciário tem sido, em determinados momentos, incorporado à dinâmica do embate político, o que reacende debates sobre limites institucionais e separação de Poderes.

Ainda no STF, o presidente da Corte, Edson Fachin, anunciou a elaboração de um novo Código de Ética do Supremo Tribunal Federal, iniciativa que terá como relatora a ministra Cármen Lúcia.   

O anúncio sinaliza uma tentativa de resposta institucional às crescentes cobranças da sociedade por mais transparência, integridade e previsibilidade nas decisões da Corte, em um contexto de desgaste da imagem do Judiciário e de intensa exposição midiática.

No Congresso Nacional, a sessão de abertura também revelou tensões relevantes. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal defenderam publicamente a manutenção do poder dos parlamentares na definição do destino das emendas, tema central nas discussões sobre orçamento, governabilidade e controle do gasto público.   

Em sua mensagem ao Legislativo, o presidente Lula apresentou um balanço positivo do último ano, destacando indicadores econômicos e elogiando a relação com o Parlamento, ao mesmo tempo em que o debate sobre emendas segue no centro das disputas entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

O conjunto desses movimentos indica que 2026 se inicia sob forte carga política e institucional. A abertura dos trabalhos não se limitou a ritos formais, mas expôs conflitos latentes sobre governança, transparência, responsabilidade fiscal e os papéis de cada Poder da República.   

Para os servidores públicos e para a sociedade, o desafio permanece o mesmo: fortalecer instituições, preservar a autonomia dos Poderes e assegurar que o interesse público prevaleça sobre agendas circunstanciais ou eleitorais.

Diretoria Executiva do ASMETRO-SI 3/2/2026


Fontes de consulta
  • “Lula usa STF como palanque, ignora teia da crise do Master e faz Congresso de trampolim eleitoral”, coluna do Estadão, fevereiro de 2026. O Estado de São Paulo 
  • “Fachin anuncia Código de Ética do STF; Cármen Lúcia será a relatora”, coluna Manoela Alcântara, fevereiro de 2026. Metrópoles 
  •  “Presidentes da Câmara e do Senado defendem poder de parlamentares escolherem destino das emendas”, edição de 2 de fevereiro de 2026. Jornal Nacional / G1 

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